terça-feira, 20 de agosto de 2019

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Itens e Produtos #06 - Mapa em canvas

Eu sou fissurado por mapas desde pequeno. Já mostrei aqui no blog como foi a sensação de atualizar o reino de Sellure que estava intocado desde 2009 e como fiquei feliz com o resultado dessa nova versão.

Não é de surpreender que eu esteja sempre dando um jeito de mostrar esse mapa aos leitores  ele está disponível em preto e branco logo no começo do livro impresso, mas só isso não me pareceu o suficiente. Então, fui lá na gráfica da minha cidade, fiz alguns orçamentos e eis que este foi o resultado final, um mapa impresso em canvas, com aquela textura bacana de tela! O resultado pode não parecer lá essas coisas olhando através da foto, mas digo que segurá-lo na mão é outra história. Mesmo a fonte das menores das localidades estão legíveis, e a cor ficou bem fiel, só tenho elogios a fazer para a impressão.

Além dessa versão em tela, também fiz um teste do mapa impresso em uma placa dura, daquelas que são muito comuns em eventos de anime. Os dois ficaram muito bacanas, levei alguns no dia do lançamento na minha cidade para a galera dar uma olhada e o feedback foi bem positivo. Sei que não é o mapa perfeito, mas prefiro muito mais ter um autêntico só meu do que usar aqueles editores genéricos da internet onde seu mapa ficará parecido com o de outro milhares de escritores de fantasia.

E aí, qual será o novo produto relacionado ao universo de Matéria? Estou com stickers na fila, mas ainda penso em chaveiros, cadernos e canecas. Se você tiver alguma ideia de algo que adoraria ver aqui, é só falar nos comentários!


Deem só uma olhada em alguns dos maps de outros jogos que fiz para a lojinha. E aí, reconheceu algum deles?

domingo, 18 de agosto de 2019

Itens e Produtos #05 - Bottom


Quem cresceu no começo dos anos 2000 e era otakinho deve lembrar da época que os eventos de anime começaram a surgir e toda mochila que se preze vivia enfeitada com bottons dos seus personagens prediletos.

Uma coisa que eu sempre quis fazer para o meu livro é oferecer muito conteúdo adicional aos leitores. A leitura não precisa terminar na última página, estou sempre atualizando meu blog com capítulos extras, informações, desenhos e, claro, não poderiam faltar produtos.

Estive mantendo contato com a Nyx nos últimos tempos e ela se ofereceu para fazer algumas artes especialmente para isso. Essa é a primeira leva de bottons que faço, foi mais um teste, então a maioria das peças são únicas. Como adorei o resultado, espero aumentar a produção quando tivermos as artes dos demais personagens também! Como também tenho uma lojinha, aproveitei para fazer de diversos outros jogos e personagens que gosto, de memes até uma participação especial dos Irmãos Wallers do Aventuras em Sinnoh.

Hoje em dia os bottons já nem são mais aquela febre de antigamente, mas eu ainda tenho um carinho especial por eles. Creio que o maior problema é que eles viviam caindo, mas hoje já existem mochilas preparadas para isso, elas possuem a frente transparente e protegido, então dá para expor tudo que você quiser 

E aí? Qual deles foi o seu preferido? E que personagem teria a honra de enfeitar a sua mochila?




quarta-feira, 14 de agosto de 2019

15 perguntas que ficam depois que Espada de Madeira termina


Terminou de ler o livro? O que achou? Sentiu aquela sensação de que a jornada acabou, mas ainda tem muita coisa pela frente? Esse espaço é dedicado para trocarmos uma ideia sobre as dúvidas que ficaram, algumas delas possivelmente serão solucionadas nos próximos volumes, enquanto outras já podem ter tido uma explicação aqui mesmo no blog!

Apesar de Espada de Madeira transmitir o senso de conclusão que todo livro deve ter, inúmeros ganchos são deixados para que o leitor continue instigado a conhecer mais do universo de Sellure.  Algumas poderão parecer pontas soltas, mas não tema, muitas delas servirão como base para a trama que segue.

Mas se liga que tem um montão de SPOILERS aí em baixo! Caso tenha ficado com alguma outra dúvida que não foi listada aqui, é só deixar um comentário!

1 - Ralph vai se reencontrar com o Narrador?

A busca de Ralph pelo Narrador é provavelmente o motivo principal pelo qual o garoto sai em sua jornada. O Narrador é uma figura mística que o leitor só tem conhecimento de sua real existência no Epílogo, onde descobrimos sua influência na vida de Ralph. Mas quando será que esses dois irão se encontrar? Digo apenas que isso pode demorar bem mais do que imaginamos, afinal, essa é a trama que move nosso protagonista, seu sonho mais difícil de ser concretizado.

2 - Auria conseguirá ingressar no exército?

Após o fracasso da missão das Pérolas Sagradas, Auria decide voltar para a Vila das Pérolas após ter perdido cerca de um ou dois meses de aula. Parece que foi mais tempo, mas não se trata de nada grave, ela não acabará sendo expulsa por isso. No livro 2, uma das principais tramas envolve Auria tentando entrar em um batalhão competente, mas como será que ela irá se sair?

3 - O que Lesten fez para se tornar um excomungado? Como ele ganhou a cicatriz? O que é aquela fita vermelha na lança dele?

Ah, isso tudo já foi respondido! Aqui no blog vocês podem encontrar uma série de capítulos especiais chamados de As Histórias Perdidas. Após uma missão mal sucedida, Lesten perde seu irmão mais novo e acaba socando um dos membros do Conselho da Matiz na cara, o que resulta em sua expulsão da Fortaleza Azul. A faixa vermelha em sua lança é uma lembrança de Wester, seu falecido irmão.


4 - Lee e Hayley conseguirão reverter suas maldições?

Lee e Hayley não estão nem perto de encontrar respostas para seus problemas, mas isso também será resolvido no livro 2. Parte da jornada deles é se aceitarem, a Hayley quer entender como se tornou um monstro e o Lee quer se esconder para que o mundo não descubra o monstro dentro dele. Os dois compartilharão um arco muito bacana.

5 - O que aconteceu com as Pérolas Sagradas após a explosão?

As Pérolas Sagradas foram levadas por Half para algum lugar desconhecido. O que ele fará com elas, não se sabe, afinal, elas estão sem mana alguma, o que as torna apenas uma casca vazia.

6 - O que houve nos tempos da Caça aos Tótines?

A Caça aos Tótines aconteceu há oito anos do ano onde o primeiro livro se passa, quando Erlenmeyer ofereceu altas recompensas para pessoas que capturassem tótines e os levassem para ele para que fossem estudados. Muitos mercenários aderiram ao chamado e famílias foram destruídas, crianças eram sequestradas aos montes e o impacto foi sentido em toda Sellure. Há um especial em planejamento onde será mostrado mais do passado dos guardiões da Ordem do Selamento.

7 - O que são cartas que Lee e Hayley deixam no túmulo da feiticeira na Ilha-S?

As cartas que Lee e Hayley deixaram são um easter egg aqui do blog! Nas Histórias Perdidas, descobrimos que um homem chamado Hugh Burnout queria voltar para seus filhos que não via faz muito tempo, e ele pede que Lee e Hayley levem essas cartas para a Ilha-S. Ficou curioso?

8 - Quem é Facade e qual sua influência na jornada?

Isso é mistério. Com certeza essa criatura sem forma tem algum segredo... que só descobriremos num futuro bem distante!

9 - O que é o Olho Negro de Raegar?

O Olho Negro é uma maldição maior e mais perigosa do que os Olhos Vermelhos. Facade teria algo a dizer sobre eles se estivesse aqui, mas tudo que posso dizer por ora é que há um mistério maior por trás! Mantenha-se longe!

10 - O que está acontecendo na guerra do outro lado do continente?

A guerra ficou apenas como plano de fundo no primeiro volume, mas ainda tem muita coisa pra aparecer! O perigo será maior e os vilões de verdade começarão a dar as caras. engloba uma das principais causas nos livros 2 e 3. Em sua jornada, Ralph estava muito alheio à guerra, mas ela está acontecendo e veremos muito disso.

11 - Como Johnny Goldo vai se tornar o homem mais rico do mundo?

Malandro do jeito que é, ele vai dar um jeito! Johnny Goldo pode parecer uma figura recorrente na história, mas ele continuará dando as caras nos próximos livros e causará mais problemas do que se imagina.

12 - Quem são as irmãs de Auria?

Diana e Lydia Mercer são duas das pessoas mais influentes no reino. A primeira trabalha como tenente e estrategista de Lorde Raito, enquanto Lydia é uma socialite do governo. Elas darão as caras no livro 2, mas são figuras importantes para a trama desde os tempos em que o autor ainda desenhava seus gibis, lá para 2007!

Essa garota loira ao laco conhecida apenas como Lightness já deu as caras no Aventuras em Sinnoh em 2011. No livro 2 os leitores finalmente conhecerão sua real identidade.

13 - Qual será a reação de Raito ao seu reunir com Ralph e concretizar sua "família feliz"?

Nada me tira da cabeça que Raito não faz questão alguma de reencontrar seu "irmão perdido", mas explorar essa aceitação é justamente o que move parte da trama nos futuros volumes.

14 - Os personagens realizarão seus sonhos?

Eles vão continuar tentando, tentando, e tentando... não vai ser fácil, mas pode ter certeza que cada um deles fará o possível para alcançar aquilo que mais almejam! Mas vou repetir a primeira frase de Espada de Madeira: "Nem sempre as coisas acontecem como esperamos..."

15 - O próximo livro vai levar outros 10 anos para sair?

Se Araya for gentil, pretendo manter um intervalo de um ano entre cada publicação. Como já conheço valores, tenho contatos e sei como funciona o projeto, facilita muito na hora de fazer acontecer. O livro 2 e 3 já estão concluídos, então tudo depende das vendas para que eu consiga continuar financiando o projeto.


terça-feira, 13 de agosto de 2019

O Conselho da Matiz

O Conselho da Matiz é um órgão com o intuito zelar pela manutenção da paz no reino. O Conselho é composto por oito membros com cargos permanentes, cada um deve representar umas das oito províncias de Sellure. O Conselho manifesta-se por meio de declarações ao rei que têm de ser adotadas por consenso, no caso, com a maioria de cinco votos ou mais; em caso de empate, a palavra final é do rei.

No livro 2 são citados os nomes de alguns integrantes, dentre eles Temmerius, Dirume e Orson.
Temmerius também tem uma rápida aparição no capítulo especial O Soldado Desertor, sendo o responsável por excomungar Lesten do exército.

O Conselho recebeu esse nome por conta da matiz de cores de cada capital:
  • Fortaleza da Pedra Azul;
  • Castelo Escarlate;
  • Torre Laranja;
  • Campos Verdes;
  • Cidadela Púrpura;
  • Cortina Índigo;
  • Floresta Dourada;
  • Terras Castanhas;
Na ausência dos integrantes do Conselho, existe também um título dado a Oito Representantes no reino, sendo este um cargo voltado para pessoas de grande poder e influência, mas que preferem não se envolver com política. Eles possuem poder e autoridade em sua região, ainda que não sejam responsáveis pela aprovação de leis e nem exerçam influência nas capitais de outros membros.

No livro 1 descobre-se que Aedan é o representante pela região de Century.
A mãe de Volker e Lloyd King também faz parte dos oito, sendo a responsável por Perpetua.



sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Capítulo 17.5 - Bill e Tootie

Todo livro precisa sofrer inúmeros cortes antes de ser publicado. Faz parte do processo de revisão do próprio autor rever quais capítulos são realmente importantes para o andamento da história, detalhes que só encontramos depois que o livro já foi finalizado. Com isso, o blog traz as Cenas Deletadas como um extra aos leitores mais curiosos.

Onde a cena se encaixava?
Este capítulo acontecia entre o 17 e o 18, logo após os protagonistas deixarem o Deserto Elmud e alcançarem o Pântano Enferrujado, tanto que gosto de defini-lo como aquele clássico filler entre arcos. Ele foi resumido a alguns poucos parágrafos de transição que ainda podem ser encontrados no livro, nas páginas 157 e 158.

Sobre o que falava?
Trata-se da primeira e única interação real de Tootie e Bill, de sua amizade na infância e um possível romance. É também visto um pouco mais da personalidade dela ao lado dos protagonistas, uma vez que Tootie ainda se sentia muito insegura de encarar o mundo.

Qual o motivo de ter sido excluído do livro?
O capítulo consta com cerca de 3200 palavras e era provavelmente o favorito do autor dentre as "Cenas Deletadas", tanto que foi o último a ser cortado. Uma vez que o relacionamento entre os dois primeiros guardiões da Ordem não acrescentava muito para a trama principal, acabou que toda e qualquer interação entre Bill e Tootie precisou ficar de fora.

Bill e Tootie
As Histórias Perdidas - Cenas Deletadas

A caminhada seria longa e demorada de volta a Bausonne, por isso o grupo fez uma parada no vilarejo conhecido como Pequena Terra, onde os aldeões acreditavam que a Grande Árvore no centro da vila era um presente de Araya, a divindade da vida. Uma nascente aflorava a leste do Deserto Elmud e mais tarde se unia ao leito do Rio do Horizonte para desaguar no mar, suas águas alimentavam todo o povo nos arredores, auxiliando viajantes que iam e voltavam do deserto, oferecendo aos moradores de Pequena Terra um humilde negócio baseado em fontes termais na encosta da montanha.
Tootie cobriu-se com um manto para ocultar sua identidade, há muito tempo ouvira os conselhos de sua senhora de que ela deveria precaver-se do mundo. Ela não sabia até onde havia perigo em ser reconhecida como uma guardiã da Ordem do Selamento, pois quando decidira se manter reclusa do mundo há oito anos os tótines ainda eram caçados por mercenários e usados como experiência por conta de sua magia. Tootie observava tudo admirada, via uma mistura de povos excêntricos tão diferentes de quase uma década atrás, a sociedade em Sellure vinha caminhando para se tornar mais inclusiva. Ela apreciava cada curiosidade e especiaria nas barracas dos mercadores locais como uma criança que descobre que o mundo é muito maior do que o quintal de sua casa.
— Como era a sua vida antigamente, Tootie? — perguntou Ralph. — Digo, você disse que ficou muito tempo naquelas ruínas. Quem cuidou de você? Você tinha amigos?
— Eu fui adotada pela minha mestra, a Srta. Cléo. Ela foi a mulher mais linda e formosa a pisar nessas terras, mas vivia dizendo que o mundo aqui fora era perigoso e devia ser evitado. Ela me tratava como um tesouro e lutou bravamente para que eu me mantivesse sã e salva todo esse tempo. Não carrego lembranças agradáveis deste mundo...
— Então nós vamos fazer você mudar de ideia — disse Auria com entusiasmo.
As duas saíram às pressas para que tivessem um dia só de mulheres — já estava há tempos cercada apenas de hormônios masculinos, estava no limite com as piadinhas infames de Lesten e precisava de uma companhia feminina para conversar.
A primeira parada foi em um restaurante para provar da especiaria local, muitos frutos e saladas variadas cultivadas com a água abundante oferecida pelo rio. Tootie fartou-se como há tempos não fazia, Auria tentava puxar assunto e sentia que aos poucos poderia conseguir fazê-la se soltar mais.
As fontes termais da Pequena Terra eram famosas em todo o reino e só perdiam para as casas de banho da Ilha-S que eram aquecidas na temperatura ideal por um vulcão inativo. Com o entardecer se aproximando, ter um local para descansar após uma longa e exaustiva viagem pelo deserto era mais do que necessário para livrar-se das impurezas e da areia que entrara em locais de suas roupas que sequer imaginavam que fosse possível.
— O que acha de descansarmos um pouco? — perguntou Auria entretida com a ideia.
— Seria ótimo. Fazia muito tempo que eu não andava tanto — falou Tootie. — Nós vamos dormir na rua?
— Claro que não, bobinha. Alugamos dois quartos em uma pousada, mas não temos hora para voltar. Eu sempre quis vir para a Pequena Terra com minhas irmãs, mas nunca sobrava tempo. Vamos visitar as casas de banho agora, pode ser?
Tootie concordou, mesmo que achasse aquela ideia bem estranha. Começou a tirar o seu vestido no meio da praça quando Auria avançou em cima dela para impedi-la.
Que raios você está fazendo?
— Você não disse que íamos tomar banho?
— C-claro que não! É em um lugar fechado, homens e mulheres ficam separados, mas também tem a opção mista. As fontes daqui são aquecidas e funcionam como uma sauna.
— É que eu costumava banhar-me no oásis perto das ruínas, nunca precisei me preocupar muito com privacidade — Tootie sorriu acanhada, mas parecia intrigada com a oferta. — Bem, por favor, mostre-me como funcionam essas fontes!
As duas fizeram seu caminho até uma construção em madeira chamada Eterna, lá elas alugaram uma hora na banheira natural entre as rochas por onde descia uma cascata de água quente. Tootie estava bem acostumada a temperaturas excessivas, mas chegou a sentir um calor quando se deparou com o corpo de atleta de sua companheira. Ela tinha um corpo invejável.
O vapor chegava a embaçar a visão, suor escorria pelo corpo da guerreira que se despia dos trajes de viagem e da jaqueta. Mesmo que não houvesse mais ninguém presente, Auria reparou nos olhares sobre ela o que a fez sentir-se envergonhada.
— Nossa. — Tootie murmurou baixinho. — Eu queria ter um corpo como o seu...
— Sério? Como fiquei três anos presa na academia, acabei tendo muito tempo para pegar firme nos exercícios. Eu sempre tive a impressão de que exagerei demais.
— Jamais, Srta. Mercer! Você tem seios fartos e quadris largos, já eu sou miúda e insegura, sinto que posso dobrar ao meio se ventar demais...
— Bem, devo concordar que tem suas vantagens e desvantagens. A maioria dos rapazes com quem saí me achava meio... sei lá, dominante demais. Eles se sentiam pequenos e insignificantes perto de mim, e você sabe como os homens são, querem estar sempre no controle da situação — falou Auria com um sorriso. — Sabe, acho que é por isso que aprendi a gostar de caras mais meigos, eles são gentis comigo e me ajudam a aceitar eu mesma.
— Você é linda em todos os sentidos, como minha senhora Cléo era — falou Tootie. — A única diferença é que ela tinha cabelos bem longos.
— É, eu também tinha até um tempo atrás. Ainda estou me acostumando.
As duas riram e entraram na banheira, ficando ali sentadas por várias horas enquanto relaxavam os músculos e eliminavam as impurezas. O tempo avançou devagar, era por volta das cinco da tarde quando o céu sob suas cabeças foi coberto por um manto alaranjado que enfeitava toda Sellure. Tootie ainda acariciava os cabelos de Auria como se fizesse uma massagem terapêutica.
— É tão bonito...
— Quer que eu lave seu cabelo também? — perguntou Auria.
— É melhor não.
— Por que não? Vamos lá, você ainda nem molhou sua cabeça, tente dar um mergulho!
— Não posso também.
— Não quer ou não pode? Tootie, estamos só nós duas aqui. Não há segredos entre mulheres.
Auria começou a fazer cócegas na garota que ria sem parar. A água quente a transbordava para fora, a pequena guardiã se contorcia e ria tanto que acabou enfiando a cabeça na água e emergiu diferente. Auria parou no mesmo instante que a puxou para fora, os olhos fixos em algo que preto que flutuava pela banheira. Tootie levou a mão até sua própria cabeça e notou estar sem cabelo — sua peruca molhada boiava como se fosse um guaxinim morto.
Tootie cobriu boca e tentou um soluço, sua risada se transformou em decepção e ela pareceu prestes a cair no choro.
— Não conte para ninguém. P-por favor, não conte.
— Eu nunca contaria. — Auria tentou passar-lhe segurança. Tootie colocou de volta sua peruca, mas não voltou a sorrir. — Tootie, eu... desculpa, eu não fazia ideia. Não fique envergonhada por isso. Sério, quem precisa de cabelo para ser bonita?
— É fácil para você dizer isso! — Tootie levantou-se de repente, demonstrando indignação mesmo com aquele jeitinho inseguro e acuado. — Olha só para você, para o seu corpo de amazona, seu rosto lisinho, até sua cor da pele! Você é o padrão de como toda mulher deve ser!
— Isso não é verdade. Nunca se compare com outras pessoas, cada mulher é única em seu próprio estilo. Eu costumava ter cabelo longo, mas eu nem sabia se essa era uma escolha minha, eu só me vestia exatamente como todas as outras mulheres que conheci. Quando o doido do Ralph chegou e o cortou, eu me senti... livre, livre de padrões. A vida toda tentei ser como minhas irmãs, mas sempre me mantive escondida na sombra delas. Você não precisa se comparar a ninguém...
Tootie escondeu o rosto com as mãos e Auria a trouxe para perto de seu ombro, onde a fez repousar em silêncio, tranquila e serena, ouvindo sua respiração abafada e chorosa.
— Comece treinando essa sua cabecinha, ouviu? Sei que não nos conhecemos há muito tempo, mas ninguém aqui vai te ferir. Só queremos o seu bem.
Quando as duas finalmente relaxaram, um barulho suspeito foi ouvido no banheiro ao lado. A casa de banhos era separado por uma parede de rochas muito grossa, ninguém poderia entrar ali que não fosse voando. Como estavam desarmadas, seria impossível lidar com um ataque surpresa. O brilho tornou-se mais intenso entre as frestas da parede, foi quando um pedaço dela literalmente descolou como se fosse feita de papel e, para a surpresa mútua, ali estavam Ralph e Lesten só de toalha.
— Oi, meninas — falou Ralph empunhando Lignum em uma das mãos.
— Viu só, eu falei que era a fêmea! Eu reconheceria a voz dela em qualquer lugar — disse o gecko contente, como quem ganha uma aposta. — Agora tu me paga aquela coxinha que prometeu.
O que vocês dois idiotas fazem aqui? — Auria berrou.
— Estamos nos divertindo como você mandou, só que não tem mais nada para fazer nessa cidade — respondeu Ralph. — E a propósito, será que vocês poderiam ficar com a Lignum? Estamos em um banheiro só de meninos, e ela é menina. É meio constrangedor.
Auria puxou seus amigos pela toalha para fora do banheiro para que eles explicassem à gerente do local por que havia um buraco entre a ala masculina e feminina.
Enquanto isso, Tootie permaneceu sozinha dentro da banheira. Permaneceu submersa até o pescoço, ouvindo a discussão e o movimento lá fora. Ela não se deu conta dos movimentos furtivos que se aproximavam, dessa vez com claras segundas intenções, e surpreendeu-se quando sentiu algo esbarrar em seu ombro e sussurrar baixinho:
— Eu te procurei por toda parte, sabia?
O susto foi tão grande que Tootie acertou um murro no invasor que despencou para dentro da banheira.
— Quem é você e o que quer de mim?
Ela viu bolhas em resposta. Quando o corpo inerte começou a flutuar, ela percebeu que se tratava de um guaxinim.
— Calma, calma! Já levei mais soco de mulher na última semana do que em toda minha vida — disse o animal ofegante, tentando se recompor. — Não se lembra de mim?
— Eu me lembraria de um animal falante tarado — Tootie falou com a voz firme, mudando a expressão de forma drástica. — A menos que você seja...
O corpo do animalzinho alterou de forma até transformar-se no de um humano. Tootie não o reconhecera de imediato, mas alguns traços continuavam ali — o rosto fino, a feição assustada, o medo; e também o jeito malandro, procurando sempre a melhor oportunidade de dar um susto, cantar uma dama e surpreendê-la.
— Willian Von Altenburg! — Seu nome soava ainda mais bonito pelos lábios dela. — Bill, é você mesmo?
Ele fez que sim com a cabeça, ainda com o nariz dolorido demais para responder.
— E-eu quase não o reconheci, está tão diferente, mais maduro — disse a moça com um sorriso preocupado. — Como é que entrou aqui...?
— Ninguém nunca repara nos guaxinins — falou o gatuno de repente. — Você também não se parece em nada com aquela garotinha que fazia espetáculos ilusórios nas ruas. Quanto tempo isso já faz?
Bill não costumava tirar sua máscara para muitas pessoas. Ele a encarava com olhos cinzentos e observadores, ambos trocando lembranças e pensamentos antigos que terminavam em sorrisos bobos e acanhados. Os tótines podiam transformar-se em seres e criaturas sobrenaturais, mas nenhum deles escondia como eram apaixonados pela visão humana, provavelmente uma das obras mais incríveis já criadas.
Bill aproximou-se dela e ajeitou a peruca que estava torta na cabeça. Tootie sorriu de forma encabulada e arrumou o cachecol encharcado no pescoço dele com o mesmo carinho.
— Continua bonita — Bill sussurrou baixinho.
Bill estava para dizer algo mais quando ouviram um barulho vindo da entrada, Tootie enfiou a cara do rapaz dentro da água e o fez ficar submergido quando Auria apareceu de relance na porta do banheiro e sorriu para ela, pedindo desculpas pelo ocorrido.
— A gerente ficou furiosa. Acho que nós vamos demorar um pouco aqui, Tootie... Não quer esperar lá fora?
Ela fez que sim e imediatamente vestiu suas roupas, saindo da casa de banho com um guaxinim afogado no colo sem que ninguém estranhasse.

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Bill e Tootie se distanciaram dos demais e fizeram uma pausa num pequeno parque para crianças longe do movimento, onde pudessem conversar em paz. Havia muito a discutir, da mesma forma que estavam contentes por reverem um ao outro também estavam muito nervosos, oito anos haviam se passado desde os acontecimentos envolvendo as Pérolas Sagradas e a Ordem do Selamento. Bill sentou-se em um dos balanços e começou a ir para frente e para trás.
— Sei que já perguntei isso um milhão de vezes, mas... como é que você está? — indagou Bill, sem saber como começar uma conversa.
— Estou bem. — Ela também não fazia ideia de como interagir com pessoas.
— Isso é bom.
Seguiu-se um silêncio embaraçoso.
— Decidiu finalmente sair de seu esconderijo, não é? — brincou Tootie.
— Olha só quem fala — Bill riu de forma debochada. — Você é quem sempre sonhou em construir um esconderijo para guardar seus tesouros.
— Mas naquela época escondíamos apenas brinquedos e comida, não eram tesouros de verdade. Eu ainda faço esculturas de areia, e devo dizer que é uma das poucas coisas da qual tenho muito orgulho. Elas ficam parecendo reais.
— Uau, então você se aprimorou. Nos últimos anos, acho que só vivi me escondendo... não tenho mais um lugar para voltar. Meu último esconderijo foi pelos ares por causa desses aventureiros que você está acompanhando.
— C-como assim? Eles estão fazendo de você um escravo? — indagou Tootie. — Se quiser, nós podemos unir forças e derrotá-los!
— Claro que não, sou eu quem estou seguindo eles. Não devo nada a ninguém.
A moça concordou com a cabeça. Ssentou-se ao seu lado no balanço e, por um instante, os dois sentiram como se conhecessem tudo sobre o outro, mas já fazia tanto tempo que não se viam, será que continuavam sendo as mesmas crianças que um dia brincaram juntos, enfrentaram os problemas de frente e compartilharam sonhos impossíveis?
— Eles parecem ser pessoas boas, mas ainda sou tomada por dúvidas... — falou Tootie. — E se estivermos sendo enganados, como sempre acontece?
— Não tenho certeza de nada — Bill falou, vinha pensando no assunto há dias. Enquanto conversavam, ele tirou do bolso uma laranja que roubara no mercado e começou a descascar. — Não consigo deixar de ter um pé atrás. Sou um sujeito precavido, a vida nas ruas me ensinou a não confiar tanto. Mas temos de concordar que, se eles nos quisessem mortos, já o teriam feito.
Um silêncio ligeiro pairou e só se podia ouvir o som da natureza, dos pássaros voltando aos seus ninhos e do vento soprando leve. Era por volta das sete da noite e a cidade dava os primeiros sinais da vida noturna. Foi quando Tootie decidiu perguntar:
— Lembra-se daquela história de que as Pérolas Sagradas realizavam desejos?
— Ouvi outra versão onde um Mago Supremo é convocado, é cada ideia louca que aparece.
— Você acredita em alguma delas?
— Quem sabe? — Bill murmurou, oferecendo a laranja para a moça que a abocanhou como um passarinho em sua fruta favorita. — Eu os sigo porque continuo intrigado com um pensamento que não sai de minha cabeça...
— E qual seria?
Bill voltou a olhá-la com um semblante fechado.
— Você se lembra do tal de Dr. Erlenmeyer? Foi ele quem capturou nossos amigos e, bem... destruiu nossas famílias.
Tootie jamais o esqueceria. Aquelas lembranças ainda a assombravam.
— Foram tempos difíceis... ainda não sei como conseguimos sobreviver.
— Desde então, fomos obrigados a nos esconder e proteger essas pérolas. Nós literalmente perdemos metade de nossas vidas por causa disso! — falou Bill com certa amargura. — E agora, dizem que ele está de volta, tentando reuni-las. E há mais gente tentando.
O gatuno ergueu o indicador sinalizando sua suspeita.
— Essas malditas pérolas acabaram com nossas vidas! Eu queria me livrar delas, eu preciso, mas como saber se estamos fazendo a coisa certa? — Bill questionava-se. — Pode ser que estejamos indo direto para uma armadilha, como da outra vez.
— Eu sempre me perguntei por que protegeríamos um tesouro com nossas vidas se nem mesmo sabemos o que ele representa — respondeu Tootie. — Os motivos nunca me foram tão claros. Será que só fazemos o que fazemos porque fomos criados dessa maneira?
O gatuno voltou a balançar calmamente. Se naquele instante sentia-se pleno e livre, era porque no passado já passara por experiências que o fizeram valorizar aquela liberdade.
— Eu não quero mais ser um guardião — falou Bill. — E, não sei você, mas vou continuar acompanhando esses jovens porque quero que eles encontrem os demais membros da atual Ordem do Selamento e coloquem um fim nessa maldita história das pérolas. Eu só quero compreender qual lado devo seguir.
Relembrar sofrimentos não era a melhor forma de retomar o assunto com alguém que não se via há tanto tempo, mas aquela era sua realidade.
— Olha esse clima tenso... Desculpe-me por isso, Tootie. Eu só queria saber se...
— ... você pensava o mesmo. — Tootie completou a frase, como se lesse seus pensamentos. — Eu também desejo descobrir o segredo das pérolas. E eu gosto dessa gente, eles foram bondosos e gentis comigo, como poderíamos dar as costas a quem nos tratou tão bem? Vivi minha vida inteira sem ter esperanças de um futuro melhor, e pela primeira vez, sinto que algo implora para que eu continue seguindo.
Juntos eles continuaram observando o lua que se revelava tímida no céu. As estrelas preparavam sua parte no teatro, os lampiões na rua recebiam o óleo que queimava enquanto os dois velhos amigos se deleitavam com a companhia um do outro.
Bill virou-se de repente em direção da garota e Tootie fez o mesmo, os dois se encararam e riram constrangidos. Foi Tootie quem falou primeiro:
— Estou feliz em vê-lo, Bill. Você sempre me fez sorrir quando mais precisei.
— Eu sou o ladrão da equipe, mas é você quem sempre rouba o meu coração, não é mesmo?
Os dois voltaram a se encarar e, quando sentiram uma forte conexão em seus corações, uma lança foi atirada com força e acabou fincada exatamente na árvore ao lado perto da cabeça de Bill. O gatuno voltou sua atenção para a estrada onde viu Ralph, Auria e Lesten correrem atrás dele, o gecko berrava furiosos, prestes a cuspir fogo com toda sua ira.
Te achei, texugo da discórdia! Tu levou toda a grana e ainda por cima nos abandonou naquele deserto amaldiçoado!
Bill virou-se depressa para Tootie e deu-lhe um beijo rápido na bochecha, fazendo um breve sinal de “até logo” com a mão enquanto se transformava em um guaxinim e escalava a árvore para fugir de seus agressores.
Oito anos se passaram, mas ele continuava sendo o dono do seu coração.

O que fazer quando... #1

Você já viu esse meme? É comum a galera fazer com diversos animes, e eu acho engraçado como isso nos mostra tanto sobre a personalidade de cada personagem na história. Eu achei curioso como até em Sellure eles ficaram bem divididos, eu provavelmente sou desses que ignora a criança de propósito, sério, não me deem uma criança no colo que eu não saberei o que fazer.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Fotos do Lançamento do Livro Matéria - Espada de Madeira, por Nícolas Eroles!


É difícil encontrar palavras para descrever tudo que senti, o quão incrível e marcante esse evento foi na minha vida. Dia 27 de Julho de 2019 rolou o lançamento do meu livro na cidade onde moro. Faltando trinta minutos para começar, eu ainda brincava com meus amigos que ia cancelar tudo e sair correndo para me esconder nas montanhas. A ansiedade bateu forte, mas tive a sorte e o prazer de estar rodeado por pessoas maravilhosas que me ajudaram em cada detalhe, eu precisaria me dividir em dez para dar conta de tudo!

Fiquei das 18h às 23h assinando sem parar, fiz questão de desenhar em cada um dos livros comprados e tirar foto com todo mundo que compareceu. Eu poderia assinar outros 100 se tivesse tido tempo, ser prestigiado pelo trabalho do seu sonho é uma sensação maravilhosa.

 
 

Enquanto me mantive ocupado escrevendo dedicatórias, minha maior preocupação era que as pessoas estivessem se divertindo, mas mal tive tempo de levantar da cadeira. Por sorte, a reunião foi tão inusitada que amigos meus de longa data que não se viam se reuniram em uma mesa para conversar e comer alguma coisa, todos cheios de suas próprias histórias para compartilhar. Um deles até brincou comigo ao falar: "Não demore para lançar o segundo, viu? Porque só você pra conseguir reunir essa galera toda!" E não é que no fim das contas o lançamento foi divertido para todo mundo?

Recebi  visita de amigos e familiares, inclusive da galera da Aliança Aventuras que ficou em casa durante o fim de semana e me transmitiu a confiança que eu precisava para aguentar até o fim. Todo mundo passou um tremendo frio (vitamina C para todos!), mas aguentamos firmes até o último convidado ter ido embora. Que noite.

 

A primeira remessa de Matéria - Espada de Madeira esgotou, devo isso a todo mundo que deu uma passada lá no dia, e também a todos que compraram de longe e colaboraram com boas energias. Esse livro é daquelas fantasias com Jornada do Herói, mas é também meu coração aberto para quem quiser visitar. Um imenso OBRIGADO!

P.S. A segunda edição vai ir com a foto desse cara aí do lado! Recebi tanto xingo que a primeira não teve... dessa vez vocês me convenceram!

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