sábado, 30 de abril de 2016

Auria, Dama de Ferro


"Eu queria que as pessoas parassem de me proteger como se eu fosse uma florzinha em um vaso de vidro, uma bonequinha de porcelana, a princesa em perigo do castelo. Eu queria poder lutar e defender a mim mesma e aos outros, os que realmente precisam. Auria, Capítulo 4.

Auria é uma garota forte e de personalidade destemida. Estava há três anos na academia de treinamento na Vila das Pérolas, mas não tinha ideia de qual seria a sua vocação escolhida para os cursos de especialização e julgava-se menosprezada. Sendo parte de uma família rica e influente em Century, Auria por muito tempo hesitou em mudar. Esteve presa por muito tempo às regras do reino, a decisão súbita de aventurar-se pelo mundo e buscar sua própria identidade veio quando um garoto estranho de cabelos avermelhados surgiu em sua vida.

Alta, de porte físico avantajado e cabelos negros, Auria é uma verdadeira guerreira junto de sua armadura mágica que a protege dos inimigos. É orgulhosa, imprevisível e decidida  por vezes teimosa e até desleixada. Costuma ser reservada ao lado de estranhos, mas não esconde sua devoção total aos que lhe são especiais, escondendo um coração bondoso e sempre disposto a ajudar.

Sonha em tornar-se general dos exércitos e guiar seu povo à vitória.


  • Super protetora [Habilidade Passiva] – Automaticamente coloca-se em frente aos seus companheiros quando estão em perigo ou em uma situação de risco;
  • Sorte Inesperada [Habilidade Passiva] – Pode resistir a um ataque fatal com 1 HP;
  • Resistência+ [Habilidade Passiva] –  Não pode ser atordoada por oponentes de nível inferior ao do usuário. Danos mínimos muitas vezes são ignorados;
  • Armadura Mágica [Defensivo] – Diminui pela metade todo dano que recebe de espadas, lanças, machados, golpes físicos e flechas (com exceção de magias);
  • Liderança Defensiva [Defensivo] – Garante um bônus em defesa para seus companheiros durante a batalha;
  • Contragolpe [Defensivo] – Revida o golpe do adversário com duas vezes mais intensidade;
Se realizar sonhos fosse fácil, o mundo não estaria repleto de sonhadores.
— Auria, Capítulo 2.

"Esse destino idiota sempre aparece me impedindo de fazer o que quero."
— Auria, Capítulo 4.

"Por que se esforça tanto para ser legal comigo?"
— Auria, Capítulo 5.

  • Auria sempre teve breves aparições nos primeiros gibis do autor, porém, ela nunca saía em nenhuma aventura junto de Ralph e era frequentemente raptada. Apesar de sua função ser a garota em perigo, em todas as histórias Ralph acabava se esquecendo dela e mudando o foco de sua busca. No fim das contas, Auria precisava se salvar sozinha; 
  • Seu primeiro nome foi Aleafar (sacou a referência?); 
  • Antes de usar escudos e concentrar-se na área defensiva, sua arma principal era o arco e flecha
  • Auria tem astigmatismo e precisa usar óculos, o que é mencionado algumas vezes durante a história;
  • Nos gibis, o cabelo de Auria era azul.
The Omascar é a famosa cerimônia realizada no Mundo Pokémon Reino de Sellure onde os leitores podem votar no seu personagem favorito durante um determinado período de tempo após o lançamento de cada livro da saga! A primeira edição contou com dez categorias e diversas indicações pelo desempenho particular de cada personagem na história. Segue abaixo a lista de nomeações e vitórias:

  • Melhor Protagonista [Nomeada];
  • Melhor Participação Secundária [Nomeada];
  • Melhor Arco - Arco da Trindade - com Ralph e Lesten [Nomeada];
  • Miss Simpatia [Nomeada]
  • Personagem Revelação [Nomeada];
  • Melhor Casal - com Ralph [Nomeada];
  • Melhor Casal - com Lesten [Nomeada].



sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ralph, da Espada de Madeira


"O título é como as pessoas te conhecerão e respeitarão. Eu sou Ralph, da Espada de Madeira, pois é assim que eu quero ser lembrado pela história."  Ralph, Capítulo 2.

Ralph é um jovem criado por uma família de geckos em um vilarejo humilde conhecido como Vale dos Ventos, na província de Helvetica. De aparência inocente e sempre entusiástica, não se separa de Lignum, sua espada de madeira que esconde mais segredos do que aparenta.

Extremamente sorridente e receptivo, Ralph traz muitos traços da raça dos lagartos como mover-se com agilidade e preocupar-se com o ambiente. Apesar de não gostar de ler, diz-se um imenso apreciador de histórias, adora ouvi-las e compartilhá-las  por isso está sempre disposto a conhecer novas pessoas e torná-las parte de sua vida. Ralph esconde um coração bondoso e carente, não pensa em duas vezes em auxiliar alguém mesmo que muitas vezes não seja o correto. Valoriza a amizade mais do que tudo em sua vida. Sua aventura se resume à encontrar um sentido para quem está perdido, e isso o leva a buscar outras pessoas que compartilham deste desejo. Quando a vida o empurra para baixo, Ralph é uma daquelas pessoas que consegue dar a volta e encará-la da melhor maneira possível.


Ralph é o protagonista da história, logo, é de se esperar que ele esteja em praticamente todos os lugares do livro. Porém, há determinados Capítulos Especiais que visam contar um pouco sobre o seu passado, assim como os famosos Supports que têm o intuito de compartilhar apenas cenas do cotidiano que não interferem no enredo, os famosos fillers. Segue abaixo a lista:

  • Adaptabilidade [Habilidade Passiva] – Seus status tendem a mudar dependendo das vantagens e desvantagens de seu adversário;
  • Aluno Exemplar [Habilidade Passiva] – Adquire níveis de experiência mais depressa;
  • Defensor da Família [Habilidade Passiva] – Aumenta consideravelmente sua força quando luta ao lado de um familiar ou amigo próximo (% aumenta dependendo da quantidade de companheiros em batalha);
  • Pacifista [Habilidade Passiva] – Ao derrotar um adversário pode convidá-lo para seu time;
  • Liderança Plena [Defensivo] – Garante um bônus de todos os status para seus companheiros durante a batalha;
  • Quebra da Realidade [Ofensivo] – O ataque especial de Lignum.
"Nós já temos muitos heróis no mundo, mas isso não é motivo para que eu desista."
 Ralph, Capítulo 4.

"Você é bem estranho mesmo. Ou melhor, eu diria peculiar. Sua forma de falar, suas atitudes... Tudo. A diferença é que isso parece bom vindo de você, consegue entender?"
— Auria, Capítulo 4.

"É uma questão básica de escolher todos os dias, todos os instantes. "
 Ralph, Capítulo 5.

"Eu só quero me divertir e fazer o que gosto [...] Vou lutar para conquistar o que quero. E me ensinaram que eu posso ter tudo que eu quiser, enquanto eu correr atrás."
 Ralph, Capítulo 7.

"Eu não sei pelo que você passou [...] também não sei se você acredita nas entidades de Sellure, em karma ou destino, mas quero que saiba que existem forças maiores agindo por cada um de nós. Às vezes a gente só precisa confiar e acreditar que tempos melhores virão."
 Ralph, Capítulo 23.


  • Ralph foi baseado no personagem de mesmo nome do jogo The Legend of Zelda: Oracle of Ages, para o Game Boy Color; 
  • A primeira vez que o autor o desenhou foi para um gibi intitulado "A Lenda da Espada e o Oráculo dos Gêmeos", em 2005, contando a história de Ralph, Lesten e Facade reunindo as Essências do Luar para enfrentar o vilão Dark;

The Omascar é a famosa cerimônia realizada no Mundo Pokémon Reino de Sellure onde os leitores podem votar no seu personagem favorito durante um determinado período de tempo após o lançamento de cada livro da saga! A primeira edição contou com dez categorias e diversas indicações pelo desempenho particular de cada personagem na história. Segue abaixo a lista de nomeações e vitórias:

  • Melhor Protagonista [Nomeado];
  • Melhor Antagonista - com Half [Nomeado];
  • Personagem mais poderoso [Nomeado];
  • Melhor Arco - Arco da Trindade - com Auria e Lesten [Nomeado];
  • Miss Simpatia [Nomeado]
  • Personagem Revelação [Nomeado];
  • Melhor Casal - com Auria [Nomeado];
  • Melhor Casal - com Aedan [Nomeado];
  • Melhor Casal - com Elice [Nomeado].


sexta-feira, 22 de abril de 2016

FanArt #01 - Star-chan



SOBRE A FANART
— por Star-chan.

Nem sei como começar um comentário sobre uma fanart minha, mesmo fazendo isso várias vezes na época que o Canas escrevia o Aventuras em Sinnoh. Mas cá estamos, inaugurando essa área de fanarts de Matéria. Claro que quando fui convocada para ser a terceira beta eu fiquei extremamente feliz não só por ter acesso ao livro ( que está incrível, por sinal <3), mas também pela confiança que o autor depositou em mim.

Mas falando do desenho em sim, Lee e Hayley é aquele casal secundário que aparece pra fazer todo mundo shippar, é tipo, automático, ou tu shippa ou O mundo te odeia. Se bem que eles são mais OTP, mas não entrarei em detalhes.

Antes de ter acesso ao livro, eu não tinha tanto interesse nos dois, meu foco sempre estava na Auria e no Ralph ( que é um casal incrível também o/), mas quando os dois foram apresentados a história, eu senti como se fosse o casal que eu conhecia desde sempre :33

Claro que quando fiz a fanart eu fiquei nervosa em errar em algo pra não estragar personagens tão incríveis, mas fiquei aliviada quando o Canas elogiou em uma conversa no Skype recente.
Enfim, pros leitores ansiosos, fiquem mais ansiosos, Matéria vai mudar o mundo <3


COMENTÁRIOS DO AUTOR
— por Canas Ominous.


Hey, Star! Temos aqui um vislumbre de quem serão os casais preferidos da galera, mal posso esperar para inaugurar uma área onde possamos votar nos shippings preferidos a fim de eleger quem levará a coroa dessa disputa!

Mesmo que o livro nem tenha sido lançado, ainda nas tirinhas é possível notar que Lee e Hayley têm algum tipo de proximidade forte. Eu, sinceramente, não acredito que consegui explorar todo o potencial deles durante o livro, mas é nessa hora que a leitura complementar do passado deles entrará aqui no blog. Ainda não tenho nada escrito e nem planejado, mas sinto que vai ficar lindo se eu souber explorar bem este lado realista da vida deles, e não apenas a parte fantasiosa. Eles são uma dupla sofrida, e retrarão bem o preconceito que muitos sofrem por simplesmente se enquadrarem em um perfil que não estamos acostumados a ver.

Agora, preciso deixar registrado: ESTE É O PRIMEIRO FANART DA PÁGINA! Ainda nem inaugurei direito como será o recebimento de novos desenhos, mas enquanto for chegando vou ter que ir postando aqui... *risos* Ainda torço para que no futuro nossa galeria no Reino de Sellure supere até mesmo Sinnoh, com seus mais de 150 fanarts recebidos! Um dia chego lá. Conseguimos uma vez, é possível conseguir de novo.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

2 º Revisão Concluída!


No dia 14 de Abril de 2016 registro a conclusão da segunda revisão do livro! Eu costumo chamá-la de versão 3.0 porque de certa forma é a terceira vez que sento para ler o livro inteiro  a primeira foi quando o escrevi e distribui as ideias entre os anos de 2012 e 2015. Dessa vez o número de páginas não alterou muito, fomos de 423 para 433, mas é notável a quantidade de conteúdo que foi excluído e também acrescentado.

Como cheguei a conversar com um leitor nos comentários, foram mais de 60 páginas excluídas só de descrições mal formuladas e diálogos desnecessários. Dentro dessas 60 páginas também foram retirados dois capítulos que não apresentavam nenhuma mudança significativa, o primeiro intitulado "Entre Crianças" que seria um Capítulo 12.5; e o segundo "Criatura das Profundezas" que trazia uma luta épica contra uma Lula Gigante (monstros marinhos são fodas!), que seria o Capítulo 36.5. Aos curiosos,  após a publicação do livro pretendo trazê-los ao blog como um cenas deletadas.

Tendo retirado dois capítulos desnecessários, ganhei espaço para criar um novo arco inteiro, que foi onde entraram os atuais capítulos 24 e 25: "Seus Amigos?" e "Proteja-me". Pude aproveitar para explorar alguns personagens que precisavam de mais desenvolvimento, além de abrir uma brecha para falar do passado deles, o que era de suma importância e eu vinha ouvindo opiniões de que estava faltando. O resultado o tornou um de meus arcos favoritos.

Olha só a diferença de cada versão! Primeiro impresso em folha sulfite e com a tinta preta quase acabando, depois vieram mais alguns capítulos e foi aumentando, e aumentando... até termos o Matéria de quase 430 páginas no word! Céus, espero que não ultrapasse as 500 no formato final do livro...
Eu diria que esta foi a minha revisão mais importante, porque é a hora em que a pedra bruta começa a ser lapidada para tornar-se um diamante. Melhorei muitos diálogos e mensagens importantes, além de eliminar TUDO que me incomodava (eu não poderia publicar um livro e ter aquela cena ingrata que me perseguiria até o fim da vida... sério, eu ficaria sem dormir só de lembrar).

A Star-chan, uma amiga ficwriter de longa data, está sendo uma de minhas betas e tem me ajudado muito nessa jornada. É sempre bom ouvir opiniões, alguns capítulos foram inteiramente reformulados, trouxemos mais shippings,  romance e sintonia entre os personagens, afinal, eu e os personagens estamos mais próximos do que nunca. Sem contar que é apenas a terceira pessoa que leu o livro inteiro, mas o feedback continua sendo muito bom!

Provavelmente ainda teremos uma revisão 4.0 vindo da editora, mas no meu atual nível não há mais o que fazer. Eu teria que contratar os serviço de algum profissional, mas fico tranquilo em concluir o documento e pensar: eu dei o melhor de mim.

E a busca pela editora continua!

Por fim, enviei também o meu original para três outras editoras: A Editora Modo - Selo Novos Autores, Editora Wish e a Novas Páginas. Dessa vez julguei que fosse melhor enviar mais de uma, não porque quero atirar para todos os lados e só depois ver o que acerto, preciso de orçamentos, médias e serviços. Uma dica como autor é que você nunca pode se desesperar, não dá para sair assinando um contrato logo após recebê-lo e achar que tudo vai se resolver. É preciso sentar e conversar com seus pais, as pessoas ao seu redor, e principalmente, ouvi-las! Terminar o livro é só uma das fases. No final a decisão é sua, e você sabe melhor do que ninguém seus limites e o que é melhor para si próprio.

Obrigado pela torcida e todo apoio que me deram no lançamento de meus capítulos inaugurais! Continuem de olho aqui no blog, vamos continuar seguindo nessa longa aventura!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Arte #05 - Auria, a Dama de Ferro



Minha Auria! ♥ Gosto muito dessa imagem, talvez seja pelo sorriso raro vindo de alguém que não gosta muito de sorrir. Uma curiosidade que vocês devem ter reparado é que a Auria apresentada nos primeiros capítulos ainda tinha o cabelo longo, mas algo a leva a cortar. E ela também não usa nenhum óculos,  mas não enxerga de longe e prefere não usar com frequência - rs.

Acho interessante também como ela perdeu o ar de donzela em perigo para se tornar uma guerreira destemida. Ela ainda tem um lado meigo oculto (bem oculto), e costuma escondê-lo por trás de sua armadura e insegurança. Acredito que os leitores vão gostar muito de acompanhá-la nessa jornada, Auria é muito superior à sua antiga versão que carregava um arco e flecha e vestidinho azul, só servia para se meter em encrencas (okay, até hoje ela se mete em encrencas kkkk). Ainda sim, é a personagem que mais amadureceu com o tempo!


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Capítulo 3


A academia da Vila das Pérolas tinha história — primorosa e antiga —, diziam que grandes guerreiros da raça humana caminharam por aqueles corredores. Era um porto usado para transporte de mercadorias, o turismo havia sido abandonado depois que as pérolas perderam seu valor comercial. Oitenta e cinco porcento da população era formada por estudantes, os alunos consideravam a academia como uma continuação do ensino fundamental, a diferença era que podiam ser convocados para a guerra sem aviso prévio. Muitos clamavam pelo chamado, enquanto outros consideravam uma desonra serem deixados para trás.
A torre principal era rodeada por seis prédios diferentes, cada um deles representava uma especialização: a espada trazia seu significado de honra e glória; o escudo, a proteção; a lança era a agilidade; o machado pela força bruta; o arco e flecha pela destreza e a mana como todas as energias que permeavam o mundo.
Assim que Ralph chegou ao portão — onde sua cabeça ficara presa na noite passada —, pôde ver toda a grandeza da academia e dessa vez sem limitações. A partir daquele ponto estaria decidindo o tipo de treinamento que levaria para os próximos anos, se seria um guerreiro disposto a defender sua nação, ou talvez um mago capaz de manusear magia com esforço de sua mente.
Ralph notou que nenhum dos outros alunos trazia os devidos equipamentos para uma batalha. Onde estavam as espadas e escudos? Pensou que nunca mais precisaria de apostilas pesadas. Um pensamento lhe percorreu — sua estimada professora, Srta. Clover, dissera certa vez que os livros eram as armas mais poderosas que ele poderia ter em mãos. Não discordava, pois ela os arremessava com muita força quando estava estressada, e aquilo o fez rir.
Ralph adentrou o saguão e passou por corredores repletos de salas que eram preenchidas por alunos. Janelas de um estilo clássico medieval revelavam a idade do território, como um castelo imponente do passado.
Chegou perto de um balcão onde residia uma senhora de óculos coberta por papeladas. Ela entregava os devidos documentos para os novatos.
— Oi, moça — Ralph a chamou, o que era uma gentileza, pois a velha parecia ter pelo menos uns cem anos. — Posso me inscrever?
— Dá para sentar e esperar como todos os outros? Você não é especial.
Ralph concordou e foi sentar-se. Por acordar cedo, seria um dos primeiros a ser atendido, mas ainda odiava esperar em filas, sentia-se preso, quase torturado, cada minuto perdido era uma tremedeira em suas pernas.
— Olá. Já decidiu o que vai fazer? — perguntou para o rapaz ao seu lado, puxando conversa só para não ficar parado.
“Não faço ideia”, foi a resposta que mais recebeu. Era interessante notar como na verdade todos aparentavam estar agoniados ou aflitos.
— Eu não queria estar aqui — repetiu um deles assustado, uma gota de suor escorrendo pelo rosto —, gostaria de ser dispensado. Eu só queria ir embora.
Quando chegou a vez de Ralph, a feição de desânimo da secretária se intensificou por algum motivo.
— Bom dia. Seja bem-vindo ao Curso Preparatório Classe E da Academia da Vila das Pérolas. Qual área pretende prestar? — a atendente perguntou de forma automática, logo acrescentando como se já soubesse o que iria ouvir: — Se ainda não tiver decidido o que fazer, pode deixar em branco ou marcar todas.
— Eu sou Ralph, da Espada de Madeira!
A mulher ficou sem reação, as pessoas sentadas na banqueta da fila começaram a rir. Atender novatos confusos e cheios de dúvidas com as mesmas respostas há anos não era uma tarefa interessante, mas vez ou outra aparecia algum louco para diverti-la.
A velha ajeitou os óculos na ponta do nariz e voltou a escrever.
— Eu perguntei a área que pretende seguir em seu ensino; se pretende tornar-se um espadachim, guerreiro, mago, arqueiro, defensor, alquimista, especialista, o que quer que exista nesse universo, não entendo nada mesmo... Já tenho seu nome escrito aqui embaixo, só não precisa me fazer passar por essa situação novamente.
— Ah, desculpa. Quero muito ser um soldado — Ralph respondeu. A velha mantinha o semblante estressado enquanto esfregava as têmporas.
— Todos vocês serão aprendizes Classe E antes de se tornarem soldados. Todos servirão alguém. Seja mais específico.
— Pode colocar “espadachim”, então.
A mulher arrancou uma única folha do topo de sua pilha.
— É só preencher. Tenha um excelente dia.
Com o papel em mãos, foi até uma sala repleta de outros garotos que completavam o mesmo questionário em silêncio. Era visível o quanto aquele ambiente o incomodava. Ralph tinha um ar perdido, louco pra fugir dali, a coçadinha na cabeça, as mãos, o olhar que nunca olha de fato. Tinha dificuldade em lidar com esse bombardeio de informações do mundo externo. Precisava apenas completar uma ficha básica de inscrição; pedia nome, origem, vocação, habilidades especiais, perícias e mais um monte de outras questões que nem soube dizer para o que serviam.
Ele era um aprendiz Classe E, deveria seguir as letras do alfabeto D, C, B e A conforme crescesse em seu patamar, mas não tinha tempo para aquelas coisas. Queria chegar logo ao S, um nível que somente as lendas foram capazes.
— Olá, caro companheiro de sala. Poderia emprestar-me esse objeto que você usa para escrever? — Ralph perguntou de maneira gentil.
— Tô usando. Não tá vendo?
Ralph fez um aceno com a cabeça e concentrou-se em sua tarefa, mas logo voltou a atordoá-lo:
— Então poderia emprestar-me qualquer coisa para que eu possa escrever minha ficha de inscrição?
— Você veio aqui para se inscrever e não trouxe nem os documentos básicos para isso? Em que mundo vive?
— Existe mais de um? A ideia de que podem existir outros mundos e que nossa existência aqui não passa de algo insignificante dentro dos planos de uma entidade maior é intrigante.
A velha na secretaria pediu silêncio em voz alta. Ela ainda observava de longe, desconfiada. Levantou-se de sua cadeira e bateu com força uma caneta na mesa do garoto. Ralph soltou um murmúrio de alegria e agradeceu o gesto.
— Muito obrigado, minha boa senhora! Que as entidades possam acompanhá-la em sua demanda atrás daquilo que procura. Um dia você ficará orgulhosa de ajudar o próximo.
— Preenche logo a ficha. Não tenho o dia todo.
Ralph mexeu-se contente em sua cadeira e olhou para o papel. Sua segunda missão era interpretar tudo aquilo. Segurou a caneta e começou a rabiscar. Vez ou outra a secretária olhava de relance para ver o que ele fazia, uma vez que se passara quase meia hora e o garoto ainda não saíra de lá.
A secretária foi em sua direção e apoiou-se na mesa.
— Está tendo dificuldades — afirmou. Era óbvio que estava.
— Olha só o meu desenho, não é legal?
— Muito interessante. — Estava pouco interessada, mesmo que os dragões que ali estavam fossem bem legais. — Agora me diga, está tendo dificuldades para preencher o quê?
Ralph olhou para o papel de inscrição que estava desenhado até as bordas. “Tudo” seria uma boa opção. Cenas de batalhas enfeitavam os cantos enquanto lagartos voadores cuspiam fogo contra as palavras. Era uma cena criativa, de fato o menino levava jeito nos rabiscos e nas ideias.
Ralph forçou a visão para enxergar o nome da secretária em seu crachá.
— Dona Lurdinha, a senhora conhece os generais que lideraram suas raças para a vitória durante a Guerra dos Heróis? Eles foram os guerreiros mais incríveis da história, os únicos Classe S de seu tempo: Canas, o Descobridor do Mundo; General Defesa, a Muralha Impenetrável; e o gecko mais poderoso que pisou nesta terra, Tokay, Asa Negra. Foram eles que derrotaram Glaüner, o Dragão das Maldições, e o aprisionaram em algum lugar misterioso de nosso reino para que ninguém nunca mais o despertasse!
A velha passou a mão em seus cabelos a ponto de arrancá-los. Os demais alunos na sala davam risadas baixinhas, mas Ralph nem as ouviu ou então preferiu ignorar. Antes que alguém perdesse o controle, surgiu um sinal de inteligência.
— Ah, sim, estou com dúvida em algo. Veja, aqui está dizendo “qual a sua raça?”. Quero dizer, a minha, não a sua. E há quatro opções a serem marcadas, pedindo para que eu assinale apenas uma.
A secretária olhou para o jovem numa clara expressão debochada.
— Você está falando sério? H-u-m-a-n-o — ela enfatizou cada sílaba.
— Mas eu não sou humano — Ralph respondeu de forma breve, quase ofendido, fazendo os demais agora rirem tão alto a ponto de a velha senhora bater na mesa e mandar todos calarem a boca.
Ralph continuou:
— Sou meio-humano e meio-gecko — corrigiu.
Há quem acreditasse que os geckos adotavam crianças para cozinhá-las num caldeirão e depois devorá-las como se fossem criaturas folclóricas, mas o Senhor Tokero e a Dona Nakara tinham todos os traços que uma família comum de velhinhos presos à rotina da vida no campo. Nakara perdera os três filhotes há mais de vinte anos quando eles ainda não passavam de ovinhos, por isso decidiu que nunca mais seria mãe. Ela encheu-se de orgulho quando a oportunidade de cuidar de Ralph apareceu, apesar de ser velha e sua memória não estar tão boa. Ainda assim, seu instinto materno nunca se esquecia de preparar-lhe sanduíches de mortadela quando ele saía para brincar.
Ralph cultivava uma pequena chama em seu coração que o confortava quando pensamentos sobre seus pais biológicos vinham à tona. Deviam ter seus motivos para tê-lo deixado sozinho. Com quinze anos, não era tolo o bastante para achar que pertencia à raça dos geckos, mas julgava-se parte deles e o respeitava como sua única e verdadeira família. Quando fosse mais velho e entendesse das coisas, registraria a si mesmo como meio-gecko (apesar de não fazer ideia de onde começar).
Dona Lurdinha achava que a situação era pior do que aparentava.
O garoto foi enviado para uma sala nos fundos que estava vazia. Fazia um bom tempo que não lidavam com uma situação como aquela e, por isso, teriam de rever o assunto com as autoridades.
Sobre a mesa estava um pequeno orbe azulado, do tamanho de uma bola de beisebol. Era uma Esfera de Comunicação, o meio de contato mais rápido do reino, um item raro e caro. Quando dois orbes se encostavam um no outro uma única vez, eles se conectavam através de eletromagnetismo e podiam manter contato através de sons e imagens mesmo a milhares de quilômetros de distância.
A mulher tocou o orbe e esperou a resposta de seus superiores. Ralph a olhava desconfiado.
— Aqui é da Vila das Pérolas, estação de Myriad número 220-64-3. Temos um pequeno problema... Um mestiço. Não, não possui nada visivelmente repugnante, só é um pouco esquisito. Parece que tem dificuldades na leitura e falta de processamento audititivo... — dizia a mulher, logo abaixando o tom de voz quando viu que Ralph a observava. — Ele disse que é metade gecko.
A última palavra soou como um espirro. A resposta logo veio. A atendente soltou a mão do orbe e a imagem se desfez. Voltou a atenção para o rapaz e falou:
— Venha comigo.
— O que vamos fazer, dona Lurdinha? Nós vamos começar a treinar juntos? Você será a minha mestra? A minha treinadora? A capitã de meu batalhão?
— Nada disso. — A atendente sentou-se em sua cadeira de forma confortável com um sorriso de orelha a orelha, como se cantasse a vitória por uma luta vencida. Ela carimbou a ficha desenhada de Ralph e entregou-lhe como uma carta de alforria. — Você acaba de ser dispensado. Obrigada por vir até aqui, Ralph Token. Reúna seus pertences e pegue o próximo trem de volta à Helvetica. O Reino de Sellure agradece a sua participação. — E desta vez ela fez questão de encher a boca ao frisar: — Tenha um excelente dia.
Ralph ficou desolado, não sabia qual reação tomar. Viu a senhora em sua frente carimbar um papel de dispensa e mandá-lo embora, para o caminho oposto de seu sonho, para uma viagem de trem de volta à sua cidade onde seus pais adotivos aguardavam orgulhosos o seu regresso como uma figura importante e influente, ou ao menos feliz e sucedida, alguém que venceu na vida.
Viram partir um menino e esperavam retornar um grande homem. Agora, voltaria como um fracassado.
— Mas que... ódio! Amaldiçoados sejam os papéis carimbados e assinaturas — Ralph contestou, levantando-se da mesa e sentindo um ódio profundo daquele lugar. Queria bater os pés com força no chão, quem o ouvia do corredor até se assustava. A velha continuava quieta. — Droga, droga, droga! Por que fez isso comigo, dona Lurdinha?
— Está jogando a culpa em mim? Só estou fazendo meu trabalho, garoto.
— Mas é injusto.
— Se quiser discutir sobre justiça, está no mundo errado.
— Por todas as entidades divinas de Sellure, o que eu vou fazer agora?
— Por que não vai embora e me deixa em paz?
Muitas palavras estavam presas em sua garganta. Talvez fosse melhor não ter ficado brincando com o papel de inscrição, bastasse ter pensado um pouco. Era melhor parar com as brincadeiras. O garoto fechou a porta com força ao sair, ficou encarando seu documento de dispensa do lado de fora, mas não se deixou abalar. Quando estava prestes a sair, voltou para a sala da secretária e bateu na porta.
— Dá licença, dona Lurdinha.
— Ainda está aqui? — Ela falou desinteressada.
— Sim. Sei que a senhora não tem nada a ver com essa decisão, então me desculpe por ter descontado minha raiva em você. Minha família gecko me ensinou a abraçar as pessoas quando fico feliz, confuso, ou até mesmo com raiva. — Ele foi até ela, deu-lhe um abraço rápido e voltou para perto da porta. — Então desejo a você um bom dia, saiba que não desistirei dos meus sonhos.
A secretária estava boquiaberta. Quando Ralph deixou o lugar, ela guardou o lápis e observou a curiosa figura que a arrancara da rotina. Não pôde esconder um sorriso de relance nem a sensação tão estranha em seu peito.
— Tenha um bom dia você também — murmurou antes de retornar ao trabalho.
Ralph saiu do prédio principal da academia com o papel de dispensa em mãos. Amassou o papel e jogou-o numa lata de lixo — o que teria causado um sério alarde caso um instrutor o visse cometendo tal crime. Nenhuma força externa poderia modificar o que estava dentro de seu coração.


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