domingo, 8 de abril de 2018

Alys - Elemento Alpha [Resenha]


"Alys era só uma garota supervalorizando seus pequenos problemas adolescentes. Até que uma simples incursão abriu mais que o mundo que ela desejava conhecer. Abriu os seus olhos pra verdadeira natureza dos metais Nifrity e as responsabilidades de ser a única pessoa capaz de mantê-los em segurança. Agora, ela precisará desenrolar o emaranhado de segredos em que sua vida foi mantida, aprender a dominar seus poderes e encontrar seu guardião antes que a escuridão chegue. Uma aventura fantástica repleta de mistérios, aprendizado e superação, que levarão uma garota a se transformar em uma guerreira e encontrar o seu lugar no mundo."

Autor(a): Priscila Gonçalves
Editora: PenDragon
Lançamento: 2017
Altura e largura: 23 x 16 cm
Número de páginas: 354
Gênero: Aventura, Fantasia, Ficção, Infantojuvenil

Por que escolhi essa obra?

Sabe aquela história de que o leitor escolhe um livro pela capa? Sou formado em Design Gráfico e não importa o argumento, como não se sentir atraído por uma ilustração bem feita?

Eu encontrei Alys meio que por acaso — não conhecia a Priscila, ninguém me indicou o livro e eu não fazia ideia de qual era a história. Eu fui atraído pela capa e pelo trabalho da autora divulgando a obra em seu perfil no facebook. Esse, sem sombra de dúvidas, foi o fator mais importante. Para ser sincero, eu nem me lembro ao certo como foi que adicionei a Priscila, mas uma das coisas que mais adoro dos autores nacionais é essa possibilidade de conhecê-los, conversar e ser sempre recebido de portas abertas. Quando descobri que ela era a autora de Alys, aproveitei o embalo para pedir que meu exemplar viesse autografado, rs. Não há nada melhor do que ver um escritor que fala de seu trabalho com brilho nos olhos, você se sente instigado a conhecer mais desse universo. Alys foi o meu primeiro contato com os trabalhos da Editora Pendragon e só tenho elogios a fazer, tive uma leitura incrível de mais uma obra nacional de fantasia.

Capa, Design e Editoração

Um dos elementos que mais me atraiu em Alys foi a capa. Basicamente todo o enredo da história gira em torno de metais — não daqueles sólidos e pesados como estamos habituados — é como se os fossem a manifestação física de toda magia e energia contida no universo. A escolha das duas fontes para compor o logotipo e as demais imagens também foram excelentes. Um trabalho impecável dos ilustradores. Murilo Magalhães, Apolo Moreira e Éder Max.

No blog Vitamina L, encontrei uma entrevista com a autora datada de 2016, um ano antes do lançamento oficial. É comum um autor usar capas provisórias até chegar à oficial, ao lado vocês conferem uma das versões de Alys que encontrei. Percebe-se que o uso de roxo e azul se manteve para trazer toda a ideia do lado místico, outra grande escolha foi colocar a protagonista na capa que possui um visual chamativo por si só.

A editora fez um trabalho incrível com toda a diagramação e os detalhes. Fonte legível, papel pólen e uma das surpresas é que o exemplar ainda acompanha um papercraft da protagonista. Há um cuidado notável com todo o projeto que só me faz querer conhecer mais e mais o trabalho da galera da Pendragon.

O único defeito que aponto (que para ser sincero, não sei se foi erro da revisão ou se trata de uma característica da escrita da autora), foi no uso de vírgulas e inúmeras palavras comidas ou trocadas por falta de atenção. Nada que alguns ajustes futuros não possam consertar.

Sobre a Obra e a Narrativa

O universo criado por Priscila Gonçalves é mágico e intrigante. Sou da área de fantasia e estou sempre aberto a ler sobre ideias inusitadas de outros autores. Como tantos outros leitores, estou cansado de anões, elfos, orcs e faço brincadeiras com o uso exagerado de dragões por aí (apesar de ainda protegê-los com todas as minhas forças, rs). O que vi em Alys não se trata de uma reciclagem tediosa dessas ideias que já conhecemos (Eragon, estou olhando para você), cada criatura respira novos ares sob uma narrativa divertida e inusitada.

Nos primeiros capítulos, somos apresentados ao cotidiano de uma garota que se vê isolada do mundo sob o olhar vigilante de seu pai. Como toda boa Jornada do Herói, este é o "Mundo Comum" da Alys, ela anseia por aventura e uma vida longe de seu regime fechado, mas ela segue no aguardo desse chamado. Desde que passei a entender os conceitos do monomito de Joseph Campbell, venho tentando prestar mais atenção na maneira como um personagem é inserido na trama— Alys recebe o chamado com a chegada ao antiquário, seu amigo Kyer serve como um mentor e ambos passam por uma série de desafios até chegar ao "Mundo Especial". No entanto, senti que a narrativa da primeira metade do livro foi arrastada. Intensa, porém extensa demais. Durante quase 100 páginas, Alys e Ky estão em uma fuga frenética, Alys é afligida por  inúmeras perguntas e dúvidas como a boa personagem curiosa que é, mas ela sempre recebe a mesma resposta: "depois falamos sobre isso". O universo criado por Priscila é incrível, cheio de nomes e lugares complexos, mas o leitor demora para assimilá-lo tanto quanto a personagem. Lembro-me de um trecho que a própria Alys brinca: "Já reparou que sempre que era hora de me darem respostas, algo inesperado acontecia?" Isso na página 311. Todo mundo quer que ela assimile essas informações, mas parece que ninguém tem paciência de sentar e explicar-lhe com calma (o que é perfeitamente compreensível visto que eles estavam numa corrida contra o relógio).

O Mundo Especial da autora, também conhecido como Nafh'ta, foi muito bem explorado. Ele traz a ideia de aconchego que os personagens precisavam, um porto seguro. É aqui onde tanto Alys quanto os personagens a sua volta começam a progredir de verdade. A ideia de um mundo futurístico e o destaque para os metais me fisgou desde o princípio (quem me conhece sabe que sou fascinado por pedras). Quando somos inserido à rotina de Alys, vemos como a vida dela se parece com a nossa e não temos ideia da importância de sua função como Elemental. No momento em que ela encontra o antiquário onde o cajado e os livros são descobertos (outro cenário intrigante e muito bem descrito), a parte fantasiosa começa a aflorar. Em Nafh'ta é onde acontecem todas as reviravoltas. Mesmo depois da chegada à floresta, ainda nos deparamos com invasões e a batalha contra o tempo segue acirrada para que Alys cumpra sua profecia como Elemental na primeira lua. Deixo meus elogios para cada ambiente explorado de forma tão criativa, no último ato temos o Templo Submerso e o desencontro com um peixe gigante das profundezas, minha imaginação rolou solta como se os personagens atravessassem a fase final de um jogo!


A mitologia do Construtor e sua criação é fascinante e plausível, desde a forma como as magias são conjuradas até a maneira como os metais reagem. A autora criou um universo que funciona incrivelmente bem dentro de sua proposta — vemos elfos, fadas e até um dragão (da forma mais inusitada que você imagina), afinal, quem não gosta ver suas raças favoritas exploradas de maneira criativa? Os monstros, por sua vez, são compostos por criaturas esqueléticas e eles cumprem bem seu papel apanhando e dando o devido medo quando necessário.

Um dos temas que mais fiquei contente ao me deparar foi a mistura de raças. Aqui vai um pequeno spoiler: Alys é uma mestiça (de muita coisa louca, diga-se de passagem! - rs). Eu adorei a maneira como a autora explorou essa diferença numa época onde é tão importante discutirmos esse assunto, sou daqueles que acredita que o amor supera qualquer coisa e fiquei contente por ver esse valor ser passado adiante em personagens como Ky e Laiza, mesmo que de forma discreta. Eles ainda passarão por muita coisa caso esse relacionamento seja explorado no próximo volume.

Alys segue melhorando a cada página, o treinamento dela foi divertido de se acompanhar, uma agradável surpresa porque é comum que a narrativa se comprometa caso o autor se prolongue demais. Os personagens secundários mantém o enredo andando, novos mistérios são levantados e tudo se encaixa antes do final.  Alys treina, cresce e amadurece... mas talvez não tenha sido o bastante, o que comprova o quanto a autora sabe os limites de sua própria criação.

Sobre os Personagens

O ponto alto do trabalho de Priscila foi sem sombra de dúvidas com os personagens.

Alys segue o padrão do protagonista "escolhido" por uma força maior, mas ela é completamente despreparada e, ao meu ver, esse é o charme dela.

Todos os personagens secundários da história tiveram um papel primordial. Eles não são apenas importantes para o desenvolvimento da Alys, são interessantes, divertidos e têm seu próprio crescimento. As Irmãs Vaarne, uma elfa guerreira e uma alquimista, estão entre as minhas favoritas Laiza tem 100 anos e gosta dos caras mais jovens, como não amar? Thela é durona e rígida como uma general, mas têm uma família linda e zela por suas crianças. Você segue torcendo por elas e todos os demais.

Evan, o guardião, é o segundo personagem no comando. Tudo que acontece com Alys, passa por ele. Os dois personagens que começam quase saindo no soco apresentam um belo desenvolvimento e aprendem a se admirar e respeitar, mas nunca perdem a essência de caçoar um do outro. É uma amizade bonita, não no sentido romântico da questão, mas de lealdade. Evan é um dos personagens mais leais a sua causa que eu já vi, e com certeza ele terá um avanço extraordinário no segundo volume, é para ficar de olho! Heh, heh.


Kyer começa como um mentor para Alys e aos poucos vai recebendo seu próprio espaço. Ele é o melhor amigo dela e estava disposto a tornar-se seu guardião. Eu gostei que a autora não usou essa ideia de friendzone passada, a amizade dos dois é mais sincera do que isso, entende?

O velho Celen é uma criatura cheia de surpresas! Trata-se de uma das formas mais criativas que já vi de retratarem um dragão — um velho de monóculo que fica sentado em sua poltrona confortável, mas também está ali como o mentor primordial e cheio de conhecimento e seus próprios mistérios.

"Quando um Elemental e um guardião se tornarem, enfim poderemos ver a luz e a magia retornarem e a todos nós fortalecer. Agora desperte e lute como parte do exército imaterial, vós que sois sangue de Ikal, sejam corajosos e justos até o final." p. 84

Falando sobre os vilões, admito que fui pego de surpresa! Wen, um dos lacaios do chefão final, é muito mais interessante e bem explorado do que seu mestre. Sou um pouco contra vilões poderosos que parecem só ter uma paixão por destruir, gosto de sentir empatia por eles e que no final fique a dúvida — qual dos dois lados realmente estava certo? Espero que o volume dois trabalhe melhor suas motivações ou crie um vilão a altura, porque se ele não se preparar, Alys chegará com fogo nos olhos para acabar com qualquer um que se por em sua frente.

Agora eu gostaria de encerrar com algo que me atraiu nas páginas finais — um terrível erro de muitos escritores é fazer com que seus personagens cresçam antes da hora, ultrapassando os limites do seu aprendizado e recorrendo ao clássico deus ex-machina. Nós, como autores, muitas vezes acabamos empurrando goela abaixo decisões e consequências dos nossos protagonistas porque nos falta tempo (ou melhor dizendo, páginas), ele vence o inimigo com o "poder do amizade" ou até despertando algum poder supremo que estava adormecido só que de maneira que pareça improviso do roteiro, vemos muito disso nos animes shounen. Quando o confronto final com o antagonista acontece, Alys vê de perto as consequências de sua falta de treinamento. Era impossível ela amadurecer tanto em tão pouco tempo, e ela sofrerá por isso. Achei incrível a autora explorar essa fraqueza, Alys terá de carregar esse preso para o resto da vida e muita coisa vai mudar no segundo volume da trilogia. Um final inesperado que te deixa o tempo todo com o coração na mão, certamente foi a cereja do bolo da obra!



Considerações Finais

Alys foi a leitura mais divertida que tive de um nacional de fantasia esse ano. Explorando humor e tensão na hora certa, a autora soube trabalhar o que é, para mim, a essência de toda boa história de aventura voltada para o público infanto juvenil — os personagens conversam com o leitor que se identifica, são cercados por seus defeitos e querem descobrir mais sobre esse mundo novo tanto quanto nós. Eles arranjam tempo para amar e caçoar da cara um do outro, a fantasia não precisa ser tão diferente do mundo real, os personagens enfrentam desafios como nós todos os dias, porém, claro que representados de maneira mais imaginativa - rs.

O principal valor que Elemento Alpha carrega é a lealdade, mas também tem a ver com o medo de encarar o mundo. Não importa o tamanho da ameaça, Alys conseguiu manter o sorriso no rosto. Uma das coisas que mais aguardo na continuação é conferir o crescimento dela e daqueles ao seu redor. Ela recebeu um choque tão grande que não será mais a mesma, é aqui onde vemos a fantasia progredir e a jovem que antes mal sabia como conjurar um bastão se tornará adulta. Acima de tudo, é uma história sobre seu crescimento. Muitos leitores podem se identificar com essa mensagem: "Não tem problema sentir que não é bom em nada, porque todo mundo pode melhorar. A vida se encarrega de colocar as pessoas certas no seu caminho".

Alys é fiel à sua proposta do começo ao fim e a autora mostrou que controla seu universo tão bem quanto o Construtor. Sinta-se livre para mergulhar de cabeça nesse universo místico cheio de metais, personagens cativantes e carisma, você não vai se arrepender.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

segunda-feira, 2 de abril de 2018

As Aventuras de Ralph #38


Eu acho curioso como as coisas correm depressa na internet. Num dia está todo mundo discutindo e compartilhando determinado assunto, e no outro já virou passado porque apareceu algo mais engraçado.

BUT UGANDA IS NOT A JOKE, IT'S A WAE OF LIFE.


sexta-feira, 23 de março de 2018

As Aventuras de Ralph #37


Na época da facul ganhei uma camiseta de um brother com os dizeres: "Nunca fiz amigos bebendo leite". Mal sabe ele do poder do toddyinho.

A última vez que postei uma tirinha foi em Setembro de 2017. Estou preparando uma nova leva, tentarei trazer uma por semana até alcançarmos a #50! Enquanto isso, sigo trabalhando no livro. Quando tiver novidades trago para vocês!


terça-feira, 20 de março de 2018

The Sages [Resenha]

"Há uma lenda que conta sobre espíritos de luz que vêm à Terra uma vez a cada século para combater as trevas que residem em nosso planeta. Esses espíritos chegam aqui em corpos humanos, para poderem se infiltrar em nosso meio até chegar a hora de as trevas emergirem. Eles então se unem, erguem suas espadas e livram nosso mundo desse mal até o século seguinte. 
É dito também que cada espírito tem seu elemento próprio: luz, água, terra, fogo e ar. Cada um também teria sua espada e todos teriam que obedecer à três rigorosas regras.
Por muito tempo esses espíritos, chamados de Sábios, salvam o planeta Terra de mergulhar totalmente na escuridão. Porém, em meados do século XXI, o grande mal vem novamente à tona. É chegada a hora de mais um confronto.."

Autor(a): Isabela Silveira
Idioma: Livro Nacional - Português
Lançamento: 2017
Altura e largura: 23 x 16 cm
Número de páginas: 196
Gênero: Fantasia Romance

Por que escolhi essa obra?

Conheci o trabalho da Isabela meio que por coincidência. Ela costumava acompanhar uma fanfic de Pokémon minha chamada Aventuras em Sinnoh, vez ou outra eu a via curtindo minhas postagens e comentando, mas nunca chegamos a conversar de verdade.

Outro dia descobri pelo facebook que a Isa estava com um livro pronto e prestes a ser publicado (uau!). Fui surpreendido porque eu não sabia que ela também escrevia, depois de algumas conversas ela me contou que começou postando histórias no Nyah! Fanfiction, o site de fanfictions onde também comecei minha jornada como escritor.  Durante um tempo os leitores de lá a ajudaram na construção de The Sages, sempre fico feliz quando descubro outros ficwriters que levaram o hobby da escrita adiante.

É sempre bom ver um conhecido conseguindo publicar sua obra, e só quem está na área sabe como é difícil. Pedi que ela assinasse a obra e escrevesse uma pequena dedicatória, devo dizer que senti um misto de orgulho e curiosidade, essas foram algumas das palavras que mais adorei receber em minha vida. "Você me inspirou a começar!"


Devo ter feito a pré-venda lá em Outubro e, após alguns pequenos atrasos, consegui terminar de ler a obra em Março de 2018. Que experiência!

Capa, Design e Editoração

The Sages foi publicado pela Editora Sekhmet. É o meu primeiro contato com eles e nota-se os traços de uma editora que começou há pouco, a começar pela ausência do ISBN que pode incomodar tanto escritores quanto leitores mais exigentes.

O livro tem 188 páginas e foi impresso em papel pólen amarelado (um extra para quem não suporta ler nada no sulfite). Eu adorei o trabalho com azul marinho e roxo, que por sua vez remete ao lado místico. No cérebro, o roxo transmite calma, mistério e sensatez. Gostei da tonalidade escura com destaque no branco, as fontes estão legíveis, assim como a sinopse na contracapa. Todo o destaque ficou no título, que é o que importa. A capa tem um pequeno errinho de posicionamento, o logo da editora ultrapassa o limite da lombada (desculpe, meu lado designer falou mais alto), algo que pode ser consertado numa futura impressão.

O problema mais recorrente que me deparei foi na diagramação do miolo. O espaçamento do começo de alguns parágrafos têm tamanhos maiores do que os outros, o título do Capítulo 4 passou para outra página, deparei-me com poucos errinhos de digitação espalhados, mas nada grave; o único ponto que me incomodou de verdade foi numa das cenas finais  uma página inteira saiu duplicada.


Sobre a Obra e a Autora

Isabela Silveira tem 17 anos e nasceu em Resende no Rio de Janeiro. Quando recebi The Sages pelo correio, terminei o livro em apenas dois dias. Um dos meus maiores medos era como alguém poderia contar uma boa história com cerca de 180 páginas numa realidade onde cada vez mais os livros beiram tamanhos astronômicos e precisam ser separados em trilogias e séries extensas (eu mesmo sou vítima disso). No fim das contas, estas foram as 180 páginas mais gratificantes que tive o prazer de ler nos últimos tempos pelo simples fato de que a autora não se perde em enrolações desnecessárias, cada acontecimento é bem estruturado e segue o "Arco de História Tradicional". A tensão cresce aos poucos, um primeiro incidente desencadeia uma série de obstáculos até alcançarmos o clímax pouco antes do desfecho. Por fim, após a resolução, temos um momento para respirar.


Segundo a autora, The Sages começou como uma fanfic em Maio de 2015 e foi concluída em Janeiro de 2016. Na dedicatória, percebemos como os leitores foram primordiais na construção da história, eles puderam ler, avaliar e dar sugestões, dando espaço para os devidos ajustes permitindo que a história amadureça até que chegue a hora da versão definitiva. Claro que além disso eles servem como tremenda inspiração! É sempre uma dádiva receber um leitor que lê, participa e comenta sua obra. É como se cada um fosse um beta-reader — ou leitor beta, alguém que avalia o trabalho do autor antes de ele ser publicado.

Não sou de fazer resenhas que repetem a sinopse do livro ou se limitam a resumir a obra, mas é importante ambientar a trama. Basicamente, os Sábios são cinco almas que vêm à terra a cada século para combater monstros malignos. Há quem estranhe o começo conturbado: a protagonista acorda desnorteada numa escola destruída depois de ser atacada. O que raios está acontecendo? Quem são aquelas criaturas?

Eu adorei o teor de fantasia envolvido no mundo real. Aos poucos, descobrimos mais sobre Luz, a protagonista, e seu disfarce vivendo ao lado da família que adotou (sem sombra de dúvidas, minha parte preferida).

Conforme a história progride somos apresentados aos cinco magos que podem ser identificados como Luz, Água, Fogo, Vento e Terra. Em cada vinda para a terra, eles assumem a forma de pessoas diferentes vindas de diferentes lugares do mundo, por isso são demarcados por características marcantes de suas personalidades e devidas culturas. Os Sábios possuem seus próprios poderes elementais e suas espadas para combater as criaturas das trevas, mas o foco da escrita não está nas cenas de batalha em si, e sim, na interação entre os cinco. As lutas são bem escritas (algo que certos escritores têm dificuldade quando trabalham em primeira pessoa). Vemos tudo pela visão de Luz, a líder e protagonista dos Cinco Sábios.

O único problema é que, além de proteger o mundo, as pessoas ao seu redor e enfrentar criaturas sombrias abominantes, eles precisam se atentar à três regrinhas:

1. Não empunhar a espada até ter se reunido com os outros Sábios;
2. Não ter relacionamentos amorosos com humanos;
3. Não exibir os poderes na mídia.

No começo, eu não entendi contra exatamente o que eles lutavam. Conforme a trama progride, fui percebendo que as criaturas sombrias são a manifestação da maldade no ser humano. Não é preciso nenhuma explicação de onde eles vêm e não existe nenhum "Lorde das Trevas" comandando eles. Conversei com a autora sobre isso para saber se os leitores estavam tendo dúvidas quanto a origem de tais criaturas. Ao meu ver, os monstros nada mais são do que uma representação abstrata da maldade. Um ataque repetindo pode ser comparado a uma bomba que explode de forma inesperada, um atentado terrorista, um gesto de pura maldade. A autora não precisa descrever ao pé da letra, mas cabe ao leitor interpretar essa mensagem, o peso de uma luta que não enxergamos.

"Com a raiva vem a adrenalina. E com a adrenalina vem a inconsequência".

180 páginas são mais do que o suficiente para trabalhar a história sem que ela canse. Eu bato palmas para os autores que não precisam se estender além dos limites para deixar seu texto "mais pomposo e requintado". No fim das contas, o que realmente importa é a habilidade de contar uma história, não é?

Apesar de recebermos uma descarga de informações no começo, todas as perguntas vão recebendo uma resposta de forma gradual e os pontos são devidamente fechados antes do final. O problema das sagas hoje em dia é que muita coisa fica solta e podem levar anos até que o autor as conclua, alguns leitores evitam se aventurar em território desconhecido por esse motivo. A Isabela me contou (são meio que spoilers, mas posso estar sendo enganado) que temos chances de ver uma continuação. Depois de tudo que li em The Sages, não me canso de pensar: como isso seria possível? Pela primeira vez me pego imaginando como seria bom ter uma continuação. 


Sobre os Personagens

Dizem que quando se lê um livro em primeira pessoa com um protagonista ruim e não rola aquela química entre leitor e personagem, fica difícil de acompanhar. Hailey/Luz me forneceu uma ótima experiência. Ela é a líder, mas não exatamente porque é a mais inteligente ou a mais forte, ela é uma garota com problemas na família como qualquer outra, alguém que sempre se ferra porque seu coração se apaixonou pela pessoa errada, alguém que está desesperadamente tentando proteger aqueles ao seu redor, mas às vezes não encontra forças suficientes.

Suas irmãs foram sem sombra de dúvidas minha parte preferida na história. Hailey foi adotada quando ainda era menina, mas seus pais morreram num acidente e a irmã mais velha, Sophie, acabou criando um senso materno de que precisava cuidar delas. A evolução das personagens é como um arco separado de toda a jornada, elas seguem seu próprio rumo na vida e o desfecho dado a elas preencheu meu coração de uma sensação boa, sabe? Algo que a gente sente, mas não sabe explicar, como se diante de todas as desgraças ainda ouvíssemos alguém falar: "Vai dar tudo certo. Você vai conseguir superar isso."


"Toda luz faz uma sombra."

Quanto aos elementos, cada um tem sua personalidade muito bem definida. Luz, Água e Fogo se destacam mais por terem tido mais tempo para ser trabalhados. Alguns escritores iniciantes têm dificuldade com cenas que envolvem diversos personagens juntos  geralmente cinco ou mais —, mas a autora soube trabalhar bem os diálogos e a interação.
Como eles "reencarnam" a cada cem anos num um corpo diferente, durante toda história os Sábios comentam das vidas passadas, de quais mais gostaram ou tiveram trabalho para se adaptar. O interessante é que sempre ficam alguns pequenos trejeitos que os diferenciam. Estamos falando de personagens que se conhecem a séculos, mas a cada encarnação se divertem aos descobrirem algo novo sobre seus amigos e até sobre si próprios.


Considerações Finais

The Sages foi uma das surpresas mais prazerosas que tive a oportunidade de conhecer nos últimos tempos.  Por trazer uma história tão curtinha e repleta de significados, o livro pode ser lido por jovens e adultos que assimilem sua mensagem — não a de uma fantasia que se vende como uma luta entre o bem e o mal — o livro trata da nossa jornada como seres humanos, nós, que enfrentamos a dor e o sofrimento que somos acometidos todos os dias e ainda saímos vitoriosos.

Meus sinceros agradecimentos para a autora que conseguiu reunir tantos sentimentos em palavras e transmiti-los para as pessoas, pois para mim é como todo livro deve ser. Somos contadores de histórias e adoramos espadas mágicas e poderes sobrenaturais, mas podemos estar abertos a usar a fantasia como exemplo e lição para nossas vidas. Por ter sido obra de alguém que começou escrevendo fanfics, como eu, é uma tremenda inspiração para aqueles que também esperam conseguir publicar seus livros um dia.

Só para fechar, deixo aqui uma das frases finais do livro. Eu recomendo que só leia depois de ter conferido toda a obra, mas se não tiver a oportunidade no momento, você ainda pode (e deve) assimilar essa mensagem atemporal:

"Humanos, eu e meus irmãos passamos muitas vezes pela terra para cumprir nossa missão. Nós selamos a escuridão que vocês, inconscientemente, espalharam por seu mundo. Mas não podemos garantir que ficará assim para sempre. É necessário que contribuam.
- Em primeiro lugar, é preciso que vocês tomem juízo. Lembrem-se que é mais importante ser do que ter.
- Em segundo, se amem. Amem de verdade. E sejam fiéis e respeitosos com quem amam.
- Em terceiro, preservem a vida. Parem de se matar e matar outros seres vivos, direta ou indiretamente. Entendam que todos vocês contribuem para a vida desse mundo e devem se preservar e preservar sua casa.
- E o mais importante: se ajudem. Tenham compaixão.
É só isso o que eu peço, e sei que não são tarefas difíceis. Vocês só precisam começar, então comecem agora.
Desejo do fundo do coração que fiquem bem. Que a luz esteja com vocês.
Os Cinco Sábios."

The Sages está disponível para ser comprado no site da editora por 20 reais com frete incluso, é só clicar na imagem!


sexta-feira, 2 de março de 2018

Livro 2 CONCLUÍDO

Ontem de madrugada terminei o Livro 2 do Ralph. Nem vi que horas eram — sempre coloco uma fita crepe na frente do relógio do notebook , mas devia ser umas quatro ou cinco da manhã.

Como todo bom final de aventura, me peguei mergulhado em pensamentos e devo ter passado pelo menos uma hora e meia escutando música bem baixinho, um folk para acalmar a alma, uma trilha sonora tranquila.

Foram 555 dias nessa aventura, cerca de um ano e meio. De lá para cá, eu poderia apenas estar esperando o Livro 1 sair, mas... por que não voltar a trabalhar com o Reino de Sellure que tanto gosto? A vantagem de ter o Livro 2 já escrito é que pude fazer ajustes no primeiro, consertar alguns furos e continuar melhorando a minha escrita. Essas ideias vêm permeando minha mente desde 2015 e eu não consegui deixá-las estacionadas por mais tempo. Estou muito contente com o resultado obtido, se a mensagem do volume 1 falava sobre crescimento, a do segundo é sobre perda e continuar seguindo em frente. Obrigado a todos que ainda acreditam no meu potencial, agora é hora de tirar algumas semanas de férias longe do Word!


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

DreamCast do Livro Matéria

Até um tempo atrás Dreamcast para mim era o nome do console falido da Sega, mas o próprio Wattpad tem uma opção onde o escritor pode montar o dreamcast de sua história, ou seja, o elenco dos sonhos.

Cada autor tem uma visão única do que escreve, assim como quem lê. Mas e se fosse um filme? A imagem transmitida é a mesma para todas. Tenho alguns companheiros escritores que se divertiam escolhendo atores que se pareceriam com seus personagens, então decidi fazer a minha versão para o grupo do Ralph.

Ralph - Tom Hollad

Quem assistiu o Homem-Aranha mais recente deve reconhecer essa carinha. Tom Holland consegue ter o jeito de garotão, e mesmo com 21 ele ainda daria um perfeito Ralph com seus 15. Ele é todo caras e bocas, suas expressões e a forma como ele interage com outros personagens dariam um perfeito protagonista!


Auria - Antje Traue ou Gina Carano

A Auria é minha personagem favorita na história, tanto que no segundo livro ela é a protagonista. O problema é que ainda não encontrei aquela atriz ideal que fosse a cara dela com seus 18 anos, em compensação, já tenho todas as opções para quando ela for mais velha, rs.

Gina Carano é uma lutadora de UFC que deu as caras em Deadpool como a vilã Angel, ela seria uma ótima Auria pelo seu porte físico e técnicas de luta.

Antje Traue por sua vez é conhecida pelo papel de Faora, em Man of Steel, e só quem viu sabe como essa mulher consegue ficar linda numa armadura. Seria minha opção para Auria com seus 30, numa etapa mais avançada da história.

 


Lesten - Terry Crews

Se o Matéria virasse um filme, provavelmente o Lesten não seria interpretado por um ator, no máximo por alguém para a captura de movimento como Andy Serkis faz com o Gollum. Sei que ele pode fazer um papel incrível como dublador por sua participação como Earl em "Tá Chovendo Hambúrguer 2", onde ele substituiu Mr. T no papel.

Mas se eu tivesse que escolher apenas a voz, tem que a ser dessa lenda. Terry e Crews e Lesten foram feitos um para o outro.

Não apenas por isso, Terry é engraçado, consegue falar gritando e usar um sotaque característico cheio de gírias como os geckos fazem e ainda possui tantos vídeos motivadores! Como esquecer a cena dele cantando em "As Branquelas"?


Hayley - Dakota Fanning

Admito que não assisti muitos filmes da Dakota, mas no ramo das animações o que mais me marcou foi Coraline. Assim como o Lesten, sua personagem não poderia ser interpretada por nenhuma atriz já que ela é um feneco de cerca de um metro, mas sua voz daria vida à personagem que consegue mostrar seu lado negro quando fica estressada.


Lee - Clive Standen

Olha o tamanho desse cara, olha essa cara de mau. Coloca uma barba e um óculos escuros para esse cara conquistar o coração de qualquer uma. Conheci o trabalho dele como Rollo, de Vikings, e sei que pelo menos o porte físico e a risada de canto eles têm igual.

Conforme a história progride, Peter Lee vai deixando essa cara de mocinho revoltado para ganhar o porte e o físico de um lutador. Lá para o segundo livro, seu cabelo e barba crescem e posso dizer que ele seria a cara do Clive! Como sempre, eu pensando nos personagens bem mais velhos do que deveriam ser, rs.



"Mas noooossa, você já está pensando nos atores que farão os personagens em um filme se você nem consegue publicar o primeiro livro?"

Amigo, eu estou demorando tanto para publicar que até lá acho que estaremos em Marte interagindo com alienígenas kkkkkkkk Só estou procurando assunto genérico para alimentar o blog, me desculpem.

Dando continuidade, poderíamos fazer até um Dreamcast de dubladores japoneses caso fosse um anime, ou até dos nacionais, esses eu conheço e temos tantos talentos incríveis! Pena que na maioria das vezes o público não os valoriza e mal conhece seus nomes... Mas vejam, pensei nos seguintes:

  • Ralph - Luciano Monteiro (Finn, em Hora de Aventura);
  • Auria - Luisa Palomanes (Hermione, Merida, Docinho, Evellyn de League of Legends, são tantas personagens marcantes!);
  • Lesten - Eduardo Borgeth (Jake, em Hora de Aventura. Seria hilário ver esses dois juntos de novo como uma equipe!);
  • Peter Lee - Guilherme Briggs (talvez combine com outros personagens, mas esse cara é tão versátil que ele poderia fazer qualquer coisa. Um elenco sem Briggs seria um elenco incompleto kk);
  • Hayley - Erika Menezes (Anna, em Frozen),
  • Profª Clover - Mabel Cézar (ela faz a Jessie em Toy Story e a Piper em Orange is the New Black, acho a voz dessa mulher linda!).
Mas e aí? Acham que combinam? Deixe sua opinião e propostas nos comentários!

sábado, 13 de janeiro de 2018

Mapa de Sellure ATUALIZADO!

Olha que atualização bonita! Uma tarde de longa produção e mais algumas horas de edição renderam uma das coisas que eu mais precisava fazer para a história, porque vira e mexe eu me perdia nas localizações. Agora, basta olhar para o lado de minha mesa que sei onde me situar. Eis que lhes apresento o Mapa de Sellure! Versão 3.0.

A última vez que atualizei esse mapa foi em 2009 e desde então muita coisa mudou. Eu dispensei diversos lugares que não eram importantes para a trama e atualizei todos os nomes de cidades, rios, florestas e províncias (o antigo estava todo em inglês. Para parecer mais chique, talvez?).

Fiquei satisfeito com o resultado, apesar de ainda não estar no nível dos mapas que grandes ilustradores criam para os livros. Há quem utilize sites e aplicativos onde é possível montar seu próprio mapa, mas eu não são tantas pessoas usando que seu projeto acaba parecendo genérico, por isso não sou muito fã da ideia. Entendo que há pessoas que não sabem desenhar, por isso os Map Makers se tratam de uma excelente forma de criar uma base e mais para frente contratar um profissional que possa dar o devido acabamento. 

Escolhi uma fonte legível, mas numa versão impressa em A4 acredito que será difícil entender o que está escrito, então não sei se o usarei na versão final. O original foi feito em papel A3, com cerca de 42x30 cm.



Todo escritor de fantasia que cria seu próprio universo merece um mapa.

Foi em 2009 que fiz o mapa do qual eu mais me orgulho, a versão 2.0. Durante oito anos ele foi o meu favorito, usei uma cartolina amarelada e queimei as bordas com fogo para dar a ideia de desgastado. Com o tempo, teve gente que derrubou café nele, eu matei um pernilongo e espirrou sangue no meio de uma cidade, enfim, ele ficou tão sujo que acabou se parecendo com... um mapa de verdade, sabe?

Abaixo vocês conferem a versão antiga, ela possui cerca de 65x38cm. O reino ainda se chamava Eluryh (alguma semelhança com Hyrule de trás para frente?). Se você olhar com atenção vai notar os tantos lugares desnecessários que acabei arrancando,como o Pântano dos Guaiamons, a Caverna dos Wankas, quase tudo que existia no norte, enfim, daria uma postagem inteira sobre isso! Por ora, fiquem com as comparações.


E como curiosidade, eu criei o universo de Ralph em 2005, mas eu não fazia ideia do quanto esses personagens iriam crescer em minha mente. Primeiro eu criei a província de Century (a mais importante para mim que é também onde se passa o primeiro livro), depois parti para outra, outra e outra. Somente em 2007 eu decidi colar as 12 folhas de papel sulfite uma ao lado da outra e ver no que dava, o resultado foi um mapa enorme, a famosa versão 1.0.

Foi a primeira vez que estabeleci limites para esse mundo. Lembro-me de ir inventando coisas para preencher a parede e eu não queria mais parar. O mapa é enorme e tem algo em torno de 90x90 cm. Ele  fica colado na parede do corredor aqui em casa, às vezes me pego olhando e penso: Que merda era essa? Como eu criava tanta coisa idiota? *risos* Brincadeiras à parte, tinha muita coisa boa. Tentei tirar uma foto, mas o mapa ficou pouco nítido. Me divirto ao ver o quanto esse mundo cresceu. Eu precisei amadurecer as ideias, mas a essência continua a mesma.


(Não dá pra enxergar porra nenhuma, né? Mas o mapa até que é maneiro olhando ao vivo.)
*Cavalinho para referência de tamanho.*

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Última Revisão do Livro - CONCLUÍDA!

Para começar 2018, vamos acompanhar um pouco do trabalho que tenho feito com o livro. A revisão do Matéria - Espada de Madeira se deu através da Refraseando - Revisão de Textos, que conheci por acaso num grupo de escrita e decidi fazer um orçamento.

Há tempos eu vinha procurando algum revisor independente, pois me deparei com uma série de obras com erros de escrita e digitação mesmo depois de passarem pelos olhos de uma editora (algumas deixaram passar sombrancelhas e balançei). Não tem essa de escrever tudo de qualquer forma e esperar que a editora se dê ao trabalho de corrigir mais tarde, como autores nossa obrigação é entregar uma obra razoável com o mínimo de erros possíveis. Eu mesmo não sou exemplo para falar de gramática, já é a terceira ou quarta vez que releio o Matéria inteiro e cada vez encontro mais e mais erros. É aqui onde entra a importância de um revisor profissional (e nessas horas, nem mesmo aquele seu brother que está sempre acompanhando seu trabalho poderia ajudar kk)

Quanto à Refraseando, fica a minha recomendação e sugestão aos amigos escritores! Eles oferecem a opção de selecionar o prazo de entrega, caso você precise de seu original com urgência a Refraseando permite que você escolha o prazo  o meu foi em cerca de 5 semanas. Escolhi uma revisão normal, mas também há a Leitura Crítica para quem sente que sua história precisa de uma lapidada. Minha revisora, a Flávia Andrade, foi muito prestativa e ainda deixou uns toques e sugestões nas entrelinhas para que eu consertasse. Você pode acessar a página dela em Flavia Urder.

Terminada a revisão, o autor recebe dois arquivos — um definitivo e outro contendo todas as correções e sugestões grifadas em azul. Essa é uma excelente forma de percebermos tudo que havia de errado na história. Dentre os que mais cometi, pude separar alguns:

  • Erros de pontuação gerais e após a travessão durante uma fala;
  • Uso indevido de itálico;
  • "Por ora" e "por hora"
  • Nomes de cidades e localizações alteradas;
  • A palavra feneca não consta como correta em alguns dicionários, então Hayley passou a ser tratada como feneco fêmea, raposa ou raposa-do-deserto;
  • Cerca de 80% dos advérbios terminados em -mente foram cortados;
  • Cortes de parágrafos desnecessários.

Provavelmente a maior correção feita foi para diminuir o uso de advérbios. Stephen King diz que a estrada para o inferno é pavimentada de advérbios, e eu nunca entendi o ódio do cara, mas após uma rápida busca no Word percebi que utilizei advérbios terminados em -mente mais de 1200 vezes só nesse livro. São 1200 palavras que poderiam ser dispensadas, que estão ali só para enfatizar algo que já foi dito. Há quem acredite que o uso demasiado de advérbios é uma característica de escritores iniciantes, então a revisão foi muito bem vinda (como podem perceber, ainda sou um apto usuário de advérbios, mas estou tentando melhorar! *risos*). Quando estiver na dúvida, é só pensar: Isso REALMENTE precisa estar ali?

Outra boa notícia é que livro aproximou-se das 380 páginas. São mais de 40 páginas cortadas desde as primeiras versões, onde concluí a história com algo em torno de 423. Isso é um bom sinal, pois poderei o valor final da impressão final vai diminuir, sem contar que tudo cortado não fará falta (os clássicos fillers). Outra lição que aprendi com Stephen King: 2º versão = 1 versão - 10%.

Com a revisão concluída, partimos para a etapa das ilustrações. Na próxima parte da Jornada do Autor espero trazer algumas novidades sobre a capa e os desenhos que irão acompanhar as páginas da obra! 


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Arte #23 - Boas Festas!

Mais um ano que segue (e cadê o livro? kkkkkkk)
Sei que estou dizendo isso desde 2015, mas sinto que 2018 será decisivo. Tenho meus motivos:

- É o ano da Bienal em SP, posso aproveitar essa oportunidade para divulgar e não tenho intenções de adiar pra 2020. O evento já tem data marcada, 3 a 12 de Agosto. Se meus planos derem certo, terei o livro em mãos no primeiro semestre;
- Eu não o publicarei por uma editora. Estou decidido a fazer publicação independente e já comecei a produção. A revisão final foi concluída em Novembro, a capa está em desenvolvimento e estou trabalhando com a Nyx (que fez o mangá do Aventuras em Sinnoh comigo) em cerca de 20 ilustrações;
- Cada ano que passa, mais aliviado eu fico de não ter publicado antes, porque a quantidade de correções que fiz são absurdas.

Terminadas essas etapas, só vai faltar a diagramação e enfim partimos para a impressão. Obrigado a todos que acompanham a página e continuam me apoiando nessa jornada. Vou continuar dando o meu melhor! Aproveitem as festas, comam bastante, façam a piadinha do pavê e, enfim, que 2018 venha repleto de realizações para todos nós.

(Eu estava guardando essa imagem para quando o livro fosse publicado, mas até lá acho que já terei feito outra kkk)

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