sexta-feira, 20 de novembro de 2015

As Aventuras de Ralph #16


"[...] Nunca se sabe quando um amigo aparecerá em nossas vidas. Sua mãe dizia que não os escolhemos; caímos de paraquedas perto deles — e os amigos de verdade são aqueles que nos seguram ou que acabamos trombando no caminho.

Eles surgem de repente, preenchendo um pedaço que falta em nós, e desde pequeno lhe fora dito que quando encontrasse as peças certas, saberia. Chegou à conclusão de que amigos compartilham e adicionam pedaços uns dos outros, logo, alguém no mundo ainda tinha seu quebra-cabeça incompleto, e ele seria sua peça única, caso os encontrasse." — Capítulo 1.




sexta-feira, 13 de novembro de 2015

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Antes do Começo #03 - A Sombra dos Antagonistas


Eu sempre adorei a ideia das sombras para ocultar um personagem secreto nos vídeo games. A vontade de descobrir quem estava por trás daquelas silhuetas me incitava a mergulhar mais fundo para conhecê-los. Para mim, as sombras nunca vão deixar de cumprir seu papel que é justamente deixar o mistério, a curiosidade, a sensação de grandiosidade! Com isto em mente, venho compartilhar com vocês o primeiro vislumbre da Ordem do Selamento, os antagonistas de nosso livro.

Irei começar a pintá-los em breve, e pretendo deixar tudo preparado para quando tivermos uma editora e uma data de lançamento fixa, dessa forma poderei começar a oferecer mais detalhes sobre essas misteriosas figuras.

Para quem acompanhava meus velhos projetos no Aventuras em Sinnoh, já digo que será um esquema semelhante aos Fire Tales, com fichas, fanarts e muitas informações adicionais que nos fazem apegar-se tanto à essas figuras que saltam das páginas.
Uma pequena curiosidade para os fãs de Pokémon é que se os membros da Ordem do Selamento tivessem um elemento eles seriam, respectivamente: Poison, Ground, Steel, Water, Fire e Ice. Parece até que são ginásios Pokémon, não é mesmo? *risos*

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

As Aventuras de Ralph - Extra 01


Aqueles que vivenciaram o início dos anos 2000 com certeza irão lembrar-se de alguns itens dessa lista. O primeiro vídeo game que deu as caras em minha casa foi um Nintendo 64, e eu devia ter uns cinco anos na época. Apesar de não entender muito do que estava acontecendo, eu sabia que gostava, e essa paixão perdurou até os dias de hoje. Fui introduzido ao incrível universo Nintendo ainda muito novo, mas desde aqueles tempos já sofri alguns traumas com Mario e companhia. Histórias boas para contar e relembrar, especialmente se você também tiver passado por algo parecido.

Cascos vermelhos, cascos azuis, golden gun, um sino que invoca um fantasma capaz de roubar todas as suas moedas e estrelas, invertendo completamente os placares do jogo... Estes foram alguns dos principais fatores que abalaram amizades que supostamente deveriam ter durado a vida inteira. Ah, bons tempos foram aqueles! Reuníamos a galera só para ver uma única pessoa passar daquela fase difícil, revezando controles, rindo e brincando lá fora depois de concluída a missão. Sinto-me velho ao pensar nisso, mas algumas coisas nunca mudam, afinal, 15 anos depois ainda estou levando cascos azuis na testa em minhas partidas do Mario Kart 8 (e nessas horas percebo que talvez eu não sinta tanta saudade...)

Todas as grandes amizades precisam passar por provações. Se quiser testar o nível de sua amizade entre você e seu amigo, experimente algum desses. Só não venha reclamar depois, rs. Não diga que não avisei.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Itens e Produtos #01 - Tabuleiro e Cards

Sempre fui apaixonado por vídeo games desde criança, logo, eu gostava de imaginar como seriam meus jogos caso eu decidisse seguir carreira com isso. Apesar de não ser nada muito sofisticado e muito menos tecnológico na época (afinal, estamos falando da mente de uma criança de 10 anos com acesso apenas à lápis e papel sulfite *risos*) eu vivia procurando ideias e formas de expandir a influência de meus personagens em meu próprio mundo.

Enquanto revirava algumas pastas no meu quarto, deparei-me com desenhos e arquivos muito curiosos que remetem aos primeiros anos de criação do universo do Ralph. Aparentemente eu adorava jogos de tabuleiro, a sensação palpável de ter no que mexer, o fator da sorte aplicado aos dados e a enorme quantidade de extras que eu poderia aplicar para tornar tudo mais interessante.

E não podemos esquecer as cartas! Que criança não adora colecionar algo? Sejam cards, brinquedos, bolinhas de gude ou qualquer outra coisa interessante. Eu nunca abandonei meu hábito de colecionar, pela quantidade de desenhos velhos que encontrei em minhas gavetas acho que posso dizer que sou um colecionador de obras das mais diversas pessoas ao meu redor (tenho algumas terríveis, outras nem tanto *risos*). Uma porção deles. Eu sempre adorei passar horas tendo ideias, imaginando projetos durante semanas que muitas vezes eu nem tinha o intuito de terminar. Mas acredito que o importante é desenvolver essa criatividade, hoje posso sorrir ao me deparar com algumas dessas pérola e poder compartilhá-las com vocês. Divirtam-se!

Super Trunfo


Esse é um dos meus favoritos. O Super Trunfo é um jogo que fez parte da infância de muita gente, especialmente por ter várias temáticas divertidas como cães, tubarões, países, carros, aviões, franquias e por aí vai. Mesmo hoje, ainda me divirto com eles. Como bom apreciador de jogos de carta que sempre fui, Pokémon TCG, Yugi-Oh! e derivados serviram bem como uma fonte de inspiração para minhas ideias. Era comum que eu tentasse criar algo com meus próprios personagens,  crianças adoram copiar coisas (ou melhor, eu diria "inspirar-se") e levando em conta que o Super Trunfo parecia ser a ideia simples, logo foi o escolhido.

As cartas somavam XX no total. Eram todas feitas à mão, com acréscimo de 10 "cartas especiais" que ganhavam de praticamente todas as outras com certa facilidade (os famosos cheaters, haha.) Eu levava estes cards para viagens longas de carros e passava horas me divertindo com amigos e familiares. Bons tempos. Até hoje tenho apego por eles, e mal posso esperar para refazer cada um desses personagens numa versão atual e melhorada como no Super Trunfo dos Fire Tales que fiz para o Aventuras em Sinnoh.

Tabuleiro versão 1.0

Este aqui deve ser um dos joguinhos mais antigos que tenho guardado, e lembro-me que também me diverti bastante com ele. A mecânica funcionava como um tabuleiro, havia dezenas deles, deviam ser vinte ou trinta e cada dia eu fazia mais! Quando terminávamos uma partida, recebíamos pontos que eram utilizados para que comprarmos mais fases e personagens diferentes (a verdade é que alguns desses nem eu desbloqueei, eram tantos! *risos*).

O problema para mim era: onde guardar tudo isso? Juro que pensei jogá-los fora num dia desses porque ocupavam muito espaço e eram bem frágeis, mas foi então que cheguei à conclusão de que papel pode ser dobrado e guardado sem maiores problemas. Se eu estivesse jogando isto até hoje, eu provavelmente ainda não teria desbloqueado todos esses personagens *risos*.

Tabuleiro versão 2.0


Este aqui pode ser compreendido como uma versão melhorada do antigo. Agora os personagens são pintados, assim como o cenário, sendo que algumas das estruturas até pipocavam para fora, isso sim era demais! Lembro-me de trabalhar nele durante uma semana inteira, mas a mecânica que elaborei era tão complexa, mas tão complexa, que nem eu soube jogar. Resultado: Nunca testei, nunca joguei, e hoje é apenas uma dessas curiosidades que tenho guardado. Como será que funcionava?

Inclusive, é divertido notar que o Ralph (supostamente o personagem principal da jornada), não está entre os personagens jogáveis. Deve ser como aqueles jogos de antigamente, onde você tem de desbloquear tudo. Somente agora que tenho o livro pronto é que aprendi a gostar do Ralph como protagonista, afinal, não haveria como eu construir uma história tão longa em cima de um personagem tão importante que não gosto, isso destruiria os laços entre escritor e leitor. O Ralph costumava ser um bobão infantil, mas ele tomou uma dimensão muito mais profunda e interessante.

● ● ●

Chego à conclusão de que eu tinha muito tempo de sobra para criar coisas que nunca iria usar. Mas essa é a dádiva de ser criança, não? Brincamos por brincar. Não estamos avaliando nada, nem testando, só queremos nos divertir.

Tudo era feito com muito carinho e amor, mesmo que eu nunca imaginasse que fosse mostrar isto para alguém. Tenho orgulho desses projetos, mas sinto falta dessa habilidade de sentar-me na mesa num dia qualquer e, literalmente, fabricar algo. Super Trunfos, jogos de tabuleiros, cards, o que quer que fosse. Hoje passo horas navegando na internet pesquisando sobre capivaras no wikipédia, mas e o conteúdo produtivo, cadê? Acho que preciso de algumas aulinhas com meu velho eu...

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Too Bad! Original Recusado!


Não foi dessa vez, galera. Os documentos que enviei não passaram pela análise da editora Rocco. A resposta veio por e-mail no finzinho de Setembro, mais depressa do que eu imaginava que viria. A vantagem é que agora temos tempo de retomar a nossa jornada o quanto antes e quem sabe conseguir um lar para o livro até o final de 2015.

O original havia sido enviado no dia 31 de Julho via correio, e nem tive a oportunidade de apresentar a história, a primeira análise requeria apenas um pequeno currículo, 10 páginas impressas e uma sinopse. Ao menos eles responderam, estou aliviado por não ter de esperar mais! Acho que eu já estava com a impressão de que não ia dar certo, tanto que decidi enviar o original para uma editora chamada Arwen (que nem nossa eterna musa de o Senhor dos Anéis, haha.) e estou muito confiante. Ela parece incrível; tem poucos livros lançados ainda, embora todos sejam de enorme qualidade, estou mais ansioso do que antes.

Agradeço o apoio de vocês, leitores, que depositam tanta fé em mim antes mesmo do livro ter uma data de lançamento, rs. Vou me certificar de dar o meu melhor na próxima, continuarei trabalhando em novas ideias e formas de expandir este universo que ainda nem nasceu. Conforme as novidades forem chegando, mantenho vocês informados. Grande abraço!


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Certidão de Registro obtida!


É isso, galera, mais uma conquista para nossa jornada! Dia 17 de Setembro chegou aqui em casa a Certidão de Registro oficial do nosso projeto, devidamente registrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Foram cerca de dois meses e meio de espera, assim como o período previsto que vai até 3 meses. Muitas editoras pedem apenas o comprovante do registro, logo, eu não estava na ansiedade por receber este, mas admito que foi uma agradável surpresa.

É inspirador ter a sua primeira obra registrada, agora é hora de continuarmos no aguardo da resposta de alguma editoras, sendo que eu decidi expandir meu leque e mandar para mais uma, ambas respostas previstas para até Novembro desse ano. Vamos continuar de olho!


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

terça-feira, 8 de setembro de 2015

1 º Revisão Concluída


No dia 05 de Setembro registro a conclusão da primeira revisão do livro! O número de páginas aumentou um pouco, mas também retirei muito conteúdo que era dispensável.

Totalizamos 423 páginas e cerca de 152.000 palavras, podendo aumentar ou diminuir esse número até a versão definitiva. Será que é uma quantia boa, ou vocês têm preferência para livros mais curtos e diretos? Agora é hora de revisar o original impresso para melhorar alguns pontos e sentir na mão como seria a versão final, mas ainda estou em busca de alguns betas que possam dar a opinião e me ajudar a escolher o que vale a pena ser mantido ou melhorado. Estou muito satisfeito com as melhoras feitas, mas eu gostaria de polir essa pedra preciosa até que ela atinja seu estado mais puro.

E assim, nossa jornada continua. Obrigado pelo apoio, galera! Vou mantendo o ritmo das tirinhas e preparando muitas histórias paralelas para serem postadas aqui no blog. Continuem ligados!


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O Guardião da Última Fada [Resenha]


"As eras de glória arrastam-se para a escuridão. Maya, o berço das fadas, único centro da criação, começa a se desmantelar na história do tempo. Uma a uma as estrelas estão se apagando, e com elas os espíritos celestes que as governam."

Autor: Marcelo Siqueira
Lançamento: 05 e 06 de Setembro, 2015, na Bienal do Rio.
Altura e largura: 23x16 cm
Peso: 0.32 kg
Editora Novo Século - SP
Número de páginas: 240


O Guardião da Última Fada é o novo livro lançado por Marcelo Siqueira, coautor da trilogia O Príncipe Gato, através da editora Novo Século. É com esta obra que inauguro a seção de resenhas que estarei fazendo sempre que possível, continuo com meu projeto de ler mais livros nacionais e mergulhar na área, e fiz questão de começar com esse.

Tive conhecimento d'O Guardião da Última Fada através da página no facebook. Fiz a pré-venda sem saber ao certo quando chegaria, mas o livro estava em minhas mãos bem antes do imaginado. Acabei postando uma foto no instagram e me surpreendi quando o autor me respondeu, é como dizem por aí, uma das partes mais legais dos livros nacionais é a possibilidade de você conhecer quem escreveu a obra, e quem sabe até sentar uma tarde para discutir ideias e opiniões! Estive acompanhando vídeos de músicas e covers feitos pelo Marcelo, e gostei muito disso. Pude notar a paixão dele pelo que faz, porque quando realmente amamos o que fazemos usamos todos os meios para transmitir ao mundo o que passa em nosso coração.

Eu imagino que ao lançar um livro ficamos na ansiedade de saber logo quais foram as primeiras impressões dos leitores, e isso foge totalmente do nosso controle, muitas vezes só saberemos essa opinião através de comentários rápidos, resenhas em blogs, ou estrelas e notas em sites de críticas. Mas estamos falando de alguém que já é macaco velho nessa história: Marcelo Siqueira e seu primo Gustavo Almeida lançaram o primeiro livro da trilogia o Príncipe Gato ainda em 2011, logo, esta é a quarta obra do autor.

Bento de Luca é o pseudônimo utilizado por Marcelo Siqueira e seu primo Gustavo Almeida, que por sinal também está preparando a sua inauguração com uma obra solo: As Crônicas de Inian.

Há um prefácio muito bacana feito pela Renata Ventura, autora de A Arma Escarlate, que define muito bem todas as sensações que o livro traz, desde as loucuras do País das Maravilhas, as batalhas de Nárnia e a trama amável entre o Pequeno Príncipe e sua pequena rosa.

O livro narra as aventuras de Enzo, um rapaz de quatorze anos que se pega preso em um mundo mágico com a árdua missão de ser o guardião de uma criatura que, de fato, mantém tudo funcionando, e ainda precisa protegê-la de monstros assustadores com uma fome voraz. Conforme a trama avança, você percebe que não se trata apenas de uma longa aventura atrás de um objetivo específico, é muito mais do que isso. Há inúmeros personagens nas mais diferentes ocasiões, você percebe nitidamente que há uma mensagem por trás de cada um deles, cabe ao refletir. A maneira como o herói se depara com cada criatura e o que eles acrescentam à jornada e ao seu amadurecimento é o que realmente importa.

"Não se pode ter pressa. A calma e a tranquilidade são elementos fundamentais na jornada.
O processo é lento. É um desenvolvimento a longo prazo." — sr. Lobeno, Capítulo 18.

Foi uma experiência muito gratificante acompanhar o progresso do autor através de sua página no facebook. Senti-me inspirado em começar a trabalhar na divulgação de meus projetos também, antes mesmo de sequer terem sido aceitos por alguma editora. Esta etapa é de inteira responsabilidade do autor.

Uma Jornada Sobre a Vida

Certa vez escrevi uma fanfiction na internet com um amigo conhecido. Duas cabeças trabalhando produzem mais, surgem ideias mirabolantes na medida que a dupla compartilha opiniões e decide o que fará bem para o roteiro ou não. Marcelo Siqueira comenta logo no início que o livro nasceu em 2010, quando já haviam concluído o primeiro Príncipe Gato e apenas aguardavam seu lançamento. De alguma forma senti que no começo haviam muitas ideias jogadas que não faziam muito sentido para mim, e talvez nem mesmo para Enzo, o jovem que subitamente tornou-se herói. Encaro isso como se o próprio autor crescesse com a jornada. Trabalhar sozinho parece ter lhe dado mais liberdade, Enzo cresce na medida que o autor também encontra novos desafios e percepções em sua vida, principalmente remetendo à questão de fazer escolhas (elas estão por todo lado em nosso dia a dia). A jornada tem um objetivo claro: salvar a última fada reunindo três essências, enquanto o herói é perseguido por criaturas malignas.

O ritmo é frenético, cada aventura nos leva a um local diferente e uma criatura nova. Achei incrível a ideia de buscar uma estrela, soa tão impossível, surreal e ao mesmo tempo fantástico! Apesar de demorar para pegar o ritmo no começo e de fato compreender esse universo, foi na segunda parte que eu definitivamente passei a entendê-la. Daí para frente, só tende a melhorar. Parece até que a ideias vinham sendo trabalhadas na mente do autor há anos, que só estava esperando o fim de sua trilogia em Marshmallow para reviver um universo que habitava sua imaginação desde criança. Não sou chegado em aventuras que só dão atenção para descrições exageradas com palavras sofisticadas e cenas de ação em excesso. Sempre adorei histórias que me falam mais do autor do que aparentam, uma das primeiras coisas que procuro em toda obra é: — O que levou o autor a escrevê-la? Até onde isso tudo reflete o próprio Marcelo? (Como, por exemplo, seu terror pelas aulas de química. Eu também compartilho disso, cara! *risos*)

Sobre Monstros e Criaturas


Percebo que uma das características do autores d'O Príncipe Gato é gostar de trabalhar com criaturas animalescas. Eu poderia até dizer que todas fazem parte de um mesmo universo que parte da mente deles, é como se  tivessem criado um estilo próprio. O Imperador, um touro enorme apaixonado por uma doce sereia; sombras malignas em uma das melhores sequências do livro; bonequinhos suicidas feitos de bombas de chocolate; guerras sendo travadas e perdas que realmente nos fazem lamentá-las... Não existia barreira entre o bizarro e o sobrenatural nessas terras! É um mundo que habita fundo na mente de muitas crianças, jovens, adultos, e que em muitos casos deixou de existir. Perderam a chave que lhe dava acesso.

Nathalia Gomes, a ilustradora que também ajudou a dupla no terceiro volume do Príncipe Gato, fez um ótimo trabalho com a capa. Eu me pegava pensando o que seria a criatura com traços de um elefante, pensava tratar-se de um oráculo, e todos que me perguntaram da obra levantavam a questão: — O que é essa criatura da capa? O autor fez um belo trabalho com os monstros, logo no começo fui surpreendido pelos tambores que anunciavam a chegada dos Devoradores de Fadas. Achei inusitado uma capa com um vilão,  eles de fato são os principais inimigos que podem ser compreendidos como toda a maldade e a vontade de destruição existente no mundo, conforme os interpretei. Não é fácil lidar com criaturas que andam ao som de tambores, soando como uma marcha rumo a destruição. Certa vez ouvi que nós tememos o que não conhecemos, como por exemplo o escuro, não sabemos o que existe lá. O terrível monstro Sem-Nome e os Devoradores puderam gerar uma tensão necessária para a perseguição que se desenrola, independente de haver uma mente maior por trás deles ou não.

Gostei muito do ritmo da jornada. Cada personagem que faz sua aparição vai dando espaço para que outro entre cena. As páginas nunca estão forradas com muitos personagens se trombando e conversando, transformando tudo em uma verdadeira salada como ocorre com muitos autores que não sabem controlá-los (exceto pelos esquilos, eu estava torcendo para que esses dois se afogassem, desculpe *risos*). Quando há apenas Enzo em cena é o momento que você tem para refletir, como na parte da incrível metáfora sobre a árvore, o tempo e a saudade.

Sobre a Última Fada

Algumas vezes senti falta de uma presença feminina na trama, mas as páginas finais compensaram com diálogos que demonstraram toda a paixão que alguém pode sentir, e que talvez até remeta à outras vidas, memórias antigas que nunca teremos acesso. Seriam as fadas a personificação de quem realmente amamos? Estaríamos prontos para ir até a torre mais alta e lutar contra dragões e demônios para salvar alguém que nos é tão especial? Acho que todos deveriam ter a chance de encontrar suas fadas, alguns não as reconhecem quando as veem, outros as deixam ir embora e nunca mais as encontram. Digo apenas que foi muito bonito.

Há um trecho singelo que há a menção de um dente-de-leão, bem discreto. Uma curiosidade é que os dentes-de-leão são vistos como ervas que possuem uso medicinal, mas muito amargas. Será que não poderíamos interpretá-las como o amor entre Enzo e sua fada? Ao mesmo tempo que esses dois passam por todos os conflitos para alcançarem um ao outro (a parte amarga), há também a parte da cura, que pode ser compreendida como a esperança. Ah, são pequenos detalhes que tornam tudo formidável, aposto que aquele dente-de-leão não estava ali por bobeira.

Há inúmeras questões de escolhas que assombram o jovem Enzo. Achei o final genial, não imaginava que eu poderia ser surpreendido de tal maneira! As páginas estavam chegando ao fim, e eu estava desesperada, havia muito a ser explicado. O acidente se conectando com tudo (que certamente não foi apenas um sonho, eu diria), e a forma como ele fica dividido entre ajudar os dois mundos e ficar para sempre com sua amada... Eu costumo brincar ao dizer que sou adepto à  ideologia da Era de Ultron, do novo filme dos Vingadores, ou seja, o mundo está condenado e todos deveriam ser exterminados. Simples assim. *risos* Isso levantou uma pergunta que não quis calar: Se você pudesse decidir o futuro da humanidade, o que você faria? Por mais que Enzo seja um garoto de apenas 14 anos, será que se ele tivesse crescido mais um pouquinho teríamos um final diferente? Uma das principais frases do livro diz: Confesso que muitas vezes acreditei que a melhor saída para o mundo era o fim. Será que teria sido melhor Enzo ficar com sua amada e ignorar os irmãos esquilos irritantes? Os que lutaram para protegê-lo na guerra? Os irmãos equinos de duas cabeças? A doce Amélia e sua gravatinha de borboleta? A filha da Sereia que um dia será tão linda quanto a mãe? Se essa escolha estivesse nas suas mãos, você faria o mesmo? Ah, muitas dessas respostas foram deixadas para os leitores refletirem e imaginarem o que vem depois.

Considerações Finais

O livro é extremamente rápido de se ler, pude terminá-lo em apenas dois dias. A escrita fluiu de maneira graciosa, a equipe da editora fez um bom trabalho com a diagramação, revisão e ilustrações; encontrei apenas dois errinhos de digitação que escaparam da revisão, mas que no momento me fogem à memória.

Se vai ter uma continuação ou não, então eu digo que aqui está uma daquelas obras que deixam inúmeras perguntas para trás, e que ao mesmo tempo não precisa resolvê-las. Há espaço para mais, mas só se o autor quiser. Vivemos um tempo de preguiçosos, gostamos de ter respostas de mãos dadas e fácil compreensão para não ficarmos pensando nelas depois, já que estamos sempre atolados de informações atiradas por todo lado e na constante busca por mais.
Creio que, pelo menos eu, por um tempo refletirei sobre o que li e senti em O Guardião da Última Fada. Talvez antes eu desejasse agir como um Ultron maligno que prefere exterminar todos para recomeçar do zero, mas agora penso em cada pessoa que fez parte de minha vida e acompanhou a minha jornada, e começo a hesitar. Acho que qualquer um hesitaria, é uma responsabilidade tremenda, as decisões são feitas, e se elas foram certas ou erradas, como viver com esse fardo?

Deixo apenas os elogios para este autor que no final da obra conseguiu me deixar naquela espécie de ressaca literária, de querer voltar para esse universo que o Marcelo abriu as portas e me emprestou a chave para que eu mergulhasse de cabeça nele. Senti-me em casa. Só não sei se voltarei tão cedo, mas acho que guardei um certo novelo de lã branco no quarto para me lembrar desses grandes momentos...

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