sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Uma Rede no Meu Quintal [Support]


Support Conversation [A Ordem] 
Personagens: Aedan, Elice, Bernard, Bill, Tootie e Elma;
Gênero: Comédia, Slice of Life;
Tema: Após se instalarem na Pequena Colina, os guardiões da Ordem do Selamento levam uma vida tranquila sem grandes preocupações.
Inspirado nos meus primeiros gibis.

Aedan caminhava pela varanda completamente entediado. Sentia falta do movimento da cidade, dos som alto e a correria das manhãs agitadas durante a semana. Elice insistira na ideia de que alguns dias de férias lhe fariam bem, mas não via a hora de voltar, seus companheiros da Ordem estavam tão habituados à vida na Pequena Colina que era como se sempre tivessem vivido por aquelas bandas.
Elma, Bill e Tootie estavam concentrados na reforma da fortaleza abandonada, um campo de observação que fora deixado para trás desde os tempos da Guerra das Espadas. Com seus poderes mágicos, cada tótines se disponibilizou a ajudar e agilizar o processo, foi Elice quem sugeriu a ideia de transformar o forte em uma “base secreta” onde pudesse brincar sempre que viesse para brincar com seus amigos. Além de servir como moradia, os guardiões da Ordem estabeleceram ali sua morada e ofícios, Elma construiu uma oficina enquanto Bill e Tootie começaram um lucrativo negócio com venda de itens usados e poções.
Naquela manhã monótona, ninguém havia preparado nada de especial. Aedan caminhava pelo jardim quando avistou algo de seu interesse uma enorme rede pendurada entre dois pilares, onde um preguiçoso Bernard se esparramara roncando feito um dragão filhote, balançando vagaroso conforme a brisa batia. Aedan parou ao lado do amigo e o examinou com os braços voltados para trás.
— Interessante — murmurou Aedan com naturalidade.
— Ah, olá — disse Bernard ao despertar. — Gostou, meu rapaz? Comprei semana passada de um mercador que esteve na ilha, foi uma das melhores coisas que fiz nos últimos anos.
O gigante espreguiçou-se com vontade, ajeitou o chapéu na cara e preparou-se para tirar uma soneca de outras três horas.
Aedan continuou a observá-lo intrigado. Sua mente trabalhava um plano infalível para apoderar-se daquela rede.
— O que houve, filho? — perguntou Bernard após alguns minutos ao dar-se conta de que ele ainda não fora embora.
— Nada. Estou só olhando a paisagem — respondeu Aedan. — Na realidade, eu pensei ter visto o seu navio atracado na costa, pois havia alguma espécie de monstro marinho rondando ele, então vim avisar.
— O QUÊEEE? — Bernard saltou da rede com espanto. — Ninguém mexe com o meu bebê! Aedan, tome conta dos demais, eu vou ver o que está acontecendo e volto o mais rápido que eu puder, obrigado pelo aviso!
Assim que o gigante saiu às pressas, Aedan revelou um sorriso vitorioso. Certificou-se de que o capitão estivesse longe, e então, acomodou-se na confortável rede como se fosse um trono dourada. Levando em conta que a praia ficava a alguns quilômetros da colina, Bernard demoraria pelo menos cinquenta minutos para ir e voltar até dar-se conta de que tudo não passara de uma mentirinha discreta.
Aedan esticou os braços e pernas para trás exatamente como vira seu amigo fazer. Como nunca antes pensara em comprar uma daquelas? A sensação era incrível, poderia passar um dia inteiro ali sem se cansar, mas a um dado momento sentiria fome — céus, talvez até precisasse ir ao banheiro! — e sabia que o menor desleixo seria o suficiente para que a rede fosse roubada de sua posse.
Passou os minutos seguintes ponderando um plano; ficaria ali deitado para sempre se pudesse, mas para isso precisaria de alguns livros e um bom serviçal para trazer-lhe um refresco de vez em quando. Quando viu Elice passar berrando de alegria por ali com um cata-vento que Bill montara para ela, uma frutífera parceria irrompeu sua mente, afinal, qual outra serventia teriam irmãzinhas mais novas?
— Ei, Elice. Venha aqui um pouquinho — chamou seu irmão.
— Uau, Aedan! Você comprou uma rede igualzinha a do tio Bernard!
— É do Bernard — ele respondeu convicto, como se já fosse sua por direito.
— Ah, legal. E eu posso brincar?
Aedan nem precisou abrir os olhos.
— Nem pensar, isso é só para gente grande. Embora eu tenha uma outra utilidade para você, e só você pode fazer isso por mim. O que me diz de trazer algumas laranjas lá do armazém e levá-las para a Elma que está na cozinha? Hoje está um tremendo sol, peça para ela preparar um pouco de suco de laranja para você, e então traga um pouco para mim também.
— Ah, tudo bem. Quanto você vai me pagar?
— Quem andou te ensinando essas coisas, menina?! — indagou o mais velho.
— Foi o Bill, ele disse para eu tirar proveito de tudo e nunca trabalhar de graça.
Aedan murmurou insatisfeito, pelo visto sua irmã já não era mais tão manipulável quanto antigamente e seus companheiros da Ordem não vinham se mostrando como uma boa influência. Da mesma forma que Aedan ficara matutando uma maneira de arrancar Bernard dali, os olhos diabólicos da menina de dez anos demonstravam o quão determinada ela estava a tirar seu irmão daquela rede, nem que fosse somente para provar sua supremacia.
Elma saiu para a varanda naquela mesma hora com uma bandeja de doces que acabara de preparar.
— Achei você, querida. Quer provar uma receita nova? Acho que você vai gostar, são biscoitos amanteigados com gotas de chocolate e sorvete de creme — disse Elma de forma gentil, notando então que Elice estava mais quieta do que o costume. — Ora essa, o que houve?
Elice devolveu um olhar maligno e cruel para seu irmão.
Ele me bateu!
Aedan! Como pôde?! — Elma berrou desapontada.
O quê? Qual é, você acha mesmo que eu faria isso?
— Conhecendo você, sim — respondeu a mulher. — Peça desculpas agora mesmo para sua irmãzinha querida.
— Eu não vou pedir. Essa criatura é um monstro disfarçado.
— Aedan, você é mais velho e deveria cuidar dela. Olhe só para esses olhinhos meigos e angelicais, acha mesmo que uma criatura santa como a Elice poderia mentir ou fazer mal algum à alguém? Vamos lá, peça desculpas. Agora.
O homem engoliu seu orgulho, se aquilo se significasse se livrar daquelas duas o quanto antes.
— Tá, tá. Desculpa. Agora me deixem dormir.
— Manda ele deixar eu subir na rede também, tia Elma!
— Aedan, seja um bom irmão e deixe sua irmã deitar-se com você, essa rede tem espaço o suficiente para vocês dois. Vou preparar um suco de laranja enquanto o Doppel termina o almoço, acho que os meninos já estão voltando do vilarejo, logo chamo vocês para virem também. Sejam bonzinhos agora, sim?
Assim que Elma se retirou, Aedan encarou a menina estirada ao seu lado com um olhar mortal.
— Sobe logo, criatura.
— EBA!
Elice saltou em cima da rede e caiu no colo de Aedan, estava tão alegre que mal pôde conter a sua agitação. Ela não parava de falar de como fora seu dia na escola e das tantas flores que encontrara durante a caminhada matinal com Ralph, depois começou a fazer impulso para que a rede balançasse cada vez mais forte, daquela forma seria impossível ter um minuto de sossego.
Após quase dez minutos de conversação e algazarra, a menina aninhou-se ao peito de Aedan e suspirou aliviada, encarando-o com seus olhinhos brilhantes.
— Obrigada por me deixar subir. Você é o melhor irmão do mundo.
— É — ele jogou os braços para trás e virou a cara, envergonhado. — Tanto faz.
Após um minuto de tranquilidade, Elice voltou a atacar.
— E agora? Isso aqui está muito chato, não vamos brincar?
— Você fecha os olhos e dorme, entendeu? É para isso que servem as redes.
— Ah, tá. Não sabia — Elice o abraçou e ficou mais alguns minutos quieta antes de sussurrar em seu ouvido. — Aedan, a rede está parando. Empurra mais forte?
— Alguém precisa descer para empurrar, e essa pessoa não sou eu.
— Tudo bem, eu faço.
Elice desceu da rede e usou todo o impulso do corpo para empurrá-la. A menina estava tão distraída que, quando a rede voltou, acertou-a na cara, derrubando-a lá longe. Aedan arregalou os olhos e precisou descer para socorrê-la.
— Elice! Menina, por que você só se mete em confusão?!
Assim que percebeu que seu irmão estava fora da rede, a pequena deslizou por debaixo das pernas dele e roubou seu lugar.
— Huehueheue, te enganei! Estou aprendendo com os melhores — disse Elice, rindo maleficamente. Aedan semicerrou os olhos, pois não acreditava que havia sido enganado por uma criança. — Muito bem, muito bem, agora que eu sou a dona da rede, vou instalar aqui meu novo regime. Empurre-me, caro servente. Isso é uma ordem. Vamos, você não vai deixar a sua rainha esperar, sim?
Aedan franziu o cenho e cruzou os braços. Usando seu cata-vento como um cetro sagrado, Elice impunha suas vontades chegando ao ponto de pedir bajulações e massagem nos pés. Enquanto apoiava-se na estrutura da casa, Aedan começou a empurrar a rede pensando em mil maneiras de arrancar sua irmã dali sem parecer muito agressivo.
Elice balançava alegremente quando Bill passou por perto carregando um caixote de brinquedos velhos para sua nova loja.
— Oh, veja, meus servos já começaram a aparecer — disse Elice empolgada. — Bill Von Altenburg, eu o nomeio espião oficial de meu reinado. Sua função é cobrar impostos dos pobres e tirar o que eles já não têm, enquanto enriqueço e engordo em meu palácio real à custa do povo.
— Eita, isso aí não fui eu que ensinei pra ela, não — respondeu o gatuno com uma risada.
— Onde está indo com essa caixa cheia de tesouros? Venha me doar seus 10% que é de direito meu! — disse a menina, incorporando sua posição como realeza. — Por sinal, eu tenho uma função para que você. Preciso que roube algo de estimado valor na cozinha.
— E do que se trata? — perguntou Bill. — Espere, não diga. Pelo cheiro não terei dificuldades em localizar o artefato.
Bill vestiu sua máscara, como se estivesse para realizar um roubo de verdade. O gatuno soltou pela janela com uma cambalhota e voltou alguns minutos depois da cozinha trazendo a bandeja de biscoitos feitos por Elma. Ele ajoelhou-se em frente à Elice e ofereceu o prato inteiro para sua rainha que regozijou-se com o serviço prestado.
Assim que comeu o primeiro biscoito, a menina encolheu os ombros e esboçou uma feição de prazer, pois estavam deliciosos. Ela não parava de sorrir. Enquanto tivesse sua rede, sua coroa e um prato cheio de doces, não precisaria de mais nada no mundo.
— Bill, estamos brincando de rede, quer brincar também? — perguntou Elice.
— Maneiro. E o que vocês fazem? — continuou o gatuno.
— Não deixamos o Aedan sentar.
— Hah, hah. Eu quero!
Aedan revirou os olhos. Ela estava se tornando uma verdadeira oportunista. Bill e Elice balançavam cada vez mais forte quando Tootie passou ali perto em busca do parceiro que a deixara esperando na loja.
— Oi, pessoal. O Bill está por aí?
— Princesa, estou aqui! Junte-se ao nosso império!
— Eu agora sou uma rainha, ditadora, imperatriz. Estamos aprendendo muita coisa legal nas aulas de história — respondeu Elice.
— Nossa, uma rede — comentou Tootie. — Vocês sabiam que elas foram criadas pelos povos antigos e eram feitas de cipós e lianas? Como vivi muito tempo no Deserto Elmud, era comum encontrar mercadores que dedicavam seu tempo a produzirem artesanatos e peças como essa. Olhando mais de perto, talvez essa rede tenha sido mesmo feita em Elmud...
Tootie, cuidado!
A rede acertou a cara de Tootie com tanta força que a menina foi parar longe.
— Por Araya, nós matamos ela!
— Hah, é isso que acontece com quem desafia meu poder! — gritou Elice.
— Mas ela veio em paz! Você precisa de aliados se quiser que seu reino prospere.
— Eu não preciso de ninguém enquanto vestir uma coroa, todos que me contrariarem devem ser executados! Desde quando vendeu seus serviços para outro reino, Bill? Você estava espionando meus métodos e vendendo informações, não é? Saia, saia! Deixe-me a sós, pois já não sei mais em quem posso confiar em tempos sombrios como esse!
Aedan estava começando a se divertir com o rumo daquela história quando se deu conta de que uma sombra enorme se projetara sobre eles. Ao olhar para trás deu de cara com o Capitão Bernard, o velho estava de braços cruzados e uma expressão enfadonha, pelo visto ele acabara de voltar de sua trajetória infrutífera até a costa.
— O que vocês estão aprontando? — perguntou o gigante.
Elice deu um grito e escondeu-se dentro da rede.
— Os monstros chegaram! Reúnam nosso exército, resistam! Ninguém vai me tirar do posto que demorei tanto para conquistar!
— E por que eu faria algo assim? — continuou Bernard, ajoelhando-se ao lado da menina e sorrindo para ela de forma adorável. — Essa rede é que nem coração de mãe, sempre tem espaço para mais um!
O velho agarrou seus amigos e pulou na rede que praticamente envergou com o peso de cinco pessoas; Aedan se espremia com Elice no colo, do outro lado Bill e Tootie coravam por estarem com os rostos perto demais um do outro. Quando Elma colocou a cabeça para fora da janela para espiar o que estava acontecendo, não pôde deixar de rir com a cena.
— É assim que eu gosto — disse a mulher com as mãos apoiadas no batente. — Será que tem espaço aí para mais uma?
— Agora que estão todos acomodados, se não se importarem, eu vou tirar um cochilo — falou Bernard enquanto balançava a rede com os braços.
— Nem pense nisso, dá pra ouvir você roncando a quilômetros de distância! — retrucou Aedan.
— Falando nisso, devo agradecê-lo, Aedan. Eu havia me esquecido de ancorar o navio quando saí, se não fosse por você, ele já estaria bem longe daqui.
— Ah... não foi nada.
— Não consigo nem me mexer — comentou Bill, todo torto.
— Nunca tive tanta gente encostando-se a mim, esse contato físico ainda me é estranho, mas eu gostei... — murmurou Tootie de forma acanhada, sentindo um arrepio súbito percorrer até sua nuca. — ...ah! ♥ Bill, foi você?
— Foi mal.
Aedan respirou fundo, no fim das contas, se divertira à beça. Percebeu que estava mais confortável agora do que antes, apoiou os braços para trás e sentiu a brisa bater, a tranquilidade relembrá-lo o porquê de ele adorar tanto a Pequena Colina e desejar nunca mais deixá-la.
— Podemos ficar assim para sempre? — Elice o abraçou de olhos fechados.
— É — Aedan falou baixinho, prestes a adormecer. — Acho que assim está perfeito.



NOTAS DO AUTOR

Apesar de só estar sendo postado em 2020, tenho registrado no documento desse arquivo que ele foi escrito em Agosto de 2015, logo, esse deve ser o Support mais antigo que escrevi. Levou quase cinco anos para que ele fosse postado, e nem sei dizer ao certo o motivo de tamanha demora, talvez eu só tenha me esquecido mesmo... De lá para cá, poucas coisas mudaram na história original, mas precisei  dar uma revisada que incluiu mais 1000 palavras, além de fazer alguns ajustes que conectam com a história principal, como o fato da Pequena Colina ainda não ter recebido esse nome quando escrevi pela primeira vez.

A imagem acima do gibi deve datar de meados de 2007, na capa vocês podem ver Firetines (Aedan) e Cristaltines (Elice), da maneira como eles foram criados. Por sua vez, "Uma Rede no Meu Quintal" também foi inspirado em um gibizinho da Turma da Mônica, o número dois lançado pela editora Panini. No fim das contas muita coisa mudou, mas a essência permanece.

Mesmo que pareça uma cena genérica do cotidiano, o fato dessa história ter se baseado em um dos  primeiros gibis que ilustrei inteiro das aventuras de Ralph significa demais para mim, pois foi um dos poucos que terminei. A capa está tão velha e desgastada que ficou até difícil de escanear, mas vale a lembrança do quanto esses personagens evoluíram, assim como eu, como desenhista e escritor.


  3 comentários:

  1. Eu adoro como qualquer coisa inspirada em Maurício tem cara de Maurício ahsuashuahushuashu

    Que coisinha mais meiga, pior que eu consigo imaginar qual personagem da TMJ cada um da Ordem é, vou até ler para ver se consigo achar as semelhanças.

    ALÔ MAURICIO, QUEREMOS UM CROSSOVER <3

    Obrigada por compartilhar algo tão incrível, Canas, diretamente da raiz de Matéria para uma versão mais madura e ao mesmo tempo inocente :3

    See ya

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    Respostas
    1. Que surpresa te encontrar aqui de noitão, postei há pouco tempo esse Support e nem estava esperando que ninguém fosse ler tão rápido ♥

      Ah, como pude deixar tanto tempo perdido um capítulo desses, né? Eu AMO vasculhar meus rabiscos antigos e tirar inspiração dali, tem tanta coisa legal com um olhar inocente que eu já não sei criar hoje em dia. É como você disse, o Maurício tem a essência dele nas histórias, e fico feliz por poder emprestar um pouquinho disso e divertir meus leitores também. Eu devo ter esse gibi até hoje, acabei alterando mais o final, lembro que o Cascão pretende usar a rede pra derrotar a Mônica, mas aí ele acerta a mãe dele na cara. Aí a história fecha com o Dudu perguntando: "Cansou de brincar na rede?" E o Cascão diz com um travesseiro na bunda dolorida: É, cansei de ficar sentado kkkkkk

      Eu que agradeço você por valorizar algo que é tão pequeno e insignificante para muita gente, mas você sempre enxerga a essência disso tudo, de tempos mais simples que tanto estimo :3

      E aproveitando que você gostou desse, em nossa madrugada produtiva terminei de escrever um Support sobre o LENDÁRIO CAVAZEVAMUONGA, um monstro que desenhei quando tinha uns 12 anos, é um especial do Lesten e a Auria, sua dupla kkkk Posto ele logo mais!

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    2. Eu já to hypada no nome desse monstro ahusauhsuahshua
      Entrem em cena, nossa dama de ferro e meu lagarto sem asa inútil e atrapalhado favorito <3

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