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terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Antes do Começo #8 - Primeiros rascunhos dos personagens

Para o primeiro post de 2024, pensei em trazer um dos meus tesouros perdidos no tempo. Sempre fui muito cuidadoso com meus pertences, e devo ser um daqueles sortudos que ainda têm guardado quase todos os desenhos da infância. Vez ou outra volto para olhar esses rabiscos irreverentes cheios de imaginação e me encho de nostalgia ao lembrar de dias mais simples.

O Grande Livro das Anotações Irrelevantes é provavelmente um dos meus preferidos. Datado de 9 de Novembro de 2009, acho que este foi o primeiro registro de que eu pretendia levar os meus personagens de Matéria mais a sério.

O livro (que na verdade não passa de um caderno amarelado e muito, muito velho), está repleto de anotações e desenhos dos personagens em um estágio ainda inicial, quando eu os desenhava para meus gibis. Eu invento histórias para o Ralph e seus amigos desde 2005, mas me dei conta de que a maioria delas só existiam na minha cabeça porque eu nunca cheguei a colocar nada no papel. Se eu acabasse esquecendo-as, não haveria nenhum resquício do que eu tinha inventado. Há anotações que vão de 2009 até meados de 2012, quando comecei a de fato planejar em transformar a história em um livro.

Abaixo vocês conferem uma série dos principais rascunhos que serviram como base para os personagens e vejam o quanto eles evoluíram! Mas o mais curioso é que praticamente todos eles possuem sua essência original, sofrendo algumas transformações e sendo melhorados com o tempo.

RALPH


Este é Ralph, em seu estado mais puro. Sua característica marcante era ser normal — normal até demais. No planejamento inicial ele não teria nenhuma qualidade, nenhum poder especial, seria só um garoto tentando ser especial.

Eu sempre gostei mais de meus personagens secundários, e por isso acredito que um dos meus maiores desafios como autor foi trazer um protagonista que instigasse o leitor a querer acompanhá-lo. Afinal, quem iria querer ler um livro de 400 páginas com um personagem tão... normal?

Eu não gostava do Ralph, e por isso nunca planejei nada para ele nem mesmo nesse caderno de anotações. Tive que descobrir tudo conforme escrevia o livro, então posso dizer que ele é de longe um dos personagens mais complexos que precisei inventar.


AURIA, PRIMEIRO RASCUNHO


Este é o primeiro rascunho de Auria do momento em que ela deixou de ser uma personagem feminina genérica que só servia para ser resgatada e cozinhar. Eu amo esse desenho porque ele traz toda a evolução dos elementos que transformaram a Auria no que ela é hoje — o cabelo curto rebelde, a jaqueta e o olhar.

Acredito que a base para seu novo estilo surgiu de um filme chamado Bound, dirigido pelas Irmãs Wachowskis, que também fizeram Matrix. Há uma personagem muito badass no filme chamada Corky, interpretada por Gina Gershon, e por mais que eu não me lembre dos detalhes, lembro claramente de como senti que seria incrível ter uma personagem assim como companhia para o Ralph que era sempre tão doce. Alguém que pudesse segurar o tranco nas dificuldades, mas também erguê-lo quando necessário.

Os shorts curtos que ela usava mais tarde foram substituídos por calças de ginástica (ô, glória!).

LESTEN


Meus geckos sempre foram criaturas simples. Eles eram desenhados de uma forma cartunesca e infestavam todos os meus cadernos de escola. Lembro como foi estranho para mim finalmente definir uma aparência de lagarto para eles, e o Lesten serviu como cobaia.

Posso dizer que os geckos são atualmente a raça mais importante de Matéria e o coração da obra. Eles são folgados e desleixados, mas extremamente leias e divertidos.

PETER LEE


Originalmente o Lee não fazia parte do grupo de protagonistas. Ele foi inserido tardiamente para substituir o Facade e ser alguém que aguentasse dar porrada nos outros. É interessante notar que muito pouco mudou de seu planejamento inicial para a versão final. Contudo, quem já leu os livros sabe que o Lee não funciona sem sua companheira, Hayley. Agora você já parou para pensar como seria se a Hayley fosse... diferente?


HAYLEY STANLEY


Vocês devem estar pensando que a Hayley sempre foi uma furra gostosa com poderes de cura. É ela a responsável por colocar o Lee na linha, além de construir todo o desenvolvimento de ambos. Todos os objetivos de Lee giram em torno dela, é como se os dois fossem o mesmo personagem.

Porém, lá em 2012 surgiram alguns planos de que Lee e Stanley seriam dois arruaceiros que participavam de uma gangue nas Cidades Cinzentas causando problemas e tentando uma forma de se livrar das cicatrizes de seu passado. Claramente a Hayley é a personagem que mais evoluiu de lá para cá. Pode-se dizer que parte da essência de Stanley foi transferida para o Claus, enquanto a Hayley se tornou uma personagem totalmente nova, além de trazer um ar feminino para um grupo tão predominantemente masculino com testosterona de sobra.

CLOVER

Quem já teve acesso antecipado ao Livro 2 deve conhecer a Srta. Clover como uma feiticeira poderosa e professora de Ralph na sua antiga escola. Sempre houve planos de que ela faria parte do grupo principal, mas acabou que isso precisou ser adiado até o segundo volume.

Neste primeiro rascunho é possível notar que Clover era muito mais nova e vestia roupas extravagantes. Isso porque originalmente ela era uma garota de 15 anos pertencente a uma família rica que a mantinha presa por sei lá qual motivo. O plot acabou voltando-se para Rebecca, e Clover continuou evoluindo até se tornar essa milf gostosa que conhecemos hoje.


A ORDEM DO SELAMENTO

 

Os personagens não humanos de Matéria foram os que mais deram trabalhado para serem adaptados. Toda a Ordem do Selamento precisou ser criada com base em bichinhos fofinhos de olhos expressivos. Você consegue imaginar o Aedan sendo essa coisinha fofa? É, não foi nada fácil.

Eu brinco quando chamo esse caderno de irrelevante porque há uma série de informações que parecem não servir para nada, como o fato de Aedan gostar de música eletrônica e Bill ter quatro irmãos. Esses pequenos traços de personalidade serviram para moldar os personagens até eles se transformarem no que vocês veem hoje.

E para adaptar os nomes deles? Todos terminavam como -tines, de tótines. Tutantótines, Generaltines, Cristaltines, Firetines... Olhando para trás, tive mesmo muito trabalho em pegar todas essas ideias da infância e conseguir amadurecê-las sem perder a essência.

RAEGAR, DARK AURION


Um dos personagens que eu mais queria apresentar aos meus leitores era o Raegar, isso porque ele era essa mistura de anti-herói com o personagem edgy que sempre faz sucesso nos animes. No fim das contas, ele se tornou só um bobão apaixonado, mas isso não esconde o fato de que Raegar continua sendo um dos favoritos da galera.

Nota-se que ele tinha um estilo tão bem definido que pouquíssima coisa mudou de sua aparência original. Raegar sempre teve esse jeitão despojado, ele gosta de usar correntes, jaquetonas com pelos e coturnos militares. Ah, e outra curiosidade é que seu nome ainda constava como Dark, igual nos gibis originais!

DRAKE


Drake é outro desses personagens cujo planejamento continuou o mesmo por mais de 10 anos. Ele sempre teve esse jeitão de cavaleiro austero, com ombreiras largas e uma capa esvoaçante. Uma curiosidade é que o Drake não teve nenhuma ilustração sua sendo mostrada nos livros, logo, alguns leitores acabaram por imaginá-lo do seu próprio jeito. Tendo morrido quando tinha cerca de 40 anos, alguns defendem que ele deveria aparentar ser mais velho. Esta aparência é como se ele ainda estivesse na casa dos vinte e poucos anos.

A PESTE NEGRA


Por fim, um dos meus rascunhos favoritos é o da Peste Negra (que, como podem ver, teve uma série de nomes provisórios que não funcionaram). Ele foi planejado muito antes dos livros serem escritos, e não seria exagero dizer que construí toda a saga só para ter a chance de um dia levar esse personagem ao público.

A Peste sempre carregou influência de vilões como o Black Knight, de Fire Emblem, e o Witch-King, de o Senhor dos Anéis. Sua armadura passou por uma série de adaptações (ele seria extremamente baixinho), e esse é o rascunho mais próximo da versão final. Contudo, posso afirmar que a Peste já vinha sendo planejada desde antes de 2009 como um dos maiores oponentes de Ralph. Mal posso esperar para o lançamento do Livro 2 e poder ver a reação de vocês!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Antes do Começo #7 - Curiosidades

O Ralph esteve presente durante grande parte de minha vida. Eu o inventei em 2005 quando tinha apenas 11 anos, e hoje tenho 29. A ideia de que aquelas historinhas bobas iriam virar um livro nunca me passou na cabeça, afinal, eu queria mesmo era fazer um mangá ou uma HQ. O livro como o conhecemos só começou a tomar forma lá para 2014, para só ser publicado em 2019. Então, Matéria é uma coisa relativamente nova na minha vida, mas o Ralph continua sendo a chave que inaugurou esse mundo tão importante para mim.

A verdade é que provavelmente ninguém nunca vai se importar tanto com minhas histórias quanto eu. Escrevo essa postagem como um lembrete das minhas ideias da infância, e às vezes me pego sorrindo ao pensar como evoluí até se tornarem o que são hoje.

Tenho uma avó com Alzheimer, e às vezes me pergunto se há chance de eu desenvolver essa doença. É difícil ver alguém perdendo a memória a ponto de se esquecer quem é, mas livros são instrumentos mágicos, e eu espero que eles estejam aí para lembrar pelo menos que eu estive aqui, eu existi. Já estou em uma idade em que, penso eu, não serei mais capaz de inventar nada grandioso ou inédito. Talvez o Ralph seja a minha última contribuição, o que não é grande coisa. Mas tento me conformar com o que criei, porque essa é a minha história.
A imagem desse convite foi do meu aniversário de 13 anos, e minha irmã fez essa montagem em uma época onde ninguém sabia mexer muito bem com programas de edição. Eu ainda o guardo como um tesouro precioso, e penso que mais ninguém no mundo vai ter uma festa temática de Matéria.

Então, Sr. Canas Ominous do futuro, seja menos duro com você e não se esqueça que fez coisas muito legais. Pode não ser o bastante, mas é o suficiente por ora. Com carinho, 





#1  Curiosidades sobre os Gibis que Ninguém Nunca Leu

Eu cheguei a terminar poucos gibis durante a infância. Por mais que não possuam uma história concisa, eles serviram de base para a personalidade dos personagens e tudo que viria depois. Dá para separá-los em volumes, sendo eles:

  • Vol. 1 - Oráculo dos Gêmeos
    • O primeiro gibi que começou tudo numa tarde de sábado. Contava a história de um garoto que estava curtindo uma música com a garota que gostava, e de repente ela é sequestrada por um furacão (que nem no Mágico de Oz). Ele então sai para resgatá-la, faz novos amigos, enfrenta a sua sombra (que na verdade era seu irmão gêmeo) e se esquece completamente de salvar a amiga.
  • Vol. 2 - Oráculo dos Sonhos
    • Provavelmente a sequência que ninguém pediu. Esse volume é uma viagem total sem nexo, com alienígenas sequestrando Lesten, o retorno de Raegar malvadão repetindo as mesmas maldades, para no fim tudo ser apenas um *pasmem* SONHO!
  • Vol. 3 - O Segredo das Pérolas
    • Essa é a minha história favorita, e a que me lembro de ter colocado mais esforço. Foram meses trabalhando em dois volumes que serviriam de base para o Livro 1 de Matéria. É aqui onde somos introduzidos à Ordem do Selamento e o universo de Sellure como o conhecemos atualmente. É de longe minha história mais importante.
  • Vol. 4 - O Oráculo das Garotas
    • Outra história super esquisita que nunca foi terminada. Basicamente, todos os personagens descobriam que existia uma versão feminina sua, e aqui nasceu Diana e Lydia como as namoradas de Raegar e Raito. Todos os tótines da Ordem também tinham versões femininas, mas elas acabaram sendo descartadas por não passar de um genderbend.
    • Da mesma forma que Auria foi criada para ser o "oposto de Ralph", suas irmãs surgiram como cópias de Dark e Light. Diana se chamaria Darkness, e Lydia seria Lightness.
    • Para a época que foi escrita, foi aqui onde surgiu a versão do Ralph mulher que serviu como base para Half. Particularmente, sinto que isso foi muito à frente de seu tempo.
  • Vol. 5 - O Segredo das Conchas
    • Esta deveria ser a nova grande aventura depois do Segredo das Pérolas. Ralph e seus amigos são pegos por uma tempestade no oceano e acabam indo parar na Ilha das Conchas, um local que ficou parado no tempo e as pessoas ainda vivem como há mil anos atrás. Eles teriam de derrotar um megalodonte gigantesco para libertar os habitantes locais de seu domínio. Ah, e o megalodonte fala! Sendo sincero, teria sido uma história bem legal.
  • Spin-off - A Bruxa de Blér
    • Um gibi completo que era uma cópia de uma história da Turma da Mônica. Eu fazia isso com muita frequência, e acho que aprendi bastante sobre expressões copiando os personagens da turminha. Era só uma comédia divertida, mas ainda aprecio o meu comprometimento em desenhar até o fim.
  • Spin-off - Uma Rede no Meu Quintal
    • Outra história baseada na Turma da Mônica. Foi a primeira a ilustrar apenas os tótines da Ordem. Mais tarde se tornou um Support Conversation pelo qual carrego um carinho especial.
  • Spin-off - A Mansão de Lesten
    • Uma das histórias mais doidas da saga, e talvez a última. Foi baseada em Luigi's Mansion, e o mais surpreendente é que quem desenhava era a Litos, minha irmã mais velha.
    • O protagonista era Lesten, mas Facade também o acompanhava. Depois de ganhar uma mansão por qualquer motivo que seja, eles descobriam que Ralph tinha sido sequestrado por fantasmas. Lesten então vai atrás de seu amigo e acaba descobrindo que todos os outros personagens também tinham sido capturados. Era uma comédia total, e talvez a primeira vez que Lesten mostrou um lado folgado, delinquente e egoísta. Foi um dos meus primeiros personagens a realmente mostrar uma personalidade negativa, por assim dizer.

#2  Curiosidades de antes do livro

  • Por muito tempo Matéria foi chamado de "A Lenda da Espada" ou apenas "RALPH", tudo em maiúsculo.
  • De volta a 2014, o livro teve de ser totalmente alterado porque a história era narrada em primeira pessoa pelo Narrador, um personagem que os acompanhava se disfarçando de outros personagens. Foram excluídos cerca de 25 mil palavras da primeira versão, que contava com 158 mil palavras e 432 páginas sem ilustrações. Grande parte desses trechos perdidos se encontram nas Cenas Deletadas.
  • Uma versão de 2009 foi descartada porque o projeto estava tão ruim que não tinha salvação (isso foi antes de eu descobrir o que eram fanfics). A história começava com Ralph e seu besouro de estimação chamado Jujuba e alcançou somente 14 páginas ( o que na época parecia muito).
  • Quando criança, eu insistia em começar minhas histórias das partes que eu mais queria escrever, ignorando completamente o início. Imagine como seria uma trama se eu pulasse diretamente para a guerra que acontece no Livro 3. Sim, foi isso que eu fiz. Ficou horrível, e por isso guardo esse arquivo nas profundezas do meu notebook. O título seria The Battle for Minas Tokay.
  • Quando criança eu juntei todos os capítulos do gibi O Segredo das Pérolas e fotografei cada quadro para montar um pequeno curta-metragem no movie maker, com direito a efeitos e trilha sonora. Infelizmente tais arquivos se perderam há muitos anos.
  • Uma das maiores fontes de inspiração para a trama das Pérolas Sagradas foi Paper Mario 64. Você pode perceber a seguinte sequência dos guardiões: Bill, Tootie, Elma, Bernard, Aedan e Elice fazem alusão aos chefões do game — Koopa Bros, Tutankoopa, Tubba Blubba, General Guy, Lava Piranhae Crystal King.

#3 – Curiosidades sobre os Personagens

  • A primeira letra do nome dos integrantes do grupo de Ralph formam o seu nome — R.A.L.P.H. (Ralph, Auria, Lesten, Peter Lee e Hayley).
Esta é a origem do nome dos personagens principais:
  • Ralph – É o nome do aventureiro que protege Nayru em The Legend of Zelda: Oracle of Ages;
  • Auria – Como o nome original da personagem era Aleafar, eu queria que ela começasse com a letra A. Acabei escolhendo Auria por puro gosto, e gostei de seu significado como "coberta de ouro", uma alusão ao seu berço de ouro na Família Mercer;
  • Lesten – É provavelmente o nome mais difícil de dar uma origem. Eu sinceramente não me lembro de onde surgiu, nessa época eu gostava de inverter nomes de trás para frente e misturar letras, mesmo assim, Netsel não me remete à nada;
  • Peter Lee – Seu nome original seria Brandon ou Brendan, mas como Brandon Lee é o nome do falecido ator filho de Bruce Lee, optei por alterar;
  • Hayley – Ela foi criada especialmente para os livros, mas inicialmente seria um gecko marginal parceiro de Lee nas ruas. Quando decidi que uma personagem mulher que atuasse como curandeira e fosse doce e gentil equilibraria mais o grupo, acabei escolhendo Hayley por conta da cantora Hayley Williams, vocalista do Paramore que era a banda preferida da garota que eu gostava na época da escola.
  • Quando criados inicialmente, a Ordem do Selamento era composta por sete integrantes. Elice guardaria a última pérola — mais tarde ela foi incluída junto de Aedan — mas a sexta pérola seria protegida por um tótines chamado Theodore.
  • De acordo com o Grande Livro das Anotações Irrelevantes, o sobrenome de Ralph seria Aurion. Já em Matéria, o seu sobrenome nunca é citado.
  • Auria começou a mudar drasticamente como personagem entre 2013 e 2014, onde depois de passar anos escrevendo o Aventuras em Sinnoh eu finalmente aprendi a escrever mulheres. Foi um longo aprendizado, e eu me orgulho muito de ter chegado no ponto de Auria se tornar uma das personagens favoritas dos leitores.
  • Nos gibis, Lesten recebeu a sua cicatriz após enfrentar um verme gigante que mais tarde se tornaria os Aukalaka no livro. Mas a cicatriz hoje é tão irrelevante que até eu me esqueço dela. Já outra versão — que supostamente seria a oficial para o livro — Lesten estaria brincando com seu irmão quando bateu a cara em uma árvore. Ele então passa a mentir que a conquistou enfrentando um monstro gigantesco.
  • Nos primeiros planejamentos o sobrenome de Auria seria Melody. E nas palavras do Grande Livro das Anotações Irrelevantes: "ela sonha em tornar-se a princesa que é salva pelo príncipe encantando. Ela cozinhava bem e usa um arco de madeira". Bem parecido com a versão atual, não acham?
  • O nome dos irmãos de Ralph seria Dark e Light. Dark tornou-se Raegar, e Light virou Raito. Os três agora começam com a letra R.
  • Facade inicialmente era um dos três companheiros mais importantes de Ralph. Um dos planos originais era que ele continuasse a acompanhar o garoto pelo mundo viajando em seu bolso, mas não haveria muita serventia em tê-lo por perto. Sem contar que nos gibis ele era gigantesco, um rosto flutuando de mais de dois metros!
  • Kitani, a gata de Raegar, seria uma importante personagem e uma de suas abençoadas. Ela tinha o poder de se transformar em uma garotinha humana com poderes mágiocos. Não sei dizer por que ela foi descartada, mas até que seria uma boa ideia para um support!
  • A Profª Clover inicialmente seria uma das principais companheiras de Ralph. Ela era uma feiticeira de 15 anos, mimada e insegura, filha de pais ricos e influentes que sonha em fugir de sua mansão e viver grandes aventuras. Ironicamente, este se tornou o plot de Rebecca no Livro 2.
  • Na época dos gibis, Aedan (ou Firetines como era conhecido) na verdade era mudo. Mas antes disso ele foi um dos primeiros tótines a ter sua própria personalidade, ganhando a reputação de alguém respondão e arrogante, mas isso rapidamente fez com que meus amigos gostassem dele.
  • Um dos grandes vilões da história seria uma das sombras de Ralph chamada Revenge Sinner. Ele seria o vilão final do Arco do Unferis. Revenge era literalmente uma cópia de Ralph que deu errado e fugiu do escritório do Narrador, buscando uma maneira de substituí-lo como protagonista.
  • Rudsi teve diversos nomes antes de voltar para Rudsi, que foi a escolha preferida desde o começo. Dentre as opções estavam Whisper, o Fantasma Rei, Wizard-Tokay King, além de Witikay, Steamko e Benton.

domingo, 26 de novembro de 2023

Antes do Começo #6 - As Inspirações de Matéria

É muito comum no meio artístico que as pessoas se comparem, ainda mais quando encontramos algo semelhante àquela música, jogo ou história que apreciamos tanto. Alguns devem se lembrar de quando Genshin Impact foi lançado em 2020 e a internet inteira dizia que era só uma cópia barata de The Legend of Zelda: Breath of The Wild com waifus fofinhas, mas o tempo passou e a coisa toda evoluiu de uma forma que não seria exagero dizer que Genshin e a desenvolvedora MiHoYo se tornaram um dos nomes mais rentáveis na indústria de games, com lucros superiores à da Sony, EA e Embracer.

Então, no fim das contas, Genshin foi mesmo uma cópia de Zelda?
A resposta é que por mais que alguns elementos possam ter sido inspirados durante o desenvolvimento, ele se tornou autêntico o bastante para que uma legião de fãs continuasse jogando e elevando seu nome a um novo patamar.

No meio literário, já me deparei com inúmeras resenhas que acusavam outros escritores de copiarem descaradamente seus livros favoritos
"— Ah, esse livro é só uma cópia descarada de Percy Jackson."
"— Tem magia? É Harry Potter e ponto final."
"— Uau, um grupo de aventureiros explorando o mundo? Isso é TÃO Senhor dos Anéis."

Quando pensamos nas grandes obras e autores, elas se tornaram mundialmente famosas talvez por terem sido as primeiras a abordarem um determinado assunto e com maestria. No fim das contas, é praticamente impossível escrevermos algo 100% inédito, até porque leitores adoram o senso de familiaridade e existem padrões como o da Jornada do Herói que sempre funcionam quando bem trabalhados. O segredo não está em criar algo jamais visto, e sim, em como elaborar isso de forma autêntica. Será que o mundo precisa dessa história que você vêm pensando a vida toda e quer colocar no papel? Ou vai acabar sendo mais do mesmo? Eu com toda certeza não tenho a resposta para tudo, mas sei que nos inspiramos naquilo que apreciamos, tal como a descrição que usei no topo dessa postagem:

"Inspiração: processo que faz com algo que nasça do coração, no espírito, no pensamento".

Nesta postagem eu venho compartilhar com vocês algumas das inspiração que me lembro de ter tido enquanto criava Matéria lá em 2005, quando eu tinha apenas 11 anos.

THE LEGEND OF ZELDA: ORACLE OF AGES

Sem sombra de dúvidas, Matéria não existiria sem Zelda, mais especificamente esse título que foi lançado para o Game Boy Color em 2001. Talvez a mais notória comparação seja que nosso protagonista Ralph também é um personagem chamado Ralph com seus cabelos avermelhados no jogo. Ele é o guardião de Nayru, o Oráculo das Estações — que nos livros deveria ser o cargo de Auria, só que nos meus primeiros gibis ela não passava de uma dama a ser resgatada, tão sem importância que Ralph se esquecia dela no fim da jornada. Há também a presença dos Tokay, que serviram de inspiração direta para os gecko, assim como Facade que no começo era um dos principais companheiros de Ralph.


RAGNARÖK ONLINE

Toda criança dos anos 2000 que frequentava lanhouses já deve ter escutado falar sobre Ragnarök em algum momento da vida. Um dos maiores MMORPG de seu tempo, esse jogo lançado em Fevereiro de 2002 foi a base do imaginário de uma geração inteira que ainda vivia com internet discada e precisava ler tutoriais em revistas de banca.

Monstros extremamente criativos, um sistema de cartas, quests, grandes cidades marcantes, classes de personagens... Ragnarök deve ter sido a minha porta de entrada para o mundo dos RPGs, magia e muito mais. Por mais que tenha sido lançado numa época próxima à Senhor dos Anéis, enquanto a grande obra de Tolkien ainda parecia ser de difícil leitura para um garoto como eu com seus 10 anos, foi Ragnarök quem deu a largada naquilo que eu viria a me tornar.

Antes mesmo de Matéria, existia uma história chamada O Diário do Capitão Canas que era inteiramente baseada em Ragnarök, e foi ela quem me serviu de base para eu começar a escrever fanfics. Depois veio o Aventuras em Sinnoh, e o resto é história.


PAPER MARIO

Paper Mario 64 é o jogo da minha vida. Vinte e três anos depois, se alguém me pedir para desenhar o mapa eu conheço cada personagem, segredo e detalhe do cenário. Servindo como base para o plot de meu gibi mais importante, O Segredo das Pérolas carrega muitos elementos desse amado jogo.

Os tótines são uma adaptação de quase todos os chefões das fases. Começamos por Bill, que mexe com explosivos assim como os Koopa Bros.; depois vamos para um deserto enfrentar Tuntakoopa que seria a Tootie; o terceiro difere um pouco, mas Elma carrega alguns elementos da assustadora Forbidden Forest; depois temos o Capitão Bernard, baseado no General Guy; depois Aedan que é visto a primeira vez num vulcão como a Lava Piranha e enfim sua irmã, Elice, que controla o gelo como King Crystal. Ufa! E isso é só o começo, jogar Paper Mario no 64 é como se aventurar pelo universo de Sellure que sempre imaginei, sempre nostálgico, colorido e divertido.


FIRE EMBLEM

Fire Emblem é outro título da Nintendo que está no meu imaginário desde 2003 quando o título foi lançado pela primeira vez no ocidente para o Game Boy Advance.

O primeiro livro de Matéria começou a ser escrito em meados de 2013 e 2014 se não me engano, e foi bem nessa época que houve um renascimento da franquia com Fire Emblem Awakening. Muito da relação de Ralph com o Narrador surgiu baseado em Chrom e Robin, seu avatar jogável.

Ainda hoje, FE é um dos meus jogos favoritos na vida, tanto que estou jogando Fire Emblem Heroes para o celular desde 2017, o que já totaliza... meu Deus, são 7 anos jogando essa merda. Estou ficando velho...


MAS E OS LIVROS?

Se você escreve livros, não deveria estar se inspirando em livros para criar suas histórias?
Não necessariamente. Eu acho que parte da graça de Matéria é que ele não se parece em nada com um livro, então não tive absolutamente nenhuma inspiração de Harry Potter, Percy Jackson e outras obras famosas. Olhando para trás, até mesmo Senhor dos Anéis tem uma escrita muito diferente da minha, e hoje percebo que apesar de ser um grande fã da obra, eu não a uso como minha maior referência. Pelo contrário, compartilho apenas de seus valores que levo na vida.

Mas, falando sobre valores, há três obras totalmente inesperadas que serviram de inspiração para o que eu viria a construir. A primeiras delas foi...

DELTORA QUEST

Deltora Quest é uma série de livros escrita pela australiana Emily Rodda, foi lançada no Brasil em meados de 2005, bem no período onde Matéria estava nascendo. Apesar dos livros não serem tão famosos hoje em dia, foi uma das primeiras sagas completas que minha irmã ganhou de aniversário — exceto pelo último volume —, e eu achava as capas um verdadeiro espetáculo.

Quando fiquei mais velho e já tinha meu próprio dinheiro, corri atrás desse volume que faltava e comecei a ler a saga. A história é simples, com livros curtos que carregam apenas aventuras genéricas dos personagens enquanto eles vão atrás de pedras para compor o Cinturão de Deltora (isso também teve influência na busca pelas Pérolas Sagradas!).

Outra coisa que eu me amarrava em Deltora é que todo livro tinha algum enigma e um ambiente a ser explorado. Florestas mágicas, lagos assombrados, cidades abandonadas, labirintos; a série é de uma criatividade enorme e eu ainda recomendaria Deltora para qualquer jovem que esteja se iniciando no universo da leitura.

O PEQUENO PRÍNCIPE

Quando li O Pequeno Príncipe pela primeira vez lembro que as pessoas ainda usavam a frase preconceituosa de que era um livro para "modelos burras". Eu nunca entendi o porquê, pois se trata de uma história tão doce e com uma mensagem atemporal, tanto que até hoje figura em qualquer livraria que você passar.

Matéria não teve influência direta do livro de Antóine de Saint-Exupéry, porque eu o li pela primeira vez muito tarde. Mas não dá para negar que toda a inocência de Ralph é um reflexo disso, ele está sempre atrás de experiências ao lado das pessoas, e não necessariamente se aventura em busca de um objetivo singular — como o encontro com a Rosa que era tão pretenciosa ou da raposa que estará lá sempre a esperá-lo.

O MÁGICO DE OZ

"Se caminharmos bastante, em algum momento chegaremos a algum lugar, eu tenho certeza."

Talvez a mais inesperada inspiração de Matéria esteja nO Mágico de Oz. Há uma sutil referência no Livro 1 na cidade de Bausonne, onde os protagonistas passam por uma estrada de tijolos amarelos em sua estadia.

Muitos podem não saber, mas O Mágico de Oz foi um dos primeiros contos de fada americanos, tendo sido lançado em 1940. É uma clássica Jornada do Herói, com Dorothy fazendo de tudo para sair daquele mundo tão estranho e colorido para voltar até seu Kansas, cinza e sem graça

E o mais engraçado é que um dia eu tracei um comparativo e percebi que o Ralph tem muito da Dorothy, como a protagonista esperançosa que deseja encontrar um poderoso mago.
Ao seu lado temos Lesten, que é literalmente um espantalho sem cérebro que não acredita nas próprias capacidades.
Depois vem a Auria, o homem de lata que acredita não ter um coração, mas a amizade e o companheirismo preenchem o lugar que falta.
E por último, Lee e Hayley são o Leão, que está sempre fugindo de seus problemas.

Quem sabe no futuro também não haja pessoas que se inspiraram em Matéria enquanto escrevem suas histórias?

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Antes do Começo #05 - Os Filhos da Peste

Em Novembro de 2015 eu mostrei a sombra dos antagonistas da Ordem do Selamento a primeira vez. Naquela época eu mal imaginava que o livro só sairia quase 4 anos depois, em Junho de 2019. Quando o livro 2 será lançado, vocês perguntam? Eu prometo que farei o possível para NÃO levar todo esse tempo de novo, tanto que a produção já segue a todo vapor porque posso ir usando as vendas do livro 1 para bancar o projeto. Se tudo der certo, até a Bienal do livro de SP em 2020 quero que ele esteja na mão de vocês.

Hoje venho falar um pouquinho do andamento dos novos vilões da história. Agora que a Ordem do Selamento revelou suas verdadeiras intenções, está na hora de conhecer os vilões de verdade, aqueles caras maus que apresentarão um verdadeiro perigo para nossos protagonistas. Eu lhes apresento os filhos da Peste Negra.

Se antes eu podia definir um elemento de Pokémon para cada personagem, dessa vez eu só poderia dizer que são todos do tipo Dark. Alguns desses caras estão nos meus planos desde as épocas dos gibis e é um tremendo prazer ver o quanto eles evoluíram tanto na aparência quanto como personagens. Para se ter ideia eles são tão importantes que nos acompanharão tanto no livro 2 quanto no 3, esses vão dar trabalho! Nenhum deles ainda foi pintado, em breve pretendo começar a colori-los para que a Nyx comece a planejar as ilustrações e adaptá-los para o seu traço (sim, ela está confirmada para o livro 2!)

Os mais atentos devem ter percebido alguns trechos discretos onde falo sobre a Peste Negra, um fantasma que assombra o reino e vêm alimentando a guerra. A Peste também pode ser vistas nas Histórias Perdidas de personagens como Auria e Lesten, para vocês verem como já estou preparando o pano de fundo para esses caras há um bom tempo. Eu adoro de verdade esses caras e mal posso esperar para começar a compartilhá-los com vocês!

E aí, qual a sua sombra favorita? Quem parece o mais intrigante? E o ameaçador? Já façam suas teorias de quais personagens enfrentarão cada um naqueles arcos típicos de anime, porque vem muita coisa boa por aí!

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Antes do Começo #04 - Lesten, um Tokay?


Nossa história não começou com o Ralph. Para falar a verdade, também não começou com o Lesten, mas ele é quem recebe o mérito de ter sido o "Primeiro Personagem" quando ainda nem existiam planos de transformar esse universo em um mangá jogo quadrinho livro.

Num passado que antecede a 2005, inventei a raça dos Tokay que me acompanharam por anos em desenhos e rabiscos — na minha mente de 10 anos, eu os tratava como se fossem meus, mas a verdade é que os Tokay são criaturas encontradas no game The Legend of Zelda: Oracle of Ages.

Eu amava essas criaturas. Ainda encontro desenhos delas por todos os lugares da casa, desde rabiscos em pedras até histórinhas de cinco ou seis páginas com eles como protagonistas. Eu vivia um frenesi de Tokays, tanto que ainda tenho um baralho e até mesmo uma camiseta com eles! Eles eram fáceis de se desenhar e, como toda aventura que se preze, é preciso um mascote. Se você comparar o sprite dos Tokay no jogo com os que eu desenhava, é possível perceber as semelhanças. Eles eram folgados, roubavam seus pertences, adoravam carne, e... bem, eram adoráveis!

Quando decidi usá-los no livro, cheguei a conclusão de que não poderia continuar usando o nome Tokay. Descobri uma espécie de répteis de nome científico Gecko gecko, que por sinal também é muito comum em jogos de RPG e D&D. Eles se tornaram uma das raças mais importantes em meu universo, são territoriais, ágeis e divertidos.

Lesten foi o primeiro deles que recebeu um nome, mas por muito tempo não passou de um mero secundário isolado de um projeto meu e das minhas irmãs que foi abandonado. Como eu precisava de alguém para contracenar com Ralph em sua primeira aventura, achei que seria interessante encaixar essa raça de lagartos que habitou meu imaginário no ensino fundamental. Foi num sábado qualquer que Lesten teve a sua chance de brilhar e, sem que eu reparasse, tornou-se o melhor amigo do protagonista — e também meu, pois o Lesten carrega consigo uma parte importante de minha infância 


Quando Ralph sai em uma aventura para resgatar sua amiga Aleafar Auria das garras de um vilão sinistro que surge DO NADA no meio de um tornado, ele acaba caindo em uma ilha habitada por estranhas criaturas... A página acima representa a primeira vez que Lesten deu as caras em minhas histórias. Vemos pouco de sua personalidade, mas nota-se que o povo da ilha o respeitava como um verdadeiro guardião. Sua característica sempre foi a cicatriz no olho esquerdo — cortesia do Kakashi, na época eu estava fissurado por Naruto como todo bom otakinho. Suas armas em batalha também eram uma lança e a espada, além de que a armadura amarela e roxa foi mantida como uma homenagem aos tempos de infância onde eu ainda brincava com as cores e o lápis de cor.

Aos poucos sua reputação foi mudando, de herói para fracassado. Nos livros, Lesten tornou-se um excomungado do exército conforme visto no especial de seu passadoSua história é parecida com a de Boromir, da trilogia de O Senhor dos Anéis — dois irmãos filhos de um homem influente, um era o preferido, e o outro, o rejeitado. Com o governo tornando-se tão corrupto, Lesten conseguiu se manter fiel aos seus ideais, mesmo indo contra sua família — nessa parte ele agiu como Faramir. Apesar de seu passado não ser mostrado no primeiro livro, Lesten guarda mágoas desse tempo. Ele era um capitão respeitado e de grande influência, sua cicatriz está associada a decisões erradas que foram tomadas. Grande parte do jeito arisco e debochado vem desses traumas, Lesten desconfia de todos como forma de proteger um coração machucado.

No primeiro volume de Matéria, alguns podem enxergar Lesten apenas como o alívio cômico ou o sujeito meio desleixado do grupo, mas há uma profundidade maior no personagem. Ele não receberia o título de "Primeiro Personagem" por bobeira. Quem sabe o que o destino guarda para esse guerreiro ferido?


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Antes do Começo #03 - A Sombra dos Antagonistas


Eu sempre adorei a ideia das sombras para ocultar um personagem secreto nos vídeo games. A vontade de descobrir quem estava por trás daquelas silhuetas me incitava a mergulhar mais fundo para conhecê-los. Para mim, as sombras nunca vão deixar de cumprir seu papel que é justamente deixar o mistério, a curiosidade, a sensação de grandiosidade! Com isto em mente, venho compartilhar com vocês o primeiro vislumbre da Ordem do Selamento, os antagonistas de nosso livro.

Irei começar a pintá-los em breve, e pretendo deixar tudo preparado para quando tivermos uma editora e uma data de lançamento fixa, dessa forma poderei começar a oferecer mais detalhes sobre essas misteriosas figuras.

Para quem acompanhava meus velhos projetos no Aventuras em Sinnoh, já digo que será um esquema semelhante aos Fire Tales, com fichas, fanarts e muitas informações adicionais que nos fazem apegar-se tanto à essas figuras que saltam das páginas.
Uma pequena curiosidade para os fãs de Pokémon é que se os membros da Ordem do Selamento tivessem um elemento eles seriam, respectivamente: Poison, Ground, Steel, Water, Fire e Ice. Parece até que são ginásios Pokémon, não é mesmo? *risos*

domingo, 19 de julho de 2015

Antes do Começo #02 - Auria ou Aleafar?

Um Pouco mais sobre Aleafar, a Princesa em Apuros
A Guerreira do Coração de Ferro

Minhas histórias sempre começavam com um clichê clássico: A mocinha é sequestrada por um temível vilão, o que leva um herói lendário a sair numa busca para resgatá-la.

Durante muito tempo as tramas giraram em torno disso. Salvar a garota/namorada/princesa que é sequestrada, no melhor estilo "sorry, but your princess is in another castle!" dando assim continuidade à jornada. Sempre acabo rindo quando releio meus gibis antigos e percebo que no meio de tantas desventuras meus personagens praticamente esqueciam o motivo principal pelo qual estavam ali, e acabavam se aventurando em algo maior. Era como se resgatar a princesa não fosse mais o objetivo principal e eles só estivessem se divertindo juntos. No final, inevitavelmente, sempre acabavam se unindo para derrotar o vilão (a princesa em apuros vinha de brinde). Seria tudo isto fruto de uma tremenda falha de roteiro, ou sou eu, que nunca apreciei essa ideia de minhas aventuras girarem em torno de uma dama em perigo?

Analisando com mais cuidado estes primeiros manuscritos, percebo que havia uma série de fatores curiosos sobre nossa principal protagonista do sexo feminino que valem a pena serem compartilhados.

A primeira personagem mulher que criei chamava-se Aleafar (percebam a leve semelhança com o nome Rafaela de trás para frente, só não me perguntem o motivo), e na realidade ela nunca foi uma princesa nem nada. Eu não usava princesas em minhas histórias, Aleafar era apenas uma garota comum que terminava raptada por um cara que não gostava dela e na realidade só fazia aquilo para chamar atenção do Ralph (masoque?). Pode ser que eu não gostasse de desenhá-la, então tinha de dar um chá de sumiço nela.

Aleafar, exatamente como Ralph, foi baseada em uma personagem da série The Legend of Zelda: Oracle of Ages, mais precisamente em Nayru. A primeira cena de meu gibi lembra muito o que rola no jogo; Nayru é raptada, bichinhos da floresta, tornado macabro e afins. É neste ponto onde Link — no caso de minhas histórias, Ralph  é levado na aventura que está prestes a se iniciar.

Gosto de acreditar que, com minha visão inocente do mundo na época, o principal fator que levava Ralph a ir atrás de Aleafar não era porque ele a achava bela ou desejava tê-la como prêmio  ela era sua amiga.
Cresci em um meio onde minhas irmãs assistiam filmes de princesas e brincavam de boneca. Elas eram meigas e delicadas... Logo cresci acreditando que mulheres deviam ser assim; doces, finas, bondosas e com alguém sempre disposto a protegê-las. Muito tempo passou até que eu percebesse a ilusão onde eu estava metido. Os tempos mudaram, ainda adoro as princesas da Disney, mas quem é que não se impressiona com a ousadia da Merida em Valente, ou no quanto Elsa conquistou o coração das pessoas ao redor do mundo em Frozen? Foi justamente essa transição que transformou completamente a Aleafar que conheceremos em Matéria.

Auria, mesmo anos depois de ter sido criada, ainda era uma personagem feminina clássica que usa arco-flecha e é sempre meiga e delicada. Seria por um medo do autor de que ela se ferisse? A personagem mudou drasticamente desde então, estou ansioso para que vocês a conheçam!
Minhas personagens femininas não precisam mais ser resgatadas do castelo, muito pelo contrário, hoje elas se destacam na trama, lutam, falam, fazem graça, apaixonam-se, erram, e não esperam que os homens venham salvá-las. Quem não adora uma boa guerreira, como a Mulher Maravilha? Tenho trabalhado em muitas fics e originais diferentes, buscando relatar todo o tipo de personalidades diferentes para as mulheres, e tenho me divertido muito. Elas se tornaram, de longe, as minhas favoritas em muitas ocasiões. Vejam a Tih, uma personagem que criei para minha fanfiction Aventuras em Sinnoh, alguns velhos leitores devem conhecê-la...

A doce Aleafar deixou de existir, dando espaço para Auria, uma das guerreiras mais fortes do Reino de Sellure. Ela abandonou o canto e o arco e flecha para entrar na linha de frente, liderar as pessoas, derrubar seus inimigos. De donzela em perigo ela tornou-se o braço direito de Ralph, e ainda consegue ser extremamente amável. Seriam elas a mesma pessoa, ou duas completamente diferentes?

Eu estou adorando trabalhar com a nova Auria. Ela é independente, mas também profundamente apaixonada e indecisa, é uma moça que vive cometendo erros e aprendendo com eles, ela precisa tornar-se mais forte e quebrar barreiras para que o mundo a aceite.

Imagino se as pessoas passarão a gostar da Auria, se as garotas vão querer se espelhar nela e os rapazes se encantarão por seu charme. O que houve com a pobre Aleafar lá do início, você diz? Acho que ela ficou presa na torre e preferiu esperar ao tentar dar um jeito de sair... Quando o reforço não vem, às vezes nós mesmos precisamos dar um jeito, não?

sábado, 4 de julho de 2015

Antes do Começo #01 - O Primeiro Ralph

Um Pouco mais sobre o Primeiro Ralph e sua Origem

O relato mais antigo que tenho de meus personagens e histórias é do dia 8 de Outubro de 2005. Sei que tenho outros rascunhos muito mais velhos, mas gosto de registrar essa data como a mais importante porque foi nela que eu percebi como adorava ouvir e contar histórias sobre heróis e suas aventuras.

Quando somos crianças dificilmente temos ideias incríveis vindas só de nossa mente ainda em construção. Vivemos de olho em tudo, aprendendo com tudo, e geralmente usamos referências de todos os lugares para demonstrarmos o quanto adoramos elas.

Nessa época eu devia estar jogando The Legend of Zelda: Oracle of Ages and Seasons, para Game Boy Color. E é engraçado pensar que eu nem sou um grande fã desses games, foi apenas uma época em que decidi terminá-los e acabei me apegando muito ao título. O nome Ralph vem de um dos próprios personagens recorrentes da trama de Ages, ele é como se fosse o melhor amigo e também protetor de Nayru, a deusa da sabedoria. Ele não era o protagonista da aventura, afinal, quem poderia competir com Link?

Por algum motivo eu sempre me identifiquei com esses personagens que dão o devido suporte ao protagonista, mas eu também gostava de pensar em como seria se eles fossem os verdadeiros heróis.




Pelo menos, uma coisa nunca mudou: O gosto pela aventura. Quando Ralph saía naquelas aventuras por um mundo ainda sem nome e com amigos estranhos que simplesmente eram jogados em seu caminho, percebo que minhas histórias de hoje em dia na verdade retratam a mesma trama de antigamente, só que com um olhar mais polido, mais adulto, e mesmo assim mantendo a essência deliciosa de quando se é novo, uma criança que simplesmente deseja sair de casa e se aventurar num lugar sem limitações, com espadas e magia, dragões e lagartixas gigantes.
Este mundo, que já mudou de nome tantas vezes, sempre vai ser um pequeno santuário particular meu.

Tendo acompanhado a criação deste personagem durante 10 anos, no começo nosso Ralph era apenas um Ralph de uma outra história. Hoje ele conseguiu criar a sua própria identidade. Tornou-se um Ralph inteiramente novo,

Assim como Doctor Who, onde apesar de todas as gerações de doutores serem a mesma pessoa, um ainda é completamente diferente do outro. Sei que o Ralph que vocês vão conhecer em meu livro será uma versão completamente transformada daquela que eu criei quando criança, mas talvez lá no fundo ele ainda carregue todos os traços do primeiro Ralph que existiu  crescido e maduro. Ele já não está apenas em busca de princesas aprisionadas em castelos, ele se aventura com elas; combate o mal com bondade e enfrenta os vilões não porque eles são vilões, mas porque sabe que eles colocarão em risco as pessoas que ama; carrega uma forma particular de compreender o mundo e, sinceramente, tem me feito enxergar as coisas ao meu redor de um jeito mais... inocente, puro, incrível.

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