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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Quatro Elementos: A Traição [Resenha]


"Uma marca no braço poderia ser uma simples tatuagem, mas, no mundo onde os mutantes vivem, isso significa que seu corpo se transforma para desenvolver poderes de um dos elementos: água, terra, fogo e ar.Ou, no caso de Selena, todos eles juntos. O mundo que os humanos não conhecem é abalado quando a jovem é marcada de forma desconhecida, e os traços que recebeu da transformação foram de uma cor incomum. Selena se tornou a protetora lendária e, o que antes era uma lenda entre os mutantes, torna-se um pesadelo. Sua chegada à academia mutante para ser treinada a controlar suas afinidades se transforma em uma catástrofe, e seus poderes chamam a atenção do mal que, seguindo as profecias, passa a aterrorizar o mundo mutante para tomar o poder.

Em um universo de magia, traição, guerra, romance e aventura, Selena precisará contar com a ajuda dos deuses, dos elementos e de seus amigos para salvar a raça da exposição humana e impedir que o sangue de inocentes seja derramado. Isso se ela puder salvar a si mesma..."

Autor(a): Gabriela Flumignan
Editora: Novo Século - Talentos da Literatura Brasileira
Lançamento: Dezembro de 2018
Altura e largura: 21 x 14 cm
Número de páginas: 448
Gênero: Fantasia, Romance, Ficção, Juvenil

Por que escolhi essa obra?

Eu conheci a Gabriela através de uma recomendação da Raquel, do Raposa Galáctica (que inclusive já chegou a escrever uma resenha maravilhosa sobre Matéria que você confere clicando aqui). Segundo a Raquel, Quatro Elementos estava entre uma de suas obras nacionais favoritas, e isso já me despertou o interesse pelo trabalho da Gabriela.

Nós entramos em contato e eu propus uma parceria entre nossos projetos — eu enviei um exemplar de Matéria, e ela me mandou um dela. Uma das coisas que mais me chamou atenção no seu trabalho foram os stories e a participação da Gabriela nas redes sociais, sempre tentando comentar e interagir com seus seguidores. Inclusive, ela fez uma leva de stories compartilhando suas primeiras impressões de Matéria e eu me apaixonei por sua transparência e forma de se expressar. Eu tinha certeza de que ela saberia passar toda essa espontaneidade para o livro, entregando aos leitores uma história incrível, profunda e cheia de personagens cativantes. Não me decepcionei!

Capa, Design e Editoração

O projeto gráfico do livro ficou por conta da equipe da Novo Século. Para quem não conhece, Talentos da Literatura Brasileira é um selo dentro da editora que visa dar uma oportunidade para escritores nacionais ainda em ascensão. Com uma alta tiragem de cópias físicas, o livro consegue chegar a uma variedade de sites e possíveis leitores dentro do gênero.

Ao meu ver, o título Quatro Elementos não é forte o bastante para se sustentar, perdendo-se em um oceano de histórias de fantasia com a temática semelhante, sem contar que o subtítulo acaba vindo como um spoiler de antemão que poderia ter sido poupado. Com uma diagramação simples, o livro foca em uma leitura limpa que não cansa os olhos em suas quase 450 páginas. Por incrível que pareça, a capa não é do meu agrado — ela falha em se destacar dentre outras tantas capas de fantasias que conseguem vender a história só pela imagem, preservando-se em uma zona segura e misteriosa com tons em roxos. É um trabalho caprichoso, com pouquíssimos erros de digitação (na maioria dos casos acredito que por falta de atenção).

A fonte escolhida foi Garamond Pro, muito confortável de se ler e com bom espaçamento. Dou destaque para os pequenos brindes enviados pela autora, sendo um marca páginas e uma tatuagem que faz alusão à marca no braço da protagonista, um mimo super criativo para os leitores da obra.

Sobre os Personagens

Aqui vai um breve resuminho da história: Ao completar 16 anos, Selena descobre que é uma mutante. Ela passou os últimos anos vivendo ao lado de tios insuportáveis e sua irmã mais nova, Isabela, após a morte de seus pais em um acidente de carro. Toda a trama se desenrola para o momento em que ela é descoberta e levada para a academia dos mutantes, onde sua reputação como futura Protetora Lendária a antecede por conta de sua marca única no braço.

"[...] Se você se sentir como eu, não tiver muito contato com o resto da família e seus antepassados tiverem sido mutantes, ou se você tem alguma marca no braço que não se lembra de ter tatuado, pare de ler. Mas se quiser mais doses de adrenalina no sangue, então me dê sua mão, e eu te mostro tudo. Mas você precisa aceitar o desafio".

Selena é uma protagonista cativante, uma jovem repleta de problemas com quem é fácil se identificar. Ela é destemida quando precisa proteger aqueles que ama, mas ao mesmo tempo extremamente insegura de si mesma. Se ela precisasse se sacrificar para o bem do mundo, ela o faria; mas se fosse obrigada a passar por cima de alguém que ama, iria hesitar. Uma boa história de fantasia precisa de um protagonista forte, ou o leitor não terá a menor paciência de acompanhá-lo, sendo este um dos meus maiores medos com narrativas em primeira pessoa, mas Selena não desaponta.

Há três personagens na trama que merecem destaque — Isabela, Lucas e Daila. O segundo arco foca muito nas novas amizades de Selena na academia, mas enquanto a maioria delas cai no papel de um personagem de apoio, esses três guardam um enorme potencial para o futuro.

Lucas é o principal interesse amoroso, e uma das coisas que mais me diverti foram os pensamentos indelicados de uma adolescente ainda em fase de descoberta. Selena consegue ser doce e meiga, às vezes eu sentia como se lesse uma história colegial, e se tem algo que adoro em universos de fantasia é a aproximação com coisas mundanas e simples. Não é comum encontrar histórias de aventura que deem espaço para o romance conforme progride, geralmente acaba pendendo demais para um dos lados. Um de meus momentos favoritos do Lucas foi a cena da cachoeira, com direito a abraços apertados e companhia em momentos de necessidade.

Daila é uma das garotas que começa cumprindo seu papel como a "exibida que vai ser um pé no saco das garotas nerds". Essa imagem é destruída no momento em que Selena tem um encontro inusitado e passa a se perguntar: "Mas por que ela é assim? Como eu poderia ajudá-la?". Fiquei esperando que sua reconciliação com Daila chegasse até o fim do livro, mas pelo visto vai ficar para depois. Em alguns trechos cita-se a construção de um clã, então fico imaginando como seria tendo Selena como a líder de seu grupo de mutantes para enfrentar as forças do mal. Algumas coisas não podem faltar numa aventura épica!

E claro, Isabela, a pequena e doce irmãzinha da protagonista. O que torna essa personagem tão curiosa é o fato dela flutuar entre ser a maior força e a fraqueza de Selena. A força — ela faria tudo por ela, até mataria — e a fraqueza — enquanto Isabela está por perto, parece que tudo precisa ser contido. As grandes reviravoltas só acontecem quando a menina está longe e em segurança, é como se o potencial de Selena só fosse desperto longe da irmã que ela cuida com tanto afinco. Isso pode trazer uma reviravolta interessante nos próximos volumes, pois até quando ela será capaz de protegê-la?

Deixo aqui uma menção honrosa também para o vilão da história, que vai deixando algumas dicas pelo caminho que desafiam o leitor a adivinhar sua identidade antes do final. Selena e o vilão protagonizam uma batalha épica perto do fim que nos permite construir um forte vínculo através de suas motivações e presença. Se você tiver tido a chance de ler, qual foi seu palpite? Matou a charada antes da metade ou ainda foi pego completamente desprevenindo? Garanto que irá se surpreender!


Sobre a Obra e a Narrativa

A escrita da Gabriela é primorosa, tudo feito em primeira pessoa como se ouvíssemos a protagonista narrar suas aventuras já num futuro distante, mas empolgante o bastante para sentirmos seus dramas, dúvidas e medos no presente. Seu cuidado está em compartilhar os detalhes, a rotina e principalmente os pensamentos de uma adolescente que está passando por momentos difíceis.

A história se passa no Brasil, mas este é um detalhe que quase nos passa despercebido conforme tudo progride. Eu poderia separar a obra em três arcos — o primeiro narra a vida cotidiana de Selena ao lado dos tios, suas dificuldades e problemas na escola. O segundo arco se inicia quando Selena chega à Academia Mutante e passa conhecer mais sobre os elementos, seus novos estudos e companheiros de classe; somos apresentados a esse universo que não se parece tão diferente do nosso (lá eles também sofrem com química e matemática. Te entendo, Selena!). E enfim, o último arco é o que eleva a personagem ao seu ápice, uma sequência de reviravoltas e tragédias que a farão crescer de uma hora para a outra, ou sucumbir diante de seus medos.

Dentre algumas resenhas que li, me deparei mais de uma vez com leitores que se incomodaram com a história se estender demais. Como autor, também escutei muito de pessoas que olharam meu livro (com suas quase 390 páginas muito bem espremidas) e o consideraram grosso demais para uma leitura juvenil. Sendo esta uma história que a autora escreveu aos 12 anos, é de se esperar que sua escrita fosse evoluindo com o tempo. Não me entenda mal — a escrita da Gabriela é uma das melhores que tive o prazer de ler esse ano, tudo muito claro, bem explicado e pontuado —, consegui me imaginar em cada cena, mas alguns cortes no texto teriam feito bem, como em momentos onde a protagonista está sofrendo em meio a suas dúvidas e se pega pensando repetidas vezes no mesmo assunto ao invés de permitir as coisas acontecerem de uma vez. Um autor leva meses para escrever sua obra, às vezes até anos, então nesse intervalo perde-se a noção do que já foi mencionado há algumas poucas páginas. Quando um leitor devora um livro em questão de dias, é muito mais nítido para ele: "Mas ela já não repetiu isso nos últimos dois ou três capítulos?". Sei bem como dói ter que tirar qualquer linha de nosso tão árduo trabalho, porque tudo nos parece importante!

"O futuro é imprevisível e, sempre que olhamos para ele, pode mudar. Espero que mude. Você precisa descobrir seu próprio caminho. Descobrir e realizar a missão com a qual você mesma concordou. Não posso lhe dar um atalho, Selena, muito menos resolver as coisas por você. Mas saiba que nunca vamos abandoná-la."

A existência da magia nesse universo é simples e eficaz. Os jovens que nascem com a marca são os chamados mutantes, e geralmente sua cor é o que definirá sua aptidão — fogo, ar, água ou terra — aquele nascido com a marca roxa está fadado a se tornar o Protetor Lendário, abençoado pelo inédito elemento Universo. Pode-se dizer que esta é a mais pura Jornada do Herói que eu tanto amo. Já ouviu falar sobre esse conceito do monomito de Joseph Campbell? Com certeza vale uma lida para se aprofundar mais!

  • Selena está em seu Mundo Comum (sua insuportável rotina com os tios);
  • Ela é encontrada pelos agentes da academia ao descobrirem a marca roxa, o Chamado que a levará assim para o Mundo Especial (a Academia Mutante);
  • Ela passa a enfrentar seus novos desafios e testes, aprendendo a se tornar uma mutante como eles. Seu objetivo é treinar o máximo que puder para assumir seu manto como A Escolhida e proteger a todos, mas as coisas começam a dar errado;
  • É quando ela passa por sua primeira provação, a morte de um ente querido. Os Guardiões do Limiar começam a dar as caras;
  • O título "A Traição" deixa claro que haverá alguma traição — pasmem! — Ao finalmente confrontar seu inimigo, Selena percebe que já não é a mesma e carregará algumas marcas profundas para a sua vida durante o seu Retorno. Uma Jornada do Herói simples, mas que nos leva a perceber como ela está crescendo e ainda tem muito potencial para voltar transformada nos futuros volumes.
O livro sabe mesclar bem entre a fantasia mágica e até mesmo zumbis — tá virando o fim do mundo agora? *risos* — A autora ainda nos traz uma luta final maluca com a protagonista só de roupas de baixo destruindo tudo, com criaturas bizarras e seu poder sendo testado. 

Segundo a própria autora, serão 6 volumes tendo 4 deles já escritos. Esta me pareceu uma decisão ousada, visto que sagas longas de autores nacionais não são vistas com bons olhos aqui no Brasil. A maioria tem preguiça de ler, ou ama o primeiro volume e decide simplesmente não continuar "se envolvendo com uma história tão longa". Se tem uma frase da autora que eu amei em seu insta, é esta: "Os livros não são meus sonhos, são minha meta!"

Eu sinceramente desejo toda a sorte do mundo para a Gabriela nessa longa trajetória, que ela possa cultivar fãs assíduos e pessoas realmente interessadas em continuar conhecendo mais sobre o universo dos Quatro Elementos. Continue escrevendo, escrevendo, e escrevendo sempre, só para olhar para trás e ver o quanto progrediu! Se ela começou aos 12 anos e então somente 9 anos depois publicou o primeiro volume desta saga, que seja algo para a vida. É como costumo falar em minhas dedicatórias: Que você possa desfrutar da jornada tanto quanto o destino.


Considerações Finais

Já fazia um bom tempo que eu não escrevia nenhuma resenha para o blog, mas é sempre um prazer enorme falar do trabalho de outros autores nacionais. Conhecer a Gabriela Flumignan foi um desses prazeres, uma pessoa que está imersa nesse meio literário e mostra sua vontade em escrever, crescer, e ainda dar conta de todas as obrigações que a vida nos impõe. Eu sinto que Quatro Elementos tem um tremendo potencial, e enquanto a autora se mantiver firme ao seu projeto e seus ideais, os próximos volumes continuarão sendo lançados. Seus personagens são cativantes e cheios de potencial, dando a abertura para que sejam mais explorados e assim continuar surpreendendo. Que as surpresas não parem de vir, e nunca deixe a ousadia em criar cenas de tirar o fôlego!


sexta-feira, 5 de abril de 2019

Auroon: Vestígios do Amanhecer [Resenha]

"Auroon é um mundo dividido por seis grupos elementais representados por cada força da natureza que o rege. O Trono das Sombras, um grupo elemental que tenta obter maior território em Auroon e exterminar os outros grupos, está novamente prestes a iniciar uma guerra, a guerra que todos temiam e se preparavam desde seus nascimentos.

Perdida em uma imensa floresta, Maggie é resgatada por três jovens. E em meio a esse clima hostil de pré-guerra, Maggie e seus três novos amigos tentam encontrar respostas sobre a identidade e memórias dela.

Maggie se aventura em treinamentos e batalhas enquanto enfrenta seus medos e conflitos internos com a ameaça de suas lembranças voltando, atormentando-a por meio de sonhos e visões."

Autor(a): Douglas L. Rosa
Editora: Publicação Independente
Lançamento: Dezembro de 2018
Altura e largura: 23 x 16 cm
Número de páginas: 270
Gênero: Aventura, fantasia, ficção, juvenil

Por que escolhi essa obra?

Por muito tempo eu me perguntei se devia ou não publicar meu livro no Wattpad, pois minha primeira experiência havia sido desastrosa, mas admito que dar uma chance abriu novas oportunidades. O Wattpad é um ótimo lugar para se compartilhar  projetos pessoais e conhecer novos escritores, só é preciso estar aberto a isso, não adianta postar e ficar escondido esperando os comentários chegarem, vá em frente e leia outros trabalhos também, divulgue, aprenda! Um dos autores mais legais que tive a chance de conhecer foi o Douglas, nós dois começamos a postar nossas histórias praticamente juntos e compartilhávamos de interesses semelhantes na questão da narrativa e influências na criação dos nossos universos. 

Apesar das minhas postagens terem sido interrompidas ainda no Capítulo 10 (fiz o que chamam de "degustação", onde os leitores podem conhecer o estilo de escrita do autor e ler a obra de antemão para saber se ela os agrada antes de comprar), o Douglas seguiu firme e forte sua trajetória, conquistando novos leitores aos poucos até concluir sua primeira obra. Um tempo mais tarde, ele veio me contar que estaria finalmente publicando uma edição física e eu não poderia perder a chance de conferir o resultado do seu trabalho, até porque eu não tive a chance de terminar de ler Auroon na época do Wattpad e estava morrendo de curiosidade para saber que fim levaram os personagens que tive a chance de conhecer.

Capa, Design e Editoração

Na minha opinião, uma das partes mais legais de se trabalhar em um livro é todo o processo que se inicia depois que a escrita termina. É hora de começar a pensar na capa, revisão, diagramação, fonte, ilustrações; tudo que o fará ficar com sua cara, apesar de que que, para muitos, é aqui que começa o pesadelo. É preciso investir, encontrar profissionais adequados, ou apenas pagar pelos serviços de uma editora  se o livro não causar uma boa impressão pelo seu exterior quem vai querer ler o que há dentro?

Lembro-me de quando o Douglas me mostrou a capa de Auroon pela primeira vez, eu fiquei impressionado! Ele até me enviou um vídeo onde ela apareceu no Top 30 de capas de livros independentes, o que é muito recompensador. A capa é um super trabalho da Gaby Firmo, que fez um belo uso das cores realçando os olhos e o cabelo que tanto caracterizam a Maggie e seu colar que é uma peça fundamental. A edição ainda conta com um incrível mapa colorido que nos permite conhecer mais a fundo as localizações de Auroon, algo indispensável em uma boa fantasia, apesar de que por vacilo da gráfica ele tenha saído com algumas bordas cortadas.

A publicação independente tem suas vantagens — ela permite que o autor tenha mais controle da obra e faça tudo no seu tempo sem se preocupar com prazos ou pré-vendas realizadas por algumas editoras, além de escolher quais profissionais trabalharão no seu livro. A diagramação e revisão fica por conta da Amanda Salles que fez um belo trabalho, apesar de que um dos problemas que posso apontar na narrativa é quanto a repetição de pronomes como "ele" e "ela", palavrinhas em excesso que poderiam ter sido poupadas com uma refinada no texto e outros errinhos de digitação que sempre escapam, o que pode ser facilmente corrigido em futuras impressões.

O papel utilizado é chamado avena e muito se assemelha ao pólen. O acabamento também é ótimo, eu adorei os detalhes no rodapé das páginas que trazem um símbolo representante de cada um dos elementos de Auroon. Excelente trabalho dos envolvidos!



Sobre a Obra e a Narrativa

A história de Auroon começa quando Maggie desperta em uma floresta, sem ideia alguma do seu passado ou de como foi parar ali. Ela precisa de ajuda, mas percebe estar em um mundo muito diferente do que estava habituada. Suas dúvidas continuam a assombrá-la: De onde ela veio realmente? Será que pertencia mesmo àquele lugar?

Sua busca pelas memórias perdidas se inicia quando Maggie conhece seus companheiros de viagem  Flêur, Guido e Dandara, os três amigos servem como os guias ao leitor para Auroon e ajudam a protagonista a trilhar seu caminho, cada um se fortalecendo e ganhando mais confiança em suas próprias habilidades conforme a trama progride. Dandara é uma guerreira forte e precavida do povo da terra; Flêur é o mais experiente e sensato, um pouco desconfiado, mas precavido e sempre em busca de se aprimorar; enquanto Guido é mais enérgico e espontâneo,  o coração do grupo, apesar de sentir-se incapaz e inseguro diante dos demais.

Em um súbito ataque à Florestal Central, descobrimos que Auroon é um mundo assolado por constantes batalhas e disputas por território com o Trono das Sombras que visa expandir seus domínios. Os heróis são levados a diferentes localidades enquanto somos inseridos no contexto dos povos elementais, com ricas descrições que nos ajudam a mergulhar nesse universo fantástico. O leitor também é apresentado a diversos outros personagens importantes como Uriah, Nommo e Anuar  companheiros de batalha, líderes, guardiões  que fazem a trama se movimentar; mas também conhecemos muito do lado dos vilões e suas ambições. Enquanto isso, Maggie segue seu treinamento intenso e descobre pouco a pouco do que é capaz.


""[...] Este mundo é composto por seis grupos elementais. Esses grupos são regidos por forças da natureza que formam Auroon. São elas: Água, Terra, Ar, Floresta, Luz e Escuridão. Essas forças devem estar em perfeita harmonia para que este mundo não se destrua  Guido, Capítulo 3.

A leitura é bem simples e direta, com a guerra no encalço são raras as ocasiões onde os personagens discutem qualquer coisa que não tenha relação com Auroon, eles estão constantemente treinando e  se preparando para o que está por vir enquanto tentam descobrir mais sobre o passado de Maggie.

O livro é recheado de batalhas, os ataques são repentinos e frequentes, é tensão o tempo todo! Há uma gama de personagens que cumprem bem o seu papel para dar a ideia da dimensão da batalha, e que embora Maggie seja uma peça fundamental, ela nunca poderá vencer sozinha. Os duelos se tornam grandiosos com a aproximação da última batalha — que acontece mais ou menos em 3/4 do livro, o que nos deixa com uma pulga atrás da orelha, afinal, que outras revelações poderão acontecer nas páginas finais? —, vemos heróis e vilões caírem, os companheiros de Maggie têm seu próprio desenvolvimento enquanto a protagonista cresce e evolui a cada capítulo, talvez em uma velocidade até maior do que os demais. O mais incrível para mim foi na conclusão, porque é quando somos apresentados a uma nova visão desse universo que é muito maior do que imaginávamos! A experiência em Auroon que começou no Wattpad deixa uma sensação de dever cumprido, o livro abre um gancho para continuação, ainda que tenha fechado as devidas pontas necessárias  e introduzido tudo que precisávamos saber nesse volume.

Sobre os Personagens

*Opa! Aqui haverão alguns SPOILERS, então leia a seu critério!*

Para começar, preciso falar de um dos meus personagens favoritos: Tholgro, o grande antagonista da jornada. Ele aparece ainda no começo do livro, o que permite gerar um pouco mais de empatia por esse figurão maligno. Tholgro possui seus próprios generais — os Guias das Sombras  que tentam manipulá-lo tendo em vista que ele é muito novo, eles visam conseguir seus próprios objetivos enquanto Tholgro sofre diante de seu passado que é uma das peças fundamentais na construção do personagem.

Ao meu ver, foi um ato muito justo Tholgro ter sido poupado. Nada me tira da cabeça que ele era apenas incompreendido, alguém que cresceu em um meio cruel e nunca aprendeu valores como empatia que nos definem como viver em sociedade, ele tem um grande potencial para ser explorado mais para frente.

Maggie foi quem mais evoluiu em toda sua trajetória, o ápice para mim foram as memórias de sua vida na terra, antes de vir para Auroon. A revelação de que existem outros mundos é genial, e ela tendo a capacidade de controlar os portais abre uma infinidade enorme de possibilidades para a continuação! Sem sombra de dúvidas minhas parte favorita.

Flêur é outro que teve um excelente desenvolvimento, lembro de quando eu brinquei com o Douglas que achei engraçado um personagem forte como ele ter o nome de Flor em francês, mas o autor brincou que seu sobrenome também é de uma flor, Rosa! Flêur é quem mais cresce dentre os três amigos de Maggie, fiquei com o coração na mão quando ele estava à beira da morte. Sempre senti que ele e a Dandara tinham um bom entrosamento, então fiquei contente de ver que meu shipp era real. *risos* 

Eu gosto da forma como os personagens de Auroon buscam sempre melhorar e se ajudar, vejamos o Guido por exemplo que segue no seu próprio ritmo e acaba colaborando com o que estava ao seu alcance. Por sinal, quando Guido se declarou para a Maggie e ela não pôde aceitar seus sentimentos, foi um gesto muito maduro. Não há como empurrar um sentimento onde não existe, e apesar dele ter ficado abalado, mostra como todos os personagens evoluíram desde que se conheceram.

Eu imagino que em futuros volumes os treinos diminuirão e haverá mais espaço para explorar o desenvolvimento de algo maior entre esses quatro, eu diria até mais pessoal. Eles formam um belo grupo e têm potencial!

Considerações Finais

Auroon é uma fantasia recheada de poderes místicos, e mesmo que não haja nenhuma raça peculiar ou magia complexa, é um mundo que se assemelha muito ao nosso em diversos sentidos. Histórias de fantasia tentam sempre nos mostrar algo próximo da realidade, onde por trás da magia há conceitos universais como a luta por um bem maior, perseverança e até perdão. Quando se constrói um universo fantástico, um dos pontos que mais adoro são as interações entre os personagens e como eles lidam com fatos corriqueiros que soam tão diferentes para alguém de fora como Maggie. Auroon não é mundo muito complexo de se imaginar, eles são muito apegados à fauna e a natureza, assim como os próprios elementos, enquanto os vilões só querem expandir seu domínio. Fica clara a mensagem de que a guerra só traz sofrimento, mas precisamos nos unir para combatê-la. Maggie pode até não parecer a "escolhida", mas ela se esforça até o final conforme vai ganhando mais confiança em si mesma. Os personagens são cativantes e o final abre um leque de oportunidades para mais, vemos que eles podem se envolver em inúmeras outras aventuras. A possibilidade de explorar outros mundos é o que me deixa mais ansioso por mais! Quem sabe onde essa jornada levará? 

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Makai Mail [Resenha HQ]

"Makai, um lugar hostil dividido por reinos fechados após uma grande guerra, para prover a comunicação entre estes, uma empresa de correio chamada Makai Mail foi instituída. Seus entregadores são capazes de realizar qualquer encomenda, enfrentando os maiores desafios e perigos existentes no mundo de makai.

Mas desta vez a encomenda é diferente, uma súcubo será ofertada como moeda de troca para firmar uma aliança entre dois reinos, porém esta entrega irá relembrar Devi (um dos melhores entregadores de toda a Makai Mail) de certos assuntos em seu passado que ainda estão pendendentes."

Autor(a): Jayson Santos
Idioma: História em Quadrinho Nacional - Português (PT-BR)
Lançamento: 1º edição, Julho de 2018
Altura e largura: 14 x 21 cm
Número de páginas: 176
Publicação Independente

Como foi que conheci a obra?

Esse não é o primeiro trabalho do Jayson Santos a dar as caras aqui no blog. Ano passado eu fiz uma resenha de Hooligan, sua primeira publicação física, então minha expectativa estava alta.

Eu conheci o Jayson em um evento de animes em São José dos Campos e desde então venho acompanhando seu trabalho. Makai Mail foi inicialmente lançado pelo Catarse, um site de financiamento coletivo. Ele atingiu 95% da meta, mas como a campanha era flexível — o realizador recebe todos os recursos mesmo que a meta não seja atingida — Makai encontrou seu lugar na luz do sol (eu diria nas sombras, porque essa terra se localiza no submundo é dominada por monstros e criaturas bizarras, mas encanta como a boa obra de fantasia que é).

Só para introduzi-los ao projeto, deem uma olhada nesse vídeo incrível usado na divulgação da campanha. Tem como não ficar animado?



Capa, Design e Editoração

O projeto gráfico de um livro, HQ ou mangá diz muito sobre a qualidade da obra como um todo. Alguns devem se lembrar que em meados dos anos 2000 a média de preços de um mangás era 7 reais, mas eles tinham menos páginas e com um acabamento muito inferior (sem contar crise, aumento do dólar e afins, claro). Escolher uma boa gráfica para realizar a impressão e aumentar o número de páginas é primordial, pode até encarecer o produto, mas os consumidores de hoje em dia estão prezando bem mais a qualidade, até porque grande parte dessas histórias estão disponíveis online para qualquer um ler. Ter a obra física em mãos é sempre uma sensação única, dá até gosto de contribuir.

Eu já gostava muito do trabalho feito em Hooligan, mas Makai Mail elevou o nível e foi além. Quando fui buscar meu exemplar no Anime Friends, fiz um comentário com Jayson que até me senti mal depois. Eu falei: "Cara, agora ficou muito profissional!". Se analisarmos o sentido da frase, eu não quis dizer que Hooligan ou seus outros trabalhos fossem menos profissionais, mas é que Makai Mail recebeu um cuidado impressionante que se compara ao de editoras grandes.

Quem pensa que terminadas as ilustrações o trabalho acabou, está muito enganado. É como pensar que o difícil de publicar é um livro seja apenas escrever (ah, doce inocência...) É aí que o trabalho de um artista começa: vender. De que adianta ter um projeto impecável que não chega ao seu público? É muito importante um artista independente separar uma grana para se divulgar em eventos como o Anime Friends, foi uma excelente ideia realizar o evento de lançamento por lá. A mesa do Jayson estava incrível, com direito aos três primeiros volumes de Hooligan, outro original chamado Player e algumas decorações (eu devia ter tirado uma foto para mostrar!)

Quando peguei Makai Mail em mãos, a qualidade gráfica do projeto Mail me deixou de queixo caído. Os apoiadores receberam um marca página com os dois lados impressos em papel brilhante, um panfleto de agradecimento pelo financiamento no catarse, um pequeno cartão postal e um belíssimo pôster em A4. Esses brindes sempre conseguem fisgar o olhar dos curiosos!


Sobre a Obra e o Autor

Eu sempre me impressionei pelo trabalho do Jayson Santos por conta de sua dedicação e foco. Makai Mail não é uma história curta, são 148 páginas ilustradas de história e 28 de extras, se não houver esforço por parte do autor é muito fácil abandonar um projeto ainda nas primeiras páginas ou levar incontáveis anos até sua conclusão. No Catarse, você estabelece a meta de quanto tempo irá levar para concluí-lo, e o Jayson cumpriu com todas as expectativas. O lançamento oficial ocorreu no Anime Friends em Julho de 2018.

Só quem já foi artista independente sabe como é difícil. Não se trata apenas de desenhar ou escrever, é preciso revisar, diagramar, preparar o texto, fazer todos os ajustes, procurar uma gráfica decente e fazer testes para que nada saia errado na versão definitiva. Eu não canso de me impressionar com a qualidade e o cuidado do autor com cada cena, indo desde retículas e tones até os cenários caprichados, que ao meu ver é uma de suas maiores qualidades (posso contar nos dedos quantos artistas que conheço se preocupam em desenhar cenários, rs).

A história de Makai Mail se passa em um universo rico e palpável. Esse submundo onde os personagens vivem possui suas próprias excentricidades, eles são monstros, zumbis, nereidas e demônios, mas vivem seu dia-a-dia como nós. No fim do expediente, nada melhor do que uma ida ao bar com os colegas de trabalho depois de peitar o rei de uma nação rival, rs. O roteiro é tão cheio de carisma e personagens intrigantes com seus próprios poderes, todo protagonista do Jayson consegue se reinventar a cada história nova. No fim das contas, por mais perigosa que a aventura se torne, Devi é só um entregador de cartas, mas quem diria que é possível viver tantas aventuras?

Um dos pontos que mais me surpreendeu foi a consistência do enredo. Vemos uma fórmula crível que segue o caminho de Levi em sua entrega da súcubo Lilly. Cada ponta é fechada como deveria, e apesar de ter sido lançado como uma one-shot, também somos introduzidos a alguns mistérios maiores que poderiam facilmente estender Makai Mail a uma trama mais longa e complexa. Quem sabe no futuro, não é?

As páginas finais estão recheadas de extras, com direito ao mapa de Makai, diversas curiosidades do processo de criação e galeria de artistas convidados.

Sobre os Personagens

Makai Mail tem uma gama de personagens incríveis. Devi é um excelente protagonista, ele possui seus próprios segredos referentes ao passado e é forte o bastante para levar a trama adiante por si só. Devi conhece muito sobre Makai, e por isso foi muito importante ter a ajuda de personagens de apoio como Lilly e Anti para nos introduzir a esse universo.

Lilly, por sinal, é a súcubo que será ofertada como sacrifício. Ela sabe pouco sobre tudo, tendo sido mantida presa a vida toda, mas cumpre bem sua função e é adorável acompanhá-la enquanto ela descobre mais sobre o mundo em que vive.

Lumya e Ember são dois dos melhores entregadores da Makai Mail. Enquanto eu acompanhava o desenvolvimento do projeto, imaginei que não haveria tanto espaço para explorá-los, mas me surpreendi com as cenas em que eles apareceram e logo de cara a Lumya se tornou uma de minhas favoritas! Makai é mais do que uma empresa de entregas, eles formam um time, uma guilda como Fairy Tail, consigo visualizar cada um desses personagens como se este fosse apenas o episódio piloto de um anime prestes a sair.

Makai é tão cheia de suas próprias peculiaridades que você acaba se divertindo num cenário tão sinistro. Os monstros têm suas próprias crenças sobre humanos e bebem leite quase como se fosse uma bebida sagrada, é a cervejinha do fim de semana deles. Para mim, uma das maiores surpresas foi Anti, o estagiário. *risos* A página final de Makai fez meu dia valer a pena!

Considerações Finais

Cada novo lançamento do Jayson é uma agradável surpresa para mim. Não apenas pela qualidade do projeto, mas por sua jornada como artista independente. Makai Mail é a prova de que não ter a grana certa no momento não é desculpa para deixar de fazer algo, ele entrou com o financiamento coletivo do Catarse, fez uma campanha excelente e aprendeu com os erros de sua primeira tentativa (o volume 3 de Hooligan não deu certo, mas Makai Mail superou tanto as expectativas que foi possível produzir ambos), com um pouco de criatividade e determinação é possível atingir seus sonhos e criar projetos incríveis.

Makai Mail é uma daquelas HQs que sempre recomendarei aos amigos quando tiver a chance. "Tá vendo esse cara? Ele é FODA!" É difícil expressar o quanto fiquei feliz em apoiar esse projeto e vê-lo tomando forma. Existe muita gente habilidosa no Brasil, só esperando a chance. Você pode contribuir comprando e consumindo produtos nacionais, garanto que não vai se arrepender.

E não esqueça que você já pode comprar no link abaixo!





quinta-feira, 19 de julho de 2018

Imaginetrium - Materializando Sonhos [Resenha]

"Um sistema onde todos podem ser iguais é aparentemente perfeito. Mas onde se encaixam aqueles que ignoram o roteiro e decidem os seus próprios sonhos? Eles não se encaixam. Eles simplesmente desaparecem.
Anthony vê seu melhor amigo ser sequestrado pela Máfia e jura para si mesmo que fará de tudo para resgatá- lo. Não podendo recorrer à polícia, Tony conta apenas com um aliado inesperado: um velho louco.
Disposto a tudo, o garoto não faz ideia do que o espera em sua jornada."

Autor(a): Andrey Gaio Lima e Daniel Jahchan
Editora: Novo Século
Lançamento: 2018
Altura e largura: 21 x 14 cm

Número de páginas: 176
Gênero: Aventura, fantasia, ficção, infantojuvenil.

Por que escolhi essa obra?

Eu tive o prazer de conhecer o Daniel Jahchan e compartilhar de seu talento no lançamento da antologia "As Lendas de Colina" da qual também faço parte. Tomei conhecimento de Imaginetrium através de suas redes sociais, o projeto estava na fase final de publicação, com capa e tudo pronto. O livro é um trabalho em conjunto com Andrey Gaio Lima do canal Batima Animes. Vamos ver o que essa dupla inusitada preparou para nós?

Imaginetrium me atraiu por dois fatores: como sou do ramo de fantasia voltado para um público mais juvenil, imaginei que seria uma boa leitura da minha área; além da capa chamativa, ele também é todo ilustrado  o projeto gráfico num geral é um trabalho incrível de Nair Ferraz e Rafael Pen. 

Capa, Design e Editoração

A capa é a porta de entrada para um leitor que, convenhamos, muitas vezes também não faz ideia do que está procurando quando vai à livraria, rs. Você precisa fisgá-lo com elementos que o atraia, ao meu ver essa é a importância de uma boa ilustração, sua história pode assumir uma identidade completamente única e diferenciada. Quando os autores optaram por um estilo cartoonizado dos personagens, eles determinaram o seu público. Em uma conversa com o Daniel Jahchan, ele me contou que a princípio a ideia era trabalhar em estilo mangá, mas ele e Andrey decidiram que usando cartoon seria menos nichado, ainda mais falando do Brasil.

A Novo Século como sempre nos entrega um material de qualidade, desde a diagramação até os detalhes nos cantos de páginas e, claro, as ilustrações. 

A fonte Crimson em bom tamanho e o papel pólen tornam a leitura agradável, é possível terminar a obra em uma tarde se você se envolver com ela. Na primeira vez que abri o livro para dar uma folheada, admito que tomei um tremendo spoiler... Há quem acredite que imagens que denunciem pontos chave da trama podem desagradar leitores desatentos, mas em raros casos isso também os instiga a chegar logo àquele ponto, afinal, a parte boa de se acompanhar uma história é o desenrolar dela, ver como os personagens crescem e superam seus desafios. Eu acredito que isso também possa aumentar a vontade para chegar até o fim e entender o que estava acontecendo lá. Mas fica a dica, se não quiser tomar spoilers, não folheie!

Sobre a Obra e a Narrativa

Imaginaterium é um mundo onde sonhar não é apenas sentar e imaginar as coisas  elas realmente acontecem e tomam forma, principalmente através das crianças. Com um tecnologia mais avançada do que nosso tempo, vemos elementos futuristas misturados ao nosso cotidiano. A trama começa quando Anthony e Edgard ganham a chance de conhecerem seu ídolo, o Super Timothy, mas acabam se envolvendo em um sequestro. Ao ver seu melhor amigo em apuros, Tony sai em uma jornada que talvez seja grande demais para alguém de sua idade. Ele é só uma criança nesse mundo enorme e está suscetível ao fracasso e decepções.

Logo de cara a escrita me remeteu ao trabalho do Jahchan, que reconheci por conta de sua primeira obra publicada, "Guerra das Raças - A Caça aos Desertores", mas achei melhor mandar uma mensagem para ele só para confirmar, rs. Daniel me contou que ele e o Andrey discutiam pelo skype antes de escrever cada capítulo para que ficasse no agrado para ambos os lados. Quando se trabalha com outra pessoa em uma história, é importante certificar-se de que haverá homogeneidade na linguagem e a narrativa não ficará inconstante caso os capítulos se revezem entre os autores (porém, vale citar que há casos onde são trabalhados pontos de vista de personagens, de forma que a diferença na escrita não interfira tanto na narrativa). Eu já trabalhei em parcerias com outros autores e sei das dificuldades. Ao mesmo tempo que ambos podem unir forças para ter mais ideias e compartilhar opiniões, é preciso que os dois se dediquem na mesma intensidade. Como a internet facilita o contato, muitas vezes você nem precisa estar do lado da pessoa para escrever e criar algo. Andrey e Daniel compartilham do interesse por animes, cartoons e mangás, por isso imagino que na maioria das vezes suas ideias batessem batessem perfeitamente. 

Eu imaginava que veria a imaginação rolando solta em uma história onde os sonhos são tudo, mas achei curioso como esse mundo fantástico se pareceu tão palpável e próximo de nossa realidade. Cada personagem desempenha bem seu papel e o tempo todo visitamos o ponto de vista de alguém diferente, dando mais profundidades a suas ambições e batalhas pessoais.

Eu gosto de histórias que nos deixam uma mensagem, por mais simples que seja, e os autores souberam trabalhar diversos pontos com muita precisão. O vilão por exemplo tem um caráter duvidoso, mas você percebe que ele passou por seus traumas até se tornar quem ele é atualmente. As ilustrações implicam tortura, explosões e porrada, o que é uma prova de que só por ser cartoonizado não significa que a temática precisa ser infantil.

Sobre os Personagens


*Opa, essa parte terá alguns SPOILERS! Leia sob seu próprio risco*

Em Imaginetrium, vemos diversos pontos de vista diferentes — os mais frequentes são Anthony, Edgard e o Senhor Louco com cerca de cinco/seis capítulos cada, mas também contamos com Vivian, Super Timothy, Duds, Cristina e Fran a mãe de um dos protagonistas.

A amizade entre Anthony e Edgard é bonita e sincera, o pequeno Tony o respeita como a um irmão mais velho. A cena de bullying no início é daquelas bem manjadas, mas sempre funciona para estabelecer uma amizade forte entre personagens. Se eu tivesse que definir um protagonista para Imaginetrium eu diria que é o Anthony, a maior parte da trama gira em torno do menino, mas tudo que ele faz é por Edgard, então fica difícil dizer. Mas a forma como um trabalha pelo outro é a chave em Imaginetrium.

Eu gostei muito do fato de Anthony e Edgard serem fãs de uma celebridade teen, enxerguei muito de nossa atual sociedade onde muitos youtubers são idolatrados por crianças e jovens. O fato de um dos autores também ser youtuber é interessante, eles estão cientes disso, são formadores de opiniões para essa geração e Super Timothy reúne todo um lado ruim e negativo da mídia, mas no fundo ele ainda é humano, um rapaz jovem que tentou a redenção mas optou por um caminho pior. Como os personagens não passavam de crianças, foi muito importante eles combaterem um vilão que não fosse invencível. A ideia de que as armas utilizadas através da materialização têm efeito momentâneo foi uma de minhas partes favoritas — uma morte simbólica, aquele o momento em que a pessoa morre para você, porque já não a reconhecemos mais.

Outro personagem que merece destaque e aparece desde o comecinho é o querido Senhor L que passa a desempenhar um papel fundamental como mentor. Envolto em seus mistérios, ele é um dos que mais cresce na trama. Alguns dos capítulos são escritos no ponto de vista de personagens menos importantes como Duds, mas que servem para retratar a forma como ele enxerga, suas falas cercadas de malícia e maldade. Ah, e também destaque para a Fran, mãe de Tony (quem é da área de fantasia sabe como os pais sempre começam mortos ou nem existem nessas histórias, rs. É raro ver uma mãe que desempenha um papel importante!).

A última figura que dedico um espaço especial é Vivian (admito que foi por causa dela que quis comprar o livro, a aparência dela é muito show!) Eu fiz minha lição de casa e decidi ir atrás do canal Batima Animes — que até o presente momento consta com mais de 600 mil inscritos, um número impressionante —, mas pense em mim como um cara que não frequenta muito youtube e não entende nada disso, rs. Pelo que observei, grande parte de seus seguidores são de um público otaku e alguns dos vídeos mais recentes trazem uma temática ecchi (para quem não sabe o que significa, são animes mais sensuais). Eu pude enxergar um pouco dessa influência na Vivian, ela é o tipo de protagonista badass dos animes. Sua cena no livro inclusive carrega o símbolo do batman na calcinha, representando o canal de Andrey. Eu sempre me diverti com esse tema e adorei a personagem, apesar de eu não assistir quase nenhum anime hoje em dia, também tive minha fase de otakinho que ia pro shopping com bandana de Naruto. Quem acha que a Vivian merece algumas fanarts? ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Considerações Finais

Reunindo as várias ideias de Daniel e Andrey, só podia ter saído uma obra divertida e que entretém, repleta de personalidade, ilustrações de qualidade e momentos de tensão. Com ótimos personagens e um enredo bem estruturado, Anthony e Edgard seguem sua jornada amadurecendo com os desafios que a vida lhes impões, mas eles nunca estão sozinhos. Imaginetrium foi feito para um público juvenil, mas sua mensagem pode ser apreciada por qualquer pessoa. Só porque o estilo de desenho é cartoonizado não significa que a história seja voltada apenas para crianças, pelo contrário. Com criatividade, eles nos entregam um trabalho que representa de forma conveniente os dias atuais e certamente deixará o leitor refletindo após a conclusão. As mensagens que carrego comigo são de que vida não é um mar de rosas, que as consequências devem ser encaradas e superadas, mas, principalmente, que a amizade e os sacríficos que fazemos pelo mundo podem durar para sempre.

domingo, 8 de abril de 2018

Alys - Elemento Alpha [Resenha]


"Alys era só uma garota supervalorizando seus pequenos problemas adolescentes. Até que uma simples incursão abriu mais que o mundo que ela desejava conhecer. Abriu os seus olhos pra verdadeira natureza dos metais Nifrity e as responsabilidades de ser a única pessoa capaz de mantê-los em segurança. Agora, ela precisará desenrolar o emaranhado de segredos em que sua vida foi mantida, aprender a dominar seus poderes e encontrar seu guardião antes que a escuridão chegue. Uma aventura fantástica repleta de mistérios, aprendizado e superação, que levarão uma garota a se transformar em uma guerreira e encontrar o seu lugar no mundo."

Autor(a): Priscila Gonçalves
Editora: PenDragon
Lançamento: 2017
Altura e largura: 23 x 16 cm
Número de páginas: 354
Gênero: Aventura, Fantasia, Ficção, Infantojuvenil

Por que escolhi essa obra?

Sabe aquela história de que o leitor escolhe um livro pela capa? Sou formado em Design Gráfico e não importa o argumento, como não se sentir atraído por uma ilustração bem feita?

Eu encontrei Alys meio que por acaso — não conhecia a Priscila, ninguém me indicou o livro e eu não fazia ideia de qual era a história. Eu fui atraído pela capa e pelo trabalho da autora divulgando a obra em seu perfil no facebook. Esse, sem sombra de dúvidas, foi o fator mais importante. Para ser sincero, eu nem me lembro ao certo como foi que adicionei a Priscila, mas uma das coisas que mais adoro dos autores nacionais é essa possibilidade de conhecê-los, conversar e ser sempre recebido de portas abertas. Quando descobri que ela era a autora de Alys, aproveitei o embalo para pedir que meu exemplar viesse autografado, rs. Não há nada melhor do que ver um escritor que fala de seu trabalho com brilho nos olhos, você se sente instigado a conhecer mais desse universo. Alys foi o meu primeiro contato com os trabalhos da Editora Pendragon e só tenho elogios a fazer, tive uma leitura incrível de mais uma obra nacional de fantasia.

Capa, Design e Editoração

Um dos elementos que mais me atraiu em Alys foi a capa. Basicamente todo o enredo da história gira em torno de metais — não daqueles sólidos e pesados como estamos habituados — é como se os fossem a manifestação física de toda magia e energia contida no universo. A escolha das duas fontes para compor o logotipo e as demais imagens também foram excelentes. Um trabalho impecável dos ilustradores. Murilo Magalhães, Apolo Moreira e Éder Max.

No blog Vitamina L, encontrei uma entrevista com a autora datada de 2016, um ano antes do lançamento oficial. É comum um autor usar capas provisórias até chegar à oficial, ao lado vocês conferem uma das versões de Alys que encontrei. Percebe-se que o uso de roxo e azul se manteve para trazer toda a ideia do lado místico, outra grande escolha foi colocar a protagonista na capa que possui um visual chamativo por si só.

A editora fez um trabalho incrível com toda a diagramação e os detalhes. Fonte legível, papel pólen e uma das surpresas é que o exemplar ainda acompanha um papercraft da protagonista. Há um cuidado notável com todo o projeto que só me faz querer conhecer mais e mais o trabalho da galera da Pendragon.

O único defeito que aponto (que para ser sincero, não sei se foi erro da revisão ou se trata de uma característica da escrita da autora), foi no uso de vírgulas e inúmeras palavras comidas ou trocadas por falta de atenção. Nada que alguns ajustes futuros não possam consertar.

Sobre a Obra e a Narrativa

O universo criado por Priscila Gonçalves é mágico e intrigante. Sou da área de fantasia e estou sempre aberto a ler sobre ideias inusitadas de outros autores. Como tantos outros leitores, estou cansado de anões, elfos, orcs e faço brincadeiras com o uso exagerado de dragões por aí (apesar de ainda protegê-los com todas as minhas forças, rs). O que vi em Alys não se trata de uma reciclagem tediosa dessas ideias que já conhecemos (Eragon, estou olhando para você), cada criatura respira novos ares sob uma narrativa divertida e inusitada.

Nos primeiros capítulos, somos apresentados ao cotidiano de uma garota que se vê isolada do mundo sob o olhar vigilante de seu pai. Como toda boa Jornada do Herói, este é o "Mundo Comum" da Alys, ela anseia por aventura e uma vida longe de seu regime fechado, mas ela segue no aguardo desse chamado. Desde que passei a entender os conceitos do monomito de Joseph Campbell, venho tentando prestar mais atenção na maneira como um personagem é inserido na trama— Alys recebe o chamado com a chegada ao antiquário, seu amigo Kyer serve como um mentor e ambos passam por uma série de desafios até chegar ao "Mundo Especial". No entanto, senti que a narrativa da primeira metade do livro foi arrastada. Intensa, porém extensa demais. Durante quase 100 páginas, Alys e Ky estão em uma fuga frenética, Alys é afligida por  inúmeras perguntas e dúvidas como a boa personagem curiosa que é, mas ela sempre recebe a mesma resposta: "depois falamos sobre isso". O universo criado por Priscila é incrível, cheio de nomes e lugares complexos, mas o leitor demora para assimilá-lo tanto quanto a personagem. Lembro-me de um trecho que a própria Alys brinca: "Já reparou que sempre que era hora de me darem respostas, algo inesperado acontecia?" Isso na página 311. Todo mundo quer que ela assimile essas informações, mas parece que ninguém tem paciência de sentar e explicar-lhe com calma (o que é perfeitamente compreensível visto que eles estavam numa corrida contra o relógio).

O Mundo Especial da autora, também conhecido como Nafh'ta, foi muito bem explorado. Ele traz a ideia de aconchego que os personagens precisavam, um porto seguro. É aqui onde tanto Alys quanto os personagens a sua volta começam a progredir de verdade. A ideia de um mundo futurístico e o destaque para os metais me fisgou desde o princípio (quem me conhece sabe que sou fascinado por pedras). Quando somos inserido à rotina de Alys, vemos como a vida dela se parece com a nossa e não temos ideia da importância de sua função como Elemental. No momento em que ela encontra o antiquário onde o cajado e os livros são descobertos (outro cenário intrigante e muito bem descrito), a parte fantasiosa começa a aflorar. Em Nafh'ta é onde acontecem todas as reviravoltas. Mesmo depois da chegada à floresta, ainda nos deparamos com invasões e a batalha contra o tempo segue acirrada para que Alys cumpra sua profecia como Elemental na primeira lua. Deixo meus elogios para cada ambiente explorado de forma tão criativa, no último ato temos o Templo Submerso e o desencontro com um peixe gigante das profundezas, minha imaginação rolou solta como se os personagens atravessassem a fase final de um jogo!


A mitologia do Construtor e sua criação é fascinante e plausível, desde a forma como as magias são conjuradas até a maneira como os metais reagem. A autora criou um universo que funciona incrivelmente bem dentro de sua proposta — vemos elfos, fadas e até um dragão (da forma mais inusitada que você imagina), afinal, quem não gosta ver suas raças favoritas exploradas de maneira criativa? Os monstros, por sua vez, são compostos por criaturas esqueléticas e eles cumprem bem seu papel apanhando e dando o devido medo quando necessário.

Um dos temas que mais fiquei contente ao me deparar foi a mistura de raças. Aqui vai um pequeno spoiler: Alys é uma mestiça (de muita coisa louca, diga-se de passagem! - rs). Eu adorei a maneira como a autora explorou essa diferença numa época onde é tão importante discutirmos esse assunto, sou daqueles que acredita que o amor supera qualquer coisa e fiquei contente por ver esse valor ser passado adiante em personagens como Ky e Laiza, mesmo que de forma discreta. Eles ainda passarão por muita coisa caso esse relacionamento seja explorado no próximo volume.

Alys segue melhorando a cada página, o treinamento dela foi divertido de se acompanhar, uma agradável surpresa porque é comum que a narrativa se comprometa caso o autor se prolongue demais. Os personagens secundários mantém o enredo andando, novos mistérios são levantados e tudo se encaixa antes do final.  Alys treina, cresce e amadurece... mas talvez não tenha sido o bastante, o que comprova o quanto a autora sabe os limites de sua própria criação.

Sobre os Personagens

O ponto alto do trabalho de Priscila foi sem sombra de dúvidas com os personagens.

Alys segue o padrão do protagonista "escolhido" por uma força maior, mas ela é completamente despreparada e, ao meu ver, esse é o charme dela.

Todos os personagens secundários da história tiveram um papel primordial. Eles não são apenas importantes para o desenvolvimento da Alys, são interessantes, divertidos e têm seu próprio crescimento. As Irmãs Vaarne, uma elfa guerreira e uma alquimista, estão entre as minhas favoritas Laiza tem 100 anos e gosta dos caras mais jovens, como não amar? Thela é durona e rígida como uma general, mas têm uma família linda e zela por suas crianças. Você segue torcendo por elas e todos os demais.

Evan, o guardião, é o segundo personagem no comando. Tudo que acontece com Alys, passa por ele. Os dois personagens que começam quase saindo no soco apresentam um belo desenvolvimento e aprendem a se admirar e respeitar, mas nunca perdem a essência de caçoar um do outro. É uma amizade bonita, não no sentido romântico da questão, mas de lealdade. Evan é um dos personagens mais leais a sua causa que eu já vi, e com certeza ele terá um avanço extraordinário no segundo volume, é para ficar de olho! Heh, heh.


Kyer começa como um mentor para Alys e aos poucos vai recebendo seu próprio espaço. Ele é o melhor amigo dela e estava disposto a tornar-se seu guardião. Eu gostei que a autora não usou essa ideia de friendzone passada, a amizade dos dois é mais sincera do que isso, entende?

O velho Celen é uma criatura cheia de surpresas! Trata-se de uma das formas mais criativas que já vi de retratarem um dragão — um velho de monóculo que fica sentado em sua poltrona confortável, mas também está ali como o mentor primordial e cheio de conhecimento e seus próprios mistérios.

"Quando um Elemental e um guardião se tornarem, enfim poderemos ver a luz e a magia retornarem e a todos nós fortalecer. Agora desperte e lute como parte do exército imaterial, vós que sois sangue de Ikal, sejam corajosos e justos até o final." p. 84

Falando sobre os vilões, admito que fui pego de surpresa! Wen, um dos lacaios do chefão final, é muito mais interessante e bem explorado do que seu mestre. Sou um pouco contra vilões poderosos que parecem só ter uma paixão por destruir, gosto de sentir empatia por eles e que no final fique a dúvida — qual dos dois lados realmente estava certo? Espero que o volume dois trabalhe melhor suas motivações ou crie um vilão a altura, porque se ele não se preparar, Alys chegará com fogo nos olhos para acabar com qualquer um que se por em sua frente.

Agora eu gostaria de encerrar com algo que me atraiu nas páginas finais — um terrível erro de muitos escritores é fazer com que seus personagens cresçam antes da hora, ultrapassando os limites do seu aprendizado e recorrendo ao clássico deus ex-machina. Nós, como autores, muitas vezes acabamos empurrando goela abaixo decisões e consequências dos nossos protagonistas porque nos falta tempo (ou melhor dizendo, páginas), ele vence o inimigo com o "poder do amizade" ou até despertando algum poder supremo que estava adormecido só que de maneira que pareça improviso do roteiro, vemos muito disso nos animes shounen. Quando o confronto final com o antagonista acontece, Alys vê de perto as consequências de sua falta de treinamento. Era impossível ela amadurecer tanto em tão pouco tempo, e ela sofrerá por isso. Achei incrível a autora explorar essa fraqueza, Alys terá de carregar esse preso para o resto da vida e muita coisa vai mudar no segundo volume da trilogia. Um final inesperado que te deixa o tempo todo com o coração na mão, certamente foi a cereja do bolo da obra!



Considerações Finais

Alys foi a leitura mais divertida que tive de um nacional de fantasia esse ano. Explorando humor e tensão na hora certa, a autora soube trabalhar o que é, para mim, a essência de toda boa história de aventura voltada para o público infanto juvenil — os personagens conversam com o leitor que se identifica, são cercados por seus defeitos e querem descobrir mais sobre esse mundo novo tanto quanto nós. Eles arranjam tempo para amar e caçoar da cara um do outro, a fantasia não precisa ser tão diferente do mundo real, os personagens enfrentam desafios como nós todos os dias, porém, claro que representados de maneira mais imaginativa - rs.

O principal valor que Elemento Alpha carrega é a lealdade, mas também tem a ver com o medo de encarar o mundo. Não importa o tamanho da ameaça, Alys conseguiu manter o sorriso no rosto. Uma das coisas que mais aguardo na continuação é conferir o crescimento dela e daqueles ao seu redor. Ela recebeu um choque tão grande que não será mais a mesma, é aqui onde vemos a fantasia progredir e a jovem que antes mal sabia como conjurar um bastão se tornará adulta. Acima de tudo, é uma história sobre seu crescimento. Muitos leitores podem se identificar com essa mensagem: "Não tem problema sentir que não é bom em nada, porque todo mundo pode melhorar. A vida se encarrega de colocar as pessoas certas no seu caminho".

Alys é fiel à sua proposta do começo ao fim e a autora mostrou que controla seu universo tão bem quanto o Construtor. Sinta-se livre para mergulhar de cabeça nesse universo místico cheio de metais, personagens cativantes e carisma, você não vai se arrepender.


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