sábado, 19 de agosto de 2023

Chuva, Jogos e Chocolate Quente [Support]

Chuva, jogos e chocolate quente 



Personagens: Ralph, Elice e Clover;

Gênero: Slice of Life;

Tema: Os personagens ficam presos na biblioteca durante uma noite chuvosa;

Sugestão do leitor: Sir Naponielli.


Notas do Autor:

 Eu não estaria mentindo se dissesse que essa ideia estava parada desde 2019 ou 2020, quando eu ainda planejava escrever as histórias paralelas para o blog. Nossa, eu nem quis terminar a arte do desenho, mas vai ficar assim mesmo. Com o passar do tempo foi ficando mais difícil de conseguir escrever apenas por prazer, e chega uma hora que a vida cobra suas prioridades.

Na última semana eu decidi voltar com o blog e trazer todos os conteúdos que eu tinha planejado e nunca entreguei. São cerca de 20 posts, então pretendo tentar postar ao menos um por semana até o fim de 2023 (céus, esse é o meu primeiro post do ano!). Ainda que quase ninguém ainda frequente blogs ou leia as coisas por aqui, estou contente por entregar algo que tenha toda a essência que eu sempre gostei dos Supports, além de mostrar um personagem que aparece no Livro 4 e eu nunca tinha explicado o motivo. É canônico, hein?

De qualquer forma, me desculpe pela demora de 3 anos, mano Napo! Pode ser que este seja nosso último Support, mas espero que a vontade volte a aparecer assim como novas histórias. Pegue o seu chocolate quente e boa leitura.



Ralph recolheu-se para longe da janela quando um relâmpago estourou, seguido por um clarão e enfim o ensurdecedor trovão que fez a estrutura da escola tremer. A biblioteca estava silenciosa e todos os demais alunos já tinham ido embora, exceto por Elice que folheava alguns gibis para afastar o tédio.

A Srta. Clover se encarregara de dar aulas de reforço para a garota, uma vez que ela nunca sequer tivera aulas presenciais. No começo foi estranho ter de compartilhar uma sala com outros vinte e tantos alunos. Quando estudava em casa com seu irmão, a atenção de Aedan era única e exclusivamente sua. Ele não tinha conhecimento aprofundado em nenhuma matéria, o que resultou em um singelo atraso em questões de matemática e língua estrangeira; mas Elice se saía muito bem em geografia e história de Sellure, além de ciências básicas e a magia dos tótines, pois era esforçada e curiosa por natureza.

— Não se preocupe, Elice. O Ralph teve aulas de reforço até se formar e ir para a academia — brincou a Profº Clover na ocasião. — E mesmo hoje ele costuma vir passar algumas tardes comigo aqui na escola.

Mas agora já passava das oito da noite, e a chuva não dava sinal de que daria uma trégua. Sendo uma tótines com um conhecimento tão profundo na natureza, Clover devia ter se atentado mais à mudança no tempo e os calafrios que Hayley vinha sentindo. Um raro ciclone fazia sua passagem pelo Mar Plano, mas ainda que não alcançasse a terra tinha força o suficiente para deixar o mar agitado e de ressaca como um bêbado imprevisível.

Elice deixou o gibi cair em sua cara e depois esticou os braços para os lados, estirada feito um tapete.

— Tô entediada.

— E eu tô com medo — murmurou Ralph, que detestava trovões e barulhos altos.

Clover terminou de corrigir a última prova e guardou o amontoado de papéis em sua pasta. Agora que adiantara o serviço, precisava ao menos entreter as crianças e garantir que eles não saíssem espalhando por aí que sua professora era ultrapassada e sem graça. Conhecia algumas maneiras de divertir os mais novos quando dava aulas para o ensino primário, mas adolescentes era um pouco mais chatos e exigentes.

— Então — Clover perguntou, cruzando os dedos para apoiar o rosto sobre suas mãos. — O que a geração de vocês faz quando estão entediados?

— Hmm... Deixa eu pensar — Elice começou a contar nos dedos sem se levantar. — Assisto desenhos animados. Vou passear no parque. Tomo sorvete. Faço esculturas de gelo das pessoas que detesto pra depois destruir elas.

— Certo — Clover ergueu as sobrancelhas e tentou mudar de assunto. — Seria muita maldade pedir que adiantem a lição de casa de amanhã, afinal, o cérebro também precisa descansar para poder aprender.

— Isso se as aulas não forem canceladas e a estrutura da escola ruir — Ralph respondeu trêmulo. — Tenho medo que o mar engula a Pequena Colina inteira!

— Isso não vai acontecer, e vocês não conseguirão fugir de mim.

Clover levantou-se de sua mesa e foi até um dos armários nos fundos, trazendo consigo uma caixa de papelão cheia de tranqueiras. Ela tirou os sapatos e sentou-se no chão junto de Elice, e logo Ralph aproximou-se para saber do que se tratava.

— Vocês já jogaram jogos de tabuleiro? — perguntou a professora.

— Uau... — Os olhinhos de Ralph brilharam. — O que são todas essas pecinhas pequenas e essas cartas com artes maneiras? E o que é essa coisa quadrada com bolinhas?

— Você nunca viu um dado? — Elice perguntou, tentando bancar a sabichona. — Eu aprendi com o meu irmão a jogar. Ele frequentava uns lugares bem legais onde as pessoas faziam apostas e ganhavam dinheiro com isso. Tinha também umas mulheres dançando em cima do palco, e--

— Pra resumir, é muito simples — Clover a interrompeu, pegou o dado de sua mão e o jogou, rolando o número cinco. — Agora eu escolho o peão verde, minha cor, e avanço cinco casas. O que diz no cenário?

— “Você se deparou com uma emboscada. Volte uma casa para se reagrupar e perca -10 de mantimentos” — Ralph leu em voz alta.

— Viram só? É bem simples. Querem tentar me desafiar? — Clover os instigou, parecendo muito convencida ao se vangloriar de suas habilidades. — Pois saibam que eu sou muito sortuda para essas coisas, e sempre ganhava quando meu filho trazia os amiguinhos dele para jogar em casa.

— Hah! Como se eu fosse negar um desafio — Elice se prontificou. — Vamos lá, Ralph. Não deixaremos ela se gabar com esse título de campeã por muito tempo.

Os jovens tentaram buscar a vitória, mas sua professora era mesmo muito sortuda. Não à toa recebera o título de Bad Lucky Clover — azar para uns, sorte para os outros —, pois em menos de vinte turnos ela conquistara uma vantagem astronômica, dominando o tabuleiro inteiro e instalando um reinado que não poderia ser superado nem em mil anos.

— Epa, acho que ganhei — disse a mulher de forma meiga.

— Ai, profê! Você é muito competitiva. Desse jeito o Ralph nunca mais vai querer jogar com você.

— Tá brincando? Eu amei! Só agora que estou entendendo as regras, e percebi que dá pra elaborar uma estratégia se eu guardar os itens e usá-los para atrasar o ritmo do adversário ou fazê-lo perder o controle de uma capital importante. Não se trata apenas de sorte.

— Vejo que você prestou bem atenção nas minhas instruções. Bom menino — Clover afagou-lhe a cabeça, orgulhosa. — Um dia você irá me suceder como a Mestra nesses jogos.

— Cansei disso. Quero outra coisa — resmungou Elice, que não gostava de perder. — Na verdade, estou ficando com um pouco de fome... mas não acho que vamos conseguir nada pra comer aqui com a cantina fechada.

— E se a tempestade nunca mais parar? Nós vamos morrer de fome? — Ralph voltou a se assustar com a ideia. — Tem muita coisa que eu preciso fazer, muito lugar pra explorar! Não deu nem tempo de cair o meu salário desse mês! Se precisar, eu saio correndo nessa chuva para buscar reforços. Será que o Capitão Relâmpago serve como para-raios?

— Ninguém vai sair nessa chuva, porque não quero ninguém gripado. Crianças, um adulto sempre está prevenido para essas situações — explicou-lhes a Srta. Clover. — Vocês esqueceram que eu sou uma confeccionadora de selos? Posso conjurar o meu caldeirão bem aqui, e... usá-lo pra cozinhar vocês.

O trovão que estourou fez as pernas de Ralph tremer conforme as silhuetas da professora eram iluminadas pelo clarão como se ela fosse uma bruxa aterrorizante. A luz oscilou e até mesmo Elice teve de admitir que levara um sustinho. Clover riu alto e divertiu-se com a cena, prometendo aos dois que lhes faria um sanduíche e uma bebida especial na sala de professores.

— Comportem-se vocês dois, ouviram? Nada de aprontarem até eu voltar.

Ralph e Elice baterem continência e voltaram a procurar alguma forma de se entreterem. O garoto continuou a estudar as cartas no tabuleiro enquanto sua amiga foi vasculhar o que mais de legal poderia encontrar na biblioteca. Ela voltou trazendo consigo um álbum de figurinhas incompleto, doado por alguma criança que provavelmente já se formara havia muito tempo.

— O que é isso? Posso ver? — perguntou Ralph.

— Senta aqui. — Elice o puxou para mais perto e o pôs sentado em uma almofada. — Se você nunca viu um dado, nunca deve ter colado figurinhas também. O que você fazia pra se divertir lá na sua terrinha onde só tem gecko?

— Eu imaginava um montão de coisas legais. Saía pra caçar dragões, brigava com os moinhos de vento... Nunca me sentia entediado, nenhum dia. Ainda me surpreendo quando penso que eu tinha o vilarejo inteiro para explorar, mas você mal podia sair de dentro de sua casa.

— Sim, e mesmo assim nós dois nos divertíamos de formas diferentes. Eu precisava usar minha imaginação como você — contou Elice. — Olha, essa é uma edição antiga do álbum de Grandes Heróis do Reino de Sellure, eu tinha um desses! O Aedan comprava um montão de pacotes na banca perto da mercearia, e eu esperava toda contente pra abrir e tentar tirar uma figurinha rara.

— Ela é rara porque é valiosa?

— Ela só é brilhante. Eu as classificava como comuns, incomuns, raras, e... lendárias.

— Uau — disse Ralph impressionado, desejando algum dia ter tido a chance de tirar um daqueles pacotinhos só pela sensação de conseguir as tais figurinhas lendárias. — Ah, olha aqui! Tem uma do Tokay Asa Negra com as bordas douradas!

— Siiim, ele com certeza era raro! Geralmente os personagens mais legais são as figurinhas mais requisitadas pelos fãs. Por exemplo, se você fosse uma figurinha, muito provavelmente seria dessas comuns e sem graça.

— Estou começando a entender. Creio então que o Aedan e a Auria seriam raros, enquanto o Raegar e o Raito seriam lendários. Aposto que o Bill e o Lesten seriam dessas comuns também. O que mais tem de legal aí?

— Tem o Ronem Romenor, o Conquistador. Ele foi o primeiro rei de Sellure, mas não deixou herdeiros e teve um fim muito trágico. Eu li um livro uma vez que contava a história dele. Espera um pouco, qual era o nome da vovó da Srta. Clover mesmo?

— Dona Hortência, eu acho.

— Nossa, essa feiticeira aqui também se chamava Hortência. Segundo a descrição ela foi uma das Sacerdotisas da Lua e era capaz de ter previsões sobre o futuro, além de atuar como estrategista de Ronem Romenor. Só que ela viveu há quase 100 anos. Quais seriam as chances de que fossem... a mesma pessoa?

— Aquela velhinha? Sem chance — brincou Ralph. — Ah, droga! Agora estou com vontade de criar o meu próprio álbum de figurinhas com nossos amigos.

Ralph e Elice continuaram a folhear as páginas, o que acabou por ser uma verdadeira aula de história. Eles se surpreenderam ao se depararem com Drake dentre os personagens lendários, e agora mal podiam esperar pela chance de mostrar para ele e dizer que depois de morto alguma empresa devia estar usando sua imagem para vender bonecos e brinquedos. Doppel com certeza morreria de rir, e Raegar faria questão de ter um boneco dele.

Para sua tristeza, faltavam as figurinhas do Velho Canas em seu auge e também de General Defesa. Ralph estava muito curioso para saber como eles eram em sua juventude.

Elice olhou de relance para o garoto ao seu lado e sentiu as bochechas corarem. Ele estava perto o bastante para sentir o seu corpo quente em contraste com a sensação sempre gélida que ela passava. Era adorável vê-lo sorrir e falar sobre as coisas que gostava, relembrando as tantas histórias que escutara do Narrador e como aquilo atiçara sua imaginação quando pequeno.

Quando sentiu o cansaço bater, Elice encostou a cabeça no ombro do amigo e ficou por algum tempo assim, sem escutar nada do que ele dizia, mas satisfeita por ter a chance de estar do lado dele.

— Eu espero que você nunca vire uma figurinha — falou Elice.

— Por quê? Eu queria virar uma.

— Porque no dia que você aparecer em um álbum assim, significa que você já morreu, ou que você se tornou grande o bastante para ser famoso. E aí com o tempo você... vai ter se esquecido de mim.

— Não diga bobagens — respondeu Ralph, sem desviar os olhos das páginas. — É óbvio que você vai estar lá em cima comigo.

Elice ficou tão vermelha que precisou esconder o rosto atrás do cabelo, ainda que o garoto continuasse completamente alheio o que acabara de dizer.

Cerca de meia hora depois, Clover voltou trazendo uma bandeja com os sanduíches e uma de suas especialidades — um delicioso chocolate quente cremoso com calda de caramelo. Mesmo que Ralph já fosse um adolescente e Elice tivesse acabado de completar doze anos, a Srta. Clover sempre os tratava como se fossem suas crianças, um resquício de seus traços maternos e a maneira como adorava cuidar e proteger os outros ao seu redor.

A professora cruzou as pernas e observou os dois jovens que riam e conversam contentes. Estava gostando muito da vida na Pequena Colina, e se orgulhava do quanto a escolinha vinha prosperando sob sua orientação como diretora. Claus e Rebecca deviam estar em casa a essa hora preparando a janta e cuidando da Vovó Hortência em sua ausência, não escondia como era grata pela ajuda deles. Às vezes até sentia como se todos os seus alunos fossem também seus filhos. Apesar do desejo inato de ser mãe outra vez, sentia que já era velha e ultrapassada para tentar, além de que dificilmente teria a chance de conhecer alguém que fizesse seus olhos brilharem outra vez.

— É muito bom ser jovem, não? — murmurou Clover, mais para si mesma do que para que alguém a ouvisse. — Sentir que tem tempo de sobra para arriscar, tentar coisas novas, e... ser feliz sem precisar de um motivo para isso.

Quando Ralph a conhecera, Clover já tinha perdido seu filho e marido durante a Caça aos Tótines. Queria ter tido a chance de conhecê-la em seu “auge”, talvez vê-la sorrir mais. Sentia que uma nuvem de tristeza a permeava sempre que a via sozinha, divagando os detalhes, como se todos ao seu redor tivessem o direito de ser feliz, menos ela.

— Como é se apaixonar por alguém, Srta. Clover? — perguntou Ralph.

A mulher deu um sorriso de relance ao perceber que Elice encolheu os ombros e desviou o olhar. Ela ainda podia ser muito nova para entender de romances, mas estava claro que começava a sentir algumas coisas.

— Bem, eu... isso faz muito tempo. Vocês querem mesmo ouvir uma velha falar sobre sentimentos?

— Que outra pessoa teria para perguntar? — questionou Elice, claramente interessada. — O Aedan é um chato nesses assuntos, tanto que tá solteiro até hoje. A tia Elma é totalmente autônoma e diz não precisar de homem para nada, enquanto a Tootie se enrola toda e no fim não explica nada.

Clover soltou uma risada adorável e voltou a se aconchegar entre os mais jovens, recolhendo uma porção de almofadas para que os três se estirassem no chão enquanto escutavam o barulho da chuva nas telhas.

— Eu tinha uns dezesseis anos e tinha acabado de ingressar na academia de Helvetica quando o conheci...

— O seu marido? — Elice perguntou com malicia.

— Não exatamente. Mas eu acho que foi a primeira pessoa que eu realmente amei nessa vida. Ele tinha cabelos escuros e um sorriso contagiante, só que era tão tímido que praticamente desaparecia no fundo da sala, tentando passar despercebido. Só que eu sabia que ele ficava me olhando lá de trás — contou a feiticeira. — Era dia 21 de Fevereiro, e ele juntou toda a coragem que tinha para vir conversar comigo. Com o passar do tempo, fui gostando mais e mais dele porque ele era compreensivo, gentil e me escutava. Nós passávamos horas falando sobre tudo enquanto caminhávamos pelos parques do Bosque Peridota. Quando me dei conta, eu estava apaixonada.

— Então antes de se apaixonar por alguém, você precisa ser amigo dela? — perguntou Ralph.

— Este é um passo importante, mas cada um tem a sua forma de amar. Algumas pessoas simplesmente sentem atração física, outros se impressionam com a capacidade intelectual ou poder aquisitivo. Alguns se apaixonam sem nunca ver o outro pessoalmente, acredita?

— Como assim? — perguntou Elice entre risadas.

— Trocando cartas e mensagens, oras! Esse mesmo rapaz por quem me apaixonei foi meu amigo de correspondência depois que nos formamos na academia. Cada um foi para o seu canto, procurei me aprimorar no estudo da mana e confecção de selos enquanto ele tentou carreira no exército. Depois de um tempo as cartas foram se tornando mais escassas, levavam meses para ter uma resposta, até que um dia não chegaram mais.

A expressão no rosto de Ralph minguou e ele lamentou em silêncio. Elice estava desapontada por aquela história ter tido um final triste, mas Clover foi ágil em remediar.

— Ah, mas isso não quer dizer que ele morreu! Só paramos de conversar mesmo — disse a mulher entre risos. — Acontece.

— Ô, caramba. E eu aqui emocionada pensando que era uma daquelas histórias de romance dramáticas que viram filme. Devolva minhas lágrimas! — praguejou Elice.

— Eu não entendi — emendou Ralph. — Então por que vocês pararam de conversar? Por que deixaram de serem amigos?

— Bem — Clover procurou uma forma clara de explicar —, um dia a vida adulta chega para todos. Temos de administrar melhor o nosso tempo, e muitas vezes não sobra nem energia para escrever uma carta a alguém para dizer que sente saudade. Aposto que nenhum jovem faz isso hoje em dia.

— Eu troquei cartas com a Auria nos tempos do exército. Tenho todas guardadas.

— Pois as guarde bem. Serão o seu tesouro — continuou Clover, retomando a sua história. — Depois que paramos de nos falar, eu me casei e tive um filho com outra pessoa. Tornei-me professora, me dediquei aos estudos e passei a viver tão ocupada que não tinha tempo para mais nada. O que quero dizer é que quase sempre não vamos terminar com a pessoa que imaginávamos. Afortunados são aqueles que se apaixonam e se casam com o primeiro a quem entregou seu coração.

Elice virou-se discreta e ficou encarando Ralph com os braços para trás. Ele tinha aquele jeito bobão e espontâneo, mas fazia o seu coração bater mais depressa. Apesar dos cinco anos que os separavam, dizem que as garotas amadurecem mais depressa. Ele não se parecia em nada com os heróis dos tempos antigos; na verdade, ele só queria mesmo era brincar e colar figurinhas, e justamente por isso parecia tão real. Havia alguma coisa que o fazia lembrar de Aedan, como se soubesse que ele sempre estaria ali para protegê-la.

“Sossega aí, coração. Volte para dentro e fique quietinho até ficarmos mais velhos”, disse Elice para si mesma.

A conversa se estendeu por tanto tempo que, quando se deram conta, a chuva já diminuíra. Por volta das dez da noite, Aedan, Raegar e o tio Bernard vieram trazendo agasalhos e um enorme guarda-chuva para protegê-los no caminho até em casa. Elice abraçou seu irmão e lembrou-se porque o amava tanto — sabia que ele sempre viria socorrê-la quando precisasse. Raegar por outro lado deu uma tremenda bronca em Ralph por não ter avisado ninguém onde estava, mas no fim sentiu mesmo era alívio por saber que todos estavam bem.

A Srta. Clover reuniu seus pertences e trancou a biblioteca, satisfeita por ter tido uma noite tão agradável ao lado de suas crianças com direito a jogatina e chocolate quente; mas apenas três dias depois ela sentiu a garganta roçar, o nariz entupir e uma febre infernal tomar conta. Precisou se ausentar no fim de semana e viajar até Bausonne onde os hospitais eram mais qualificados, e seus médicos, mais preparados.

“Se você não se cuidar na vida adulta, ninguém o fará por você”, pensou Clover, assoando as narinas machucadas de tanto usar papel. Ela estava exausta, dormira mal e com as costas doendo. A idade começava a cobrar seu preço.

O serviço público era gratuito na capital, mas isso significava que também precisaria tomar um chá de cadeira só para conseguir comprar alguns remédios e quem sabe ganhar um atestado para justificar as faltas. Se tivesse mesmo uma sorte daquelas, passaria o fim de semana inteiro comendo pipoca e vendo filmes, vestida com sua camisola com as pernas para cima. Foi quando escutou um dos clínicos chamar seu nome:

— Clover? Srta. Clover? É você mesmo?

A mulher virou-se com espanto ao perceber que o homem que lhe dirigia a palavra era a sua paixonite de infância — o mesmo com quem se correspondera por cartas durante tantos anos. Ele estava mais velho, com uma barba cheia e usufruindo do auge do charme dos quarenta anos. Ainda tinha os cabelos escuros, embora agora fossem decorados por fios grisalhos nos cantos e marquinhas de expressão nos cantos dos olhos quando sorria.

E quando a viu, ele abriu um sorriso enorme que mal cabia em seu rosto.

Clover amassou o papel sujo e limpou a mão no vestido, pondo-se de pé na mesma hora assim que o viu se aproximar.

— Mark! Nossa, eu nunca imaginei que iria te encontrar aqui.

— Sim, faz tanto tempo — disse o médico com a prancheta em mãos, como se hipnotizado por ela. — Como tem passado? Está doente? É grave?

— Não, de forma alguma. Só uma gripe besta, não se preocupe com isso.

— Minha sala está livre, vou atendê-la agora mesmo.

O Dr. Mark abriu a porta e puxou a cadeira para que ela se sentasse. Os dois não pararam de falar sobre tudo que acontecera nos últimos dezessete anos desde que se viram pela última vez. Clover culpava a si mesma por não ter retocado a maquiagem para esconder as rugas e nem pintado a raiz do cabelo, mas Mark lhe transmitia tanto conforto que era como se os dois voltassem a ser adolescentes caminhando despreocupados pelo Bosque Peridota.

— Lamento pelo que houve com sua família — contou Mark. — Foram tempos difíceis para tótines.

— Obrigada. Foi uma recuperação lenta e dolorosa, mas estou finalmente permitindo reconstruir-me — disse Clover, levando a mão ao coração e garantindo que sempre teria um pedaço onde viveria seu marido e seu pequeno menino, Trevor.

— Eu também perdi minha esposa há três anos para a Peste Negra — contou Mark. — É estranho pensar que procuramos aprender magia da cura para salvar vidas, mas não conseguimos poupar aqueles que mais estimamos, não?

— Sim. E aqueles que ficam têm de aprender a lidar com as peças que faltam.

— Você ainda mora em Helvetica?

— Não, me mudei para a Pequena Colina, uma ilhota isolada em Century. É um lugar extremamente adorável, e posso dizer que transformou a minha vida.

— Parece interessante. Estou precisando experimentar algo assim — concordou Mark, terminando de prescrever os últimos remédios bem devagar, só para ter a chance de passar mais um tempinho com ela. — Aqui está. Pegue também esse atestado e tire uns dias de folga, vão lhe fazer bem.

— Obrigada, Mark. Prestativo como sempre — agradeceu Clover, fazendo-lhe um cumprimento demorado e preparando-se para ir embora. — Bem, acho que nos vemos por aí, né?

— Com toda certeza — concordou o médico, pondo-se de pé e correndo até a porta para uma última tentativa desesperada de pôr os olhos naquela mulher. — Me diga, será que tem alguma chance de... voltarmos a trocar aquelas cartas?

— Você ainda se lembra disso? — Clover indagou só para fazer charme, como se ela própria não tivesse pensado naquilo todos os dias pelos últimos anos.

— Eu ainda tenho as suas guardadas comigo — o homem admitiu, meio corado.

— Não brinca.

— É sério. Sua letra era linda, parecia que eu estava lendo um pergaminho da realeza. Espero sinceramente que tenha perdido as minhas, pois eu detestaria ler as abominações e erros de ortografia que eu cometia para uma mulher que viria a se tornar professora.

— Infelizmente não as tenho mais... Ei, mas isso pode ser um sinal para trocarmos novas experiências, não?

— Você tem o meu endereço — acrescentou Mark, apontando para o atestado. — Acho que hoje é o meu dia de sorte.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Itens e Produtos #12 - Pop Funko do Ralph e Auria

2022 não foi o melhor ano para postagens aqui no Reino de Sellure. De fato, quase que passamos sem nenhum post. Passei por uma fase difícil e, apesar dos sobes e desces, ainda estou me recuperando.

O Livro 2 não saiu. Por outro lado, eu consegui esgotar todos os exemplares do Livro 1, e agora não tenho nem mais ideia de quando conseguirei fazer novos exemplares. Será este o fim? Será que nunca mais vou conseguir publicar minhas histórias e acabarei preso em algum trabalho que me pague uma mixaria, e no fim abandonarei este sonho que me guiou por todos esses anos?

Eu sinceramente não faço ideia. Mas o que posso dizer agora é que encomendei esses dois POP FUNKO ADORÁVEIS do Ralph e da Auria, um item que eu sempre quis ter na minha coleção.

Eu não consegui escolher entre um ou outro. Não poderia deixar a Auria sem o seu Ralph (seria isso uma confirmação de ship?). Os mais atentos devem ter notado que a vestimenta da Auria é a versão 2.0 dela, que será introduzida no Livro 2 com algumas pequenas modificações. Depois que uma leitora me mostrou o Pop Funko da Hayley que ela havia encomendado, eu precisei correr atrás dos meus.

O trabalho é da habilidosa @atelier.geek, que conheci no UP!ABC enquanto trabalhava pela segunda vez em um evento no Artist's Alley. Ela faz anúncios pelo Shopee, e recomendo para qualquer um que queira fazer personagens originais de suas histórias ou mesmo do seu favorito!


quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Matéria oficialmente ESGOTADO!

Em 2019 eu realizei o sonho de publicar o meu livro, e em Novembro de 2022 posso finalmente dizer que estou sem nenhum exemplar em casa. Matéria está oficialmente ESGOTADO! Ralph e seus amigos estão espalhados por todo o Brasil (e arrisco dizer que alguns até perdidos no Japão), meu menino criou asas e tomou seu próprio caminho, aventurou-se muito além de onde eu imaginava que ele poderia alcançar. Posso finalmente olhar para o meu eu do passado e dizer: você conseguiu!

Não vejo mais as caixas no corredor de meu quarto que já tinham se transformado em mobília. Vai ser um aperto responder a qualquer interessado que pergunte sobre meu livro: ih, não tem mais! Agora só online, que por sinal continua disponível na Amazon como um ebook.

Eis aqui uma curiosidade: tenho uma listinha com o nome de cada pessoa que comprou o meu livro. Comecei anotando só para manter um controle e, no fim das contas, virou um bloquinho de notas do qual tenho muito orgulho. Lembro de cada pessoa, dos lugares e situações em que aconteceu. Cada livro é uma história.

Fica a pergunta: mas e o livro 2? A questão é que o mundo está muito diferente de quando eu lancei o primeiro volume em 2019. Passamos por uma pandemia violenta. O preço do papel subiu horrores, e o que antes eu pagava uma pequena fortuna, agora terei de pagar o dobro pela metade.

Eu sinceramente não sei quando haverá uma outra reimpressão... será que somente através de uma editora? Os preços continuam exorbitantes. Continuo firme com o projeto do Volume 2, e não vou desistir dele. Três anos se passaram desde a publicação de Espada de Madeira, e ainda sinto como se fosse ontem. O que eu mais adoro em livros é que eles não têm prazo de validade. Daqui a uma década alguém ainda pode descobri-lo e ler cada capítulo como se fosse inédito! Quando eu já nem estiver aqui, alguém ainda poderá ler minhas histórias e compartilhar um pouquinho desse universo que nasceu dentro da minha cabeça, exatamente como o manto do Narrador que continua sendo passado de personagem para personagem, até que finalmente chegue a vez do Ralph de assumi-lo.

Obrigado a cada um dos leitores que me acompanharam nessa trajetória.
Vivam novas aventuras, revivam aventuras antigas!

sábado, 15 de outubro de 2022

Velho Rei Canas


"Diante da entidade suprema, Canas percebeu o quão ínfima era sua existência e temeu que um dia fosse esquecido, por isso pediu a vida eterna." — Narrador, Epílogo - Espada de Madeira.

O Velho Rei é o ser humano mais antigo a alcançar e explorar o vasto Reino de Sellure. Vindo de Além Mar há cerca de 124 anos pelo calendário gecko, ele foi um aventureiro que naufragou no Mar das Tempestades e terminou por alcançar a costa de Constantia. Consagrou-se como o Descobridor do Mundo por mapear e catalogar todas as oito províncias durante o período em que viajou pelos mares, mas desde então nunca foi capaz de encontrar uma forma de ultrapassar os redemoinhos e tempestades que cercam o continente para voltar à sua casa.

Dizem que o Velho Rei é descendente dos gigantes; austero, poderoso e compartilhando da extrema teimosia de sua raça. Todos eles desapareceram sem deixar rastros por volta do ano 25 (historiadores surgiram com inúmeras teorias sobre o destino dos gigantes: teriam eles sido mortos ou simplesmente fugido para a lua?).

Os Primeiros Anos

Canas assumiu o cargo como o representante dos humanos, e seus atos o consagraram como um dos grandes Três Heróis do Passado ao lado de Tokay Asa Negra e General Armora Defesa, por quem era apaixonado. Tinha uma grande rivalidade com Tokay, que alegava ter sido o primeiro gecko a e viver em Sellure muito antes da chegada dos humanos que se proliferaram como pragas.
Os três se uniram em mais de uma ocasião para proteger o reino de terríveis ameaças como as Sacerdotes da Lua, a Era Glacial de Glacirex e o Apocalipse Zumbi.

Durante a Guerra dos Heróis, humanos, geckos e tótines se viram absorvidos em um embate por poder enquanto Glaüner, o Dragão das Maldições, os manipulava para que destruíssem uns aos outros. Quando seus planos nefastos foram expostos, os três se uniram para derrotá-lo e o aprisionaram no Vazio, no mundo da antimatéria. Como um presente das divindades, cada um foi abençoado com um desejo, e Canas recebeu o dom da imortalidade.

Com o passar dos anos, o Velho Rei abandonou sua antiga vida e até mesmo seu próprio nome — dizem que Canas era apenas um pseudônimo de sua real identidade —, o povo passou a chamá-lo simplesmente de Rei. Nos anos recentes, sua aparição em público tornou-se cada vez mais restrita e rara. Tornou-se mais um representante do que um monarca em si, deixando que o Conselho da Matiz cuide das necessidades do reino, apesar de sua força e influência permanecerem intactas.


O Velho Rei é apenas o segundo monarca de Sellure, tendo sucedido Ronem Romenor em seu curto reinado por votação unânime. Por ter vivido mais de 100 anos e ainda apresentando grande vitalidade, nunca houve a necessidade de buscar um substituto, mesmo sem filhos ou herdeiros. No ponto atual da história, ele é a última muralha que se ergue contra a ameaça da Peste Negra, um fantasma que visa dominar o leste e espalhar-se por Sellure como uma praga.

Pouco se sabe sobre o passado do Rei, e há ainda menos livros que contêm relatos precisos sobre sua origem e vida antes de receber a coroa. O mais antigo deles é um manuscrito original conhecido como "O Diário do Capitão Canas", narrando suas primeiras aventuras na Ilha da Espada Quebrada e sua misteriosa fauna.

Sua introdução se deu no Livro 2 - Alma de Diamante, estendendo-se pelos volumes 3 e 4 como um mentor para Ralph.

  • Esmagador [Ofensivo] – Um ataque destrutivo. Quanto maior a energia do usuário, mais forte ele se torna. Depois de usado, o adversário não consegue se mover por alguns segundos;
  • Impacto Titânico [Ofensivo] – Um golpe físico que concentra energia pura. Quebra todo e qualquer tipo de escudo, anulando defesas e até armaduras encantadas;
  • Proteção dos Deuses [Defensivo] - O usuário protege-se contra todos os ataques ou danos infligidos, recuperando parte do dano recebido. Não pode ser usado em sequência;
  • Começo Lento [Habilidade Passiva] – O usuário inicia seus combates com a força e velocidade comprometidas, recuperando o poder gradualmente;
  • Sangue do Herói [Habilidade Passiva] – Todos os atributos aumentam gradativamente, assim como sua vitalidade. O corpo do usuário pode até rejuvenescer quanto mais absolvido ele estiver com a batalha até atingir seus atributos máximos, mas tudo volta ao normal com o fim da batalha;
  • Colossal [Habilidade Passiva] – Seu tamanho e força imensa intimidam oponentes de nível inferior;
  • Fúria [Habilidade Passiva] – Todos os atributos são multiplicados quando entra em duelo;
  • Descendente de Gigantes [Habilidade Passiva] – Garante um bônus significativo na vitalidade, defesa e resistência. Garante imunidade à venenos, paralisia, queimadura e congelamentos;
  • Liderança Plena [Habilidade Passiva] – Garante um bônus em todos os status para seus companheiros durante a batalha.
"Imortal. As pessoas não entendem mesmo o significado dessa palavra [...] 'O homem que moldou o mundo com suas próprias mãos'. Coleciono mais títulos do que pessoas do meu lado."
— Velho Rei Canas, Capítulo 14 - Alma de Diamante.

"Filho, quando as pessoas te respeitarem estando apenas de cueca, você saberá que se tornou um rei formidável."
— Velho Rei Canas, Capítulo 14 - Alma de Diamante.

"Não sobrevivi desde os tempos antigos para trocar palavras com velhos prepotentes e estúpidos feito vocês. Os senhores precisam de mim mais do que imaginam, pois, quando eu cair, o mundo que conhecem entrará em colapso porque ninguém poderá fazer frente ao mal que se aproxima."

— Velho Rei Canas, Capítulo 33 - Alma de Diamante.

  • Há uma história por trás do nome do personagem. O uso do nome Canas é uma representação do começo da carreira do autor como ficwriter, ainda sob o pseudônimo de CanasOminous. O fato de existir um personagem chamado Canas implica que ele é como uma versão mais antiga e experiente que veio a Sellure, tendo como obrigação passar o bastão adiante para as novas gerações;
  • O autor é fascinado por monóculos. Inclusive, o nome Canas se originou de um personagem de Fire Emblem lançado em 2003;
  • A primeira vez que o autor utilizou o nome Canas foi em uma conta do jogo Ragnarok Online, em 2005. Desde então, passaram-se 17 anos com o mesmo nickname sendo utilizado em todas as plataformas;
  • Uma das primeiras histórias escritas pelo autor foi "O Diário do Capitão Canas", ainda no formato de roteiro, de meados de 2009. Ainda que não tenha nenhuma conexão com os manuscritos de Matéria, tornou-se uma referência para mostrar que o personagem existia muito antes da criação dos livros;
  • No começo, Canas era tratado como um corsário cujo intuito era desbravar novas terras, por isso suas roupas de pirata na versão antiga;
  • Sua espada foi substituída, e hoje o personagem luta apenas com os punhos;
  • A etimologia do nome Canas tende a variar, mas dentre algumas interpretações está a do espanhol, onde canas significa "cabelos brancos, acinzentados".



Ilustração com a primeira versão do Velho Rei Canas, datado de 2008, ainda em sua forma jovem.
À direita, a máscara utilizada por General Defesa em sua forma de tótines.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Rebecca Copperplate


"A garota cobriu o rosto e começou a chorar bem baixinho. O espelho ficava escondido porque ela detestava lembrar que aquela era a realidade — tinha pernas e o rabo de um lagarto, uma abominação que fazia até mesmo sua mãe sentir repulsa — era uma mestiça." Capítulo 8 - Alma de Diamante.

Rebecca é uma das filhas de Valentina Copperplate e irmã gêmea de Claus. Estudou na escola Kylie Kalma sob a tutela da Srta. Clover e conheceu Ralph ainda criança. É uma garota tímida, introvertida e arredia acerca de seus defeitos. Por ser filha de uma mulher humana com um gecko, seus membros inferiores são de lagartos e ela possui um longo rabo. Sempre foi muito talentosa para desenhar e hábil com as mãos, revelando um talento nato para as artes da cura e medicina.

Rebecca teve sua estreia nos Support Conversations durante a infância de Ralph. Por ser mais reservada, suas interações com os meninos eram mais limitadas, mas os dois compartilham uma grande afeição um pelo outro por seu contato com os geckos.

Rebecca é uma das das peças-chave do Livro 2. Na comemoração de sua festa de 15 anos, Ralph e seus amigos se envolvem em um mal-entendido enquanto buscam por um raríssimo ingrediente, o Sangue Azul.
"Apronte-se depressa, mocinha. A festa será nesse fim de semana e você ainda não escolheu o vestido ideal que cubra essas... pernas. Céus, espero que a peça que encomendamos sob medida possa esconder esse rabo enorme."
— Valentina Copperplate, Capítulo 8 - Alma de Diamante.

"Mamãe [...] você não percebe que essa não sou eu?"

— Rebecca, Capítulo 16 - Alma de Diamante.

"A vida toda tentei convencer a mim mesma de que eu era especial, que pelo menos nos olhos dela eu sempre seria sua filhinha querida."
— Rebecca, Capítulo 17 - Alma de Diamante.

  • Originalmente houve uma troca entre os nomes de Rebecca e Clover: a personagem em questão se uniria ao grupo de Ralph, mas seu nome seria Clover. Mais tarde, Clover passou a ser o nome de sua professora, e no lugar de Rebecca como companheira, a Srta. Clover é quem se tornou a feiticeira do grupo;
  • Sua aparência é baseada em uma garota que o autor conheceu em um campeonato de Super Smash Bros.;
  • Rebecca estreou em 2017 junto de seu irmão no Passado dos Personagens, só dando as caras nos livros muitos anos depois;
  • O sobrenome Copperplate surgiu baseado em uma fonte no Word: Copperplate Gothic.


Claus Copperplate


"Essas... aberrações. Eu odeio a forma como eu e minha irmã fomos punidos por decisões idiotas que nem tivemos a oportunidade de escolher." — Claus, Support Conversation: Minha Querida Professora.

Claus é um garoto precavido, desconfiado e devoto aos seus princípios. Cresceu em Helvetica sendo filho de uma família muito rica e influente, mas acabou por pagar pelos erros de sua mãe que se envolveu romanticamente com outra raça, gerando filhos híbridos, ou mestiços como são chamados. É o irmão gêmeo de Rebecca, e sofre pela chacota de não ser o "filho favorito" de sua mãe, Valentina Copperplate, que organizou uma festa de 15 anos somente para a filha.

Quando Lee e Hayley trazem a difícil missão de encontrar o Sangue Azul, Ralph e seus amigos saem em busca de alguém capaz de fornecer o raro material, mas Claus se coloca em seu caminho para proteger a irmã inocente dos invasores.

Claus fez sua estreia nos Support Conversations, estudando na escola Kylie Kalma ao lado de Ralph, Bomba e Dello, seus amigos de infância, sob a tutoria da Srta. Clover. Ele é mais tarde transferido de volta para sua terra natal quando sua mãe se negou a permitir que ele fosse recrutado pelo exército.

Alguns anos depois, Claus é apresentado no Livro 2 durante a festa de 15 anos de sua irmã, Rebecca Copperplate. Os dois desempenham um papel fundamental durante o Arco de Helvetica.

"Acho que deu pra reparar quem é o filho favorito, não é?"
— Claus, Capítulo 16 - Alma de Diamante.

"Eu não ligo para uma droga de festa de quinze anos, mas não vou permitir que encostem um dedo na minha irmã."
— Claus, Capítulo 16 - Alma de Diamante.

  • O nome Claus foi escolhido como um trocadilho com a palavra claws (garras, em inglês);
  • Claus originalmente foi planejado para ser um personagem de menor relevância que sequer teria uma ilustração. Ele foi ganhando espaço até se tornar uma peça importante nos Livros 2 e 4;
  • Sua introdução ainda criança no Passado dos Personagens ocorreu em 2017, sendo que a ficha de personagem só foi postada no blog em 2022.


domingo, 9 de outubro de 2022

Volker King


"Volker. Volker King. Esse é o meu nome, mas sintam-se livres para inventar apelidos ofensivos, sei que vão usar." — Volker, Capítulo 5 - Alma de Diamante.

Volker é o quarto filho da Família King, capitão do exército de Constantia e um tótines capaz de controlar eletricidade. É orgulhoso e desleixado, mas extremamente rigoroso com seus alunos por quem tem um cuidado atípico, submetendo-os a técnicas de aprendizado que não são bem-vistas pelas academias. Volker é um dos nomes mais competentes do ramo, mas sempre negou-se a assumir responsabilidades. Em mais de uma ocasião o Rei tentou promovê-lo a um de seus generais Classe S, mas Volker preferiu uma vida simples ao se concentrar no treinamento de soldados que, ao seu ver, possuem a capacidade de se tornarem grandes líderes.

Tornou-se capitão de Auria Mercer após seu ingresso na academia ao lado de outros três alunosZeth, Courtney e Henry. Cresceu como a ovelha negra dos King, indo contra suas obrigações sem dar a mínima nos danos que poderia causar à reputação família. É cinco anos mais novo do que Lloyd, com quem possui uma rivalidade assumida. Possui outras duas irmãs de um segundo casamento, Fiametta e Clementine. Sua mãe, Pernelle, também é uma figura pública de grande importância no reino.


Volker é uma das figuras recorrentes mais importantes no Livro 2, dando as caras no Capítulo 5 e carregando o arco que envolve Auria e seus amigos no exército. Grande parte do crescimento de Auria se dá pelo cuidado e treinamento intenso a que são submetidos, o que resulta no estreitamento do laço dela com os demais companheiros.

Além do arco de treinamento, Volker atua como um espião em busca de informações acerca de um homem misterioso que assumiu o posto deixado por um dos membros do Conselho da Matiz.

Sua participação se estende aos Livros 3 e 4 como uma peça fundamental na trama. A primeira vez que seu nome é citado foi no especial dO Passado dos Tótines, como o filho mais novo e problemático de Astra King.

  • Soco Cometa [Ofensivo] - Um soco certeiro que sempre acerta o oponente primeiro;
  • Descarga Elétrica [Ofensivo] - Um ataque elétrico potente capaz de acertar todos os oponentes em batalha, mas pode causar dano aos aliados da mesma forma;
  • Terreno Eletrostático [Defensivo] - O usuário manipula o cenário para seu controle. Um tótines de eletricidade terá seus poderes e velocidade ampliados em grande escala. Inimigos em desvantagem terão seu movimento diminuído;
  • Mudança Climática [Habilidade Passiva] – A temperatura e o clima local podem ser alterados ao custo de uma quantidade enorme de mana;
  • Hipervelocidade [Habilidade Passiva] – A velocidade do usuário é aumentada em 100%, podendo aumentar gradativamente dadas as circunstâncias;
  • Domínio Sobre Elemento [Tríade Mágica dos Tótines] – Um dos três poderes primários dos Tótines. O elemento do usuário é a eletricidade; 
  • Manipulação [Tríade Mágica dos Tótines] – Volker pode atirar projéteis com a força de um relâmpago e locomover-se com velocidade aumentada a ponto de teleportar-se de um ponto para outro;
  • Transformação [Tríade Mágica dos Tótines] – Não se sabe qual é a transformação de Volker (um segredo guardado à sete chaves).
"— O Volker não estava afastado? — indagou Raito.
— Aquela foi uma alegação sem fundamento. Ele só precisou prestar serviço comunitário por três semanas, mas já está de volta ao trabalho. O que aconteceu foi que os últimos soldados dele pediram transferência e um deles precisou de terapia."
— conversa entre Raito e Lloyd, Capítulo 3 - Alma de Diamante.

"Vamos, seus merdinhas! Ficaram até de madrugada rindo e conversando, pensaram que ia ser moleza? Se fosse para brincar de casinha eu tinha escoltado as crianças da creche do lado de casa, elas dariam soldados mais capacitados do que vocês!"
— Volker King, Capítulo 7 - Alma de Diamante.

"Gostei de ver que vocês se juntaram para derrubar um inimigo em comum. Pode até ser que não sejam tão eficazes quando separados, mas essa é a prova de que parceria e confiança é a chave para liderar. Vocês ainda têm muito a aprender [...], mas vou treinar um por um até torná-los os melhores."

— Volker King, Capítulo 7 - Alma de Diamante.

"Ah, não, lá vem aquele discursinho de empatia... Vocês são meus alunos, eu jamais correria o risco de perdê-los. Me preocupo demais com vocês, só não sei demonstrar. E se estou dizendo isso, é porque sei que podem ser melhores."
— Volker King, Capítulo 9 - Alma de Diamante.

"Ei, nada de espalhar minhas confissões por aí, ou vão descobrir que lá no fundo eu sou um cara legal. Preciso preservar minha fama."
— Volker King, Capítulo 12 - Alma de Diamante.

"Volker só não se tornou um Classe A porque é muito teimoso, mas eu diria que ele é tão forte quanto seu irmão, Lloyd King. Ele recusou todos os meus convites, mas um dia eu ainda o convenço a ser um de meus generais."
— Velho Rei Canas, Capítulo 15 - Alma de Diamante.

  • Nos gibis originais do autor, Volker sempre foi o melhor amigo de Raegar. A questão era que não existia um background sobre como os dois se conheceram, o que se tornou um ponto a ser explorado no Livro 2;
  • Volker teve o nome baseado em Volkner, o Gym Leader do tipo elétrico dos jogos de Pokémon Diamond & Pearl;
  • Sua aparência carrega traços do personagem Laxus, do anime Fairy Tail;
  • Volker manteve o caráter explosivo e orgulhoso de quando foi criado, mas nos livros ele revelou um lado muito mais altruísta ao se preocupar com seus alunos e dedicar sua vida ao treinamento deles. Seu entrosamento com Auria não foi planejado, e por isso os dois se tornaram muito mais próximos do que o imaginado;
  • Se fosse um Pokémon, a tipagem de Volker seria Electric/Fighting, uma combinação que só foi inserida na 9ª geração com Pawmo e Pawmot.


Busto de Volker King, de Fevereiro de 2021.

Uma das primeiras ilustrações de Volker, datado de 2008.
Nota-se que desde aquela época foram mantidas características marcantes, como as ombreiras, o uniforme verde e a conexão com eletricidade.

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