quinta-feira, 19 de julho de 2018

Imaginetrium - Materializando Sonhos [Resenha]

"Um sistema onde todos podem ser iguais é aparentemente perfeito. Mas onde se encaixam aqueles que ignoram o roteiro e decidem os seus próprios sonhos? Eles não se encaixam. Eles simplesmente desaparecem.
Anthony vê seu melhor amigo ser sequestrado pela Máfia e jura para si mesmo que fará de tudo para resgatá- lo. Não podendo recorrer à polícia, Tony conta apenas com um aliado inesperado: um velho louco.
Disposto a tudo, o garoto não faz ideia do que o espera em sua jornada."

Autor(a): Andrey Gaio Lima e Daniel Jahchan
Editora: Novo Século
Lançamento: 2018
Altura e largura: 21 x 14 cm

Número de páginas: 176
Gênero: Aventura, fantasia, ficção, infantojuvenil.

Por que escolhi essa obra?

Eu tive o prazer de conhecer o Daniel Jahchan e compartilhar de seu talento no lançamento da antologia "As Lendas de Colina" da qual também faço parte. Tomei conhecimento de Imaginetrium através de suas redes sociais, o projeto estava na fase final de publicação, com capa e tudo pronto. O segundo autor, Andrey Gaio Lima, é youtuber e comanda o canal Batima Animes. Vamos ver o que essa dupla inusitada preparou para nós?

Imaginetrium me atraiu por dois fatores: como sou do ramo de fantasia voltado para um público mais juvenil, imaginei que seria uma boa leitura da minha área; além da capa chamativa, ele também é todo ilustrado  o projeto gráfico como um todo é um trabalho incrível de Nair Ferraz e Rafael Pen. 

Capa, Design e Editoração

A capa é a porta de entrada para um leitor que, convenhamos, muitas vezes também não faz ideia do que está procurando quando vai à livraria, rs. Você precisa fisgá-lo com elementos que o atraia, ao meu ver essa é a importância de uma boa ilustração, sua história pode assumir uma identidade completamente única e diferenciada. Quando os autores optaram por um estilo cartoonizado dos personagens, eles determinaram o seu público. Em uma conversa com o Daniel Jahchan, ele me contou que a princípio a ideia era trabalhar em estilo mangá, mas ele e Andrey decidiram que usando cartoon seria menos nichado, ainda mais falando do Brasil.

A Novo Século como sempre nos entrega um material de qualidade, desde a diagramação até os detalhes nos cantos de páginas e, claro, as ilustrações. 

A fonte Crimson em bom tamanho e o papel pólen tornam a leitura agradável, é possível terminar a obra em uma tarde se você se envolver com ela. Na primeira vez que abri o livro para dar uma folheada, admito que tomei um tremendo spoiler... Há quem acredite que imagens que denunciem pontos chave da trama podem desagradar leitores desatentos, mas em raros casas isso também os instiga a chegar logo àquele ponto, afinal, a parte boa de se acompanhar uma história é o desenrolar dela, ver como os personagens crescem e superam seus desafios. Eu acredito que isso também possa aumentar a vontade para chegar até o fim e entender o que estava acontecendo lá. Mas fica a dica, se não quiser tomar spoilers, não folheie!

Sobre a Obra e a Narrativa

Imaginaterium é um mundo onde sonhar não é apenas sentar e imaginar as coisas  elas realmente acontecem e tomam forma, principalmente através das crianças. Com sua tecnologia mais avançada do que a nós, vemos elementos futuristas misturados ao nosso cotidiano. A trama começa quando Anthony e Edgard ganham a chance de conhecerem seu ídolo, o Super Timothy, mas acabam se envolvendo em um sequestro. Ao ver seu melhor amigo em apuros, Tony sai em uma jornada que talvez seja grande demais para alguém de sua idade. Ele é só uma criança nesse mundo enorme e está susceptível ao fracasso e decepções.

Logo de cada a escrita me remeteu ao trabalho do Jahchan, que reconheci por conta de sua primeira obra publicada, "Guerra das Raças - A Caça aos Desertores", mas achei melhor mandar uma mensagem para ele para confirmar. Daniel me contou que ele e o Andrey discutiam pelo skype antes de escrever cada capítulo para que ficasse no agrado para ambos os lados. Quando se trabalha com outra pessoa em uma história, é importante certificar-se de que haverá homogeneidade na linguagem e a narrativa não ficará inconstante caso os capítulos se revezem entre os autores (porém, vale citar que há casos onde são trabalhados pontos de vista de personagens, de forma que a diferença na escrita não interfira tanto na narrativa). Eu já trabalhei em parcerias com outros autores e sei das dificuldades. Ao mesmo tempo que ambos podem unir forças para ter duas vezes mais ideias, é preciso que os dois se dediquem na mesma intensidade. Como a internet facilita o contato, muitas vezes você nem precisa estar do lado da pessoa para escrever e criar algo. Andrey e Daniel compartilham do interesse por animes, cartoons e mangás, por isso imagino que na maioria das vezes suas ideias batessem batessem perfeitamente. 

Eu imaginava que veria a imaginação rolando solta em uma história onde os sonhos são tudo, mas achei curioso como esse mundo fantástico se pareceu tão palpável e próximo de nossa realidade. Cada personagem desempenha bem seu papel e o tempo todo visitamos o ponto de vista de alguém diferente, dando mais profundidades a suas ambições e batalhas pessoais.

Eu gosto de histórias que nos deixam uma mensagem, por mais simples que seja, e os autores souberam trabalhar diversos pontos com muita precisão. O vilão por exemplo tem um caráter duvidoso, mas você percebe que ele passou por seus traumas até se tornar quem ele é atualmente. As ilustrações implicam tortura, explosões porrada e calcinhas, o que é uma prova de que só por ser cartoonizado não significa que a temática precisa ser infantil.

Sobre os Personagens

*Opa, essa parte terá alguns SPOILERS! Leia sob seu próprio risco*

Em Imaginetrium, vemos diversos pontos de vista diferentes — os mais frequentes são Anthony, Edgard e o Senhor Louco com cerca de cinco/seis capítulos cada, mas também contamos com Vivian, Super Timothy, Duds, Cristina e Fran a mãe de um dos protagonistas.

A amizade entre Anthony e Edgard é bonita e sincera, o pequeno Tony o respeita como a um irmão mais velho. A cena de bullying no início é daquelas bem manjadas, mas sempre funciona para estabelecer uma amizade forte entre personagens. Se eu tivesse que definir um protagonista para Imaginetrium eu diria que é o Anthony, a maior parte da trama gira em torno do menino, mas tudo que ele faz é por Edgard, então fica difícil dizer. Mas a forma como um trabalha pelo outro é a chave em Imaginetrium.

Eu gostei muito do fato de Anthony e Edgard serem fãs de uma celebridade teen, enxerguei muito de nossa atual sociedade onde muitos youtubers são idolatrados por crianças. O fato de um dos autores também ser youtuber é interessante, eles estão cientes disso, querendo ou não, são formadores de opiniões para essa geração e Super Timothy reúne todo um lado ruim e negativo da mídia, mas no fundo ele ainda é humano, um rapaz jovem que tentou a redenção mas optou por um caminho pior. Como os personagens não passavam de crianças, foi muito importante eles combaterem um vilão que não fosse invencível. A ideia de que as armas utilizadas através da materialização têm efeito momentâneo foi uma de minhas partes favoritas — uma morte simbólica, aquele o momento em que a pessoa morre para você, porque já não a reconhecemos mais.

Outro personagem que merece destaque e aparece desde o comecinho é o querido Senhor L que passa a desempenhar um papel fundamental como mentor. Envolto em seus mistérios, ele é um dos que mais cresce na trama. Alguns dos capítulos são escritos no ponto de vista de personagens menos importantes como Duds, mas que servem para retratar a forma como ele enxerga, suas falas cercadas de malícia e maldade. Ah, e também destaque para a Fran, mãe de Tony (quem é da área de fantasia sabe como os pais sempre começam mortos ou nem existem nessas histórias, rs. É raro ver uma mãe que desempenha um papel importante!).

A última figura que dedico um espaço especial é Vivian (admito que foi por causa dela que quis comprar o livro, a aparência dela é muito show!) Eu fiz minha lição de casa e decidi ir atrás do canal Batima Animes — que até o presente momento consta com mais de 600 mil inscritos, um número impressionante —, mas pense em mim como um cara que não frequenta muito youtube e não entende nada disso, rs. Pelo que observei, grande parte de seus seguidores são de um público otaku e alguns dos vídeos mais recentes trazem uma temática ecchi (para quem não sabe o que significa, são animes mais sensuais). Eu pude enxergar um pouco dessa influência na Vivian, ela é o tipo de protagonista badass dos animes. Sua cena no livro inclusive carrega o símbolo do batman na calcinha, representando o canal de Andrey. Eu sempre me diverti com esse tema e adorei a personagem, apesar de eu não assistir quase nenhum anime hoje em dia, também tive minha fase de otakinho que ia pro shopping com bandana de Naruto. Quem acha que a Vivian merece algumas fanarts? ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Considerações Finais

Reunindo as várias ideias de Daniel e Andrey, só podia ter saído uma obra divertida e que entretém, repleta de personalidade, ilustrações de qualidade e momentos de tensão. Com ótimos personagens e um enredo bem estruturado, Anthony e Edgard seguem sua jornada amadurecendo com os desafios que a vida lhes impões, mas eles nunca estão sozinhos. Imaginetrium foi feito para um público juvenil, mas sua mensagem pode ser apreciada por qualquer pessoa. Só porque o estilo de desenho é cartoonizado não significa que a história seja voltada apenas para crianças, pelo contrário. Com criatividade, eles nos entregam um trabalho que representa de forma conveniente os dias atuais e certamente deixará o leitor refletindo após a conclusão. As mensagens que carrego comigo são de que vida não é um mar de rosas, que as consequências devem ser encaradas e superadas, mas, principalmente, que a amizade e os sacríficos que fazemos pelo mundo podem durar para sempre.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Capa Oficial CONCLUÍDA

Já faz muito tempo que estou trabalhando nesse projeto, mas nunca antes senti que ele chegou tão perto de se tornar real. A primeira postagem do Reino de Sellure aconteceu lá em Abril de 2015, mas eu comecei os rascunhos do Matéria ainda em 2014. De lá para cá muita coisa mudou, fiz melhoras enormes que não teriam acontecido se eu tivesse publicado às presas, às vezes quase perdi as esperanças, mas sempre que sobrava um tempinho eu dava aquela polida que a história precisava. Agora sinto que nossa pequena jóia está perto de seu estado final.

No mundo literário, é sempre um alvoroço quando um livro divulga sua capa. A capa é a porta de entrada do leitor para uma obra, é o que fará seu produto chamar atenção dentre tantos outras na prateleira e cada detalhe é importante, desde o acabamento, a textura, sinopse, qualidade das imagens; tem muito livro que se vende só pela capa e, para ser sincero, eu não achava que estava a altura de ilustrar meus próprios personagens. É a mesma coisa quando falam que um médico não deve tratar um familiar durante uma emergência, o valor emocional bate muito forte e ele pode acabar fazendo besteira. Por isso coloquei meus personagens aos cuidados da Lúcia Lemos, que fez esse trabalho impecável com o projeto como um todo.

Uma das minhas maiores preocupações em contratar uma editora para assumir meu livro era que ela acabasse tendo um controle maior do que eu. Já ouvi histórias de outros autores que precisaram ceder a uma capa mal feita porque o capista já estava de saco cheio dela, mas que culpa o autor tem se o trabalho não atingiu suas expectativas? Também não sou fã de fotomontagens, nem daquelas capas de fantasia genéricas com um protagonista de costas olhando para um cenário. Eu queria que minha capa transmitisse toda a essência juvenil que quero atingir com meu público, eu queria que os leitores conhecessem meus personagens antes mesmo de abrirem a primeira página.

Deixar seus personagens nas mãos de outra pessoa é sempre um desafio, você não sabe se o artista conseguirá captar todas as características deles, mas um dos motivos de eu ter procurado a Lúcia foi porque eu já havia visto o trabalho dela e sabia que ela faria algo esplêndido. Além de designer ela é também escritora de fantasia, seu primeiro trabalho, Aika - A Canção dos Cinco, me introduziu ao seu portfólio pelo qual me apaixonei logo de cara.

Um dos protótipos da capa era vermelho, mas quem me conhece dos tempos do Aventuras em Sinnoh sabe que o azul me representa até na vida real. O couro vermelho é um clássico, mas o azul traz uma sensação tão suave e harmoniosa; o vermelho é mais agressivo. E eis que surgiu a ideia de fazer cada capa das sequências com uma cor diferente, então não custa nada guardar o tom avermelhado mais intenso para quando começar a guerra de verdade, não? Outro sonho meu de infância era ter um livro com capa dura (mas que autor consegue uma coisa dessas no Brasil?), então simulamos um efeito com textura para remeter a esse estilo, como as obras de Andrew Lang e seu"O Fabuloso Livro Azul" e sequências que inspiraram até mesmo Tolkien em sua juventude.

Com a capa entregue, faltam mais três etapas - ilustração, diagramação e impressão.
É, meu povo, agora ninguém segura!


Versão definitiva da capa de Matéria - Espada de Madeira



quinta-feira, 21 de junho de 2018

FanArt #13 - Chinatsu

Dia desses voltei a trabalhar em um capítulo inédito para o Aventuras em Sinnoh, e que surpresa me deparei ao rever tantos rostos das antigas por lá! Para quem não sabe, a galera da Aliança Aventuras formou um grupo no Discord e eu acabei por reencontrar um dos leitores mais antigos que me acompanhou nessa jornada pelo mundo dos blogs.

O Diego Chinatsu, como era conhecido naquela época, às vezes dá as caras aqui em Sellure também. Ele me mostrou uma fanart que começou a fazer há muito tempo, mas nunca terminou. Eu precisava compartilhar com vocês, porque o resultado ficou incrível! Eu adorei o enquadramento, o Lesten meio que saindo  da sua tela, o Ralph com o devido destaque de corpo inteiro, Lee e Hayley juntos, todos ficaram com um estilo bacana e bem próximos de como sempre os retratei.  É uma pena que o Chinatsu não queira terminar, mas o agradeço por permitir que eu postasse no blog mesmo assim. Adoro deixar todas as minhas fanarts juntas, porque não importa quanto tempo passe, eu sempre volto para dar uma olhada.  

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Arte Oficial #24 - 13 Anos Depois

Eu pensei em montar uma galeria no final do livro com algumas artes de diferentes autores ilustrando os meus personagens. Já tenho alguns em mente e comecei o trabalho, mas isso seria apenas um extra e espero que não aumente demais o número de páginas que já será grande (estou torcendo para que não passe das 500 se contarmos todas as ilustrações).

A princípio não haveria nenhum desenho meu no livro, mas essa galeria abriu a oportunidade de compartilhar um pouquinho da minha arte com os leitores. Acima vocês conferem a longa trajetória do Ralph desde que o criei em 2005. Foi uma tremenda nostalgia forçar meu traço e fazê-lo parecido com o daquela época, juro que eu nem lembrava mais como pintar com lápis de cor, rs. Inclusive, lembro que tentei de todas as formas publicar o livro em 2015 quando ele completaria 10 anos, mas não rolou. Será que dessa vez vai?

Quanto aos autores convidados, por ora vou manter segredo. Só acho que essa galeria vai ficar incrível quando estiver repleta de personagens e estilos diferentes!

sábado, 26 de maio de 2018

terça-feira, 22 de maio de 2018

Myriad [Mapa]

Myriad é uma das oito províncias do Reino de Sellure, sua localização geográfica é no nordeste do continente e faz fronteira com Bodoni, Garamond, Century e Trajan. A maior massa populacional se concentra no leste, sendo a zona oeste pouco povoada. O clima tropical influencia grande parte do território, com temperaturas elevadas o ano todo e estações bem definidas, o clima estável é um dos motivos dos geckos terem se adaptado tão bem a região. 

Myriad recebe destaque por se tratar do berço da história no Livro 1, mais precisamente na Vila das Pérolas. Sua capital é Cortina Escarlate. Há sete marcações importantes que compõe o mapa:

  • Cortina Escarlate;
  • Ilha dos Geckos;
  • Estreito de Etifil;
  • Vila das Pérolas;
  • Caverna da Melancolia;
  • Porto das Lulas;
  • Mar Plano.

CORTINA ESCARLATE
Uma das oito Cidades Coloridas, Cortina Escarlate prosperou durante quase um século como uma das capitais mais ricas e influentes do Reino de Sellure. Por sua localização estratégica, acreditava-se que nenhum exército jamais conseguiria tomar a cidade. Rudsi, um dos Três Soberanos, utilizou-se do oceano para um ataque surpresa. Seu único intuito era destruir a cidade para retomar sua mulher que havia sido feita refém e seria executada no mesmo dia. Ao falhar em sua busca, dizem que o dia escureceu e o céu ficou da cor do chumbo, uma imensa sombra projetou-se sobre a cidade que foi desolada em questão de horas antes mesmo que os exércitos do Rei chegassem de Constatia.

É a cidade natal de Auria, a Dama de Ferro, onde os Mercer costumavam ter grande influência. Após a invasão da Coroa de Ferro no ano 108, a cidade nunca mais conseguiu se recuperar por completo. 

"É difícil lembrar-se das coisas da infância, mas em minha mente era tudo perfeito, um resquício da melhor fase de minha vida antes de cair nesse buraco decadente... [...] minha família tinha grande autoridade, ainda me lembro dos portões vermelhos do castelo [...]" — Auria, Capítulo 12.

ILHA DOS GECKOS
A Ilha dos Geckos é onde se localiza a maior concentração de geckos de Sellure. Os lagartos se preocupam muito com o meio ambiente, pois sua sobrevivência está associada a ele. Um conjunto de montanhas contorna a ilha como se formassem a palma de uma criatura submergida, com picos que parecem formar suas garras. Toda a ilha é construída de maneira sustentável com casas suspensas e matéria prima que pode ser facilmente substituída e reaproveitada. A fauna da ilha é exótica e repleta de monstros selvagens, sendo que grande parte da população se concentra na costa.

Os geckos tiveram um contato muito próximo com o povo de Cortina Escarlate em tempos passados, mas todos os laços foram quebrados após a invasão da Coroa de Ferro, pois os geckos negaram ajuda e lhes deram as costas na hora de ajudar. Nos dias atuais, a presença de humanos na ilha é quase nula.

Foi onde nasceu Tokay, Asa Negra, considerado um dos maiores heróis do passado.

"Ao chegar ao cais, Ralph e Auria puderam deparar-se com uma verdadeira metrópole. Com uma avançada capacidade criativa e adaptativa, geckos revelavam-se inventores com ideias sustentáveis de sobra para distribuir. Uma enorme estátua feita de minério antigo podia ser vista sobre o rochedo como um símbolo de boas vindas."  Capítulo 7.

ESTREITO DE ETIFIL
Todo o comércio que vem por terra precisa passar por Etifil, que é guardada o ano inteiro por guardas que controlam a entrada e saída de produtos e viajantes. A formação de montanhas e rochedos ao redor da estrada permite que arqueiros se posicionem de forma estratégia, um batalhão precisaria se afunilar para conseguir atravessá-lo. Graças à dificuldade na passagem do estreito, Cortina Escarlate permaneceu intacta durante muitos anos. 

VILA DAS PÉROLAS
A Vila das Pérolas é conhecida por ser uma das academias de treinamento mais influentes do reino, mas a única raça permitida são os humanos. Ao completarem quinze anos, jovens de todo reino são encaminhados para servir o exército. Apesar do ensino estar precário nos dias atuais, a Vila das Pérolas ainda exerce grande influência. Dizem que ao pôr do sol, a vista do oceano tão próxima à Ilha dos Geckos é uma das mais lindas do mundo.

Grandes nomes vieram de lá, como Raito, a Luz do Alvorecer. No passado, quando as pérolas ainda eram a ferramenta mais importante de armazenamento da mana, a Vila das Pérolas serviu como uma região influente e disputada.

"Na costa pôde avistar a Vila das Pérolas, seu novo lar. Era uma área voltada para o treinamento de guerreiros, portanto, recebia a visita constante de oficiais do exército que vinham dar palestras ou lecionar, alguns inclusive selecionavam os melhores para seus regimentos." — Capítulo 2.

CAVERNA DA MELANCOLIA
Pouco se sabe sobre a Caverna da Melancolia, ela serviu como covil e esconderijo para Rudsi durante quase cinquenta anos após a queda dos Três Soberanos. Dizem que ela foi assolada por uma terrível maldição, desde então foi evitada.

PORTO DAS LULAS
O Porto das Lulas é um dos maiores centros de pesca e exportação do reino e está diretamente associado à Cortina Escarlate, que se aproveitou da região para aprimorar o comércio e sua frota naval após a invasão da Coroa de Ferro. O porto é um dos pontos de encontro mais famosos de marinheiros que se reúnem nas tavernas e bares para compartilharem suas histórias. Muitos deles não possuem família, por isso fizeram do porto sua casa.

Há um conjunto de ilhotas dedicadas a turismo nas proximidades, sendo a mais conhecida o Parque das Conchas.

"Havia uma frota de pequenos barquinhos ancorados na costa, incluindo um enorme cruzeiro repleto de turistas que aproveitavam o feriado prolongado com um programa diferente. [...] O Capitão Bernard tinha uma encomenda para entregar no porto, mas oferecera de bom grado uma carona a seus amigos.Support Conversations, Quem vai fazer você feliz?

MAR PLANO
Por ter águas mais calmas e de fácil navegação que os demais, o Mar Plano tornou-se referência para o comércio em todo o reino. As tempestades repentinas são raras e previsíveis, poucos foram os relatos de naufrágios na região. Barcos a passeio são avistados com frequência, o clima agradável e a presença de ilhotas e rotas do Trem das Águas tornou essa região uma das mais desejadas para se habitar.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Quem vai te fazer feliz? [Support]

Support Conversation (Aedan e Elice)
Gênero: Slice of Life;
Tema: Onii-chan e Parque de Diversões
;
Sugestão do leitor: Shadow Balefrost.

Em cerca de dez minutos o navio atracaria no Parque das Conchas, uma ilhota isolada nas proximidades de Myriad entre o Porto das Lulas e a Ilha dos Geckos. Havia uma frota de pequenos barquinhos ancorados na costa, incluindo um enorme cruzeiro repleto de turistas que aproveitavam o feriado prolongado com um programa diferente.
O Capitão Bernard tinha uma encomenda para entregar no porto, mas oferecera de bom grado uma carona a seus amigos. Elice implorara durante semanas para que seu irmão Aedan a levasse para se divertir quando tivesse uma folga, e ele, por sua vez, montara planos que envolviam passar os quatro dias dormindo na rede da varanda, bebendo algo gelado e beliscando alguns petiscos.
— M-mas você prometeu... — Elice disse cabisbaixa quando percebeu que seu irmão não tinha intenções de levá-la.
— Pede pro tio Ralph levar você — respondeu o homem com o rosto coberto por uma revista, sua tática infalível de fingir que estava dormindo só para que ninguém viesse socializar com ele.
A pequena Elice, que não era boba nem nada, foi reclamar para a pessoa certa.
Aedan não tivera nem uma hora de sono quando viu alguém tirar a revista de sua cara para lhe dar uma bronca.
— O senhor fez uma promessa para ela. — Era Doppel, o anfitrião da casa. Todos na Pequena Colina o respeitavam, Doppel nunca se importara de receber visitas nas horas mais inesperadas do dia e aquela casinha distante afastada de todo movimento era um dos poucos lugares onde Aedan encontrava paz. Mas não naquele dia. Ele jogou a revista em sua cara antes de sair para terminar de assar uma lasanha. — Agora cumpra.
Aedan levantou-se resmungando. Além de perder o primeiro dia do feriado, perderia também o delicioso prato de lasanha, e sabe-se lá o que Elice o forçaria a fazer na sexta, sábado e domingo. Quando piscasse os olhos, tinha medo de já estar de volta ao trabalho na segunda.
Sua irmã ficou toda saltitante quando soube da notícia. Arrumadas as mochilas com provisões, os dois seguiram até a costa onde combinaram com o Capitão Bernard, mas um grupo de cinco pessoas já os esperava de malas prontas. Elice deu um salto para abraçar Auria que quase veio ao chão. Nenhum deles estava esperando companhia, mas agora a viagem seria muito mais divertida.
— O que estão fazendo aqui? — perguntou Aedan.
— Doppel mandou a gente vir — respondeu Peter Lee. — Para ficarmos de olho em vocês.
— É, e ele disse que tu ia pagar a entrada — continuou Lesten. — O almoço tá incluso também?
— Não se preocupe, não vamos dar trabalho nenhum — disse Ralph.
Por falta de uma, agora teria que cuidar de outras cinco crianças.

A primeira visão que tiveram do Parque das Conchas era uma gigantesca roda gigante espiralada, como se fosse um amonita dos tempos ancestrais. Era possível enxergar também uma trilha que dava voltas e contornava toda a ilha, seu auge era no topo da montanha que deslizava para uma queda brusca no meio do mar.
Elice puxou a barra da saia de Auria e falou:
— Eu nunca andei de montanha russa... Acho que tenho medo.
— Não se preocupe, querida. Se não quiser, o Ralph fica cuidando de você — respondeu Auria. — Afinal, acho que nenhum dos dois tem altura para entrar.
O garoto nem protestou, pois faria de tudo para não precisar dar uma volta também.
O navio atracou longe da praia, mas Bernard os levou com um bote até a costa. Elice tirou suas sandálias e pisou na areia macia e branquinha, molhando os pés nas ondas que compartilhavam a euforia de sua chegada. Ela olhou para trás e viu seu irmão que ainda parecia desanimado com a experiência, ele era o único de calça jeans debaixo daquele sol forte.
— Tira esses sapatos! Por que veio todo chique assim? Não estamos num encontro — disse a menina.
— Eu só... não estava muito afim de sair hoje — respondeu Aedan.
Ela revelou um sorriso sereno e fez um aceno com as duas mãos.
— Prometo que vai se divertir de montão, tá bom?

Como prometido, Aedan pagou entrada para os cinco intrusos que o acompanhavam. Lesten estava perplexo, pois morara no lado oeste da Ilha dos Geckos desde que fora afastado do exército e sempre tivera uma visão distante do parque de diversões, ter a chance de visitá-lo era como um sonho realizado; Hayley estava ansiosa para ir ao Castelo dos Sonhos com Lee, enquanto Auria não perderia a chance de visitar a roda gigante com Ralph.
Elice estava eufórica para ir em todos os lugares possíveis, pois ao pôr do sol o parque fecharia e aquela terra que lhe parecia tão encantada se tornaria uma mera lembrança.
— Pessoal, é o seguinte, vamos tentar não nos separar — alertou Aedan. — O parque é grande, e como sei que vocês nunca se comportam como seres civilizados, é melhor que...
Quando Aedan se deu conta, não havia mais ninguém ao seu redor.
Ele correu à procura de sua irmã. Se fosse Elice, qual brinquedo visitaria primeiro? Seu palpite era o Castelo dos Sonhos que Hayley mencionara, onde os visitantes podiam andar de barco por um percurso que percorria um trajeto repleto de música, cantoria, brilho e purpurina. O homem respirou fundo e entrou na atração.
Elice já estava dentro de um barquinho de madeira automatizado na companhia de Lee e Hayley. Ela acenou e pediu que ele se apressasse a entrar. As duas estavam encantadas com os efeitos, a administração do parque preparara uma série de bonecos movidos a magia que flutuavam em frente ao público num jogo de luzes e euforia. Enquanto as meninas se divertiam, Lee e Aedan continuavam de braços cruzados no banco de trás.
— O que não fazemos por nossas garotas — comentou Lee.
— Nem me fale.
— Imagino que você tenha tido trabalho para criá-la sozinho. Não é nada fácil se virar no mundo sem os pais, ter que cuidar de outra criança só dificulta as coisas.
— Eu e a Elice temos quase dezoito anos de diferença, então eu já tinha consciência das coisas — respondeu Aedan, olhando para a menina que se divertia no barco da frente. — Mesmo assim, admito que foi como ganhar uma filha.
Aedan estava perdido em pensamentos quando sentiu alguém tocar sua mão. Encontrou-se com o olhar da menina que estava virada para trás apontando para uma linda ave azul que sobrevoava sob suas cabeças.
— Olha, aquela se parece comigo quando me transformo!
A ave atravessou o teto e desapareceu em um punhado de brilho, feito uma ilusão.
— E aquele ali parece você.
Aedan notou o que parecia ser uma cobra animatrônica que deveria cuspir fogo, só que mais se parecia com uma minhoca gigante vesga. Hayley e Lee tentaram esconder o riso, afinal, nunca haviam tido a chance de ver o tótines assumir sua forma mágica.
— Ele não deve ser tão assustador — afirmou Hayley em claro sinal de ironia.
— Pra mim sempre vai ser meu onii-chan! — respondeu Elice, mostrando a língua para ele no banco de trás. — Se não sou eu para alegrar os seus dias, quem seria, né?
Terminada a volta no Castelo dos Sonhos, Aedan seguiu a garota até o carrossel, que ao invés de cavalinhos tinha diferentes monstros do Reino de Sellure. Para sua surpresa, Ralph estava montado em um dragão negro enquanto Lesten corria desesperado ao redor, ambos estavam imersos em uma perseguição incessante, apostando corrida para ver quem era mais rápido. Auria os assistia comendo pipoca no banco ao lado.
— Por que você não brinca também, tia Auria? — perguntou Elice.
— Porque a altura máxima é um metro e sessenta e cinco, só o Ralph consegue — ela riu. — E também já estou sentindo vergonha alheia o suficiente só de ver esses dois brincarem. Por que não vai lá também?
— Mas carrossel parece coisa de criança... — resmungou Elice.
— Bem, o Ralph e o Lesten apostaram que quem desse mais voltas tinha que pagar o almoço do outro. O carrossel pode parecer lento, mas depois de quinze voltas você se sente esgotado — explicou a mulher. — Vá se divertir, e quando voltarmos, seu irmão vai te comprar uma pelúcia enorme!
— Eu vou o quê? — perguntou Aedan, sem poder impedir Elice que já estava na fila.
Auria ofereceu um pouco de sua pipoca para ele. Os dois ficaram em silêncio observando o carrossel dar voltas e mais voltas.
— Você parece cansado — ela o questionou e, pela cara de Aedan, estava na cara que ele não esperava a hora de ir embora. Vendo Elice brincar cheia de energia, era impossível dizer que os dois eram irmãos. — Sabe, eu sempre fui a caçula na minha família. Às vezes eu penso em como seria ter uma irmãzinha mais nova...
— Leva ela pra você — respondeu Aedan, indiferente.
Auria soltou uma risada alta e quase engasgou com a pipoca.
— Eu até levaria, mas você sabe que ela te adora. Eu jamais poderia separá-los.
— Me adora? A Elice só quer alguém pra brincar. Eu já não tenho idade pra essas coisas, não consigo acompanhar o ritmo de uma criança na idade dela. Às vezes penso que ela seria muito mais feliz com outra pessoa, outra família.
— Você não faz mesmo ideia de como ela te ama, não é? — Auria respirou fundo.
Quando o carrossel parou de se mover, Ralph havia dado vinte e oito voltas sem sair de seu dragão, enquanto Lesten percorrera apenas vinte e cinco correndo feito um retardado. No fim das contas, foi Aedan quem pagou o almoço para todos. Eles marcaram com Lee e Hayley de se encontrarem na lanchonete Espiral, com direito a entradas de frutos do mar e camarõezinhos para beliscar. Aedan não podia reclamar, pois a parte da comida era o mais próximo que tinha de estar na tranquilidade de Pequena Colina, exceto pela barulheira de crianças correndo ao seu redor e gente mastigando de boca aberta e rindo alto.
— Quem é que vai na montanha russa comigo?! — Lesten berrou, se algum desconhecido tivesse se oferecido ele teria aceitado também. — Vamos lá, ruivo, é como andar nas costas de um dragão, só que muito mais emocionante e perigoso!
— E-eu prefiro ficar onde meus pés sentem o chão — respondeu Ralph. — Sério, não é nem por causa da altura, mas é que essa coisa parece ir bem... rápido.
— A fêmea vai junto. Tu pode segurar a mão dela. — Lesten segurou a mão de seus dois amigos e as uniu, mas eles se afastaram envergonhados na mesma hora. Auria ajeitou o cabelo, meio acanhada.
— Alguém tem que ficar e cuidar da Elice...
— Eu fico — Aedan se prontificou. — Não estou disposto a sofrer uma descarga de adrenalina muito alta hoje.
Ele teve que ouvir os quatro falarem em sua orelha pela hora seguinte. Lee e Hayley não apareceram, talvez os dois estivessem muito ocupados, por isso o grupo decidiu ir para a montanha russa. A fila estava enorme, diversos geckos aproveitavam a folga para se divertirem no parque.
Aedan bocejava de sono quando Lee os interceptou na fila, sua expressão estampada num sinal de urgência.
— Pessoal. Encrenca. Das grandes.
— O que tu fez dessa vez, grandão? — perguntou Lesten.
— A Hayley insistiu em me levar para a casa de horrores — respondeu Peter Lee.
— Aqui tem uma casa de horrores? — Elice olhou para seu irmão, o olhar suplicante. — Me leva. Por favor.
— Bom, nós estávamos nos divertindo, mas surgiu um monstro gigante numa sala escura, e... — O homem olhou para os lados e coçou a cabeça. — Eu acertei o coitado com tanta força que ele desmaiou. Agora o brinquedo foi interditado. Só deve voltar a funcionar amanhã.
Auria teve que segurar o riso. Era tão típico dele.
— Mas o problema não é esse — disse o homem. — Depois que voltei da conversa com a gerência, eu não encontrei a Hayley.
— Será que os monstros a sequestraram como forma de punição pelo que você fez com eles?! — indagou Ralph. — Eu sabia que um parque de diversões era o cenário perfeito para iniciarmos uma batalha épica contra as forças do mal!
— Ralph, não viaja. Ela só deve ter ido tomar um sorvete... — respondeu Auria. — Lee, a Hayley é bem grandinha para saber se virar sozinha. Entra aqui conosco na montanha russa, tente esfriar a cabeça, quando sairmos vamos procurá-la todos juntos.
Lee concordou, mas sentia-se desconfortável sem a pequena feneco ao lado. Quando chegou sua vez, Ralph entrou tremendo no carrinho. Não se parecia nem um pouco com a sensação de andar em um dragão — até porque ele nunca tinha voado em um, mas se fosse que nem uma montanha russa, preferia nunca ter de precisar. Auria sentou-se ao seu lado e aproveitou o momento para mostrar o quão corajosa era. No banco de trás, Lesten não parava de tagarelar na orelha de Lee. Elice achava que não poderia entrar por causa da altura, mas se estivesse acompanhada a entrada era liberada, o que obrigou seu irmão a ir também. Aedan e Elice ficaram no terceiro acento, as perninhas da menina mal alcançavam o fundo.
— Aedan, se eu ficar com muito medo, o que eu faço? — perguntou a menina.
— Grita — respondeu ele.
— Mas eu posso te abraçar?
— Não.
Elice o envolveu num abraço.
— Eu vou gritar muito, tá?
— Já preparei os ouvidos.
Primeiro veio o friozinho na barriga. Era possível enxergar todos os arredores no ponto mais alto da montanha, uma visão única das terras de Myriad; Ralph podia jurar que avistara a Vila das Pérolas, Lesten enxergava as três montanhas protetoras da Ilha dos Geckos e ao norte via-se parte da capital de Cortina Escarlate, cidade natal de Auria. A empolgação durou pouco, porque depois veio a queda e qualquer sinal de coragem desapareceu do coração dos heróis. Auria não parou de gritar um segundo, Lesten pensou que fosse morrer e Lee travou na cadeira. Elice se divertia com os braços para o céu e até mesmo Aedan se deu ao direito de sentir o coração palpitar.
Quando o carrinho aterrissou, Auria estava toda descabelada e Lesten sentia as pernas bambas. Ralph era quem estava mais animado com a experiência.
— Uau, foi como andar num dragão de verdade! — disse o garoto. — Essa foi uma das experiências mais loucas da minha vida! Podemos ir de novo?
Todos gritaram não quase que ao mesmo tempo.
O grupo retomou sua jornada atrás de Hayley. Lee continuava impaciente, temia que algo ruim tivesse acontecido a sua pequena, mesmo que estivessem num lugar que julgassem seguro feito um parque.
A busca se estendeu por quase uma hora e ainda não havia sinal da feneco. Quando chegaram próximo à roda gigante, Elice chamou seu irmão e apontou para uma máquina de gancho com pelúcias na entrada.
— Tia Auria falou que você ia dar um pra mim.
— Elice, essas máquinas só servem para extorquir dinheiro das pobres crianças sem coordenação motora, eu não vou deixá-la se tornar mais uma vítima de uma brincadeira fútil feito...
Quando se deu conta, Aedan estava buscando sua carteira atrás de algumas moedas. A menina batia no vidro com dedo, apontando para um ursinho de pelúcia de orelhas enormes no fundo.
— Eu quero aquele ali!
Aedan não era muito bom naquele tipo de jogo. Quando o gancho desceu, eles levaram um tremendo susto quando a pelúcia se levantou e deu um pulo dentro da máquina. Era Hayley quem estava presa ali dentro. Lee saiu correndo quando ficou sabendo do ocorrido.
— O que você está fazendo aí dentro?! — ele gritava enquanto chacoalhava a máquina.
— Eu não sei! Eu não sei! Quando acordei estava aqui!
— Raposinha, só tu mesmo pra dormir no meio de uma praça movimentada — falou Lesten. — Acho que te confundiram com um ursinho de pelúcia perdido.
Dois seguranças tiveram que vir tirá-la da máquina. Elice acabou ficando sem sua pelúcia, mas só de ter Hayley por perto era como ter o bichinho mais fofo de todos.
Resolvida a situação, eles decidiram que não havia nada melhor do que uma volta na roda gigante para relaxar. As cabines eram para duas pessoas, então as duplas já estavam formadas.
— Ah, e o vacilão aqui fica sozinho, né? Pra variar — resmungou Lesten. — Tá bom, beleza. Eu nem queria andar nessa coisa boba mesmo. Ela só fica aí rodando e tu tem que aguentar ficar olhando pra cara feia de quem estiver na tua frente até dar a hora de ir embora...
Uma moça que estava na fila também não tinha companhia. Ela era ruiva e devia ter seus trinta anos, usava um chapéu com um lacinho delicado na cabeça com um vestido que deixava seus tornozelos expostos. Quando Lesten a avistou, seu coração bateu mais depressa.
— Oi, eu... posso ser sua companhia na roda gigante?
O lagarto agradeceu todas as divindades por ter-lhe oferecido tamanha benção.
Aedan e Elice foram os últimos a subirem em sua cabine e logo a roda começou a girar. A menina estava encantada, era uma sensação diferente de estar na montanha russa porque agora tinha tempo de apreciar a paisagem pela janela e ver toda a dimensão da ilha. Aedan estava com a cara monótona habitual, esforçando-se para ser uma boa companhia.
— Olha, Aedan! Acha que dá pra enxergar a nossa casa daqui? — perguntou Elice.
O homem fez que não com a cabeça.
— Será que eles estão se divertindo lá na frente?
Ele deu de ombros, indiferente.
— Você está feliz hoje?
O homem respirou fundo, mas não respondeu. Elice sentou-se e juntou as pernas, parecendo abatida.
— Por que é que você está tão chato hoje?
— Eu tô feliz — respondeu Aedan, forçando um sorriso. — Olha. Felizão.
— Você está tirando uma com a minha cara!
— Não estou. Me diverti à beça hoje.
— Para de zoar comigo! Eu só queria passar uns momentos legais com você, mas pelo visto você não consegue nem fingir que está gostando!
— Escuta, Elice... Estou tentando ser agradável. Você me arrastou para essa droga de lugar e me fez fazer coisas que eu não queria o dia inteiro. Então vê se não enche, tá legal?
A garota recuou atônita, apertou seu vestido e segurou o choro, mas não conseguiria por muito tempo. A roda gigante não havia nem completado uma volta quando ela bateu na porta de sua cabine e pediu para parar. Quando o atendente abriu, Elice saiu correndo pelo parque. Aedan tentou ir atrás dela, mas as pessoas o encaravam cheios de curiosidade e já berravam para que o brinquedo voltasse a girar.
Ele desceu a escadaria, mas não teve sinal de sua irmã. O parque era enorme e só de pensar em ter de procurá-la em todos os cantos já o esgotava. Não queria ter sido grosso com ela, mas às vezes a empolgação de Elice não conseguia acompanhar o ritmo tranquilo que Aedan tentava levar para sua vida, pois todos os outros dias de semana eram cheios de tensão por conta do trabalho.
Um vislumbre percorreu sua mente de onde ela poderia ter ido. Seguiu até a praia logo na entrada, onde os barquinhos chegavam cheio de turistas que vinham aproveitar o dia com suas famílias. Como estava entardecendo, a multidão já se encontrava dentro do parque e apenas alguns casais passeavam enquanto observavam o sol distanciar-se no horizonte distante.
Elice estava sentada abraçando os joelhos e sem as sandálias. Seu irmão fez o mesmo que ela, tirou os sapatos e sentiu a areia nos pés, sem se preocupar em sujar sua calça ou as mangas da blusa. Devia ter vindo com uma roupa mais apropriada para um passeio.
— Por que você saiu correndo? — ele perguntou com a voz mansa.
Elice virou a cara e não quis encará-lo.
— Você acha que eu não gosto mais de você? É isso?
A menina encarou o chão, porque era muito difícil para uma criança entender todos aqueles sentimentos que passavam em sua cabeça. Aedan a envolveu num abraço forte e a trouxe para mais perto de si.
— Desculpa. Eu fui um idiota com você. Você está sempre tentando me fazer sorrir e eu te retribuo com meu mau humor de sempre.
Elice revelou um sorriso tímido, mas ainda não estava totalmente convencida.
— Lembra aquela vez que você tentou preparar o almoço para mim e quase destruiu a cozinha? Eu fiquei uma fera, mas a comida estava deliciosa — relembrou Aedan. — Ah, e quando eu quebrei um dos vasos que a mamãe gostava? Saí furioso para jogá-lo no lixo, mas quando voltei te encontrei no chão, tentando colar as peças com cola...
Elice fechou os olhos e descansou a cabeça no peito dele.
— Quer saber de uma coisa? Você é a melhor irmãzinha que eu poderia pedir. Acho que é você quem não merece um irmão idiota feito eu.
Ela segurou no rosto dele e o encarou com aqueles olhinhos avermelhados que durante os últimos dez anos lhe deram forças para continuar seguindo em frente.
— Eu te amo muitão, tá? Na próxima vez prometo que ficaremos o feriado inteiro em casa assistindo seriado e comendo pipoca.
Aedan não escondeu o sorriso, pois gostara muito da ideia.
— Eu nunca vou deixar nada te ferir. Eu prometo.

Por volta das seis da tarde era hora deles se despedirem do Parque das Conchas. Todas as luzes do cruzeiro estavam acesas e o mar parecia forrado por um espetáculo de brilho refletido na água. Aedan se deu ao direito de aproveitar até o último instante com seus amigos, ele abriu mais e acabou até participando de brincadeiras como o carrinho bate-bate onde Lesten quase saiu no soco com Lee e o barco viking que não era nem de perto a mesma experiência que navegar no Navio Fantasma (e por sinal, o que eram vikings?).
O Capitão Bernard voltou para buscá-los no horário combinado. Ralph e seus amigos teriam muitas histórias para contar quando voltassem, ficando o desejo de irem mais vezes ao Parque das Conchas e levar a tropa inteira quando tivessem a chance.
Ao fim do dia, Aedan sentia-se pleno e feliz. Um pouco cansado, mas ainda tinha o fim de semana inteiro para dar conta disso.

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