sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O Passado dos Personagens - Lee e Hayley (Parte 2)

Original image by: EllaWilliams

Não passava das seis da manhã quando um estranho entrou na padaria, encapuzado e de óculos escuros.  Olhou para um lado e depois para o outro, procurava chamar pouca atenção. A garçonete  muito contra sua vontade  foi atendê-lo, mas não teria demorado tanto se soubesse que ali estava o mais novo campeão dos torneios de luta em Bodoni, detentor do Cinturão Púrpuro.
Ou melhor, até que o conselho decidisse se iriam revogar seu título e sua carreira como lutador.
Peter Lee gostava do sucesso, mas preferia evitar a mídia e preferia ser deixado em paz pelos fãs que o assediavam, Wendy costumava ser a responsável por lidar com suas finanças e também adorava usar do dinheiro das vitórias para comprar presentes. Ele sentou-se discreto e ficou algum tempo brincando com os palitos de dente, não demorou muito para um velho senhor de boina também entrar com um jornal debaixo do braço, acompanhando-o até a mesa.
— Por favor, quero um café bem quente, o mais quente que conseguirem, quase fervendo; o outro pode ser normal e com açúcar. Para acompanhar algumas batatas fritas e quatro hambúrgueres.
A garçonete fez uma cara estranha para os dois, mas anotou os pedidos.
          — É que ele está em fase de crescimento — comentou o velho, piscando para o rapaz ao seu lado.
O campeão ficou o tempo inteiro silêncio, pensando nos acontecimentos da noite passada e em como sua vida iria diferir a partir de agora. A garçonete logo voltou com os pedidos, Hugh deu uma pitada no café e reclamou que ainda não estava quente o suficiente, mas não pediu que trocassem.
— Se eu não te conhecesse, jamais diria que por baixo dessa montanha de músculos existe um cara sensível, carinhoso, e que gosta de café com bastante açúcar e lê livrinhos de romance — Hugh falou entre um sorriso brincalhão e Lee deu de ombros, já habituado com a brincadeira.
— Vá se ferrar — ele tomou o café só depois de se assegurar de que estava bem doce, logo partindo para o primeiro hamburguer. — E então... O que fazemos agora?
Os dois respiraram bem fundo.
— Sinceramente, ainda não sei. E pensei nisso a noite toda — respondeu Hugh. — Mas tenho algumas informações que talvez lhe sejam úteis, embora não seja necessariamente o que você precise ouvir num momento como esse.
— Já estou ferrado mesmo — resmungou Peter Lee, esticando os braços no encosto de seu assento. — Pode mandar.
— Pois bem. Você vai morrer.
— Conte-me algo que ainda não sei.
— O que quero dizer é que você pode morrer... agora!
Hught Burnout bateu na mesa com força, assustando duas senhoras que compravam alguns pãezinhos na recepção. Até mesmo Peter Lee não esperava por um susto como aquele, nunca se acostumara às metodologias de seu mestre Hugh que adorava surpreendê-lo e agora ria como uma criança pentelha de quarenta anos de idade.
— Desculpe, só estou tentando quebrar um pouco gelo. Tanto é que meu elemento é o fogo, entendeu?
— Sem trocadilhos.
— Estou rindo, mas não estou brincando, filho. Os amaldiçoados pelos olhos vermelhos podem morrer a qualquer instante, seja dormindo ou no meio de uma refeição, e sem motivos aparentes. Eles simplesmente caem e... morrem, como se sua vida tivesse sido completamente drenada. E isso pode demorar meses, anos, ou até uma vida inteira; mas também, quem sabe até alguns poucos segundos.
Peter Lee brincava com sua xícara, refletindo sobre as palavras do homem.
— Então como foi que eu consegui essa... coisa? Eu herdei de família?
— Não, não. Ninguém sabe o que é ao certo a maldição, ela assola muitas pessoas que vão e voltam vivas da guerra, e poucos vivem o bastante para contar como foi a experiência. Mas é notável que você tenha se tornado mais agressivo, um reflexo de suas ações na luta contra Ronald Rollout e seu desencontro com Wendy na saída há alguns meses — explicou-lhe seu mestre. — Você está perdendo o controle e não percebe.
— Eu não estou perdendo o controle.
— Está sim.
Num reflexo ligeiro, Peter Lee apertou seu punho com força e seu mentor percebeu.
— Está vendo? O que pretendia fazer em seguida, me bater?
— Este sou eu naturalmente, sou impaciente e não gosto de ser contrariado, não tem nada a ver com uma doença que aparentemente contraí de um dia para o outro.
Hugh massageava suas pálpebras, buscando a paciência que já tivera algum dia.
— Nós vamos dar um jeito. Até lá, trate de ficar longe dos holofotes por algum tempo. Vou lhe dar a chave de casa para que você se tranque lá dentro, leia algumas daquelas histórias chatas de romance que só você gosta, tire um tempo para pescar, sentir o vento e olhar a grama. Sei que vai ser um desafio intenso para um cara estressado como você, mas acha que consegue superá-lo?
— Posso quebrar algumas paredes se eu ficar quieto tempo demais, mas traga o meu saco de pancadas que está na academia e acho que eu me resolvo.
— Vou te trazer alguns livros, é a única coisa que te faz ficar quieto — Hugh sorriu, beliscando algumas batatinhas. — Preciso que você seja forte agora, ouviu? Não se pode vencer essa batalha. — ele respirou fundo e relaxou o corpo sobre o sofá acolchoado da padaria. — Receio que não haja muito o que fazer, mas farei o possível para prolongar a disputa.
— O que você está querendo dizer?
— Na última noite encontrei-me com um conhecido do exército para entender mais sobre a maldição. Ele me contou o que eu precisava confirmar. Não existe cura ao certo, mas para tudo nessa vida damos um jeito. Os amaldiçoados vivem o resto de seus dias como pessoas normais, não sentem dor alguma e não há sintomas, mas que quando você julgar que tudo anda bem demais, é possível que não acorde para ver o sol nascer. É como se ela se alimentasse de seus bons momentos, se tudo andar bem demais... este pode ser o seu último.
Lee já não conseguia ouvir com clareza todas aquelas explicações exaustivas e sem fundamentos de seu mestre. Passara a noite em claro, Hugh Burnout era um homem inteligente, mas claramente não sabia do que falava, era apenas um velho dando palpites em algo que ele não compreendia muito bem. Precisou pedir mais um café, e dessa vez decidiu saborear melhor o seu salgado de queijo como se fosse o último, porque talvez fosse mesmo. Sentia medo, raiva e vontade de chorar ao mesmo tepo; uma mistura angustiante que não saberia nem explicar o que era. Era tão injusto.
— Então é isso. Acabou. — Lee murmurou, exausto só de ouvir. Hugh meneou a cabeça.
— Pare de dizer bobagens. Você ainda tem um sonho para realizar. Sellureville acontece todos os anos, e você foi o melhor da sua temporada, receberá um convite com toda certeza independente de ter um título e um cinturão ou não. Se voltássemos a treinar como antes, tenho certeza que conseguirá controlar suas vontades, e...
— Mestre — Lee ergueu a voz, cruzando os braços na mesa. — Não dá. Não dá mesmo. Provavelmente eles irão revogar o meu título, e eu serei caçado como um... monstro. Não sei se consigo encarar de novo a Wendy me olhando daquela forma...
— Com se tivesse medo de você?
Lee fez uma pausa, respirou fundo e concordou com a cabeça.
— De herói para vilão. Que dia, hein?
— E pretende se esconder por conta disso? — disse Hugh, pegando algumas batatas fritas de seu prato. — Está vendo essas coisinhas deliciosamente apetitosas? São tão boas que vicia. Eu me lembro de quando você apareceu na academia com aquelas porcarias de “pílulas mágicas” que diziam torna-lo mais forte. Você ainda não tinha nem quinze anos. Eu lhe respondi: Filho, se vai treinar comigo, vai seguir os meus treinos. Aquelas pílulas eram drogas, aquilo poderia ter acabado com sua carreira e, pior ainda, com você! Mas aqui está um garoto forte e saudável. Alguma vez deixei de cuidar do meu garoto?
Lee negou com a cabeça.
— Já que posso morrer a qualquer instante, preciso saber de uma coisa. Você arrancou a cabeça de um dragão mesmo?
— Eu só fiz isso para proteger meus amigos — Hugh falou com uma risada entre os dentes. — E não tente fazer o mesmo. Você não é um matador sem coração de olhos vermelhos, e apenas a necessidade faz o herói.
Lee riu e concordou com a cabeça. Hugh levou sua mão para a dele, e por instante ele achou estranho outro homem de mãos enrugadas tocá-lo, mas o velho sorria revelando as rugas e as marcas de expressão em seu rosto se tornavam evidentes.
— Deixe isso para o seu velho. Eu vou descobrir uma cura.
— É mais fácil você descobrir qual o segredo daquelas Pérolas Sagradas que você vive falando do que isso. Suas pesquisas nunca rendem em nada!
— Algum dia você deixou de acreditar em mim? Enquanto estivermos vivos, temos tempo para conseguirmos o que eu quisermos — Hugh levantou-se vestiu sua jaqueta, ajeitando a boina na cabeça. — E você, filho, trate de ir para casa e se esconder.
— Então eu sou um criminoso agora?
O velho olhou para trás e umedeceu seus lábios.
— Não. Aos olhos do mundo, você é pior.
Hugh deixou a chave da casa na mesa para que Lee se hospedasse lá enquanto não tivesse para onde ir, tinha de evitar todos os lugares movimentados que frequentava para que os membros do conselho ou do exército não o encontrassem. Hugh já tinha ido embora e Lee estava para fazer o mesmo quando a garçonete o interrompeu e pediu que ele pagasse a conta.
— Aquele velho desgraçado... — murmurou Lee, pedindo outras duas porções de batatas fritas para a viagem.

i

Fazia um frio agradável lá fora, Lee ergueu o gorro da blusa e enfiou as mãos no bolso enquanto caminhava disfarçado entre as pessoas. Era bom ter um tempo para si, sem que ninguém o interceptasse alegando tê-lo visto nas últimas notícias da temporada como uma das celebridades daquele ano. O sol ainda se escondia por trás das nuvens cinzentas, uma brisa leve soprava e toda a cidade era dominada por uma aura tranquila e sonolenta de preguiça. Era um bom dia para ficar em casa e ler um livro, ainda sentia dores desde a última luta, logo não pretendia retomar os treinos tão cedo. Seguia o caminho de sua casa pela estrada de pedras púrpuras, as maiores cidades das províncias de Sellure recebiam nomes pelas cores de suas cidadelas, fortalezas e castelos; tal como o cinturão que conquistara. Agora havia soldados em cada ruela, talvez fosse melhor que nem o vissem treinando, seu futuro como um lutador era incerto. Não se sentia mais um campeão.
Pelo menos enquanto Hugh estivesse fora pesquisando uma cura para a maldição, teria de ficar sozinho, como há muito tempo não ficava. Vivera os últimos meses na casa de Wendy, e não tinha um momento sequer que ela o deixasse a sós. Suas energias estavam esgotadas, e no fundo sentia a necessidade de passar algumas horas apenas com seus pensamentos.
Havia uma ponte que ligava a estrada até fora da cidade onde Hugh morava, porá baixo dela passava um riozinho de águas rasas que desaparecia na curva. Ventava bastante, Lee passava por ali quando notou um estranho movimento vindo debaixo. Havia uma trilha de frutas, restos de comida e pequenos objetos espalhados até a área inferior, imaginou que alguém os teria perdido no caminho, então começou a juntá-los e desceu com tudo que conseguira carregar nos braços.
Debaixo da ponte havia apenas algumas caixas velhas espalhadas contendo objetos sem valor como montes de flechas quebradas, pontas de espada, frutas e livros rasgados. Um dos caixotes — o maior deles — estava escrito com tinta branca escorrida: Loja da Hayley.
— Olá? — Lee chamou, e no primeiro instante que ouviu a voz de um humano, uma estranha criatura felpuda saltou para fora da caixa de orelhas erguidas.
Ela tinha o focinho fino e pelos cor de areia, as patinhas se apoiaram para fora e ela quase caiu tamanha foi a sua empolgação. Lee imaginou tratar-se de uma espécie de gato ou raposa, imaginando o que estaria fazendo em uma cidade grande como Bodoni e por que estaria morando debaixo de uma ponte.
— Oi — falou Lee, ficando de joelhos para acariciar sua cabeça. — Onde está a sua dona?
Sua pelagem era macia, mas a criatura era muito maior do que uma raposa normal, tinha quase a altura de uma criança. Seu corpo era coberto por pelos, e dentro da caixa havia cobertores que ela utilizava para se aquecer no frio. Lee se surpreendeu ao conseguir encará-la nos olhos e perceber que eles pareciam entender perfeitamente cada palavra sua.
— Ela saiu? — perguntou o rapaz, e a raposinha fez que não. Estava conversando com um animal que realmente entendia a língua dos humanos. — Então... você mora aqui sozinha? — Dessa vez ela fez que sim, e com uma das patinhas apontou para o nome pichado em branco na caixa. — Você é a Hayley?
A raposa ergueu as sobrancelhas e sorriu encantada.
— Essas coisas são todas suas? — perguntou Lee, dando uma boa olhada nos arredores. — Bom, o que você vende aqui? Tem alguma coisa que eu poderia comprar para ajuda-la?
A raposa ergueu a pata como se pedisse para que ele esperasse, saltou para fora da caixa e foi correndo até os fundos, trazendo de volta várias maçãs vermelhas e suculentas que ela colhera de uma árvore nas proximidades.
— Uau — Lee olhou para as frutas e forçou um sorriso. — Eu não como maçãs.
A raposa não compreendeu. Voltou para os fundos da ponte e dessa vez trouxe um livro, colocando-o em frente ao rapaz. Tratava-se de um livro para crianças, muito surrado e antigo, e nas imagens das páginas seguintes trazia diversas histórias infantis famosas como a Branca de Neve, Cinderela e a Bela Adormecida.
Hayley abriu o livreto no capítulo em que a Branca de Neve é envenenada pela bruxa má ao comer uma maçã. Lee começava a perceber que aquele animalzinho era mais inteligente e curioso do que imaginara.
— Está insinuando que eu não aceitei sua maçã porque penso que você vai me envenenar? Fica tranquila, eu só não gosto de maçãs mesmo.
Hayley sorriu e fez um sinal com a mão de que estava aliviada.
— Vejo que você gosta de contos de fada — a raposa fez que sim com a cabeça, como se só estivesse no aguardo daquela pergunta.
A raposa correu para os fundos e dessa vez trouxe pelo menos dez livros infantis em uma pilha, colocando-os um em cima do outro. Mostrou ao visitante Chapéuzinho Vermelho e A Bela e a Fera, e cada vez que suas patinhas percorriam as imagens ela soltava um suspiro.
— Esses são seus preferidos, não? — Lee sorriu, e a raposa mostrou como Bela era linda, amável e gostava de livros; enquanto a Fera era uma criatura detestável que todos evitavam.
Lee foi analisando com cuidado os aquela misteriosa criatura que tanto lhe cativara a atenção, era um animal que nunca antes visto, mas diferente de qualquer raça, parecia entender perfeitamente os humanos, o que certamente não era normal mesmo no Reino de Sellure. Poderia ter ficado horas ali e a raposa não terminaria de mostrar tudo que havia em sua lojinha, mas Lee estava cansado e precisava voltar para casa.
— Bem, foi muito divertido conhecê-la. Agora vou andando!
A raposa foi correndo até sua calça e puxou a barra, indicando que ele levasse um dos livros infantis, pelo menos.
— Nossa, obrigado — agradeceu o rapaz, que quando estava para sair foi repreendido pela raposa que lhe esticou um pote de vidro com algumas poucas moedas. — Ah, sim, o pagamento. Quase que esqueço.
Lee ia lhe dar o troco da padaria, mas encontrou mais um punhado de moedas de ouro que deixara no bolso da blusa antes da luta contra Ronald Rollout. Ali havia o suficiente para que a raposinha se alimentasse por um ano inteiro, seus olhos brilharam e ela se enrolou numa das pernas do rapaz em sinal de agradecimento. Lee acariciou sua cabeça e foi embora com o livro debaixo do braço.

ii

Nunca acertava as chaves de primeira, e aquilo já estava começando a irritar. Por que Hugh tinha de andar com cinco chaves se só precisava de uma para entrar em casa? Provavelmente eram de seu antigo lar quando ainda morava com sua esposa em alguma ilha deserta, como certa vez ouvira, e mesmo assim não fazia nenhum sentido.
Quando finalmente conseguiu entrar, um vento abafado soprou pela porta. A última vez que estivera ali devia ser quando recebera a dispensa do exército, desde então nunca achou que precisaria de um lugar para chamar de casa, pois tinha hospedagem garantida em pousadas, hotéis caros e, principalmente, na cama de Wendy.
Olhando com olhos de alguém que vivera do bom e melhor, agora a casa parecia apenas um depósito velho e de espaço limitado. Ae enorme cama de lençóis brancos continuava no lugar, mas o sofá e armários estavam em outra posição, as panelas continuavam sujas na cozinha, e ele poderia jurar que estavam assim desde que fora embora. Hugh era um velho solteirão que nunca tivera aptidão nenhuma com as tarefas de casa. Lee não conhecia muito de sua história, mas acreditava que ele fosse divorciado e por isso acabou indo morar naquelas condições.
Pelo menos era o suficiente para ficar bem e confortável. Havia crescido ali de forma simples, quando perdeu seu pai foi Hugh quem o adotou e o colocou para treinar. Era um refúgio longe dos casarões e hotéis antes das lutas, longe dos quartos luxuosos de Wendy e da comodidade.
Lee saiu para a varanda onde deu de cara com uma rede entre dois pilares que sustentavam a casa. Sua primeira ideia foi deitar ali e balançar até dormir, e quando finalmente fechou os olhos, pensou ter encontrado a mais plena paz.
Porém, a maldição ainda assolava seus pensamentos. Não se sentia diferente, nem agressivo e nem violento. Era o mesmo Peter Lee de sempre, talvez um pouco mais cansado e abatido — e sem Wendy —, mas o mesmo cara de sempre. Precisava acalmar sua mente, pegou o livro infantil que comprara na lojinha da raposa e começou a folhear — acabou-o em menos de cinco minutos, pois só havia imagens em sua maioria, logo não demorou em adormecer.
Não tinha muita noção de quanto tempo se passara até que ouviu alguém tocar a campainha do outro lado da casa. Hugh não poderia ter voltado com informações sobre os olhos vermelhos tão depressa.
Levantou-se e foi atender, mas não havia ninguém, só uma caixa escrita com tinta: “Loja da Hayley”.
— O que aquela criaturinha está tramando...? — murmurou para si mesmo.
Lee fechou a porta e deixou o pacote lá fora. Virou-se por um breve segundo para juntar a bagunça pela casa, mas alguém tocou a campainha de novo e ele teve de ir atender.
A caixa continuava ali, imóvel. Dessa vez decidiu chutá-la de leve para depois abri-la, onde encontrou diversos acessórios, cobertores e uma boneca de pelúcia sem cabeça. O nível de esquisitice beirava as alturas. Lee estava para pegar o pacote e jogá-lo no lixo quando a mesma raposa de antes pulou de trás de um arbusto e parou exatamente em frente à porta.
— D-dá licença, moço...
Sua primeira reação foi arregalar os olhos, depois ele deixou a caixa cair e abriu a boca num sinal de surpresa, puxando a criaturinha para o alto onde pudesse encará-la nos olhos.
— P-por favor, não me coma!
— Você fala? — ele indagou incrédulo, agora conversando com a raposa que tremia no ar.
— Você vai me comer?
— Claro que não — Lee a devolveu para o chão, procurando alguma explicação conveniente para o que estava acontecendo. Sabia que no Reino de Sellure existiam muitas criaturas mágicas com o poder da fala, os geckos eram lagartos humanoides com a capacidade de brandir uma espada e ir para guerra, monstros enormes se comunicavam e eram vistos com frequência nas cidades, mas era a primeira vez que via um animal comum falar.
Mesmo depois de coloca-la no chão, a raposa ainda tremia, fosse de medo ou do frio que fazia lá fora.
— O que é você, e por que está me seguindo?
— Eu não sei, eu não sei! — A raposinha puxou suas enormes orelhas, como se prestes a surtar. — Não me faça perguntas difíceis! Quando você foi até a minha lojinha hoje cedo eu senti que deveria vir agradecê-lo de forma apropriada, ainda mais por ter me dado tanto dinheiro. Seria injusto deixar você pensar que eu era só um animal burro e fofo que nem a maioria, mas é que você foi tão legal comigo, e eu pensei que deveria retribuir contando o meu segredo, e...
Lee ergueu a mão, pedindo para que ela parasse de falar um pouco. Agachou em seus joelhos para ficar na mesma altura e procurou manter a calma.
— Qual é o seu nome? Você é a Hayley mesmo?
— Sou, sim — ela disse, envergonhada. — Eu não tenho dona. Sou uma feneca, que é o feminino de feneco, mas poucos sabem que animal é esse então a maioria pensa que eu sou só uma raposa ou algum outro tipo de aberração que anda sobre duas patas.
Lee concordou com a cabeça, procurando ser compreensivo.
— Então você está aqui por que queria me agradecer.
— Sim... — Hayley juntou suas patinhas, contente.
— Já agradeceu. Hora de ir embora.
Lee estava para voltar para dentro da casa, mas quando olhou para trás e viu a expressão desolada daquele animalzinho perdido soube que teria de fazer alguma coisa.
— Precisa de alguma coisa?
— É que eu pensei que talvez você pudesse me ajudar... — Hayley encolheu-se toda, olhando para os lados. — Por um acaso precisa de uma emprega ou servente? Eu posso limpar e arrumar, também sei cozinhar um pouquinho, talvez você esteja precisando de alguém para realizar essas tarefas mais simples e eu posso me candidatar!
— Não — Lee respondeu de imediato. Um vaso terminou de cair e se espatifar no chão ao seu lado, e ele nem precisou olhar. — Acabo de chegar, e não preciso de ajuda. Chega de empregados, não quero gente me servindo, só quero ficar sozinho.
— M-mas você é cheio da grana — Hayley respondeu, olhando com atenção para o corpo dele. — Se você só me deixar ficar por perto já seria de grande ajuda, então o que acha de...
— Não é não — Lee começou a arrumar as coisas espalhadas da “Loja da Hayley” que mais parecia uma gaveta de brinquedos em seus braços. — É sério, estou bem assim, mas agradeço a preocupação. Não posso contratar os serviços de um animal mágico que nem sei o que é, por um acaso já te registraram em alguma raça, ou você seria uma espécie completamente nova?
— É disso que estou falando! — Hayley berrou. — Eu não sei o que eu sou e nem o que eu fiz, mas preciso muito de ajuda!
Lee aspirou fundo. Nunca resistia a um pedido de socorro, especialmente vindo de uma dama, por mais que Hayley não passasse de uma raposa — ou melhor, feneca. Ele coçou a cabeça e olhou para os lados, só para ter certeza de que ninguém os ouvia.
— Tudo bem, então. Vamos tentar recomeçar. Meu nome é Peter Lee, você já deve ter ouvido falar de mim.
Hayley fez que não com a cabeça.
— Como não? — Lee encostou o braço no batente na porta numa tentativa frustrada de mostrar seus músculos e fazer pose. — Lutador profissional. Dezessete combates, dezessete vitórias por nocaute. Ontem enfrentei Ronald Rollout nas finais do campeonato de Bodoni e saí vitorioso, só falam meu nome na cidade.
— Você luta? Então você é um... lutador — disse Hayley, que até mesmo sendo irônica era divertida. — Dãã, é claro que é, basta olhar para o tamanho desses braços!
Lee arqueou uma das sobrancelhas. Ah, então ela percebeu. E agora estava corando ou era impressão sua?
— Quando aprendeu a falar e entender os humanos?
Hayley olhou para os lados e encontrou um exemplar de "A Bela e a Fera" que trouxera em sua casa. Ela o pegou com cuidado e o entregou nas mãos do homem, depois ficou de pé em sua frente, batendo quase na altura de seu quadril, como se fosse gente.
— Eu estava tentando te falar isso lá na ponte, mas você parecia não entender... Eu fui amaldiçoada.
O rapaz até ajeitou-se para ouvir a história com mais atenção. Por um momento aquela criaturinha tornou-se mais interessante, afinal, agora não havia um único amaldiçoado no recinto.
— Então você nem sempre foi assim?
— Eu era humana, como você. Mas... — Hayley olhou para as próprias patinhas peludas. — Um dia eu acordei e estava nessa forma... Eu acho. Eu não sei o que aconteceu, não sei quem me fez isso, mas desde então alguma coisa têm me perseguido e eu vivo fugindo. É difícil confiar em estranhos, é difícil sobreviver, e então eu encontrei... você.
Lee continuava sério e carrancudo do outro lado.
— E? Vai dizer que você confia em mim como se eu fosse a solução para todos seus problemas?
— É que você parece ser um cara tão legal...
— Só que eu não sou um cara legal — ele disse, sério, e depois não escondeu uma risada abafada —, ou melhor, na maior parte do tempo eu não sou.
— Ninguém consegue ser legal o tempo todo — Hayley ergueu os ombros e também riu. — Digo, a menos que você tenha problemas em ser visto com uma criatura estranha como eu... M-mas eu posso me esconder, posso fingir ser um casaco de pele ou um cachecol no inverno!
— O problema não é você, consegue entender? Sou eu. Eu sou o problema. Eu sou a aberração.
— Não parece.
Lee respirou fundo e retirou os óculos escuros, mostrando seus recém adquiridos olhos vermelhos.
— Uau — Hayley falou, encantada. — Seus olhos são lindos.
— O quê? Não, não. Eles são vermelhos, garota. Não reparou?
— Ah, sim. Você deve gostar de vermelho, né? É lente?
Lee levou a mão até seu rosto. Ela certamente não sabia dos perigos que um olho vermelho representava, e talvez por isso não ligava.
— Tudo bem, acho que nós dois não somos tão diferentes um do outro. Você até pode ficar por um tempo, pelo menos até o inverno passar. Não tem muito espaço, então tente se ajeitar... por aí.
— Sem problemas! — Hayley disse empolgada, virando toda a caixa de papelão no chão de novo e se encaixando dentro dela. — Eu durmo aqui mesmo. Você vai estar por perto?
Lee sorriu e concordou com a cabeça, afinal, não tinha para onde ir mesmo.

O dia se passou tranquilo, na maior parte do tempo Hayley tentava organizar a casa, mas era tão desastrada que mais atrapalhava do que ajudava, obrigando Lee a levantar-se para socorrê-la nas tarefas mais difíceis. Enquanto ela ajudasse nos serviços domésticos, teria alimento e moradia garantidos. As estantes de Hugh tinham livros o suficiente para passar o inverno e entreter-se. Nenhum dos dois esperava sair daquela casa nos próximos meses.
Quando Lee enfim deitou-se, pela primeira vez em muito tempo sentiu-se sozinho. Ainda pensava em Wendy e em outras garotas com quem já compartilhara algumas noites. Ainda no escuro, sentiu algo subir na cama e andar em círculos até estar confortável e enrolar-se perto de sua perna.
— O que está fazendo aí? — Lee perguntou, no escuro.
— Tá frio — respondeu a voz de Hayley.
— Mas você tem pelos, eles não esquentam?
— Mais ou menos. Ainda devo sentir algumas coisas de quando era humana.
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas ouvindo o barulho do vento que soprava por entre as frestas da janela.
— Como foi que isso aconteceu? — Lee enfim perguntou. — Digo, quem a amaldiçoou?
— Eu juro que não sei. Um dia acordei e estava nessa forma de aberração... Desde então tenho sido perseguida.
— Por quem?
— Pelo Lobo.
Lee quis rir ao ouvir aquilo. No fundo Hayley deveria ser apenas uma criança carente que ainda vivia seus contos de fada. Ela era a Chapeuzinho Vermelho sendo perseguida pelo Lobo Mau, e seu papel era o do Caçador. Por algum motivo Hayley sentia-se profundamente segura ao lado dele, e a sensação de oferecer proteção a alguém em necessidade o fez sentir-se um verdadeiro herói.
— Então eu vou te proteger, pode ser?
Lee não pôde enxergar, mas sentiu que agora Hayley sorria como nunca.
— Talvez eu tenha sido uma menina meiga e muito bonita, que nem nos contos de fadas, só que ao inverso; pois eu devo ter feito algo realmente cruel para merecer essa punição.
— Tipo “A Bela e a Fera”?
Hayley concordou.
— É. Tipo “A Bela e a Fera”. Só que eu sou a fera.
— Às vezes a vida nos castiga só para aprendermos a enfrentar as dificuldades que virão pela frente, ou ela espera que tiremos alguma lição dessas experiências. Mas tudo tem um motivo — Lee pensava em sua própria maldição, mas não queria demonstrar dúvida, muito menos em frente à pequena Hayley que tanto carecia de confiança. — Um dia de cada vez, tudo bem?
          Hayley não respondeu, mas continuou a esquentar suas pernas, e aquilo já era o suficiente.


    

  17 comentários:

  1. Hayley <3 Eu já gostava muito dela e agora a amo! :3

    Essa ''loja da hayley'' foi uma ideia bem interessante, lembrou daquele tempo em que os desenhos animados tinham também essas ideias ''originais'', hoje em dia quase tudo o que eu vejo neles é uma falta de criatividade...

    Estou morrendo de curiosidade para saber que lobo é esse (e como é que ele nunca se lembrou de procurar numa ponte, com uma faneca suspeita vendedora de coisas com ''ar roubado'', e pior identificado como ''loja da hayley'' kkk)

    Em fim... Acho que o Lee viu a como alguém que só queria saber dó dinheiro dele no inicio kk

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    1. Hey, Shii! Fico feliz em ter entregue uma Hayley bem dentro das expectativas, no fim das contas ela não é nada da figura assustadora das tirinhas, é só uma furry meiga e carente kkkkkk O que você mencionou é verdade, houve muito interesse por parte dela, seja no dinheiro ou no... corpo dele, hehe. Mas eu acredito que essa é a chave que abre infinitas possibilidades no futuro, alguém tem que dar o primeiro passo, sabe?

      Não se preocupe que ainda irei conseguir mostrar o lobo na parte 3! Ele é o primeiro vilão de verdade, e apesar de não estar no Livro 1, já tenho planejado um arco inteiro onde ele voltará a dar as caras para mexer com algumas emoções. Fiquei conversando com minha irmã ontem e percebi uma forma incrível de interligar diversas partes e personagens, são algumas pontas soltas que ficarão na história principal do livro, mas sempre que alguém quiser poderá voltar e concluí-las aqui.

      E se este especial foi o primeiro a ser postado, saiba que foi por causa de vocês que viviam trazendo fanarts e comentando! :D Obrigado por apoiarem a Hayley e os demais personagens!

      Excluir
    2. Acho que mais de 50% dos seus leitores vão ser da comunidade furry, prepare-se para ver muito porno relacionado com a Hayley! kkk
      Fanarts, Fanarts da Hayley everywhere...

      No final de contas é difícil para mim não ser um pouco Furry nas historias de fantasia, quase todas as raças humanas são de algum modo furry.


      Eu vou com um palpite... Acho que a Hayley é na verdade uma raça humana desconhecida ainda, ou então secreta de algum reino longínquo, e pode ter batido com a cabeça em algum lugar e não se lembrar da vida passada quando acordou.
      É que eu achei meio estranho só ter 3 raças humanas no seu universo (sem contar com típicos humanos claro), a não ser que queira a simplicidade...

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    3. Meu intuito é atingir todo o tipo de público, e eu me divirto muito com os furries kkkk Como qualquer comunidade, eles também são fãs loucos que adoram seus personagens, eu adoraria ver a Hayley recebendo um pouco do carinho dos furries também, isso significaria que acertei nela com perfeição! kkkkkkk Até porque, convenhamos, se um personagem recebe muitas fanarts, sejam elas pornográficas ou não, isso significa que as pessoas estão gostando muito! Meu intuito é agradar os leitores, eu entrego o material e eles fazem o papel deles: ser um fã. Eu mesmo gostaria de fazer algumas artes ecchi da Auria como foi a Semana R16 em Sinnoh, que com certeza farei uma reprise! kkkkk

      Este é um belo palpite sobre a Hayley, mas sendo bem sincero com você, nem eu me decidi 100% sobre a história dela kkkkkkkkk A Hayley é uma das únicas personagens que não contarei o passado no blog, isso porque o dela será importante demais para o desenvolvimento do livro e provavelmente acabarei revelando só lá para frente. Parece que ela esconde mais segredos do que aparenta...

      E quanto às raças, na verdade são 4 principais, mas existem outras perdidas! Não quero criar nada muito abrangente, o universo do Senhor dos Anéis também contém 4 raças principais (homens, anões, elfos e orcs), mas ainda existem algumas outras menores. Eu farei os clássicos humanos e os geckos que são homens-lagartos; os monstros representam qualquer criatura bizarra, e eles por sua vez se dividem em centenas de outras sub-espécies como dragões, serpentes gigantes e etc, tornando-se assim uma das raças mais proeminentes; e por último há uma raça que ainda não falei muito, que são os tótines. Eles têm aparência humana, mas nascem com o poder da magia que pode ir desde controle elemental até transformação em animais e essas coisas. Na verdade eles apenas usam a aparência humana, mas digamos que essa raça é a própria mana, que seria tipo a essência da vida, é como se eles fossem uma manifestação física da magia kkkkkk Preciso começar a criar as postagens para explicar mais sobre elas :)

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    4. Obrigado por explicar o que são tótines, eu estava a ler uns comentários meus antigos por aqui e fiquei na duvida kk.

      anões, elfos e orcs estão a ficar sem graça, demasiado usados, eles precisam de descanso tal como os dragões, fadas, sereias... já discutimos sobre isso certo? quer discutir de novo? kkk espero que suas outras raças não sejam essas e sim algo novo e criativo. :3
      Existe tanto bicho humanoide único da mitologia...

      no meu universo, curiosamente, eu tenho os Chingkas, são um género de gato/raposa humanas, e sabia que a Hayley encaixa bem neles? kkk
      eles são 1 das minhas 8 raças, talvez a mais antiga pois criei a uns anos, não vou explorar muito eles em principio, tal como a maioria das minhas raças, digamos que são tantas que não sei como as usar, mas as adoro tanto (especialmente meus Cuckoos, humanos com cabeça de galinha) e não quero que elas desapareçam de Dreamian D:


      O nosso trabalho é exatamente esse! Ler, comentar, fazer FanArts... Para mim é o que dá não ter mais nada de útil para fazer nos ''tempos livre''! kk :3

      E agora depois da Hayley acho que quero mesmo pertencer aos furrys! kk Eu ultimamente já andava a começar a ficar obcecada por lobos, cães, gatos, raposas e esses animais assim mais famosos nessa comunidade. Acho que no final de contas eu sempre fui uma ''furry não praticante!'' kk

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  2. Droga,acho que é a terceira vez que eu uso esse meme nos comentários dos membros da aliança

    https://www.youtube.com/watch?v=-1NvdwUamcc

    Hayley e Lee,meus personagens favoritos de longe,eu não shippo os dois,acho que o Lee vai ser muito mais o protetor/pai da Hayley,mais só o desenvolvimento da historia dira,alias,Harley e Lee,personagens que eu mal conheço e ja considero http://www.mememaker.net/static/images/memes/4340671.jpg ( Legal que os personagens que eu mais gosto são os mais supostos a morrer,valeu Canas)

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    1. IT'S SO FLUFFY! É a primeira vez que estou ouvindo a opinião de leitores de fora sobre os personagens, e gostei de saber que você achou que o sentimento do Lee pela Hayley é mais como o de um pai protetor. Eu tinha essa dúvida, seriam eles o casal mais romântico da história, ou apenas mais um relacionamento? Seria um romance feliz ou conturbado? Por termos essa experiência com Fire Emblem, os shippings são a minha parte favorita em qualquer livro agora kkkkkkkkkkk

      MAS O QUE?! Por que você acha que eles vão morrer, cara? Aqui não é Sinnoh, pode ficar tranquilo que todo mundo vai terminar vivinho e feliz correndo atrás de borboletas e colhendo flores no campo! kkk Brincadeira, mas é realmente um universo completamente diferente de Sinnoh, imagine que esta é a fic no começo, onde tudo ainda era bonito e agradável. Se for pra galera morrer, que seja lá pro final, e aí sim ninguém estará seguro!

      Valeu pela presença, Master of Pacas!

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    2. Cara,Fire Emblem vicia qualquer um em shippings ,que se você gosta de historia,é essencial pro jogo ,tipo ,os primeiros FE tinham personagens ,mortos,eles mal tinham diálogos e mal exibiam personalidade ,nos Fire Emblens atuais você vê um Mascarado chutador de bundas que doma um Wyvern revelar que tinha medo de altura (Nitendo Treehouse,por que vocês não traduziram direito o Fates,porque ???? )

      Mesmo assim,espero que esse capitulo não tenha contado como support,por que se a algo que eu aprendi no youtube

      https://www.youtube.com/watch?v=RSx9rvSKV6k

      SUPPORT É UM MAL SINAL

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    3. Ouviu, Star? TUDO CULPA DE QUEM?! Foi criar esse vídeo e todo mundo agora vai enxergar os Supports como sinal de morte! kkk Mas não se preocupe, isso é exclusivo para o final, porque antes haverão muitos supports daqueles bem aleatórios que só servem para dar risada ou compartilhar alguma informação importante sobre um personagem, como o Gerome que tem medo de alturas.

      Aqui em Sellure estou separando de forma diferente, quando vou contar sobre o passado de alguém isso entra no "Passado dos Personagens" (dãã, mas é claro), e eles provavelmente são a parte mais importante do blog; os supports continuam sendo dedicados a momentos do cotidiano para fugir da tensão, mas agora entram mais como um extra mesmo; e farei também Cenas Deletadas que são capítulos que deveriam estar no livro, mas acabaram sendo retirados. Mal posso esperar para começar a receber sugestões de supports de novo após o lançamento! :)

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    4. Ou o Lon'qu que tem medo de mulheres,ou o Frederick que odeia carne de urso,ou a Cordelia que tem um tombo pelo Chrom ....(Desculpa,eu não consigo parar de enxer aquela abinha '' comentários recentes'' )

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    5. Eu acho que estão falando de mim >.>
      OH, SUPPORTS NÃO! É AVISO DE MORTE HASHAHSHAHSA
      NEIN, NEIN,NEIN!

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    6. Duke é exceção,ele não morreu ,é ainda deu um soco no Aerus que é o protagonista da historia

      Aerus pode ter derrotado a Tih,mais as derrotas que ele teve do Duke no inicio vão doer eternamente

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    7. O Duke é tão inútil que não presta nem pra morrer HAHSAHSHAHSHA
      PORRA DUKE!

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    8. Nós sabemos o que aconteceria se o Duke fosse forte,acho ele legal assim ,esse jeito dele de todo mundo achar ele inútil cabe muito bem numa família de Eevees,já que essa é uma especie que todos buscam mudar

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  3. Achei a Hayley muito fofa, man! E o Lee man(s)!(Entendedores entenderão), eu achava que ele ia ser mais o tipo (...) mas a cada chapter vejo que é bem diferente do que eu achava que seria! Atualmente o que vejo é um cara meio frustrado por causa de seu recente problema, mas ainda, ao seu modo, bem simpaticão, sacas? (Acho que deve ter entendido, sei lá né?)

    E sobre o Hugh... Esse velho ainda mata alguém do coração, ele é mó louco! Embora o Lee também não é santo... Balinhas mágicas, hummm.....

    https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRJblyD-IxSM9VzfHwgyDdN0qRlCyfJfDaP-zzxUBOJgHpudx14zkJvRg

    Bem, não tenho muito a comentar, é só e té mais!

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    1. No fim das contas o Lee não é um cara tão ruim, não é? kkkkk Acho que ele só é meio incompreendido, e por mais que eu gostaria que ele fosse um bárbaro sem coração, o cara ainda tem 20 anos na história principal e continua gostando de historinhas de romance e animais fofos kkk Se eu conseguir fazer uma boa transição de tempo entre os livros, provavelmente veremos um Lee muito mais robusto e rígido, mas sempre existirá nele o coração carinhoso. Ou talvez seja a Hayley quem dê uma controlada nisso, ainda não vimos o cara explodir de verdade.

      Todo mundo tem um tio Hugh, só falta o cara começar a fazer as piadinhas clássicas do "É pavê ou é pra comê?" e "e as namoradinhas?" kkkkkkkkk Pelo menos o cara é vivido e tem conseguido controlar o garoto, o velho já tem experiência kk Valeu pela presença, Sir!

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