sexta-feira, 30 de junho de 2017

Capítulo 4

Auria estava atrasada para a primeira aula, pois decidira comparecer de última hora. Por coincidência, Ralph vinha correndo em sua direção. O encontro veio a surgir em hora oportuna, apesar dele quase não a reconhecer. Auria vestia uma camisa azul engomada, saia justa e um lacinho na cabeça. Estava toda produzida com maquiagem, brincos e acessórios; os cabelos sedosos e bem penteados. Seria a mesma moça que conhecera na última noite? Talvez o excesso a transformara em invisível. Era como se estivesse lhe faltando algo, só não sabia dizer o quê.
— Oi, Auria! Eu estava ansioso para encontrá-la, parece até que alguém a colocou no meu caminho hoje — disse Ralph com um grito, fazendo-a se esconder atrás de uma parede. Ela poderia sair correndo ou fingir que não o conhecia, mas a essa altura estavam próximos demais para não chamar atenção.
— Veja só, se não é o cabeça entalada... O que foi agora?
— Poxa, Auria, você fala comigo como se eu estivesse fazendo algo de errado — Ralph respondeu. — Eu fiz algo errado?
— Claro que não. Quero dizer, sei lá. Estou atrasada para a aula.
— Tudo bem, eu te espero aqui fora.
Auria continuou seu caminho, mas pensou como seria rude de sua parte deixá-lo esperar por tanto tempo, algumas vezes as aulas iam até às seis da tarde. Ao olhar para trás pôde vê-lo sentado em um banco de madeira debaixo de um grande olmo que oferecia sombra e um ponto tranquilo. Como estava atrasada de qualquer maneira, voltou para saciar sua curiosidade.
— Então, para qual setor foi escalado?
— Eu não fui aceito.
— Sério? — ela perguntou incrédula. — Isso é excelente, vai poder voltar para a sua família e amigos.
— Como assim? — O rapaz não compreendia o motivo de tanta felicidade. — Tudo que eu mais quero é servir o exército e me tornar um herói, mas parece que as pessoas estão tentando me afastar desse sonho.
Auria disfarçou um sorriso, sendo bem sucinta em admitir:
— É engraçado você dizer isso. Seria ótimo se pudéssemos trocar de lugar.
— Mas você é uma veterana! Como pode haver algo de ruim nisso?
— Não é tão simples quanto parece. Eu sou uma Mercer e as pessoas esperam muito de mim. Querem que eu realize grandes feitos, como todos de minha família. É como se eu estivesse aprisionada por algemas invisíveis — Auria ergueu as mãos num gesto simbólico, travava uma luta interna para admitir tudo em voz alta. — Eu me acomodei e aceitei o destino que tentam traçar para mim, mas eu queria que fosse diferente. Gostaria de ser forte o suficiente para superar essas barreiras, mas... não sou.
Um longo silêncio pairou entre eles.
— Você é incrível — o rapaz admitiu com bondade. — Seu destino é ser incrível, não consegue ver isso?
— Esse destino idiota sempre aparece me impedindo de fazer o que quero.
— E o que você quer?
— Ser grande, talvez.
— Mais ainda?! — Ralph perguntou. — Você já é imensa, parece que estou falando com seus peitos... com todo respeito, claro.
— Falo de outro tipo de grandeza. — Auria caiu na risada. Ralph estava contente por arrancar um sorriso dela. — Os alunos que vêm para cá são tão capacitados quanto eu, cada um deles também sonha em se tornar grandioso algum dia, mas será que todos nós teremos essa chance?
— Nós já temos muitos heróis no mundo, mas isso não é motivo para que eu desista.
Auria não se lembrava da última vez que ouvira alguém lhe dar conselhos que fossem úteis e não somente com o intuito de julgá-la e repreendê-la. Era estranho, ainda mais vindo de alguém tão mais jovem do que ela.
— Por que nunca te chamaram? — Ralph perguntou.
— Eu não sei. Eu só queria que as pessoas parassem de me proteger como se eu fosse uma florzinha em um vaso de vidro, uma bonequinha de porcelana ou a princesa em perigo do castelo. Eu queria poder lutar e defender a mim mesma e aos outros, os que realmente precisam.
Os olhos de Ralph brilharam ao ouvir aquelas palavras. Ele sentiu seu coração pulsar e compreendeu o que sua mãe sempre lhe dissera sobre as peças do quebra-cabeça.
— Obrigado pela conversa, era o que eu precisava ouvir.
— O que está pensando em fazer?
— Só me dê até amanhã e não vai se arrepender.
Auria manteve-se séria. Ralph fez um aceno bobo com as mãos e depois foi embora pela estrada de terra. Perguntava-se o que estaria aprontando, correndo pelas trilhas com uma espada de madeira, sem ser impedido por nada nem ninguém. Ela escondeu um sorriso ao pensar na sensação, pensava em como seria bom ser livre para sair e fazer o que quisesse.
Por fim, o sinal tocou. Auria arrumou suas coisas e entrou na academia para a segunda aula, mas com os pensamentos distantes, refletindo sobre todos os lugares que nunca tivera a chance de estar. Queria entender o que se passava na mente de Ralph com seus hábitos espontâneos. Auria queria acreditar que ele era a saída para sua rotina que não mais avançava, apenas regredia. Ao mesmo tempo, era melhor não colocar muitas esperanças. As pessoas gostavam de decepcioná-la.
Ele era diferente dos geckos — e também dos humanos —, na verdade, era diferente de tudo que já conhecera.

i

Na manhã seguinte, Ralph não apareceu.
Auria estava chegando à sala de aula quando avistou os outros alunos se apressarem no corredor, estavam eufóricos. Ninguém previra a chegada ou havia se preparado para o evento, na época não passavam de boatos.
— Dawn, o que aconteceu com todo mundo? — Auria perguntou para uma companheira dos treinos de magia que passava ao seu lado carregando cinco livros.
— Lembra quando disseram no começo do ano passado que um oficial poderia visitar a academia? Demorou tanto para acontecer que ninguém mais acreditava, e agora, por falta de um oficial, são dois Classe A! Um deles é o general que participou da batalha em Cortina Escarlate e ajudou o rei a derrubar Rudsi, da Coroa de Ferro. Ele é um dos maiores heróis dessa geração — Dawn respondeu com pressa enquanto corria para o pátio. — E vai selecionar os melhores alunos para o seu próprio batalhão!
Auria ficou perplexa ao ouvir aquilo. Não perderia nem mais um segundo. O destino tentava lhe esticar a mão uma última vez e essa era a sua chance.
Ela espremeu-se entre os alunos que se amontoavam no portão de entrada. Era possível ver de longe uma fileira de soldados trajados no uniforme de Perpetua, uma das regiões gélidas do sul. Apesar de estarem em um local de clima litorâneo, as vestes dos guerreiros eram pomposas e preparadas para o frio rigoroso, tinham longas capas e elmos que lhes cobriam o rosto em um arco esculpido que ia até a ponta do queixo. Estavam com a fronte erguida e porte firme, nenhum deles dizia sequer uma palavra e os alunos se impressionavam com tamanha obediência. Queriam ser como aquele que os liderava.
No meio da fileira feita pelos soldados, um homem caminhava com passos leves e sem som. Auria espremeu-se entre dois colegas para vê-lo melhor, as garotas sentiam o coração palpitar e os rapazes enchiam-se de admiração. O oficial tinha o cabelo perolado, suas feições eram suaves como as de uma escultura áurea, uma obra fina — lembrava o rosto de um anjo que decide descer a terra somente para ser contemplado e admirado pelos reles mortais. Um detalhe que chamava atenção era que um de seus olhos era branco, mas ele não parecia ter perdido a visão em combate; duvidava que existisse algum inimigo capaz de tal feito.
Os rumores se provaram corretos. Não havia apenas um, mas dois generais. O tempo mudou, o sol escondeu-se atrás de nuvens cinzentas e a temperatura caiu de súbito. Auria teve a impressão de que viu um floco de neve dançar em sua frente em pleno verão. A poucos metros de distância passava um oficial de igual estatura, porém mais encorpado e rosto rígido. Sua armadura refletia como um espelho e tinha um tom azulado que lembrava cristais. Este, por sua vez, tinha cabelos azulados e era muito observador. Caminhava sempre ao lado do outro, sem estar nem um passo a frente ou atrás.
O diretor da academia, um sujeito que ninguém via em ocasião alguma e que nem os alunos mais antigos sabiam o nome, apareceu correndo para recebê-los.
— Saudações da Vila das Pérolas, meus senhores — disse o diretor, cansado pela corrida de sua sala no terceiro andar onde não era perturbado até o térreo.
O homem do olho esbranquiçado fez um cumprimento leve com a cabeça. Até mesmo a forma como se movimentava parecia angelical, como se ele desse o perdão divino. Era difícil imaginar um ser humano como ele em uma guerra, rodeado por morte e sofrimento. Ele era como a luz que deve ser seguida.
— Senhor diretor — começou de maneira mansa, a própria voz era uma oração —, meu nome é Raito, a Luz do Alvorecer, General Classe A da raça humana e chefe da primeira divisão do rei em Constantia. Este é Lloyd, da província de Perpetua, linhagem dos King, General Classe A da raça dos tótines.
O sobrenome King tinha impacto em qualquer região que se pronunciasse. Descendente de uma linhagem de humanos e uma raça mágica conhecida como tótines, a família King aperfeiçoara a magia a ponto de dominá-la sem precisar da influência de nenhuma feitiçaria ou mecanismo externo. Lloyd King era o responsável pela súbita mudança no tempo, um homem capaz de controlar elementos ligados ao gelo e usá-los para submeter seus batalhões a condições extremas.
O diretor acariciava as próprias mãos e só faltava esticar-se no chão para que passassem por cima dele.
— A que lhes devo a honra desta visita?
— Viemos olhar seus alunos — disse Lloyd King com sua voz grossa e charmosa. — Gostaríamos que reunissem alguns para uma exibição de habilidades.
— M-mas assim de súbito?
— Uma guerra não espera nossa hora de escolha para tomar início. São os que dormem com um olho aberto que não são pegos pelas ciladas — respondeu Raito. — Partimos hoje com aqueles que julgarmos dignos de andar ao nosso lado, então, espero que não nos deixe esperando.
Raito virou o rosto e, por um breve instante, seus olhos pararam em Auria. Ele parecia cego mesmo, seu olho direito era branco. Como alguém com a vista prejudicada conseguiu chegar tão longe?, perguntava-se. Estava diante de um general de verdade — com apenas quinze anos, Raito liderou a primeira divisão das tropas do rei contra Rudsi, da Coroa de Ferro, colocando um fim ao mal que atormentara Sellure por uma geração inteira. Tornou-se herói para o povo e foi reconhecido como um dos oficiais mais próximos do rei.
O diretor afastou-se e convocou uma reunião com os professores de cada área. Quantos alunos deveriam convocar? Para quantos dariam aquela chance? Os mestres e tutores haviam sido pegos tão despreparados quanto seus pupilos. Não havia a opção de fazerem fila nem organizarem uma votação, agora o que contava era o desempenho particular de cada um e as notas que vinham acumulando nos últimos anos.
Auria tentou acompanhar os oficiais, tinha muitas perguntas e elogios a fazer, mas os dois homens foram direcionados para uma sala em particular nos andares mais altos da torre principal onde não seriam perturbados. Só lhe restava esperar e torcer pela chance de dar o seu melhor, seu destino não estava mais em suas mãos.

ii

Raito caminhou até uma das janelas da sala que davam visão para a costa. A Ilha dos Geckos revelava-se magnífica no mar distante, o oficial não conseguia tirar os olhos dela. A temperatura no aposento despencara como se alguém tivesse deixado o ar-condicionado ligado uma noite inteira.
— Você não consegue se controlar mesmo... O que te faz preferir o frio? — perguntou Raito.
— As pessoas se vestem melhor — respondeu Lloyd, deixando o frigobar aberto enquanto procurava algo para beber sem sucesso. — Ao invés de nos adaptarmos ao calor litorâneo não seria uma boa ideia se as pessoas se adaptassem ao frio agradável de Perpetua? Afinal, como foi que viemos parar nesse fim de mundo? Eu não mereço estar aqui...
— Por que você veio então?
— Quis tirar uma folga dos afazeres na fortaleza.
— Por que não estou surpreso? — Raito soltou um suspiro.
Lloyd encontrou um vinho de uma safra razoável na adega particular do diretor. Como eram convidados ilustres, abriu a garrafa e logo compartilhou uma taça com seu companheiro. Os dois brindaram, Lloyd tocou o vidro com a ponta do indicador e cinco pequenos cubos de gelo se formaram. Raito teve de devolver um olhar reprovador.
— Ninguém toma vinho assim, é deselegante — ele disse com um sorriso de canto. Seu companheiro apenas deu de ombros.
Após um breve minuto para degustar a bebida, Lloyd espreguiçou-se no sofá e tentou ajeitar-se com toda aquela armadura pesada que só servia para intimidar.
— Acha que encontraremos alguém bom para nosso batalhão?
— Talvez. Nós também já fomos meros soldados Classe E, veja aonde chegamos. Encontramos os heróis onde menos se espera — respondeu Raito, mexendo sua taça. — Afinal, eu também iniciei meus treinos na Vila das Pérolas quando completei quinze anos. Parece que foi ontem... Estamos ficando velhos, Lloyd.
— Nem me fale. Eu gostaria de voltar para a época em que carregar uma espada me fazia sentir-se protegido e eu ainda acreditava que servir o exército me faria um herói.
— E a propósito, você viu a mesma pessoa que eu?
— Vi pelo menos uns trezentos rostos diferentes só na última hora — respondeu Lloyd. — Mas confesso que dentre eles pude distinguir garotas... notáveis. Estou pensando em convidar algumas para o meu batalhão, por mim não seria necessário nem um teste de admissão.
Raito fez um sinal para que ele olhasse pela janela. Havia uma garota alta de cabelos negros conversando com um rapaz.
— É uma das Mercer.
— Você só pode estar brincando. Pela graça de Araya, é ela mesmo. A mais nova, não? Eu me lembro dela como uma garotinha de vestido manchado na festa, isso já deve ter uns três anos. Essas mulheres amadurecem muito rápido... Está enorme agora, literalmente, tanto na altura quanto nos... — Ele moveu as duas mãos em torno do peito em gestos de apertar. — Impossível não notar.
— A Srta. Lydia exigiu que Auria ficasse o mais longe possível da guerra. A mera suposição de vê-la na linha de frente a enlouqueceria. Com o poder e a influência que sua família tem em mãos, não duvido que uma mulher como ela tenha movido algumas peças para manter sua irmã presa na academia de treino.
— O que uma Mercer quer, ela consegue.
— Nem tudo — Raito falou de forma enigmática, contemplando a paisagem. Virou-se para seu amigo e brincou ao falar de forma convencida: — Lydia ainda não me conquistou.
Raito sabia melhor do que qualquer um de sua boa aparência e posição como general. Lloyd só conseguia rir e balançar a cabeça.
— Pode ficar com ela — Raito respondeu com descaso.
— Você é o único homem que recusou a mulher mais desejada de Sellure.
— Poupe-me dessa, Lloyd. Aqui estamos nós, os dois primogênitos das famílias mais poderosas desse reino, discutindo como cavalheiros a mão da mulher mais insuportável que já existiu. — Raito riu e deu a última golada, bebendo como um degustador profissional. — Saúde.
— Mais vinho?
— Sem gelo. — Raito ergueu sua taça de cristal. — E, se perguntarem, estamos discutindo táticas de guerra.
— Você fala como se eu não soubesse.

iii

Os veteranos estavam devidamente posicionados. Nenhum novato recebeu chance. Foram escolhidos mais de cinquenta alunos da academia, cada um teria pouco mais de um minuto para demonstrar suas táticas e estratégias com um armamento de escolha dos professores, tendo como intuito destacar o fato de que a Vila das Pérolas tinha grandes peritos em todas as áreas.
Auria ficara quase vinte minutos conversando com um de seus professores para dar-lhe a chance de mostrar do que era capaz. A lista fora exposta no quadro de avisos no pátio e ela quase surtou quando viu seu nome em ordem alfabética, na terceira posição.
— Achei — Auria sentiu o coração palpitar mais depressa. Continuou seguindo a linha de seu nome com o dedo até que reparou no equipamento que haviam escolhido para ela: — Arco e flecha? Mas eu nunca acertei um alvo na minha vida!
O homem sentado na mesa ao lado apenas deu de ombros e falou:
— Perguntamos a um amigo próximo seu. Ele disse que você era boa.
— Eu sou péssima. — “Que amigo será que foi esse?”, pensou. — Escuta aqui, não tem como mudar? Por favor, coloque-me com uma espada ou até mesmo um machado, qualquer coisa menos arco e flecha. Não quero passar vergonha.
O homem pareceu concordar meio que contra sua vontade. Veria o que poderia fazer. Auria saiu dali embora não satisfeita e foi observar como os demais participantes se preparavam. Caso os generais selecionassem um indivíduo, este soldado seria promovido do Rank E para o D e estaria dentro do exército, pronto para iniciar uma nova fase.
Sua apresentação seria dentro de uma hora. Encontrou conhecidos por toda a parte, mas procurava por uma figura ruiva naquele meio, Ralph teria adorado aquele show. Foi surpreendida quando Yellem aproximou-se com sua bainha debaixo do braço, ele esticou-lhe a mão e os dois se cumprimentaram.
— Você deveria me agradecer, fui eu quem colocou seu nome na lista — afirmou Yellem.
— Sério? Te devo uma — Auria deu um soco no ombro do rapaz que até se afastou.
— Você será a segunda a se exibir, é bom estar preparada. E a propósito, escolhi arco e flecha como sua arma. Eu não sabia direito quais eram suas habilidades, então achei a opção mais viável para uma mulher delicada que precisa estar longe do perigo.
— Quanto a isso não poderei agradecer-lhe.
— Bem, o que posso fazer? Você não parece ser excepcional em nada.
Auria mordeu o lábio inferior e franziu o cenho, estava chateada com o que acabara de ouvir, mas não surpresa.
Yellem voltou a atenção para a arena de luta.
— Fique tranquila, tenho tudo sob controle.
A hora seguinte avançou depressa, logo Raito estava sentado sobre um palco improvisado e Lloyd jazia de pé ao seu lado, encarando cada aluno com atenção. Um vento leve soprava e o ar estava pesado, Auria desejou estar com sua jaqueta para protegê-la.
— Podemos começar? — o diretor perguntou com as mãos trêmulas. — O primeiro aluno da lista está pronto para começar sua apresentação, em ordem alfabética.
Raito aproximou-se do ouvido do diretor e falou bem baixinho:
— Comecem pelo oposto.
O diretor arregalou os olhos de pavor. Imprevisível, como sempre. Onde estava o último aluno da lista, alguém com a letra Z no primeiro nome? Assim que a informação correu solta, Auria sentiu-se péssima, pois agora seria a penúltima a apresentar-se e levaria horas até que chegasse a sua vez, isso se o oficial não estivesse farto até lá. Seguindo a ordem estabelecida, seu companheiro Yellem inauguraria as apresentações.
O rapaz foi até o centro da arena e fez um cumprimento cortês, mantendo o nariz empinado e o queixo erguido. A plateia permanecia em silêncio absoluto. Raito o encarou com calma, sem dizer nenhuma palavra, como se conhecesse aquele garoto há mais tempo do que se esperava. Rolavam boatos de que ele era algum parente da família. Se aquilo fosse mesmo verdade, fariam o possível para colocar Yellem dentro do regimento e não havia quem pudesse contestar. As peças se encaixavam com tamanha perfeição que era difícil não acreditar. Se Yellem garantisse seu espaço, se ele passasse, quem sabe pudesse levar Auria também?
“Tenho tudo sob controle”, ele dissera. Nunca antes teve tanta certeza de que os três longos anos de espera chegariam ao fim.
Yellem brandiu sua espada e começou com movimentos leves, como se estivesse em uma dança de esgrima. Pulava de um lado para o outro e estava o tempo todo se exibindo para seus colegas ao redor. Lloyd estava mais sério do que nunca. Yellem não percebeu que havia chegado a hora de parar e continuou sua apresentação por mais trinta segundos depois que seu tempo expirou e ninguém ousou interromper. Os oficiais não tiravam os olhos do estudante que finalizou a cena bem em frente ao palco e guardou sua espada na bainha, ajoelhando-se em sua frente. Raito levantou-se, os professores e mestres presentes na academia fizeram o mesmo. Observava os alunos com seus olhos insondáveis, a esfera branca no lado direito parecia conseguir enxergar os desejos mais profundos de cada um.
— Você é bom — Raito admitiu, procurando encorajá-lo. — Mas ainda não está pronto.
— Permita-me servi-lo, meu senhor — disse Yellem, procurando manter a compostura. — Permita-me protegê-lo na guerra e batalhar por nossa bandeira e aprender com os demais. Irei segui-lo e obedecê-lo, sou capaz de superar o medo ao seu lado, deixarei a arrogância e os maus hábitos. Prometo respeitá-lo como meu senhor até o fim de meus dias.
Yellem espiou de relance e viu que Raito continuava parado em sua frente. O oficial revelou um sorriso franco de compaixão, mas não lhe esticou a mão.
— Um belo discurso. Você é habilidoso com uma espada, apesar de que na guerra não terá tanto espaço para dançar. Suas palavras também não causariam danos. Volto a repetir: você não está preparado.
— Senhor — começou Yellem, perdendo-se em suas próprias falas. — Senhor, eu...
— Obrigado pela apresentação. Pode voltar ao seu posto.
— O senhor não tem o direito de me menosprezar!
O diretor da escola arregalou os olhos com a resposta grosseira. Yellem surtou ao ouvir risadinhas às suas costas. Raito respirou fundo e olhou para os mestres e professores da academia que não tinham palavras para expressar a vergonha quanto a tamanho desrespeito.
— Por que você acha que eu não tenho o direito? Não estou ofendendo ninguém, estou apenas aconselhando, mas me parece que você não sabe receber críticas construtivas — disse Raito. — Estou selecionando soldados, e não as crianças mais comportadas para uma excursão.
— O meu pai — Yellem começou —, ele é grande. É um homem respeitado. Se você não...
— Qual seu sobrenome?
— Chermont.
— Muito bem, jovem Chermont, eu não faço ideia de quem seja seu pai, mas há poucos homens neste reino que podem me dar ordens. Eu só recebo ordens do rei — falou Raito num tom autoritário —, ele, sim, é ordem e justiça absoluta.
Assim que parou, o oficial dirigiu seu olhar para Yellem.
— Eu ouvi o suficiente por hoje. Jovens com técnica, mas sem caráter. A Vila das Pérolas não está pronta para oferecer seus alunos para a Fortaleza da Pedra Azul em Constantia. Recomendo que parem de tentar copiar seus ídolos e heróis, vocês não repetirão os mesmos feitos das lendas que marcaram época; vocês não são eles. Agradeço a compreensão e paciência, dediquem-se e continuem treinando para serem autênticos e eficientes. Para este novo semestre que se inicia, desejo apenas que sejam melhores.
Raito retornou para o palco, agradeceu a visita dos professores e ofereceu-se para enviar mais recursos de modo que pudessem aprimorar a base na academia.
— Eu muito estimo este lugar — disse com a voz tranquila —, mas o nível parece ter decaído um pouco.
Ele virou-se com seus homens para deixar a Vila das Pérolas. Yellem continuava com os joelhos dobrados no chão, suas mãos tremiam e alguns amigos o consolavam. Auria estava pasma, pensava na maneira como Yellem agira, nos boatos falsos e em seus planos que terminaram frustrados. Ela nem mesmo tivera a chance de apresentar-se. Na tensão do momento abandonou o pátio e correu para onde o pequeno esquadrão de escolta de Raito seguia. Dois soldados a abordaram quando a viram correndo e o próprio Lloyd virou-se ao ouvir uma voz gritar:
— Esperem! Por favor, esperem!
Lloyd tossiu e falou com discrição no ouvido do companheiro:
— É a irmã da Lydia...
Raito concordou com a cabeça e voltou-se cordialmente para ela.
— Auria Mercer. — Sorriu da maneira mais educada e prestativa que conseguiu.
— O senhor sabe meu nome? — Talvez ainda tivesse uma chance. — Por favor, senhor Raito, dê-me a oportunidade de mostrar a minha capacidade e servi-lo. Sou veterana do curso, estou aqui há três anos e nunca estive tão pronta.
Ele respirou fundo e pediu para que seus soldados aguardassem um instante.
— Eu permitirei que você entre no meu regimento — disse Raito, fazendo uma pausa curta —, se me responder apenas uma pergunta.
Auria sentiu seu coração acelerar. Ela acenou com a cabeça diversas vezes, esperava todo o tipo de questões impossíveis e particulares, mas Raito foi claro ao recitar:
— Você está preparada para morrer pelo seu povo?
— Sim, mais do que tudo nessa vida — Auria respondeu com convicção.
— Então, desculpe-me, mas você não está preparada para entrar em meu batalhão.
Ele virou-se, deixando para trás a guerreira imersa em suas palavras. Os dois oficiais caminhavam com passos firmes, Auria não entendia como aquela poderia ser a resposta errada e precisava ouvir de alguém que respeitava:
— Senhor, só me responda uma pergunta também... — ela falou com a voz trêmula. — Por quê? Por que não estou preparada?
Raito pensou em todas as respostas possíveis, naquelas que destruiriam sonhos e naquelas que a empenhariam a continuar tentando. Palavras bondosas e categóricas, ou diretas e sucintas?
— Você é... fraca, Auria. Pensa que apenas com coragem, heroísmo e força de vontade vai ser capaz de mudar o mundo, mas não é assim que as coisas funcionam.
Não houve nenhum “treine mais” ou “continue tentando”. Era como se não houvesse esperança alguma para alguém como ela. As palavras doíam mais em seu peito do que no de qualquer outro.
Quando os oficiais estavam a uma distância razoável, Lloyd comentou com discrição:
— Acho maldade a Lydia não deixar a irmã mais nova entrar no exército. Ela parece boa.
— Prefiro perder um bom soldado a ouvi-la gritar na minha orelha quando voltarmos — respondeu Raito. — Além do mais, a irmã do meio, Diana Mercer, é minha estrategista. Como acha que ela se sentiria ao ter de mandar a própria irmã para a linha de frente? Ninguém nunca estará pronto para isso. Essa garota estará protegida aqui, longe da guerra. Não devemos incitá-la a continuar tentando. No fim desse semestre, daremos as condições para que ela volte para casa.
Raito pensou em como alguém construiria uma reputação de respeito sendo que sua família era forte e influente por si só. Durante toda a vida lutara para ser reconhecido, não tivera um pai presente para guiá-lo e no fundo invejava qualquer um agraciado pela oportunidade.
— Vou ser sincero com você, Lloyd. Torço para que um dia Auria Mercer seja capaz de libertar-se das correntes que a prendem. Porque quando esse dia chegar, ninguém vai conseguir impedi-la.
— As Mercer são poderosas por nascença — comentou Lloyd. — Abençoada seja esta família de mulheres lindas!


 

  9 comentários:

  1. Hora de uma Reflexão pessoal minha... (Talvez seja mais virada para uma teoria?)
    Bom, eu sei que ainda é demasiado cedo para chegar a conclusões precipitadas, mas como eu sou alguém que adora explorar o tema em questão, não pude deixar de o comentar.
    Para começar, eu não tenho a certeza da ideia que irei defender, como eu disse, é demasiado cedo para estas conclusões, por isso se eu disser algo incorreto, peço desculpa.



    ''O sobrenome King tinha impacto em qualquer região que se pronunciasse. Descendente de uma linhagem de humanos e uma raça mágica conhecida como tótines, a família King aperfeiçoara a magia a ponto de domina-la sem precisar da influência de nenhuma feitiçaria ou mecanismo externo.''


    Mesmo não sendo algo referido diretamente ao longo do Capitulo, no meu entender, tal excerto significa que a família King é uma família de... Híbridos?
    Porém, se o Lloyd é realmente um Híbrido e é considerado um herói, em qual ponto eu quero chegar com este facto?

    De acordo com o especial ''O passado do Ralph'', é do meu entender, através dos personagens Rebecca e Claus, que os Híbridos são claramente muito mal vistos dentro da sociedade. Portanto, se um Humano x Geckoo não é algo aceitável, como é que um Humano x Tótine e a sua família acabaram convertidas em ''heróis respeitados''?

    Sim, eu tenho a noção que em termos de aparência os Humanos e Tótines são muito semelhantes entre si, um Híbrido destas Raças acabaria com características físicas pouco ''horríveis, nojentas e marcantes'', ao contrário dos Híbridos de Geckoo. Por outro lado e analisando todas as referências, os Geckoos são claramente uma Raça muito mal vista entre todos, ao contrario dos Tótines.

    Mas mesmo assim, apesar dos Geckoos serem ''odiados'' e os Tótines não, um filho entre Humano x Tótine não seria para o povo de Sellure igualmente algo ''incorreto''?


    Então... Seguindo essa lógica(Sim, eu tenho noção que isto é uma historia de fantasia e a lógica não interessa, mas temos que admitir: ás vezes ela é útil )...
    Como é que o Lloyd acabou sendo um guerreiro honrado e muito respeitado? (pelo menos nesta Academia ou província, pois se ''O sobrenome King tinha impacto em qualquer região que se pronunciasse'', pode ser um impacto tanto positivo quanto negativo(?))

    ''Nós também já fomos meros soldados Classe E, Lloyd, veja aonde chegamos.''
    E se ele é realmente um ''Híbrido'', o Lloyd na sua juventude como guerreiro não foi rejeitado pelas academias de treino? No entender do excerto em cima, parece que ele era, como referido, um mero e simples soldado e não recebeu sobre a sua pele qualquer tipo de preconceito.
    E como é que o rei aceitou um Híbrido como oficial? E sobre o personagem em si, como ele conseguiu entrar de facto no exercito?
    Ou ele escondeu sua identidade como um King (tendo em conta que, de acordo com a ficha da personagem, este tem uma relação negativa com sua família), ou ninguém sabia que ele era um Híbrido... Ou então a Rebecca e o Claus só são ''rejeitados e odiados'' apenas por terem a parte Geckoo e dessa forma os restantes géneros de Híbridos no reino são aceites? (como sabemos, os Geckoos tem uma má relação com as restantes Raças). E um Híbrido considerado um Herói? Num universo onde os Híbridos em si são rejeitados, isso é sequer possível?



    Agora eis umas questões:
    Toda esta conversa é apenas a minha imaginação ou confusão e a família King não é composta por Híbridos nenhuns?
    Foi uma falta de atenção que deu origem a um pequeno ''erro de enredo''?
    É algo que em breve será explicado?
    Ou é um facto que será explorado melhor numa trama do futuro?

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    1. Shii e suas teorias kkkk Mas devo admitir que foi um detalhe muito curioso esse que você citou. A trama do Matéria não gira muito em torno de híbridos, essa ideia de preconceito que vemos tão presente nos primeiros capítulos se perde conforme a história avança, dando mais espaço para a clássica aventura. Entretanto, pretendo trabalhar com esse tema nos volumes futuros, especialmente os últimos que tomam um tom muito mais sério.

      Eu realmente não me toquei que eu estava fazendo os geckos sofrerem tanto preconceito a mais que os tótines, mas tenho uma explicação. Claus e Rebecca são crianças e seus "defeitos" são visíveis, as outras crianças vão olhá-los e achá-los horríveis porque não dá pra esconder, isso os fez sentir vergonha de seus problemas a vida toda. Mas quando os dois crescerem e aparecerem no Livro 2, Claus poderá usar suas garras para bater e rasgar como nenhum outro humano, e a Rebecca poderia escalar paredes e pular mais alto. Obviamente, o preconceito sempre vai existir, mas eles podem provar suas qualidades e superar os defeitos. Para sintetizar essa experiência, tem uma frase do Tyrion, o anão do Game of Thrones, que gosto muito:

      "Nunca se esqueça o que você é, porque é certo que o resto do mundo não esquecerá. Faça disso sua força. Assim, não poderá ser nunca a sua fraqueza. Arme-se com esta lembrança, e ela nunca poderá ser usada para lhe magoar."

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    2. CONTINUAÇÃO DO COMENTÁRIO, rs.

      Os tótines são idênticos aos humanos e isso não acarreta em nenhuma mudança física, mas Lloyd e a família dos King sofreram preconceito sim quando menores. No Reino de Sellure, dificilmente alguém gosta de híbridos, mas quando este híbrido se torna poderoso e começa a destruir grandes inimigos, cada raça vai lutar até o fim para tê-lo do seu lado. Foi realmente isso que aconteceu com Lloyd e seu irmão Volker, eles eram excluídos, mas se destacaram até que as pessoas os respeitassem e o próprio governo disputasse por eles. No fim das contas, eles lutam pela raça dos Humanos.

      Mas os tótines não saem ganhando nessa história. Houve um período em que eles foram caçados porque sua magia era tão misteriosa que algumas pessoas ruins queriam descobrir como manipulá-la. Os geckos, por outro lado, nunca precisaram fugir de ninguém.

      Eu ainda não tive a possibilidade de explorar o passado dos King, e sinceramente eu nem pretendia, mas aposto que daria uma baita história! Quando eu for contar mais sobre a infância do Raito num futuro distante, com certeza vou mencionar esses detalhes que você citou, Shii. Seria importante mostrar como o Lloyd teve problemas para se inscrever na academia e o preconceito que ele sofreu antes de domar seu elemento.

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    3. Obrigado pela explicação! :3
      Agora sim as coisas fazem mais sentido! Não é por um motivo qualquer que algumas pessoas me chamam de ''Rainha dos Híbridos'' (sqn) kk

      Este Capitulo foi tanto superficial com as descrições na área que pareceu que os King e o próprio Lloyd não sofriam qualquer tipo de rejeição, mas fico feliz em saber que este lado da historia será explorado e que de facto esse preconceito existiu!

      Sobre o poder dos Híbridos e os interesses na guerra, eu já imaginava algo assim, mas esqueci de citar no cometário anterior. É tão irónico, as sociedades conseguem ser tão, digamos, ''nojentas'', até chegar a esse ponto...
      (Por algum motivo, acabei imaginando um grupo de cientistas criando e estudando Híbridos pelo interesse do Governo, ''guerreiros artificiais'' que seriam manipulados ao ponto de serem meros bonecos durante uma guerra, acho que até daria um bom enredo kkk)

      O poder de duas, ou mais Raças misturadas pode ser realmente imenso (sim, pode existir tal possibilidade: o avô ou um dos pais pode ser um Híbrido que acabou se relacionando com outra Raça, logo o filho pode acabar com genes de três Raças diferentes). Estou impressionada por saber que deu valor a esse detalhe importante sobre as potencialidades do poder, devido a tal mistura prevejo que a família King e o próprio Lloyd serão guerreiros bem poderoso quase imbatíveis! (ou não)

      Agora resta saber se Matéria terá os Híbridos mais fracos, aqueles doentes e com defeitos graves, e o que as pessoas fazem com eles.

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    4. Olha só, sem querer você descobriu um dos arcos futuros mais importantes da história, Shii! E acertou em cheio kkk Existe um cientista que aprisionava os tótines no passado para aprender mais sobre a sua magia, ele não trabalha para o governo, mas se ele conseguir colocar as mãos em uma magia que seja capaz de criar "cópias" para combater o inimigo no lugar das pessoas durante a guerra, com certeza o governo iria se interessar. Ainda será dito muito disso no primeiro livro, mas quero tratar dessa perseguição que os tótines sofreram num dos especiais do blog, que é quando mostrarei o passado dos membros da Ordem do Selamento. Agora que vocês já viram os desenhos deles, está na hora de descobrirem as personalidades.

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  2. Canas, gostei do capítulo e espero ansiosamente pelo próximo! Só estou triste porque tivemos pouco Ralph aqui.

    Mas bem, eu só posso dizer que o Lloyd e o Raito naquela cena da discussão sobre Lydia estavam mais preguiçosos do que eu! E man, você não sabe como eu torcia para que o cáp terminasse com os dois Generais vendo o Ralph batendo a espada numa árvore e falassem "WTF?!" mesmo que ele não fizesse parte da academia.

    Mas bem, um detalhe que eu achei bacana, porque eu sou doidão é o fato de todo mundo falar dos peitos da Auria, isso foi show! Ah? Peraí, Auria, não falei nada de mais, pra quê essa espada? Espera, que intenção assassina é essa? Não, não me bate, nããããoooooooo!!!!!!....

    ......
    .........
    ............

    (Surrado) Bem Canas, voltei, e prosseguindo, esse Yellem é bem daqueles meio "inconha riquinho" né? NÉ?! Pois é, mas então, thanks for the chapter, man!

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    1. Não se preocupe, Sir, teremos muito do Ralph até o final da jornada, então de vez em quando dou um sumiço nele porque quero que vocês conheçam vários secundários que serão bem legais também kk Ah, acho que o Ralph não está nem pronto para ver um general frente a frente, imagina só o que ele poderia causar! kkkkkkkk Mas beeeeem lá na frente, espero que você se lembre desse seu comentário e pense: Caramba, se o Ralph tivesse conhecido os dois generais naquele fatídico dia, tudo teria sido diferente.

      kkkkkk Auria é a princesa dos boobs por enquanto, mas acho que uma das irmãs dela consegue ser a rainha. A Lydia, que é a mais velha, foi a personagem que originou a Wiki, pra você ter ideia. Ela é tipo a mãe da Wiki, a primeira personagem de cabelo curto que desenhei na minha vida, então seria mais tarada de todas hahah Quem acessa Sinnoh desde o começo até já conheceu ela, entre 2011 e 2012 eu tinha um desenho de uma personagem chamada Lightness na Galeria de Fanarts. Lightness era o nome antigo da Lydia, isso significa que Matéria nos acompanhou desde aquela época, o easter egg mais antigo da história kkkkkkkk

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  3. HOLY hell, Auria in a dress?! Talk about shocking!

    But yes, poor girl, and very ironic in how her fortunate positon holds her back, really loved the sort of cold and anyalitcal personalities you gave those two and even how the whole tourny was set up. Love as well how you built up their lore with all their heroic deeds and even all these noble families. Damn well done.

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    1. Tough girls in a dress are awesome <3 I'm writing a chapter with a scene where Auria goes to a party, it's a little piece of her past and her struggles with her family, I hope it turns out well :)

      Both new characters from the chapter are very important in the future, they are powerful figures in the war and it turns out they have some importance in Ralph's life too. I'm happy to see you here pal, I hope you're having a nice time!

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