sábado, 8 de agosto de 2020

Resenha da Raposa Galáctica [Área do Leitor]


EDIT 08/08/2020: A Raposa Galactica fez uma resenha completa do livro em seu novo site! Como o instagram e outras plataformas possuem limites de caracteres, lá vocês podem conferir um pouco mais de sua opinião sobre os personagens, as reviravoltas e mensagens da obra! Para conferir a resenha é só clicar nesse link.


RESENHA
— por Raposa Galáctica

Vamos atrás das Pérolas Sagradas!
Livro: Matéria, A Espada de Madeira
Autor: Nicolas Eroles
Gênero: Aventura, Fantasia
Editora: Independente
Nota: Infinito/10
Resenha:
- Eu não mato pessoas. Mas acredito que quem pratica o mal deva ser punido de alguma maneira, só não cabe a mim decidir como.

O livro 1 desta saga dividido em 5 arcos conta as aventuras, e desventuras, de Ralph com seus amigos, juntos eles sonham em se tornar grandes heróis no Reino de Sellure, mesmo eles sendo totalmente diferentes esse sonho e a amizade que nasce entre eles que o que os unem.
Esse grupo de heróis após saber que uma antiga lenda é real sobre as Pérolas Sagradas dos Guardiões da Ordem do Selamento, mas nessa aventura para encontrar todas elas e invocar um mago muito poderoso muita coisa acontece.

Eu poderia passar o dia todo falando desse livro sem cansar (por isso vou gravar um ig tv dele nesse mês, vamos ter fé que dar certo), sem dúvidas é um dos meu favoritos da vida toda!
A obra é muito bem trabalhada com humor e aventura, tem algumas pitadas de romance que deixam qualquer um ansioso, e batalhas épicas que lembram as lutas marcantes de animes ou jogos! Confesso que em muitos momentos eu quase enlouqueci lendo quando o líder da Ordem apareceu e em outros eu estava desesperada com o Ralph.

Mas apesar disso, "Matéria, A Espada de Madeira" é um livro para todos os públicos e para amantes de vários gêneros.
Eu realmente amo esse livro, ele é cheio de tudo o que se possa imaginar, Nicolas trabalha tão bem cada detalhe, deste das descrições de locais como em separar bem raça por raça, além de que o Sellure possui uma mitologia própria e muito rica.
Fora que o livro possui várias ilustrações que dão mais vida a história.

Futuramente eu trarei resenhas das Histórias Perdidas e Cenas Deletadas!
Quer saber mais dessa saga, estrelinha? Então visite o site "O Reino de Sellure" (link na bio do autor) lá tem várias coisas que você vai amar.


PALAVRAS DO AUTOR
— por Canas Ominous

Ah, aqui tenho mais espaço para falar, não é? Pois é, não suporto esses limites de palavras, nunca consigo dizer tudo que quero através de comentários no Instagram ou Facebook, tanto que vivo trazendo postagens relacionadas ao livro aqui no blog. Bom, vamos falar de coisa boa!

É sempre uma alegria receber uma resenha de alguém. Vivo dizendo que a parte mais triste de sair do mundo das fanfics para o universo dos livros é que eu perdi esse contato com os leitores, os comentários antes semanais de repente se tornaram uma breve conversa assim que o livro termina, do tipo: "Uau, ficou ótimo! Quando sai o próximo?". Receber uma resenha é o mais próximo de saber em detalhes o que os leitores estão achando, mas também tive muita sorte de algumas pessoas irem me mandando suas impressões sempre que acontecia algo inesperado, e isso é o que mais me motiva! Outra vantagem das resenhas é que elas ficam aí internet, oferecendo a oportunidade de que futuros leitores conheçam meu trabalho quando pesquisarem sobre o livro online.

Eu conheci a Raposa Galáctica de uma forma bem inesperada: ela conheceu Matéria e quis fechar uma parceira porque viu a Hayley na capa, e não preciso nem dizer que foi amor à primeira vista, não é? Raposas e Hayley juntas só poderiam render coisa boa! É uma alegria imensa ver que a capa está atraindo tanta gente, que essas pessoas conseguem ler minha história e imaginar-se dentro de um anime/mangá. A Raposa foi uma das melhores parceiras que tive até agora, sempre compartilhando stories e me ajudando na divulgação. Espero que ela ainda possa crescer muito nesse meio literário!

Meus sinceros agradecimentos à Pequena Raposinha por essa resenha. Ela pode ser encontrada através de sua conta @raposagalactica_ no instagram também no Skoob. E se você tiver algo a compartilhar sobre o universo de Matéria, sinta-se livre para enviar!

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Dellonium [Monstros e Criaturas]


"PARADOS! Não saiam daqui. Há uma colônia de Dellonium atrás da gente."
 — Lesten, Capítulo 16 - Espada de Madeira.

Sobre a Criatura

Os Dellonium são monstros que se assemelham a frutos e se escondem em árvores frutíferas para sobreviver. Seu tamanho pode variar de 5 a 15cm, medindo até 30cm com o caule. Eles habitam em regiões remotas do reino podendo ser encontrados em ilhas isoladas, pradarias e até desertos. Quando um Dellonium atinge a idade adulta, ele tende a se separar do restante do grupo e se transforma em um Collonium assumindo a forma de uma grande árvore protetora para outros de sua espécie, como uma fortaleza.

Aparência e Características

Há duas características fundamentais que definem um Dellonium: a primeira é o mutualismo, ou também denominado por simbiose, uma interação ecológica entre organismos de diferentes espécies, ocorrendo de forma obrigatória e harmoniosa, permitindo vantagens recíprocas para os envolvidos. Os Dellonium protegem a árvore de possíveis invasores indesejados, contribuindo ao lado de pequenos animais e aves para que todos vivam em harmonia.

Seu formato tende a se parecer com o da fruta da árvore em questão, os Dellonium têm uma incrivel habilidade de adaptação podendo alterar sua forma, cor e tamanho. A segunda característica que os define é o mimetismo, onde se observa uma espécie imitando outra, sendo essa imitação física ou comportamental. O mimetismo é uma técnica utilizada por diferentes organismos e pode ser conferida de três formas: mimetismo de ataque, defensivo ou reprodutor.

Alimentação

A dieta dos Dellonium se baseia em nutrientes providos do solo, plantas e outras frutas. Os Dellonium basicamente invadem essas árvores frutíferas e fazem dali sua morada, atacando qualquer um que se aproximar. São muito territoriais, atuando como verdadeiros soldados. Acreditava-se que eles comessem insetos e até pequenos animais, mas um estudo aprimorado averiguou que suas mordidas se dão apenas como forma de defesa.

Eles são comestíveis por qualquer raça, apesar do sabor variar entre os paladares. É um alimento típico na culinária dos monstros e geckos, mas humanos e tótines parecem odiá-los. Podem ser usado também como tempero e fonte de vitaminas para viajantes perdidos.


"Talvez você já tenha escutado que alguém foi "mordido" por um Dellonium, sendo que na verdade o que há em sua boca não são dentes, e sim, espinhos naturais." BAD LUCKY, Clover. As Maravilhas do Mundo Vegetal, 3º ed. Campos Verdes, Helvetica. Ano 114.

Origem e História

Não se sabe ao certo de onde os Dellonium vieram, mas acredita-se que eles foram trazidos de além-mar através de pássaros migratórios. Tendo uma facilidade enorme em se reproduzir, foi questão de tempo até que os Dellonium estivessem por toda parte.

Onde podem ser encontrados?

Os Dellonium têm preferência por áreas remotas e longe de civilização onde podem crescer de forma saudável sem se preocupar com invasores em demasia, pois costuma levar entre quatro e cinco anos até que um Collonium atinja a fase adulta.

"[...] Se a colônia é destruída, um Dellonium se sacrifica e seus restos são absorvidos pelo solo podendo gerar um novo Collonium que renderá frutos. Funciona como uma fortaleza que oferece proteção aos seus soldados, se o capitão é abatido eles escolhem um novo para liderá-los e defendê-los." — Lesten, Capítulo 16 - Espada de Madeira.

Estratégias e Dicas em Combate

O maior problema de se enfrentar um Dellonium é que eles tendem a atacar os aventureiros desavisados, por isso os machucados costumam envolver cortes no rosto, dilacerações e dedos arrancados. Tendo uma defesa baixíssima, qualquer golpe de faca poderá destruí-lo, mas lidar com Collonium furioso requer cautela e cuidado. Eles são muito suscetíveis a magias de fogo e vento.

Status & Skills
  • Mimetismo [Habilidade Passiva] - A criatura consegue se disfarçar de outras espécies;
  • Mordedor [Ofensivo] - Uma forte mordida capaz de ferir o oponente;
  • Reunião do Grupo [Defensivo] - A criatura reúne-se ao redor de outros de sua espécie para que se protejam em conjunto.

Aparições Marcantes

Os Dellonium apareceram pela primeira vez no Capítulo 16 - No Mar de Areia de Espada de Madeira, atacando Ralph, Auria e Lesten enquanto eles buscavam pelas Ruínas Douradas.

Lesten acaba por manter uma semente de Dellonium como espólio de suas viagens, plantando-o na Pequena Colina, onde ele cresce com o passar dos anos.

Um dos amigos de infância de Ralph também foi apelidado de Dello por ser magro com o corpo esguio feito um Dellonium, talvez essa seja a mais frequente menção à essas criaturas na saga.


terça-feira, 28 de julho de 2020

Kallumante & Armonion [Monstros e Criaturas]


"Eles descendem da época em que os geckos ainda andavam sobre quatro patas! Eu não acredito que encontramos um vivo, quero ele pra minha coleção!— Lesten, Capítulo 17 - Espada de Madeira.

Sobre a Criatura

Os Kallumante são criaturas que foram extintas há milhares de anos no reino, eles habitavam praias podendo caminhar tanto na terra quanto no fundo do mar. São muito semelhantes aos caranguejos-ferradura, também conhecido como límulo.

Os Armonion são moluscos que compõe um grupo extinto de animais marinhos da classe dos cefalópodes. Seus parentes mais próximos dos dias atuais são polvos, lulas e os gigantescos Pyrimids que sobreviveram desde os tempos antigos. Sua característica mais marcante é a concha em forma de espiral plana.

Como nunca foram monstros muito poderosos, sua imagem ainda é atrelada como objeto de boa sorte e colecionismo. A proteção de ambas as criaturas serve como excelente material para construção de armaduras e escudos, por isso tornou-se um material raro e requisitado.

Aparência e Características

Os Kallumante possuíam um exoesqueleto de natureza quitinosa que, na zona dorsal, era impregnado de carbonato de cálcio, o que lhes permitiu deixar abundantes fósseis. Sua cor ia do marrom ao castanho de modo geral com uma casca protetora nas costas, não possuíam olhos e se escondiam no fundo do oceano entre as pedras. Seu tamanho variava de 3cm e 10cm de comprimento, mas alguns podiam alcançar até um metro. De seu corpo saía uma espécie de cauda e antenas utilizados como sensores de aproximação.

Os Armonion possuíam conchas ornamentadas de vários tipos. Algumas eram lisas, exibindo apenas linhas de crescimento espiraladas. Em outras, porém, viam-se vários padrões de sulcos, costelas e espinhos. A concha é constituída por câmaras, como pequenas “salas” ligadas por um tubo. O animal em si vive em apenas uma dessas câmaras, e usa as outras para ajudá-lo flutuar bombeando ar e enchendo as câmaras com gás, tornando-o leve o suficiente para flutuar bem acima do substrato marinho.

"O sífunculo trata-se de uma câmara conectada por uma corda tecidual nos cefalópodes, permitindo assim que a criatura regulasse quantidades de gás ou líquido dentro de sua concha, podendo ajustar sua posição na água como em um submarino". — TUTANTÓTINES, Ankha. As Joias do Oceano, 1º ed. Deserto Elmud, Century. Ano 120.

Alimentação

A alimentação dos Kallumante poderia ser detritívora, filtradora ou carnívora. Num geral eles eram conhecidos como as baratas do mar por conta de sua presença abundante e estão entre os fósseis mais comuns de serem encontrados por viajantes.

Os Armonion por sua vez sempre foram predadores, usavam seus tentáculos para agarrar pequenos organismos, como por exemplo peixes e crustáceos.

Origem e História

Os Kallumantes e Armonion estão entre as criaturas mais antigas de Sellure. Não se sabe ao certo por que eles foram extintos, mas acredita-se que houve um período onde aconteceu uma extinção em massa no Reino de Sellure, 95% das espécies marinhas desapareceram devido a um super aquecimento da água por conta de chuvas de fogo ocasionadas por dragões. 70% das criaturas terrestres também foram extintas nesse período.

"Já foram encontrados fósseis de Kallumante na região central do Deserto Elmud e até mesmo entre as montanhas do vale, o que leva estudiosos a crerem que toda a área já esteve coberta pelo Mar Plano no passado. — TUTANTÓTINES, Ankha. As Joias do Oceano, 1º ed. Deserto Elmud, Century. Ano 120.

Onde podem ser encontrados?

Nos dias atuais já não existe nenhum Kallumante ou Armonion vivo no reino, mas seus fósseis são expostos em grandes museus das capitais de Century, Bodoni e Trajan. A Cidade do Sol, Bausonne, possui a mais renomada universidade de estudo voltada para oceanografia e paleontologia.

Nos tempos antigos era possível encontrá-los em praticamente todo o o litoral, sendo as meiores concentrações no Mar Plano e nas Águas Castanhas.

"Eu acredito que ainda existam criaturas ancestrais gigantescas que vivem escondidas no Abismo do Mundo, onde o próprio tempo passa de forma diferente. Pois lá é onde habita o Bonolodon, Senhor dos Tubarões, uma das criaturas mais antigas que se têm conhecimento." — TUTANTÓTINES, Ankha. As Joias do Oceano, 1º ed. Deserto Elmud, Century. Ano 120.

Estratégias e Dicas em Combate

Ambas as criaturas são conhecidas por seus altíssimos níveis de defesa. Para derrotá-los é preciso muita paciência, eles oferecem pouca resistência, mas aventureiros desprevenidos não poderão infligir 1 dano sequer caso não estejam equipados com armas adequadas, sendo assim impossível derrotá-los.

Status & Skills
  • Armadura de Concha [Defensivo] - Proteção contra ataques críticos;
  • Carapaça Indestrutível [Defensivo] - A criatura não é afetada por danos indiretos;
  • Imunidade [Habilidade Passiva] - Resistente à envenenamento, queimaduras, sono e paralisia.

Aparições Marcantes

No Capítulo 17 - Fóssil Vivo de Espada de Madeira, os protagonistas avistam um Kallumante nas Ruínas Douradas, porém, mais tarde descobrem que era apenas uma escultura de areia feita por Tootie que adora criaturas pré-históricas.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Tellum


"Vocês três serão formidáveis quando crescerem, cada uma com suas respectivas habilidades e sua própria maneira de ajudar. Vocês podem ser princesas, guerreiras ou heroínas, pois garanto que farão seus pais orgulhosos.— Tellum, O Passado dos Personagens: A Queda de Cortina Escarlate.

Tellum foi o guarda-costas e um dos mais estimados funcionários da família Mercer. Tendo iniciado seu serviço pouco depois de ingressar na academia ao completar 15 anos, Dalson e Floria Mercer o recrutaram como segurança com o intuito de treiná-lo ao seu próprio modo, pois desejavam alguém com um olhar jovem e de confiança que pudesse crescer e estar sempre por perto de suas três crianças. No ano 108, quando a capital de Myriad foi destruída, Tellum mal havia completado 18 anos.

A influência de Tellum na vida de Auria, Diana e Lydia foi tamanha que por muitos anos ele tornou-se um padrão de príncipe encantado para as meninas. Ensinou-as seus valores, técnicas e habilidades de combate, o que acabou por influenciar na escolha de Auria em tornar-se uma defensora. A palavra que melhor define Tellum é a lealdade, pois ele viveu sua vida de forma a protegê-las e educá-las. Sempre companheiro e prestativo, elas o tinham como um irmão velho presente e responsável sempre que seus pais precisavam se ausentar em longas viagens.

Tellum faleceu pouco antes de Auria ingressar na Vila das Pérolas aos 15 anos. Por algum motivo, as três irmãs costumam mencioná-lo apenas em vagas ocasiões, como se a mera lembrança de sua companhia as enchesse de pesar e saudade.


Tellum aparece no especial "O Passado dos Personagens" de Auria. Durante a Batalha de Cortina Escarlate, a capital de Myriad viu-se completamente aniquilada. A confiança dos Mercer em Tellum era tamanha que eles o incumbiram da proteção de suas filhas, e assim ele o fez até o fim de ses dias. Sua estreia se dá no especial "O Passado dos Personagens" de Auria. A Parte 3 traz sua controversa morte e a influência que deixou para trás.

Tellum também é mencionado de forma breve nos Capítulos 12 e 18 de Espada de Madeira.
  • Guarda Real [Defensivo] – O indivíduo recebe um bônus em ataque, defesa e velocidade quando luta ao lado de seus protetores;
  • Liderança Defensiva [Defensivo] – Garante um bônus em defesa para seus companheiros durante a batalha;
  • Pés Ágeis [Defensivo] – Aumenta a velocidade de forma considerável quando em situações extremas;
  • Super protetor [Habilidade Passiva] – Automaticamente coloca-se em frente aos seus companheiros quando estão em perigo ou em uma situação de risco;
"As pessoas tendem a cometer erros idiotas quando estão sob pressão, o desespero e o medo são armas perigosas nessas circunstâncias."
— Tellum, O Passado dos Personagens: A Queda de Cortina Escarlate.

"Alguém a fez chorar? [...] Se tiver acontecido, basta me informar o nome do bastardo que farei uma visita cautelosa à casa dele amanhã. Não se preocupe, não deixarei evidências.".
— Tellum, O Passado dos Personagens: Boneca Artificial.

"Os sonhos de vocês são o suficiente para mim."

— Tellum, O Passado dos Personagens: A Menina e Seus Sonhos.

  • Tellum tem sua origem nos gibis antigos do autor. Ele costumava ser um dos antagonistas do Arco de Unferis, onde estaria sendo controlado por uma terrível criatura com a forma de aranha chamada Apparatus;
  • A base da armadura de Tellum foi originalmente desenhada para Volker como sua vestimenta de guerra;
  • O passado de Auria foi o especial que mais demorou para ser escrito porque Tellum ainda não tinha um propósito e acabaria por morrer em um acidente. Foram quase 5 anos estagnado desde que o capítulo foi escrito até o momento de sua postagem em 2020.



sábado, 18 de julho de 2020

FanArt #27 - Shii


SOBRE A FANART
— por Shii

"É uma honra muito grande ser das primeiras pessoas a ler os próximos livro de Matéria,sinto-me muito honrada por poder participar e dar minhas opiniões como leitora, em parte sinto que Sellure é um reino que desde criança eu procurava ver, e é bem incrível sentir que algumas das minhas ideias e opiniões dadas ao autor contribuíram para criar esta historia incrível! Não é todas as pessoas que tem o mesmo tipo de sorte em conseguirem se comunicar com um autor tão acessível! AAAAAAAAA Se eu pudesse escrevia um textão enorme sobre isto, mas vamos ao assunto que interessa!

Mais uma vez trago hoje uma fanart da minha personagem favorita, Sheena A Silenciadora. Saber que ela vai aparecer no livro 4 foi uma surpresa para mim, adoro esta personagem do fundo do meu coração, ainda mais sabendo que ela em parte foi baseada em mim e eu contribui muito para aquilo que ela é kkk Como podem ver esta fanart conta com vários simbolismos. O lobo ascendendo até o sol e a lua remete ao seu lado magico e mais violento, o facto da personagem durante muito tempo querer se libertar da maldição que a assombrava. O sol e a lua foi uma ideia aleatória, pensei no lobo sendo sempre retratado a uivar na lua cheia e quis brincar um pouco com o conceito em substituir a lua pelo sol, acabei adicionando ambos os astros, achei que iria encaixar no sentido que o símbolo está relacionado ao Yin e Yang, ao misticismo, circulo da vida, a vida espiritual, uma metáfora para as crenças de Sheena e a personagem em si. Já as rosas amarelas simboliza a família dela e tudo o que ela lutou e conquistou até agora, ela ao lado a '''rezar''' uma indireta ás rezas que ela faz a todas as suas vitimas quando lhe tirava a vida.

A pintura não está lá muito boa, usei lápis de cor e tentai misturar com tinta, foi um pouco apressado porque me enganei várias vezes e estava a ficar com vontade de rasgar a folha kkk Mas não quis porque foi a primeira vez em muito tempo que desenhei um lobo e de entre todos os elementos da fanart foi aquele que eu mais estou orgulhosa Não sei como consegui fazer a forma lobo dela transmitir tamanha energia, exatamente como eu queria! Muito obrigado por tudo e espero que gostem!"

COMENTÁRIOS DO AUTOR
— por Canas Ominous

A Sheena foi uma das personagens mais intrigantes que tive o prazer de trabalhar nesse último ano. Quando o Livro 1 ainda engatinhava para a publicação, eu já pensava em um especial que contasse sobre o passado da Ordem do Selamento, mas eu sentia que faltava algum elemento central. Quando a Sheena surgiu, ela se tornou essa peça que faltava. E a personagem cresceu tanto que foi ocupando mais espaço entre os meus favoritos, seja com desenhos, supports e até um arco de redenção no último livro.

Eu acho incrível a forma como ela tem tanto a falar, mesmo sendo muda. As cicatrizes e ferimentos, seu passado, suas crenças; tudo isso foi mostrado em alguns poucos capítulos durante a história, mas Sheena foi capaz de cativar mesmo sendo a antagonista de seu arco. Agradeço muito a Shii por toda sua colaboração na criação dessa personagem, eu gosto muito de me basear em minhas ideias mais antigas para recriar os personagens de Matéria, mas foi um tremendo orgulho saber que a Sheena nasceu de uma colaboração inédita.

O desenho ficou maravilhoso, e a Shii como sempre mandou muito bem nos lobos! O sol e a luz, as rosas douradas, a expressão sempre serena como alguém que está com a mente muito distante; todos esses detalhes colaboraram para que a fanart fosse carregada de significados. Na primeira vez ela estava aqui cercada de galinhas e muito contente, e agora, parece ter encontrado a sua paz. Mal posso esperar para compartilhar mais da Sheena com os leitores!


terça-feira, 7 de julho de 2020

Arte #34 - Thanks for Saving Me

Eu adoro imagens monocromáticas dos personagens, tento fazer algumas desde os tempos do Aventuras em Sinnoh, embora nunca tenha acertado completamente o lugar das sombras kkkk Outro dia eu estava conversando pelo whats com uma amiga dos tempos do colégio, fazia uns 8 que não nos falávamos e foi muito legal perceber que ainda agimos como se nos víssemos sempre. Como os dois estavam ansiosos por desenhar algo, mas sem vontade alguma, começamos a rabiscar para ver o que saía.

Tenho tido dificuldades para desenhar, devo estar um pouco insatisfeito com meu estilo e sem paciência de aprender a usar a mesa digitalizadora, logo, tem sido bem raro ver qualquer desenho meu recente (saudades da época que eu desenhava por puro prazer, mas prometo que vou recuperar esse brilho nos olhos!). Eu brinquei com essa amiga ao dizer que gosto de ilustrar cenas tristes, mas isso não significa que eu esteja necessariamente me sentindo triste. Acho maravilhoso a maneira como desenhos conseguem passar tantos sentimentos, muitas vezes os autores até usam esse método para trazer à tona o que está dentro de si. Será que essa tristeza já faz parte de mim então? Hmm.

Na ilustração acima, uma Auria pensativa. E só quem terminou o Livro 2 sabe o quanto essa frase é importante 


sábado, 30 de maio de 2020

Fanart #26 - Star-chan


SOBRE A FANART
— por Star-chan

"É bizarro pensar que há alguns anos atrás eu estava lendo o beta do primeiro livro de Matéria e hoje, 29 de Junho de 2020, completa um ano lançamento e devemos dizer que isso parece um sonho da qual não queremos acordar nunca. O problema é que eu já elogiei tanto o livro que fazer um textão enorme seria repetindo tudo de novo rs

Mas eu vim aqui para parabenizar, não apenas pelo lançamento ou pelos números que você fez durante essa caminhada, isso a gente usa só pra compararmos o quanto estamos velhos rs Mas falo das conquistas pessoais e internas, aprendizados que você, com escritor, vai levar para os outros livros, e nós, leitores, que acolhemos das aventuras do pequeno Ralph e seu bando mais estranho que já foi visto.


Tenho certeza que não só eu, mas todas as pessoas a sua volta (até aquelas que não estão mais conosco) estão orgulhosas de ter em seu cantinho de livros, uma capa azul com letrinhas douradas que trazem dentro dele, uma história tão valiosa quanto ouro. É a satisfação de poder dizer “Tá vendo essa belezura? Meu amigo que escreveu”. Acaba sendo uma conquista coletiva que todo mundo abraçou 

Nesse 1 ano, eu quero parafrasear uma citação lá em 2014 no meu aniversário de 17 anos que você me disse : “CRESÇA, MAS NUNCA SE ESQUEÇA”, nunca se esqueça do pequeno Canas rascunhando a história de um menino com uma espada de madeira, de uma princesa que usava azul e de várias criaturinhas fofas que hoje são Lesten, Lee e Hayley e toda a Ordem do Selamento. Nunca se esqueça que Sellure já foi uma brincadeira na mente de uma criança que mal imaginaria que quando crescesse, poderia sentir a sua história na palma de suas mãos, feito com Matéria.

Claramente não podemos esquecer que nada se faz sozinho. Revisor, gráfica e é claro, a Nyx e a Lúcia Lemos merecem todos nossos agradecimentos, é um prazer ver alguém dar um suporte e apoio tão especial a uma projeto maravilhoso.
Da Star para o Canas: Eu não estava quando tudo começou, mas pode ter certeza que estarei lá quando tudo terminar ❤ MEUS PARABÉNS, MATÉRIA!"


COMENTÁRIOS DO AUTOR
— por Canas Ominous

Star já me mandou tantas coisas maravilhosas nos últimos dias que já nem sei como expressar minha gratidão! Preparou fanart da Milady e ainda terminou EM UM DIA essa homenagem para as Irmãs Mercer! O que mais gostei de todo seu processo foi reconhecer as três só pelo olhar, mesmo que não estivessem pintadas nem nada. Está sendo incrível acompanhar o seu avanço com a mesa e me enche de felicidade saber que fui escolhido para ser agraciado com suas fanarts ♥

Se eu apenas tivesse juntado um dinheiro e pago uma editora para fazer 1000 exemplares do meu livro, eu não teria tantas histórias loucas para contar de como foi essa jornada, do quanto aprendi. Lembro do quão triste fiquei ao ter que abrir mão do meu primeiro contrato, mas quando ouvi falar que a editora faliu dois anos depois e largou um monte de escritor na mão eu fiquei só aquele meme lá: "puts" kkkkkkkk Foi horrível, mas foi para melhor, escapei de uma tremenda bomba da qual era capaz que eu nem me recuperasse tão cedo.

Eu nunca tinha parado pra pensar como isso foi uma conquista coletiva, mas nessa semana isso se refletiu mais do que nunca. Consigo lembrar do quanto as pessoas estavam felizes no dia do evento, ainda recebo mensagens de apoio de amigos, familiares, de gente que fazia ANOS que eu não conversava. Sempre fui muito tímido, e o livro meio que abriu essa oportunidade de conversa com muita gente que eu sentia falta ou que fez parte da minha vida. Tem sido uma experiência e tanto!

"Cresça, mas nunca esqueça." Star nunca esqueceu também ♥ Sei que o pequeno Canas estaria orgulhoso em saber do quão longe seus personagens chegaram. Preciso revirar minhas pastas e trazer mais dessas velhas curiosidades, estou super empolgado para trabalhar em coisas novas graças a você! Muito, muito, muito obrigado por esse presente, por fazer desse dia uma data tão incrível e oferecer sua companhia sempre que precisei.

    sexta-feira, 29 de maio de 2020

    1 ano do Lançamento de Matéria - Espada de Madeira

    Nem parece que foi em Abril de 2014 que eu falei pela primeira vez que meu livro sairia "EM BREVE", com previsão de lançamento para 2015. Levou um pouquinho mais do que o planejado,  como vocês bem sabem, mas hoje reconheço com alívio que a espera foi para melhor. Agora que todo aquele drama de "será que consigo, será que sou bom o suficiente?" já passou, enxergo que a minha jornada nesse ramo de escrita foi o que me deu a oportunidade de amadurecer e ter a certeza de que é isso que quero para minha vida.

    Foram muitos altos e baixos nessa longa trajetória que durou cerca de 4 anos — a falha busca atrás de uma editora que atendesse minhas expectativas e me desse oportunidade para trabalhar com ilustrações e uma obra desconhecida de quase 400 páginas, a recusa por parte da editora Rocco, as inúmeras revisões e cortes que fui fazendo ao longo do tempo —, mas também gosto de encarar que eu precisava desse tempo para as coisas boas que vieram. Conheci muita gente bacana no caminho, participei de minha primeira antologia ao lado da Editora Rouxinol, compartilhei o livro com vários amigos e betas que me deram um feedback mais profundo do que poderia ser consertado, eu até tive tempo para adiantar o Livro 2 e 3 para me precaver de eventuais furos no roteiro. É, pode ter parecido um tremendo e longo hiatus, mas foi um tempo de muito trabalho duro também.

    Para ser mais exato, eu tive acesso aos primeiros exemplares e comecei a vender o livro no dia 29 de Maio, mas o evento de lançamento só aconteceu em 30 de Julho de 2019.

    Quando volto para olhar as foto e vídeos que a galera gravou, me encho de uma saudade absurda do momento, das pessoas que fizeram parte disso, do fim de semana louco com os amigos da Aliança Aventuras que só tornou a experiência ainda mais especial. Lembro que uma hora antes do evento ter início eu comecei a surtar: "Mano, não vai dar, cancela essa merda aí e bora jogar um Mario Kart!" *risos* Hoje percebo porque o Ralph precisava tanto de companhia para trilhar sua jornada, porque se eu tivesse que encará-la sozinho eu não teria chegado nem na metade!

    Maio virou um mês especial, porque comemoro tanto o aniversário do Aventuras em Sinnoh quanto do lançamento de Matéria, os dois projetos mais importantes da minha vida — um caminhou para a primeira década cumprida, enquanto o outro apenas alcançou seu primeiro ano de existência.

    Deixo meu singelo agradecimento para todos que fizeram parte dessa minha longa trajetória, que possamos continuar trilhando esse caminho lado a lado porque ainda restam 3 livros pela frente!

    Aproveito para avisar que o projeto gráfico do Livro 2 continua em andamento! A revisão profissional está concluída, e a partir de agora creio que pouquíssimas mudanças serão feitas. Encomendei também a arte da capa com a mesma ilustradora que fez o primeiro, a Lúcia Lemos. Agora resta a diagramação e as ilustrações para trabalhar, além da impressão, claro. Mal posso esperar para trazer mais novidades a vocês! Continuem seguros, continuem apegados àquilo que possuem de mais importante, vamos nos esforçar para melhorar sempre e levar nossos projetos ao mundo!

    E aqui está o primeiríssimo teaser de Matéria postado no Aventuras em Sinnoh, em Abril de 2014.

    O Passado dos Personagens - Auria (Parte 3)

    Auria voltou para casa mais cedo naquele dia. O atendimento na agência de cadastro de soldados fora mais rápido do que o planejado, pois Diana já havia separado toda a papelada necessária na noite anterior por estar acostumada a preencher pilhas de documentos dos jovens que completavam quinze anos. Faltava pouco mais de um mês para o embarque à Vila das Pérolas e Auria se sentia ansiosa, era a primeira vez que se veria longe do conforto de seu lar e dos olhos vigilantes de suas irmãs. Apesar de ser Myridiana por nascença, Auria se considerava uma Constantina tendo sido criada na Fortaleza Azul desde os três anos de idade. A vida na capital era pacífica e ela ansiava por uma mudança de ares.
    A garota comentou de forma automática ao abrir a porta de casa, pois sabia que as irmãs deviam estar no trabalho.
    — Dia? Ly? Tem alguém aí?
    Não houve resposta... e ter a casa vazia somente para ela só significava uma coisa.
    Correu para a cozinha, pegou uma garrafa de refrigerante na geladeira e abriu um saco de seus salgadinhos preferidos — era o momento perfeito para assistir seriado na sala vestindo pijamas e pantufas às três da tarde sem ninguém para incomodá-la.
    Como suas mãos estavam ocupadas, Auria usava a boca para segurar uma barra de chocolate que vinha escondendo o mês inteiro para abrir quando fosse comemorar seu ingresso na academia. Estava a caminho da sala quando ouviu a porta do andar de cima bater — não que estivesse se escondendo, mas alguma coisa lhe dizia que Lydia não sabia que ela estava ali. Sua irmã veio descendo os degraus de mãos dadas com outra garota de farda enquanto ela vestia apenas o seu roupão de banho,.Auria já se acostumara com a presença de caras estranhos e gente do exército que vinha a trabalho ter algumas “conversas particulares” com Lydia, mas era a primeira vez que a via com outra mulher.
    Voltou a espiá-las de relance da cozinha. As mãos de Lydia e da mulher se entrelaçaram com delicadeza. A outra já estava vestida para sair, mas antes de sair pela porta não conseguiu se controlar e desceu a mão devagar pelo roupão de Lydia, apalpando seus seios enquanto beijava seu pescoço. Ouviu-se um tapa safado no bumbum e as duas trocaram risadas maliciosas.
    — Te vejo semana que vem — murmurou Lydia com a voz apaixonada, do mesmo jeitinho que usava para fazer qualquer homem enlouquecer por ela.
    As duas aproximaram seus rostos e se beijaram como amantes, trocando carícias em uma mistura bizarra de línguas se tocando que fizeram a cabeça de Auria girar. O dever a chamava, a mulher se despediu e Lydia trancou a porta como uma gatuna, girou a chave e saiu na ponta dos pés sem emitir som algum para seu quarto, apagando qualquer sinal de sua presença.
    Auria permaneceu com as costas coladas no corredor sem emitir som algum. As sacolas de salgadinhos e refrigerante transbordaram para os lados. Tinha a impressão de que descobrira algo proibido, mas não poderia contar nada a ninguém.
    Auria não entendia muita coisa naquela época, e continuou sem entender.

    i

    O segredo de Lydia atormentou Auria pelas próximas horas que se seguiram. Será que era seguro contar para Diana? Como ela iria reagir? E se aquela descoberta colocasse em risco o bem estar da família Mercer e as três terminassem separadas sem nunca mais se ver? A dúvida a estava matando por dentro, mas a maneira como a mulher enfiou a mão no roupão de Lydia sem pudor fazia suas pernas estremecerem sem entender o motivo. Havia muita coisa que Auria não entendia sobre relacionamentos e ela sentia muita falta de sua mãe para compartilhar e compreender aquele tipo de situação.
     Ela caiu no sono e despertou em curtos intervalos devido à ansiedade. Passava das duas da manhã e, como estava frio, envolveu-se em seu cobertor e desceu as escadas para ver se suas irmãs haviam voltado do trabalho. Avistou um feixe de luz e uma porta entreaberta — outra vez sentiu que estava sendo uma tremenda curiosa enxerida, mas dessa vez o assunto era ela.
    — ... então agora você vai para a guerra também? Quer morrer igual à mamãe e o papai?
    — Pelo amor de Araya, Lydia! Eu já disse que não vou estar na linha de frente, eles garantiram que vou ajudar de alguma outra maneira! — respondeu Diana. — Não é sempre que surge a chance de tornar-se estrategista, e se eu me destacar posso ingressar no batalhão do Lorde Raito.
    — Ah, então você também está de rolo com algum general por acaso? Quem você precisou servir para conseguir o cargo, hein?
    Diana deu um tapão na cara de Lydia. Auria chegou a arregalar os olhos e prender a respiração enquanto espiava por entre o vão da porta.
    — Não ouse dizer isso na minha frente nunca mais. Eu não preciso usar meu corpo para conquistar o respeito de ninguém — falou Diana. Era a primeira vez na vida que Auria a via tão furiosa. — E você sabe muito bem que sou comprometida.
    Assim que se deu conta do que havia acabado de dizer, os olhos de Lydia ficaram marejados e a maquiagem borrada.
    — Você sabe que eu só penso na segurança da nossa família, Dia... Eu não suportaria que vocês tivessem o mesmo destino que nossos pais.
    — Não vai acontecer nada conosco, Lydia. Somos Mercers.
    — Nossa mãe também era, e veja só no que deu! Amanhã conversarei com a Auria, posso conseguir a dispensa para ela da academia. Nossa irmãzinha estará segura ao nosso lado.
    — Você não pode privá-la de tentar. Se ela quiser servir o exército, deixe-a tentar! Ela não quer ser como você, e nem precisa.
    Auria recuou assustada, sua cabeça estava uma bagunça. Voltou para seu quarto onde permaneceu acordada até às três da manhã, chorando sem nem entender o motivo. Mesmo com as luzes apagadas, pôde escutar alguém passando no corredor, por isso escondeu-se embaixo de seus cobertores porque não queria que suas irmãs a vissem naquela situação lastimável.
    A porta se abriu. Ela espiou discreta e reconheceu que era Tellum fazendo sua vigilância noturna.
    — Senhorita, você está acordada? — perguntou o homem com a voz tranquila.
    A garot levou alguns segundos até decidir se responderia ou não.
    — Sim. Estou.
    — Escutei alguém chorar enquanto fazia minha ronda... está tudo bem?
    Auria mordeu o beiço na tentativa de conter tudo que vinha guardando para si nos últimos meses. Estava tão envergonhada dos seus próprios sentimentos que não sabia até onde poderia manter aquilo guardado. Ela cobriu os olhos e murmurou baixinho:
    — Não, Tellum. Não está.

    A mesa da sala de jantar tinha espaço para mais de doze pessoas, mas nunca se sentaram ali mais do que três. Tellum terminava de preparar uma omelete com queijo para Auria no meio da madrugada, mas a garota não parecia estar com muito apetite.
    — Por que é tão duro, Tellum? — ela perguntou com os pensamentos distantes enquanto revirava o alimento em seu prato.
    — Creio que por proteção, senhorita. Veja, a casca do ovo é calcificada para proteger o que há no seu interior, que é o que há de mais importante.
    — Não estou falando do ovo, seu bobo — Auria retrucou com uma risada franca.
    — Oh, compreendo. A que se referia então?
    — Estou falando de tudo! Por que é tão difícil ser adolescente? Desde que papai e mamãe morreram, tudo têm saído do controle. Já não vejo a Lydia e a Diana com tanta frequência e elas parecem não se dar bem como antigamente, nós vivemos tentando trilhar os mesmos passos que nossos pais, mas jamais seremos como eles.
    — Seus pais foram personalidades excepcionais neste mundo, mas não cabe a vocês copiá-los. Na vida é preciso trilhar seu próprio caminho, cometer os próprios erros se necessário e crescer de acordo com o seu tempo. Você ainda é nova, e há tanto para se viver.
    — Quantos anos você tem, Tellum?
    — Vou completar trinta daqui a dois meses.
    — Puxa, e eu nem estarei por aqui para vê-lo ficar mais velho — respondeu Auria, comendo a omelete que agora lhe parecia o prato mais saboroso do mundo. Tellum era excelente em inúmeras tarefas cotidianas e também um exímio cozinheiro. — Sabe... Eu vou sentir muita falta de você. Você foi um bom amigo durante todos esses anos.
    Tellum revelou um sorriso sutil ao escutar uma frase tão simples e que tinha um impacto tremendo sobre ele.
    — Eu também, senhorita... foi um tremendo orgulho vê-las crescer. Mas agora minha tarefa está cumprida.
    — Espera aí. Você prometeu que iria cuidar de nós para sempre.
    — Sim, desculpe. Fui feito para obedecer, senhorita.
    Auria terminou a omelete e afastou seu prato devagar, depois respirou fundo enquanto observava quadros e fotos nas estantes preenchidas por memórias. Havia tantos problemas que sua mente adolescente não sabia lidar, e Tellum sempre lhe transmitia aquela serenidade como alguém impermeável a qualquer tipo de dúvida ou incerteza. Os dois evitavam se encarar na madrugada silenciosa, cada qual com seus devidos pensamentos; ambos iluminados pela luz fraca amarelada da sala de jantar enquanto a cidade dormia.
    — Posso te fazer uma pergunta, Tellum?
    — Claro, senhorita.
    — Você pode me achar esquisita por não saber algo assim, mas... duas mulheres podem... n-namorar? — Auria gaguejou só de precisar dizer aquela palavra em voz alta. — Sabe, beijar, casar, ter filhos, essas coisas, e... ah, quer saber? Esquece que eu perguntei isso.
    Tellum demonstrou-lhe um olhar de afeto que Auria só se lembrava de ter visto em seu pai. O guarda-costas precisou pensar um pouco antes de responder, afinal, queria ser sincero com os sentimentos dela e não plantar ainda mais incertezas.
    — Sim, Auria. Elas podem.
    — Ah. Entendo. — Auria soltou outro longo suspiro e esparramou-se em sua cadeira. — Legal. Que bom.
    — Você sabia que sua mãe foi uma das poucas Mercer a se casar com um homem na história? — perguntou Tellum.
    — Como assim?
    — As Mercer são uma família muito tradicional em Sellure, desde os tempos antigos era comum que elas se relacionassem com outras mulheres. Quando decidiam formar uma família elas adotavam crianças, independente de sua raça, afinidade ou gênero. Dizem até que a famosa General Defesa foi também uma Mercer, embora não haja nada comprovado. Ela própria também nunca se casou, mas adotou muitas crianças que continuaram o seu legado.
    Auria sentiu as bochechas corarem só de imaginar construir uma família e ter filhos. Nunca se imaginara sendo mãe, muito menos que existisse alguma pessoa no mundo que a aguentasse como parceira por mais de um mês. Ela era insegura e insuportável nos seus períodos, por vezes mandona como toda boa Mercer que se preze, embora transbordasse de amor e carinho para oferecer para qualquer um que ousasse ultrapassar as barreiras que ela mesma impunha antes de conhecer alguém.
    — Nunca te ouvi falar sobre coisas do coração, Tellum — admitiu Auria. — Você também tem alguém especial em sua vida?
    — Eu? Não, não — ele negou com a cabeça. — Prefiro não estar em um relacionamento com ninguém. Já tenho dores de cabeça demais cuidando de vocês três.
    — Mas um dia, quando você ficar velhinho e se aposentar, quem é que vai cuidar de você?
    — Não será necessário ninguém para cuidar de mim, senhorita. Quanto a isso pode ficar tranquila.
    — Vivo com medo do dia que minhas irmãs irão se casar e acabarão indo embora... não quero ficar sozinha. Torço pela felicidade delas, mas vou odiar qualquer idiota que as roubar de mim!
    — Avise-me antes para que eu quebre a cara do indivíduo, pois será necessário passar por cima de mim para pedir a mão de qualquer uma de vocês três em casamento.
    Os dois riram alto, mas precisaram conter a voz para não acordar Lydia e Diana que descansavam no andar de cima. Auria repousou a cabeça sobre a mesa, sentindo o sono atingi-la em cheio agora que estava mais tranquila.
    — Me conta seu sonho mais impossível, Tellum...
    — Eu não tenho sonhos, Srta. Mercer — respondeu o homem. — Cuidar de vocês foi o maior prazer de minha vida e sinto que minha função nessa história foi concluída com êxito. Tudo que me resta agora é seguir o meu caminho.
    — Mas todo mundo precisa sonhar... — Auria bocejou enquanto falava. — Uma pessoa sem sonhos... vai lutar pelo quê?
    — Os sonhos de vocês são o suficiente para mim.
    — Tellum, você é muito gentil e generoso... — Auria fechou os olhos, prestes a cochilar ali mesmo. Ela mal se deu conta do que saiu de sua boca, ainda assim, foi com amor: — Nós te adoramos muito, você sabe disso... não é?
    — Permita-me levá-la até sua cama — disse Tellum ao levantar-se e tomá-la em seus braços. Ele subiu a escada sem emitir ruído algum e deitou a menina em seu quarto, cobrindo-a com gentileza antes de se despedir na noite fria e silenciosa. — Tenha uma excelente noite, senhorita.

    ii

    Na véspera da partida de Auria para a Vila das Pérolas, ela recebeu uma encomenda dos geckos alados via correio. O envelope era longo e pesado, nem mesmo suas irmãs se lembravam de ter encomendado nada nas últimas semanas. Assim que Auria abriu o pacote, seus olhos encheram-se de brilho — era uma espada feita sob encomenda com o formato de uma clave de sol na ponta de cores prateadas e azul marinho, com a bainha escura e detalhes brancos como se fosse um céu noturno estrelado. Não havia remetente, mas Auria sabia que aquele era um presente de Tellum para sua nova jornada que estava para começar.
    Ela e Diana estavam assistindo televisão de noite quando Lydia chegou com uma carta em mãos e a expressão tão confusa quanto as palavras que estavam ali escritas.
    — O Tellum pediu demissão.
    As duas pausaram o filme e se voltaram para ela em choque.
    — Como é que é? — perguntou Diana.
    — É o que está escrito aqui — frisou Lydia. — Se mandou. Fim de serviço. Aquela história de “vou cuidar de vocês para sempre” era só fachada pelo visto, porque ele não vai voltar. Vamos ter que arranjar outro empregado para cuidar das coisas em casa, porque o quartinho dos fundos nem terminou de ser pintado.
    — Lydia, isso é sério, o Tellum nunca pediria as contas, alguma coisa deve ter acontecido — Diana levantou-se apressada e vestiu o seu casaco. — Eu vou até a casa dele conversar, talvez ele esteja passando por maus momentos.
    Auria não deu muita trela ao assunto no momento, pois em sua cabeça ela e Tellum continuariam amigos pelo resto da vida.
    O que ela ainda não sabia era que a vida passava como um sopro. Um dia se está conversando na sala, e no outro a cadeira permanece vazia.
    Às dez e vinte quatro da manhã seguinte, veio o choque. Auria desceu as escadas ainda de pijama, ansiosa pelo dia em que ingressaria nas academias de treino quando se deparou com suas irmãs desoladas na sala de jantar. Diana cobria o rosto com as mãos procurando se controlar enquanto Lydia chorava compulsivamente, andando de um lado para o outro prestes a surtar.
    — Como ele pôde ser tão egoísta? O que ele tinha na cabeça? Não era direito dele, isso não é certo, ele não podia!
    — Acalme-se, Lydia! Eu entendo a raiva que você está sentindo, mas isso não nos ajudará em nada! Está sendo difícil para todas nós — retrucou Diana com a voz embriagada. — Ninguém jamais saberá o que se passava na cabeça dele, e nós... nós sequer notamos se aproximar. Como pudemos ser tão insensíveis?
    Auria aproximou-se devagar, ainda sem compreender a cena.
    — O que está acontecendo aqui?
    Diana levantou-se, mas não conseguiu correr pra abraçá-la.
    — Auria, escute com atenção o que vou dizer.
    — T-tá bem, mas eu não gosto desse suspense todo... fala logo.
    — O Tellum... não vai voltar.
    — Sério? Ele encontrou outro trabalho?
    Lydia tampou a boca e precisou retirar-se da sala. Auria ainda as encarava sem entender nada.
    — N-não — soluçou Diana. — O Tellum... se foi.
    A garota riu, pois pensou tratar-se de uma piada de muito mau gosto.
    — Como assim? Ele foi para a guerra? Alguém o atacou desprevenido? Porque o Tellum é muito poderoso, poucos poderiam vencê-lo em um duelo de espadas. Ninguém some assim do dia para a noite sem estar doente, sem demonstrar sinais, ninguém vai... sem se despedir de forma adequada dos amigos.
    Quando se deu conta, Auria estava com os olhos encharcados. Lydia quebrou um vaso na sala e gritou de forma histérica, ela jamais compreenderia. Diana correu com os braços estendidos em direção de sua irmã mais nova que sofria um ataque de pânico, caindo de joelhos no chão por conta da respiração descompensada.
    — E-eu não entendo, Dia...
    — Calma, querida, nós estamos aqui.
    — Eu não entendo. Por que ele foi embora? — Auria sussurrou em seu ouvido. — Nós fomos assim tão ruins para ele?
    — Não diga isso! Tellum foi muito feliz em vida, e nos resta acreditar que ele fez isso porque tinha um propósito. Ele cuidou de cada uma de nós e tenho certeza que se orgulha de ver que nos tornamos mulheres formidáveis.
    — E-eu conversei com ele de madrugada não tem uma semana, e tudo parecia tão normal... ele parecia tranquilo e sereno, como sempre esteve. Será que estava sofrendo por dentro, mas eu não fui capaz de enxergar? Eu poderia ter suprimido essa dor? — Auria parou de falar com os olhos vidrados em um vaso de flor seca na janela. — Diana, e-eu deixei o Tellum morrer?
    — Pare de dizer essas besteiras! Não cabe a nenhum de nós julgar a decisão dele. Lembre-se apenas do que ficou, do carinho e atenção que ele nos proporcionou, das lições e o aprendizado.
    Lydia voltou da sala com as pernas cambaleando e ajoelhou-se ao lado de suas irmãs. As três se abraçaram, e pela primeira vez desde a queda de Cortina Escarlate elas se sentiram completamente sozinhas.
    — Por favor, prometam-me que jamais farão nada parecido. Que isso jamais lhes passe na cabeça, contem comigo para tudo — suplicou Lydia. — Eu não suportaria perder alguma de vocês sem entender o motivo, e lutarei com todas as minhas forças para mantê-las seguras debaixo de minhas asas.

    O embarque de Auria para a Vila das Pérolas atrasou em cerca de uma semana. Não houve grandes honrarias, tendo em vista que o exército agora o considerava um “desertor” de sua raça. Nenhum parente compareceu, pois Tellum não tinha mais ninguém. Diana guardou a medalha que o guarda-costas lhe presenteara quando pequena no dia em que Cortina Escarlate caiu, pois prometera que um dia devolveria quando crescesse.
    O luto mal havia passado e Auria se viu no trem viajando de volta à província de Myriad, com a espada que ganhara de presente ainda embrulhada. Mal tivera tempo de praticar, pois seu professor não estaria mais ali para treiná-la quando voltasse.
    Era comum que jovens discutissem suas ambições e preferência de classes nos vagões, adolescentes com grandes pretensões na carreira e ansiosos por fazer novas amizades que poderiam durar toda uma vida. Auria mantinha o olhar distante na janela, incapaz de entrosar ou sequer interessar-se pelo assunto dos demais.
    — Meu maior sonho é algum dia me tornar um grande general do exército da Fortaleza Azul! Quero vestir farda e a capa com estrelas prateadas! — disse um rapaz.
    — Já eu quero ser pesquisadora, vou me especializar em Bausonne e estudar a magia na capital dos magos, bruxos e feiticeiros — respondeu uma garota cheia de empolgação.
    O assunto foi indo de assento em assento até chegar a vez de Auria. Por um instante foi como se o vagão inteiro estivesse em silêncio para ouvir o que a mais nova dos Mercer tinha a dizer sobre seus sonhos e objetivos, mas ela desculpou-se e pediu que não criassem grande expectativa. Seus sonhos pareciam simples e genéricos aos olhos alheios, mas para ela sempre carregaria um significado imenso.
    — Eu só quero ajudar os que mais precisam.



     

    Menu Principal






    Menu Secundário






    Estatísticas




    POSTAGENS
    COMENTÁRIOS

    PARCEIROS [BUTTON]

    Tecnologia do Blogger.

    Comentários Recentes

    + Lidas da Temporada